–Senhor, Tartfeel, ahn... — disse Eti Clián.

–Qual o problema? — questionou Boai Dix.

–Ele não está na cela 6. — terminou Eti Clián.

Os olhos de Boai Dix brilhou feito chamas. Ele estava visivelmente abalado. Não entendia como Tartfeel conseguira escapar de sua cela especial. O Diabo tinha investido todas as suas proteções em tal lugar. Era praticamente impossível fugir de lá. Boai Dix sabia que algo de proporções infinitas estava por vir, mas ele se mantinha calado e não dizia seu suposto segredo a ninguém.

–Pois bem. Vá procura-lo, então. — disse o Diabo.

Eti Clián fez que sim com a cabeça e levantou voo. Ela sobrevoou a cela de Tartfeel Piech durante alguns minutos. As almas gritavam. Pareciam estar contentes com o ocorrido. Quando, de repente, Eti Clián sentiu algo lhe atravessar e caiu dura no chão. Ela estava agonizando no chão e seus gemidos ecoavam no Inferno.

–Olá, Letícia. — disse Tartfeel Piech com um ar de ironia — Como vai, meu bem? Vejo que mal. Ha-ha. Esqueceu de meu pedido à Deus? "Todo o conhecimento sobre o Inferno". Pois é, eu estou os utilizando. Agora eu controlo você. Você está sob o meu comando. Tudo o que eu mandar, você terá que fazer. Será impossível você se salvar. A menos que, seu amigo, o Diabo, te ajude. Mas, isso eu acho meio improvável. Vá até Boai Dix e diga que eu morri. Você me jogou no Poço das Maldições. — terminou Tartfeel Piech.

Eti Clián estava com os olhos hipnotizados e não tinha nenhuma expressão em seu rosto. Levantou voo em direção a poltrona do Diabo.

***

–Você já o trancou em sua cela? — disse Boai Dix.

Uma voz surgiu na mente de Eti Clián. -Lembre. Você me jogou no Poço das Maldições. — disse Tartfeel Piech.

–Eu o joguei no Poço das Maldições, senhor. — disse Eti Clián — Ele, ahn, morreu.

O Diabo pareceu enfurecido. As chamas do Inferno subiram alguns metros. Boai Dix soltou um grito que ecoou por alguns minutos no Inferno. Ele respirou fundo, e disse:

–Fale-me a verdade, Eti. Você só pode jogar alguém no Poço com a minha autorização. O que aconteceu com Tartfeel Piech?

Eti Clián permaneceu em silêncio. -Diga a ele que eu estou desaparecido. — disse Tartfeel na mente de Clián. Os olhos de Eti se esbugalharam.

–Ele, ahn, ele está foragido! — afirmou Eti Clián.

–Creio que vou ter que achá-lo sozinho, não? — disse Boai Dix.

De repente ouviu-se um estouro no Inferno. Logo em seguida almas começaram a sair de suas celas. As almas gritavam e pareciam estar alegres. O Diabo ordenou à Eti para que espantasse as almas de lá, mas Eti recusou-se a fazer isso. Então Boai Dix começou a lançar feitiços, mas eram insignificantes. Sem opção, Dix fugiu para longe dali.

***

–O que está acontecendo? — perguntou Boai Dix.

–Não sei, senhor! — disse Eti Clián.

–Não minta para mim! Sua vadia! — gritou o Diabo. — Fale-me a verdade, cretina.

–Eu não sei! — retrucou Eti — Já estou cansada de ser capacho de você. Tente descobrir sozinho, você não é o maioral? — perguntou Clián com um tom de ironia.

Boai Dix permaneceu calado por alguns segundos. -É assim então, idiota? — disse Boai Dix — Vamos ver então. Irei procurar Tartfeel Piech e jogá-lo no Poço das Maldições.

O Diabo foi correndo até a zona dominada pelas almas ambulantes. Chegando lá, Tartfeel Piech estava sentado em uma rocha.

–Olá, pimentinha. — provocou Tartfeel — Vejo que você anda muito estressado comigo, não é?

–Filho da puta! Raius exterminalus. Uno, duo, tre. — gritou Boai Dix.

Um raio de fogo surgiu e tentou atingir Tartfeel Piech, porém o alemão conseguiu segurá-lo e o jogou de volta para o Diabo. Acertou em cheio no peito de Boai Dix, que começou a gritar feito galinha no abate.

–Cretino! Lavas vierds irressucitale. — gritou o demônio.

De repente, uma onda de lava verde seguia em direção do alemão, que desviou da onda e a jogou de volta ao Diabo. Boai Dix começou a rolar no chão. Tartfeel começou a arrastar o Diabo até a beira do Poço das Maldições.

–Eu sei de seu segredo. — disse Tartfeel — E você sabe o que vai acontecer. Então se renda, ou te jogarei no Poço.

–Jogue. Você nunca irá saber meu segredo, otário. — retrucou Boai Dix.

–Tudo bem, já que pede... — disse Tartfeel soltando levemente o Diabo.

–Não, não, eu imploro. Não me jogue. — disse o Diabo.

–Ha-ha. Eu sabia. Mas quero uma coisa para não te jogar. — disse Tartfeel Piech.

–O que? — questionou Boai Dix.

–Seu par de chifres. — terminou Tartfeel.

–Nunca! — gritou Boai Dix.

–Já que insiste... — Tartfeel jogou Boai Dix no Poço.

–Não! — gritou Boai. — Eu te dou meus chifres...

Tartfeel Piech começou a parar a queda de Boai Dix com seus poderes. O Diabo começou a subir lentamente até a beira no Poço. Chegando ao topo, depois de 6 minutos de subida, Boai Dix disse:

–Cretino. Meus pares são inúteis, você sabe disso.

–Não, não sei. Não se lembra de meu pedido à Deus? Pois bem. Eu sei o que ele representa e o que ele faz. Mas agora, em suas mãos, ele é inútil. Dê-me. — disse Tartfeel Piech.

Boai Dix foi arrancando lentamente seu par de chifres. Enquanto fazia o processo, Tartfeel ria e chutava o Diabo.

–Pronto. — disse Boai Dix arrancando seu par de chifres e entregando a Piech — Agora deixe-me ir.

–Na-na-ni-na-não. Seu cajado. — ordenou Tartfeel Piech.

Boai Dix entregou seu cajado, de aproximadamente 6 metros de altura, a Tartfeel Piech. O Inferno se apagou. Todas as chamas se apagaram e as almas se calaram. A luz estava concentrada em Tartfeel Piech, que colocava seu novo par de chifres em sua cabeça. Os chifres grudaram facilmente em seu corpo. Tartfeel aumentou de tamanho. Quando colocou o cajado no chão, o Inferno se reacendeu e as almas começaram a gritar sem parar. Tartfeel se sentiu mais forte e poderoso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.