Spiritual detectives
3 Copo de leite.
Notas iniciais
O gato cinzento corria entre as flores, corria rápido. Chegou a tropeçar em uma margarida onde uma desatenta borboleta azul estava pousada, claro que ela voo antes do empacto mas Pou pensou por um momento que o gato atropelaria a borboleta.
A vida era assim por um momento estamos vivos pousados em uma margarida, no outro segundo já fomos atropelados por gatos cinzentos. A morte é algo cômico pensou ele ainda sentado no banco de cimento frio do cemitério. Em um momento nos gabamos de nossas casas e carros mas nunca passou por nossas mentes a possibilidade de um belo dia nossos corpos estarem estirados e sangrentos bem no meio da sala de jantar ou esfaqueados no banco do motorista. Ninguém se importa.
– Pou.
A voz doce de Catherine chegou aos seus ouvidos.
Catherine se aproximou e sentou ao lado dele no banco, pousou sua mão sobre a dele e o encarou.
– Lembra do que eu disse antes de saímos de casa?
Perguntou ela.
Pou sacudiu a cabeça em sim e repetiu em voz baixa:
– Fique forte, assim ela ficara também.
Ficar forte era muito difícil agora, apesar de conhecer Martha a menos de um dia. Era difícil não chorar e lembrar o quanto foi horrível enterrar sua mãe. O quanto era horrível estar ali novamente depois de ter perdido tanta gente. O quanto era horrível lembrar que todos estavam ali, apenas sete palmos de terra o separando de sua família.
Uma lagrima rolou, Catherine apertou sua mão e ressaltou novamente que ele deveria ficar forte.
– Você não entende, ninguém entende...
Disse Pou por fim, A enfermeira não retrucou pois ela nunca havia passado por nada como aquilo. Sua família era grande amável e completa. Nunca perdera alguém que amava.
Ainda em silencio os dois voltaram para junto dos outros, próximos ao caixão da pobre irmã de Martha. Ainda estava aperto para o último adeus, a última chance de olhar para o corpo da moça. Olhos fechados, mãos juntas sobre um buque de rosas, vestido branco, seus cabelos ruivos bem penteados e arrumados e um semblante calmo. Parecia apenas uma bela mulher dormindo.
Na mente de Pou veio novamente a imagem de sua mãe, no lugar de Iven ele via sua mãe com o mesmo semblante calmo, mais lagrimas rolaram, seu coração estava tão apertado de saudades, o chão nem parecia estar mais ali e por um momento ele voltou no tempo. Voltou para vinte e cinco anos atrás, o cemitério já não era um cemitério. Era o belo jardim de sua casa. E sua mãe estava lá, sorriso branco, cabelos encaracolados negros como carvão bagunçados pelo vento, mãos sujas de terra assim como as botas de jardinagem. Em sua mão direita ela segurava uma linda flor branca e comprida conhecida como copo de leite.
– Querido não quer me ajudar?
Perguntou ela.
Uma pergunta tão simples mas que conseguiu arrancar de Pou um choro soluçante e acena só se desfez quando ele sentiu a mão quente de alguém o puxando para a realidade. O choro cessou, seus pés agora estavam mais firmes e o coração menos apertado. Estava de volta ao cemitério e o aperto da mão que o trouxe de volta ainda o acolhia.
Era uma mão suave e pequena, um toque diferente não podia ser a mão de Catherine. Seu olhar mudou de direção e caio sobre uma menininha vestida com um casaco amarelo, de sorriso acolhedor, olhos repletos de amor e cabelos curtos e lisos com laços de cetim de todas as cores.
Assim que Pou pois os olhos nela, a menininha soltou sua mão e andou até o caixão ainda sorridente e de olhos espertos sobre ele. Em sua mãozinha direita ela segurava um lindo copo de leite. Que ela pousou sobre Iven com carrinho e arrancou de Pou um sorriso.
Após isso ela voltou para seu lugar ao lado dele, fez um gesto para que ele se aproximasse dela. Ele se abaixou até chegar à altura da menininha.
Sua voz alegre sussurrou no ouvido de Pou:
– Como era o nome da moça que estava no jardim?
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