Spiritual detectives
2 Nossa ótima dupla.
Notas iniciais
A manhã começou agitada para a casa dos Bowden, dois policiais esperavam bem acomodados em um dos sofás da sala, bebericando um chá de margaridas do campo. Que foi feito as presas pela mulher preocupada de cabelos castanhos e sorriso forçado.
Sentado ao lado da mulher em uma das poltronas estava um homem quieto de cabelos grisalhos e sobretudo preto. O silencio reinava na sala absoluto, até o toc-toc dos sapatos de saltos pretos de Valentina. Quebra-lo em mil pedaços.
A sorridente e animada Valentina trajava uma vestido curto de renda com botões enfeitados com perolas falsas brancas como o resto do vestido. Uma meia calça preta cobria-lhes as pernas e for fim seu sobretudo masculino preto, voa-la uma excêntrica jornalista de assassinatos.
– Bom dia senhores.
Cumprimentou ela.
A mulher suspirou e correu até a recém-chegada, elas eram em alguns aspectos parecidas. Os cabelos igual mentes castanhos claros, do mesmo comprimento e as feições um tanto parecidas nem podia se pensar que as duas eram apenas irmãs adotivas.
– O que é tudo isso aqui em casa?
Perguntou a mulher
– Meu mais novo artigo.
Sorriu Valentina ao responder
– Jura! Nem reparei. Ironizou a irmã – Mais o que tem haver seu novo artigo com dois policiais? Achei que escrevesse para uma revista de decoração.
Valentina sorriu ao dizer para irmã mais velha que ela havia mentido, todo esse tempo que dize estar escrevendo para a Doyler Desaine De Interiores na verdade estava se ariscando atrás de noticia fresca para os carniceiros do jornal expresso diário, coluna de assassinatos era o nome da última página do jornal cujo Val comandava como uma capitão pirata.
– Beni, você sabia disso?!
Perguntou enfurecida para o homem de sobretudo, que abaixou o olhar ao ser encarado pela irmã furiosa.
– Relaxa Grace, posso dar conta disto.
Sorriu confiante. Grace suspirou vencida e tratou de confiar na irmã.
– Assim está melhor. Disse por fim Val abraçando a irmã de modo bem apertado.
– Bem que eu desconfiava desta sua amizade com o inspetor Land.
Desta vez quem sorriu foi Beni enquanto que Val apenas subiu e desceu as sobrancelhas.
– Vamos.
Apresou ela, soltando Grace e descendo o resto dos degraus.
– Vejo você mais tarde... Disse puxando o inspetor pela mão até a porta da frente com os dois policiais em seus calcanhares.
– Bem mais tarde. Conclui-o abrindo a porta, passando por ela rápido e a fechando, deixando para traz Grace Bowden. A sua tão preocupada irmã mais velha adotiva.
Beni sorriu um pouco preocupado para Valentina, mas ela apenas revirou os olhos não era a primeira vez que eles descordavam. Viviam brigando, mas no fim tudo ficava bem por essas e outras eles eram melhores amigos.
– Para onde vamos?
Perguntou ela ignorando os olhares que os policias lançavam.
– Apenas me siga.
Bani respondeu abrindo a porta do carro para Valentina.
– Esse tipo de joguinho não combina com você meu caro.
Rebateu ela sentando no banco de traz. Beni sorriu torto:
– tem razão combina mais com você.
O pequeno carro do inspetor estava cheio e andava uma velocidade alta, ultrapassava rápido os poucos carros que estavam na rua. Os dois policiais conversavam entre si enquanto que Valentina conversava por olhares com Beni que as vezes olhava para ela pelo retrovisor.
Beni dobrou rápido demais a esquina fazendo um dos policiais cair por cima de Valentina. O loiro pediu desculpas se ajeitando novamente em seu lugar bem quando o carro parou a frente da casa de número onze cheia de viaturas e uma faixa amarela de não entre.
– Chegamos. Disse Beni se virando para Valentina.
– Adam e Oliver, vão na frente e digam que eu já cheguei.
Os dois policiais saíram do carro, Beni sorriu e esticou o braço para pegar na mão tremelicante dela, ele sorriu com o canto da boca.
– Vamos.
Beni a apresou e eles saíram do carro bem rápido. Valentina saiu do carro observado tudo que podia enquanto Beni foi andando entre os muitos policiais dizendo o seu tão educado bom dia senhores.
Após cada pedra, folha e pegada ter sido averiguada com atenção, Valentina seguiu o inspetor Land para dentro da casa. Uma casa linda, dois andares pintada de verde abacate com portas e janelas grandes pintadas de branco.
Passaram pela porta escancarada da frente, no hall havia pegadas agressivas de uma bota masculina de um tamanho grande, mãos de sangue nas paredes. Valentina observou tudo com olhos rápidos. Em sua mente passava o que talvez teria acontecido ali, os quadros do hall mostravam a pobre vítima. Uma jovem ruiva, com olhos cor de mel com um sorriso admiravelmente perfeito. Ao observar as pegadas agressivas, a figura de um homem auto corria pelo hall atrás da pobre jovem. As mão sujas de sangue se apoiavam na parede para que ela conseguisse andar. A pequena escada havia aranhões e deles Valentina via a figurada obscura do assassino arrastando-a pelos degraus, mais com determinação ela se agarrava aos degraus com as unhas, o tapete abaixo da escada estava desarrumada e lá a cena continuava. Tendo conseguido arrastar a ruiva ela caio por cima do assassino, ele segurou suas mãos fortemente e tapou sua boca.
