Spielvan II - O Retorno
1 CAP. 01 O RETORNO DO IMPÉRIO
Planeta Clean, mais de 10.000 anos no futuro.
Em um laboratório, um cientista manipulava alguns recipientes, quando uma garota sorridente adentrou o recinto, chamando:
— Papai! Papai, olha só o que eu fiz!
— Hikari! Nossa, o que é isso? — o cientista perguntou, olhando impressionado para o pequeno aparelho nas mãos da garota. Era uma espécie de esfera holográfica.
— Isso aqui é a minha nova invenção. Eu a chamo de “esfera dos sonhos”. — a garota respondeu, com ar orgulhoso.
— Hum... Incrível! Já mostrou aos seus irmãos?
— Hã... Não...
Nisso, mais duas pessoas adentraram o laboratório: um rapaz e uma jovem. E o cientista falou:
— Então aproveita e mostre agora.
— Tá! — a garota respondeu, animada.
— Mostrar o quê? — o rapaz perguntou, curioso.
— A minha nova invenção. — a garota respondeu, estendendo as mãos na direção dele, mostrando o objeto.
— Nossa! E o que seria isso, Hikari? — a jovem perguntou, olhando o objeto nas mãos do rapaz.
— Eu a chamo de “esfera dos sonhos”, Helen. — a garota respondeu, sorridente.
— Esfera dos sonhos?
— Sim. Eu projetei uma esfera holográfica para captar impulsos neurais e criar imagens a partir deles. Mas essa aí é só um protótipo, e só capta os impulsos responsáveis pela criação dos sonhos.
— Nossa! Mas isso é mesmo uma ideia incrível! — Helen exclamou, impressionada.
— Isso significa que, com um pouco de aperfeiçoamento, esta esfera poderá captar os impulsos neurais responsáveis pela formação da memória... — o rapaz comentou, pensativo, e, com um sorriso, arrematou, olhando para a garota — Realmente, Hikari, isto é fantástico!
— É? Você acha mesmo, Spielvan?
— Se eu acho? Ora, Hikari, uma invenção como esta pode ajudar muitas pessoas, sabia?
— Sério?
— Isso mesmo. Olha, o que você acha de trabalharmos juntos nisto?
— Legal! Vou começar agora mesmo! — Hikari exclamou, animadíssima.
E, pegando a esfera de volta, saiu do laboratório. Os três ficaram observando-a com um sorriso no rosto. E o cientista comentou:
— Como ela cresceu... E está ficando esperta!
— Tem razão, papai. No futuro, com certeza, será uma grande cientista. — Helen falou.
Spielvan apenas olhava. Estava feliz, como todos ali, mas, ao mesmo tempo, com uma sombra de preocupação na mente. Já fazia um tempinho que sentia algo ruim. Estava com um péssimo pressentimento.
Planeta Terra, século XXI, ano 2010.
Numa enorme área deserta e rochosa, próxima à Tóquio, capital do Japão, um enorme objeto negro se destacava na paisagem. Era a nave Gâmedes, totalmente desativada após a luta derradeira de Spielvan, Diana e Helen contra a terrível Pandora, rainha do Império Water, há mais de 20 anos. Nenhum sinal de vida despontava daquela enorme nave, envelhecida e desgastada pelo tempo. Até que, durante uma tempestade, raios a atingiram, ativando seus controles e a energizando completamente. Então, como se de repente adquirisse vida própria, a imponente nave se ergueu e saiu voando a um rumo desconhecido.
No interior da nave, uma espécie de fábrica produzia milhares de robôs exatamente iguais: corpo negro com listras laterais, cabeça dourada com olhos e boca vermelhos e uma espécie de capa negra e dourada. Em outro recinto da nave, numa espécie de sala de controle, estavam dois seres. Um era totalmente negro, exceto por alguns detalhes prateados na cabeça e na armadura que usava; parecia um robô blindado com cabeça em forma de ponta de torpedo. E o outro era uma mulher, que usava um tipo de armadura que delineava bastante seu corpo. E o primeiro falou, enquanto mexia nos ‘controles’ da nave:
— O grande Império Water foi destruído... Mas, ao que parece, nós dois sobrevivemos.