Beni levou Valentina pela escada, o próximo andar cheio de policiais e peritos. O papel de parede era de flores azuis, havia três portas brancas fechadas e do lado direito do andar. Bem ali a cena acabava, apoiada em uma mezinha de madeira decorada e mármore branco. Encimada por um espelho, lá estava a ruiva com a cabeça sobre a mezinha, seu sangue escorria e no espelho também havia sangue enforma de três números, 134.
– Iven Colin, 26 anos. Começou o inspetor Beni Land – Trabalhava como contadora e morava sozinha.
– Foi morta há dez horas atrás...
– Esfaqueada na cintura. Conclui-o Valentina ao observar um punhal prateado enfincado na cintura da jovem.
– Ela é guerreira, lutou o tempo todo contra o assassino. Continuou no mesmo tom baixo – Com certeza ela dava valor a sua vida, talvez tivesse uma família amorosa longe daqui.
– Já entramos em contato com a mãe dela, Eva Colin mora há três quarteirões com uma de suas outras filhas.
– 134... sussurrou Valentina curiosa chegando mais perto do espelho.
– Oh, ela está aqui. Ouviram uma voz conhecida e se viraram, uma dos peritos estava a observar- lós com indiferença. Braços cruzados, sobrancelhas ceradas e boca retorcida.
– Bom dia para você também, Thadeus.
Cumprimentou Beni usando um pouco de sua ironia, Valentina sorriu para o perito que não a retribui-o.
– Precisa mesmo trazer está...
– Seja gentil. Pediu Valentina antes que ele terminasse a frase.
– Abutre.
– Abutre. Repetiu ela cruzando os braços.
– O que vai escrever desta vez, mais uma história mirabolante de como você pensa tem sido o assassinato.
– E você Thadeus, pelo que vejo já deu encima da maioria das policiais. Mas que pena nem uma caiu na sua historinha mirabolante. Disse Valentina com um sorriso de deboche no canto da boca.
Beni sorriu ao ver que o colega de trabalho estava incomodado com a audácia da jornalista.
Thadeus fungou irritado, tirou sua câmera de um dos bolsos do jaleco andou até o espelho e tirou uma foto do estado de Iven e dos números no espelho. E antes de sair lançou um olhar frio para Valentina que por sua vez mostrou o dedo do meio para ele discretamente e sorridente.
– O que estávamos falando antes de sermos terrivelmente interrompidos pelo seu adorável colega de trabalho?
Perguntou ela voltando a olhar os números sanguentos do espelho. Antes de responder Beni fez uma cara de nojo para as últimas palavras “pelo seu adorável colega de trabalho”.
– Nada, só tentávamos descobrir o que significava 134...
– Pense bem, estamos lidando com uma contadora.
Advertiu Valentina.
– A sequência não condiz com um número de conta...
– Mas tem muita importância ou do contrário ela não usaria seu último suspiro para escreve-lo.
Interrompeu ela se virando para o amigo.
– Pergunte para ela.
Sugeriu Beni.
– Péssima ideia se ela quisesse se comunicar já estava aqui.
– Talvez ela tenha se assustado com alguma cantada do Thadeus e foi embora.
Valentina sorriu da piada de mau gosto dando um tapinha no ombro do amigo.
– Ok, sem piada... Mas por precaução ando sempre com isso.
Disse ele tirando do bolso interno do sobretudo um punhado de uma erva escura.
– Salvia.
Surpreendeu-se Valentina, tirando rapidamente das mãos do amigo o punhado.
– Vejo que presta atenção no que falo.
Sorriu orgulhosa recebendo das mãos do inspetor um pequeno isqueiro.
– Antes que pergunte, não voltei a fumar. Disse ele por fim
Valentina não disse nada apenas esperou o local ficar menos movimentado para poder acender o punhado de salvia. Passou pelo andar tudo. A fumaça que saia da salvia se espalhava rapidamente e assim que ela já havia tomado todo o andar. Valentina apagou o restinho que sobrara no sangue de Iven.
Cof, Cof, Cof... alguém tossia incomodado com a fumaça da salvia, Valentina e Beni ficaram a observar o corpo da jovem esperando que algo acontecesse. Por fim o inspetor Land se assustou ao sentir uma mão fria em suas costas. Valentina se virou sorridente para Iven que como seu corpo estava vestida com o pijama de algodão amarelo, olhos distantes, com o punhal enfincado em sua delicada cintura. Com a mão sobre a boca ela tossia sem parar, Beni logo tocou o braço da morta. Mesmo que tecnicamente ele não havia tocado nela, pois sua mão atravessou o braço pálido da jovem. Os olhos distantes dela se fixaram repletos de dor sobre seu corpo falecido.
– O que houve!?
Gritou ela avançando sobre eles, os atravessando-os para chegar mais perto de seu corpo.
– Sentimos muito Iven. Lamentou Valentina. – Você se lembra?
Iven se virou para Valentina, estava mais que escrito em sua testa que não se lembrava de ter sido morta, fez-se um silencio sepulcral onde nem uma das três partes quis comentar sobre o ocorrido.
Por fim Beni se aproximou de Iven com o olhar calmo e compreensivo, como sempre Valentina dizia para não assustar a tão confusa aparição.
– Iven. Ele a chamou
Ela fixou seus olhos em Beni sem dizer em uma palavra.
– Nós podemos ajuda-la, só diga quem fez isso com você.
Iven abriu a boca, mas no meio do caminho se silenciou e caíram lacrimas de seus olhos cor mel.
– Porque ele fez isso? Porque?
Disse por fim, já não suportando mais estar ali e antes que algum dos dois a impedissem. Simplesmente ela sumiu de suas vistas. Deixando para traz só marcas de lagrimas no carpete felpudo.
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