— Acho que, no fundo, foi bom ter sofrido aquela punição. Apesar de que passar tanto tempo petrificada tenha sido uma experiência nada agradável. — a mulher resmungou.
— Hum... Segundo os últimos registros, uma grande quantidade de energia foi liberada da nave, causando uma explosão. — o robô falou, meio sem dar importância ao que a mulher disse.
— Hã?! Energia residual de uma viagem dimensional? — a mulher perguntou, surpresa, ao prestar atenção a um dos monitores que havia ali, e que estava exibindo alguns gráficos.
— Hum... — o robô voltou sua atenção para o referido monitor. E respondeu, com ar pensativo —Parece que a viagem do Planeta Clean até a Terra foi, na verdade, uma viagem dimensional. — e, analisando o gráfico com mais critério, arrematou — Ora, mais do que isso, foi uma viagem temporal!
— Hum... Isto significa que talvez ainda haja uma chance de recuperarmos tudo...
— Hã?! Mas do quê você está falando? — o robô olhou para ela, sem entender.
— Eu estou falando em reerguermos o Império Water, General Deslock.
— Reerguer o Império Water? Como espera que façamos isso, Lay?
— Simples, General Deslock. — Lay respondeu, andando pela sala — Se ainda tivermos esta energia residual, podemos voltar ao Planeta Clean e recapturar o cientista Dr. Paul, e então forçá-lo a usar seus conhecimentos a nosso favor...
— ...e, de quebra, nos vingar do maldito Spielvan!
— Isso!
— Muito bem. Vamos ver se ainda temos essa energia residual.
— Certo!
E eles começaram a rastrear todo e qualquer sinal de energia existente na nave.
Planeta Clean.
Um rapaz passeava pela desenvolvida cidade do Planeta Clean, pensativo, quando, de repente, duas mãos delicadas taparam seus olhos e uma voz feminina perguntou, atrás dele:
— Adivinha quem é?
Ele tocou as mãos que tapavam seus olhos e foi apalpando os braços até quase chegar nos ombros. Então abriu um sorriso e respondeu:
— Diana.
A referida jovem então tirou as mãos do rosto dele, enquanto ele se virava de frente para ela. E, com as mãos na cintura, ela perguntou, fazendo bico:
— Como adivinhou tão rápido?
Ainda com o sorriso zombeteiro no rosto, ele simplesmente apontou para o braço direito dela. Ela olhou e viu o bracelete que estava usando próximo ao ombro. E ele respondeu:
— Você é a única pessoa que eu conheço que usa esse tipo de bracelete. E, ainda por cima, sempre no mesmo lugar.
— Ah, engraçadinho!... — Diana resmungou, fazendo uma careta. E, passando por ele, perguntou, com ar casual — E então? O que estava fazendo?
— Hã... Nada demais. Só pensando.
Diana olhou para ele com uma expressão meio desconfiada. Ele percebeu e perguntou:
— O que foi?
— Spielvan, eu te conheço há tempo suficiente para saber, só de olhar, quando tem alguma coisa te incomodando. Vai, desembucha! — ela falou, parando diante dele e cruzando os braços.
— Err... bem... — o rapaz começou, meio intimidado com o olhar dela sobre ele.
— Estou esperando... — ela falou, com um tom de voz significativo.
— Ahn... Está bem. — Spielvan respondeu, com um suspiro. E falou — É a Hikari.
— O que tem a Hikari? Aconteceu alguma coisa com ela?
— Não, a Hikari está bem. É que... err...
— É que?
— É que... eu estou com um mau pressentimento, é isso.
— Mau pressentimento?!
— Sim. Eu sinto que algo ruim está prestes a acontecer e envolve a Hikari.
— Sério?! Mas... o que pode acontecer de tão ruim a essa altura envolvendo a Hikari? — Diana perguntou, espantada. Nisso, uma idéia lhe passou pela cabeça, e ela olhou para Spielvan com uma expressão zombeteira. E falou — A menos que...
— A menos que o quê, Diana? — Spielvan perguntou, sem entender o sentido da frase e muito menos da expressão da amiga.
— A menos que ela tenha algum pretendente a namorado e você esteja com ciúmes de irmão mais velho. — Diana respondeu, dando uma risadinha.
— Hein?! Mas... do quê você está falando, Diana? — o rapaz perguntou, de repente ficando da cor do jipe que costumava dirigir quando estava no Japão.
— Ora, Spielvan... Hikari já fez quinze anos. Eu não acharia nada estranho se ela já tiver algum namoradinho ou pretendente.
— Hã... err... — Spielvan balbuciou, lembrando-se de repente que a irmãzinha ultimamente adquirira o hábito de ‘sumir’ por horas a fio, e por um instante se perguntou se Diana não teria razão. Mas logo sacudiu a cabeça, afastando da mente aquela idéia, e perguntou — Mas o quê isso tem a ver?
— Spielvan, é normal os irmãos mais velhos sentirem ciúmes dos namorados das irmãzinhas. Especialmente quando elas são bonitas o bastante para atrair olhares de outros rapazes.
— Hã... Ciúmes?! — o rapaz balbuciou, visivelmente embaraçado.
— É, Spielvan, ciúmes.
— Mas... — Spielvan não sabia o que pensar diante da afirmação da amiga de longa data. Será possível que sua pequena irmãzinha Hikari já estava de namoricos com alguém? Será que era por isso que ela passava horas “sumida”, muitas vezes só aparecendo em casa para comer e dormir? Bom, desde criança, ela tinha por hábito se esconder no laboratório do pai, mas ultimamente, nem mesmo lá ela podia ser encontrada. “Então é isso que está acontecendo?”, ele se perguntou, levemente aliviado. Porém, a sensação ruim veio novamente neste exato momento, e ele entendeu que não era isso, não era um suposto “namorico” da irmã que causava aquele terrível pressentimento que ele vinha tendo. Então balançou a cabeça e respondeu, extremamente sério — Não. Não é isso, Diana, não é esse o caso.
— Não?! — Diana se espantou, mas logo percebeu a expressão séria do amigo.
— Não. Estou com um terrível pressentimento, Diana. Alguma coisa muito ruim vai acontecer logo.
— Tem certeza disso, Spielvan? — Diana perguntou, apreensiva. Conhecia muito bem aquela expressão séria, e sabia que coisa boa não era.
— Tenho.
— Nossa!... Mas... o que será que vai acontecer, então?
— Eu não sei, Diana. Eu realmente não sei.
E os dois ficaram olhando para o céu, com ar apreensivo.
Nave Gâmedes.
— Aqui! Temos um registro aqui! — Lay exclamou exultante, olhando um dos monitores.
— Hum... — General Deslock falou, se aproximando. E respondeu — Ainda temos um resquício de energia residual da última viagem dimensional. O suficiente para uma nova viagem.
— E também a localização do Planeta Clean... Perfeito! Podemos colocar nosso plano em ação!
— Então, o que estamos esperando? Vamos à ação!
— Certo!
E se prepararam para partir numa viagem dimensional rumo ao Planeta Clean. Alguns instantes depois, a gigantesca nave partiu a toda velocidade, entrando num vórtex dimensional.
Planeta Clean.
No laboratório, Helen ajudava o pai com alguns experimentos. Eles observavam reações em processo dentro de recipientes sobre um balcão, quando, de repente, a jovem fez uma careta de preocupação e segurou com força o relicário que trazia pendurado ao pescoço. Dr. Paul percebeu e perguntou:
— Algum problema, Helen?
— Hã... Não, papai. Não é nada.
— Tem certeza?
— Sim. Está tudo bem, papai. Não se preocupe. — ela respondeu, pegando a prancheta que deixara sobre o balcão e voltando a atenção para um recipiente contendo um líquido que borbulhava.
O cientista deu de ombros e voltou a observar os recipientes, sem perguntar mais nada. Helen olhou discretamente para ele e, vendo que ele estava atento aos recipientes, suspirou mentalmente. Acabara de ter a mesma sensação ruim que o irmão estava tendo.
Nave Gâmedes.
— Finalmente... Ali está o Planeta Clean... — Deslock anunciou, observando o espaço escuro através de uma janela, onde um brilho na forma de um planeta se destacava.
— Tem certeza, General Deslock? — Lay perguntou, também olhando pela janela, meio intrigada.
— Eu ainda sou capaz de reconhecer este planeta, Lay. Provavelmente, após derrotar o Império Water, Spielvan tenha voltado para cá com o que restou de sua família e ajudado a reconstruir o planeta.
— Ah... Então, qual é o plano?
— Seremos discretos desta vez. Capturamos Dr. Paul e atacaremos apenas Spielvan, Diana e Helen. Mas, se acharmos algo mais interessante, nos apossaremos disto também.
— Certo. Vou preparar o ataque.
— Muito bem. Então vá!
E Lay saiu da sala de comando, deixando o General Deslock sozinho a olhar pela janela da nave o brilhante Planeta Clean se aproximando. E ele falou consigo, satisfeito: “Finalmente nos encontraremos de novo, maldito Spielvan. Mas desta vez, você não escapará vivo!”
Planeta Clean.
Spielvan e Diana estavam olhando para o céu, quando, de repente, avistaram um ponto negro se aproximando do planeta. E Spielvan perguntou, intrigado:
— Mas o que é aquilo?
— Que estranho... — Diana apenas comentou.
Nisso, do ponto negro saiu um objeto como um raio, em direção a uma área afastada no centro da cidade. Spielvan ficou olhando a trajetória daquele objeto voador não-identificado, intrigado, até que teve um repentino insight: o ponto mais provável onde aquilo iria pousar (ou atingir, considerando-se a velocidade em que estava voando) seria justamente onde se localizava sua casa e o laboratório de seu pai! Então ele correu naquela direção, seguido por Diana, que teve o mesmo insight. Enquanto corria, um único pensamento lhe passava pela mente: Hikari, sua querida irmãzinha, corria perigo!
No laboratório, Dr. Paul e Helen continuavam entretidos com os experimentos em processo, quando ouviram barulho do lado de fora. Mas nem tiveram tempo de ver o que estava acontecendo. Uma explosão e uma das paredes do laboratório desabou, levantando muita poeira. Quando Helen e Dr. Paul puderam ver o que acontecia, o laboratório já estava sendo invadido por um exército de estranhos seres exatamente iguais, exceto por um que devia ser o líder. Um guerreiro negro imponente: General Deslock! Helen recuou junto com o pai, olhando totalmente incrédula, aquilo. E o General, dando um passo na direção dos dois, saudou, com ar sarcástico:
— Ora, ora, nos encontramos novamente, Dr. Paul...
— Quem... quem são vocês? O que querem? — perguntou um assustado Dr. Paul, abraçado à filha.
— Ora, não se lembra de mim? — o General perguntou, com um leve ar de desapontamento. E arrematou — Mas, com certeza, sua filha lembra. Não é mesmo, Helen?
— Como você...?
— Como eu voltei? Ora, não é tão fácil se livrar de mim.
— O que querem? — Dr. Paul voltou a perguntar.
— Queremos que venha conosco, Dr. Paul. Precisamos do seu intelecto para trazer de volta nosso Imperador e reerguer o grande Império Water. — o General respondeu, dando mais um passo em direção aos dois.
— Nunca! Vocês não podem fazer isso! — Helen exclamou, se posicionando diante do cientista, de modo a protegê-lo da investida do General.
— E quem vai nos impedir? Você? Humpf! E como espera fazer isto, se está sozinha, minha cara? — o General perguntou, com ar de deboche. E, fazendo um sinal para o exército atrás dele, ordenou — Ataquem.
E o exército terminou de invadir o laboratório, tentando pegar o Dr. Paul. Helen logo se pôs em ação para defender o pai, lembrando os tempos que lutava ao lado do irmão. Já o cientista, acuado no fundo do laboratório, olhava aquilo e tinha uma estranha sensação de dejá-vu.
Nisso, Spielvan e Diana estavam quase chegando ao laboratório, quando foram atacados. Pegos de surpresa, logo se viram cercados por vários daqueles soldados, idênticos aos que estavam atacando o laboratório. E uma voz feminina soou no meio deles:
— Nos encontramos novamente...
— Essa voz... — Spielvan resmungou, pasmo.
E uma mulher surgiu dentre os soldados, se aproximando dos dois cleanianos. Spielvan e Diana a reconheceram de imediato.
— L-Lay?! — Spielvan balbuciou, incrédulo.
— Não pode ser... — Diana murmurou, igualmente pasma.
— Há quanto tempo, hein? — Lay falou num tom irônico, parando na frente dos dois.
— Como... como você sobreviveu a explosão? — Spielvan perguntou.
— Estava em uma situação um tanto incômoda, mas isso não vem ao caso agora. — Lay respondeu, um tanto ríspida.
— O que você quer aqui? — Diana perguntou.
— O que acha? Vingança, claro! — Lay respondeu. E arrematou — Ah! E reerguer o Império Water.
— O quê?!
— Que absurdo! O Império Water foi totalmente destruído! E eu não permitirei que volte a existir! — Spielvan bradou, irritado.
— E o que você acha que pode fazer para impedir? Mesmo porque, a essa hora, o General Deslock já deve ter capturado o seu querido papai. — Lay falou, irônica.
— Como é?! — Spielvan perguntou, atônito.
— O General Deslock também está aqui?! — Diana perguntou.
— Isso mesmo. Ele foi ao laboratório pegar o seu pai. E, com o intelecto do brilhante cientista Dr. Paul, poderemos trazer de volta o Imperador Water, e reerguer o Império Water facilmente.
— Não! Deixem-no em paz!! — Spielvan bradou, avançando na direção do laboratório.
Mas não conseguiu passar pelo cerco, sendo atirado de volta ao ponto onde estava. Diana o ajudou a se levantar. E Lay ordenou:
— Soldados, ataquem!
E os tais soldados partiram para cima dos dois. Spielvan e Diana logo se puseram em ação e a luta teve início, mas, devido a enorme desvantagem numérica e ao fato de os dois cleanianos estarem totalmente desarmados e desprotegidos (ou seja, sem a armadura Clean Metal), estes estavam tendo grandes problemas em vencer aquela batalha.
Enquanto isso, no interior do laboratório, a situação também não era das melhores. Helen estava quase sendo vencida pela exaustão, além de estar na mesma situação problemática do irmão e da amiga, mas continuava lutando bravamente para impedir que aqueles soldados pegassem seu pai, o cientista Dr. Paul,que estava acuado no fundo do laboratório. Entretanto, enquanto Helen lutava contra o enorme exército, o General Deslock se aproximava perigosamente do assustado cientista, pronto a capturá-lo. Quando estava prestes a pegá-lo, porém, algo o atingiu em cheio na cabeça, atordoando-o por uns instantes. E uma voz feminina soou no recinto:
— Papai! Venha por aqui, rápido!
— Hikari! — Dr. Paul exclamou, ao ver a filha caçula na porta do laboratório, gesticulando freneticamente, indicando que ele deveria fugir por ali. Então se ergueu prontamente e correu naquela direção, saindo do laboratório junto com a garota.
— Maldição! Ele está fugindo! — o General esbravejou, irado e ainda meio tonto devido à pancada. E, virando-se para os soldados que não estavam lutando, ordenou — Vão atrás deles!!!
E os soldados se puseram a perseguir os dois. Hikari e Dr. Paul apenas corriam, procurando escapar daquela perseguição, se afastando cada vez mais do laboratório, até chegarem a uma enorme área desértica, onde pararam. E o Dr. Paul perguntou, espantado:
— Hikari, por quê paramos aqui?
— Logo vai ver, papai. — Hikari respondeu. E, dando um passo a frente, exclamou — Deffender! Desfazer camuflagem!
E, para espanto do cientista, diante dos dois surgiu uma nave enorme (bem menor que a nave Gâmedes, mas, ainda assim, era imensa!). E Hikari falou, olhando para o cientista:
— O senhor vai ficar protegido aí dentro. Vamos! — e, puxando-o pela mão, entrou na nave.
Lá dentro, Dr. Paul olhava tudo impressionado. Ele não fazia idéia da existência de uma nave como aquela ali, no meio do deserto. E perguntou:
— Hikari, o que é esta nave? Como você a encontrou?
— Hã?! Ah, papai, eu a encontrei aqui mesmo, por acaso, e consegui consertar alguma coisa dela. Foi ela quem me disse que se chama Deffender.
— Ela disse?!
— E... Eu converso com ela de vez em quando. Somos grandes amigas... — Hikari respondeu, com um leve sorriso. E, mudando repentinamente para uma expressão séria, falou — Eu vou ver se encontro o Spielvan. O senhor fica aqui, tá? Deffender vai te proteger.
— Hã... Tá... — Dr. Paul balbuciou, ainda espantado. E falou, com uma expressão preocupada — Mas tome cuidado.
— Pode deixar. — Hikari respondeu, com um sorriso.
E saiu, deixando o cientista sozinho. E ele se sentou em uma cadeira que havia ali, pensativo.
Do lado de fora, Hikari olhou novamente para a nave e exclamou:
— Deffender! Camuflar agora!
E, com um brilho fosco, a nave voltou a sumir. Então a garota se pôs a correr em direção a cidade, onde sabia que o irmão estava.
Porém, ao passar novamente próximo ao laboratório, ela viu ao longe um monte daqueles seres estranhos atacando duas pessoas. Ao se aproximar para ver melhor, viu que as pessoas atacadas eram justamente Spielvan e Diana! Então ajuntou algumas pedras e, escondida, começou a atirá-las nos soldados, acertando-os e fazendo com que se afastassem. Pegos de surpresa com aquela inesperada “artilharia” e sem saber de onde vinha aquela saraivada de pedras, pois Hikari estava muito bem escondida, Lay e os soldados Clow optaram por uma “retirada estratégica”. Ao vê-los partirem dali, Hikari resolveu sair do esconderijo e ir ver se o irmão e a amiga estavam bem. Spielvan, ao vê-la, perguntou, preocupado:
— Hikari! Você está bem?
— Eu estou bem, mas a Helen...
— O que aconteceu? — Diana perguntou.
— Aqueles seres estranhos invadiram o laboratório e tentaram pegar o papai, mas a Helen não deixou. Ela ficou lá, lutando contra eles...
— Vou para lá agora. — Spielvan falou, determinado. E, olhando para Diana, pediu — Diana, fique com Hikari, por favor.
— Pode deixar, Spielvan. — Diana respondeu, com um sorriso.
E ele saiu correndo em direção ao laboratório. Depois que ele se afastou, Diana perguntou:
— E o Dr. Paul? O que aconteceu com ele?
— Ah, eu tirei ele de lá.
— E onde ele está?
— Hum... Vem comigo.
E as duas saíram. Ao chegarem na área deserta onde estava Deffender, viram um monte daqueles soldados vasculhando a área. Então se esconderam atrás de uma rocha afastada. No meio dos soldados, estava o General Deslock, bradando furioso:
— Vamos! Vasculhem tudo! Eles têm que estar em algum lugar por aqui!
E os soldados vasculhavam cada rocha, pedra ou pedaço de poeira naquela área. Diana, ao ver isso, se alarmou e quase ia lá, mas Hikari a segurou, dizendo:
— Calma, Diana. Eles nunca vão achar papai. Ele está protegido dentro de Deffender.
— O quê?! Deffender? — Diana olhou para ela, espantada.
Nisso, um dos soldados achou uma espécie de barreira de energia invisível. E ele alertou os outros e o General, que foram dar uma olhada. Hikari, ao ver isso, se alarmou:
— Essa não...
— O que foi?
— Eles encontraram Deffender.
— O quê???
— Vamos! Temos que fazer alguma coisa! — Hikari exclamou, puxando Diana pela mão.
E, saindo do esconderijo, as duas foram se esgueirando por entre as rochas, tentando chegar até a nave sem serem notadas. Até que conseguiram se aproximar pelo outro lado. A essa altura, o General Deslock já estava descarregando seu Machine Gun na barreira invisível da nave. Então Hikari exclamou:
— Deffender! Desfazer camuflagem!
E a nave surgiu diante de uma espantada Diana e de um mais espantado ainda General Deslock. E Hikari entrou rapidamente na nave, puxando Diana. Lá dentro, ela exclamou:
— Deffender! Barreira de proteção agora!!!
E a nave foi envolvida por uma barreira de energia, desta vez, bem visível. Diana olhava, impressionada, o interior da nave. Então o Dr. Paul apareceu e Hikari perguntou:
— Tudo bem, papai?
— Sim, Hikari, está tudo bem. — Dr. Paul respondeu e, reparando que Diana estava ali, perguntou — Diana?! Onde está Spielvan?
— Dr. Paul! Que bom que está a salvo! — Diana exclamou, feliz ao ver que o cientista estava bem.
— Ele foi ao laboratório ajudar Helen, papai. — Hikari respondeu. E, vendo que Diana não parava de olhar a nave, perguntou — O que foi, Diana? Você também não sabia que tinha uma nave aqui?
— Na verdade, não pensava que fosse vê-la novamente... — Diana respondeu, levemente distraída.
— Hã?!
Nisso, em um dos monitores, apareceu uma mensagem escrita, que dizia: “Há quanto tempo, Diana!”. Hikari leu e perguntou:
— Ué, vocês se conhecem?
Como resposta, uma nova mensagem: “Mais do que você pode imaginar, Hikari.”. Nisso, um estrondo lá fora os alertou que ainda não estavam totalmente seguros. E Hikari falou:
— Temos que sair daqui.
— Como faremos isso? Você sabe pilotar esta nave, Hikari? — Dr. Paul perguntou.
— Err... Não... — Hikari respondeu.
Diana pensou um pouco e perguntou:
— Hikari, você sabe checar o nível de energia da nave?
— Hã?! Ah, isso é fácil! — Hikari respondeu, com um sorriso. E, olhando para o monitor onde apareciam as mensagens, perguntou — Deffender, você poderia por favor nos dar um relatório dos seus níveis de energia?
A resposta apareceu na tela: “Claro. Esperem um pouco, por favor.”. E, depois de alguns instantes, apareceu na mesma tela uma tabela com os níveis de energia. Estavam baixos, mas tinha energia suficiente para decolar e voar algumas milhas. E Diana exclamou, exultante:
— Perfeito! Vamos sair daqui!
— Espere um pouco! — Hikari exclamou de repente. E perguntou, espantada — Diana, você sabe pilotar Deffender?
— Como ela mesma disse, Hikari, nós nos conhecemos mais do que você pode imaginar. — Diana respondeu, fazendo cara de sapeca. E, se dirigindo à cabine de comando, chamou — Vamos!
E os três foram para a cabine de comando. Lá, Diana sentou-se no lugar do piloto e falou:
— Muito bem, Deffender... Hora de voltar à ativa!
E apertou um botão no painel de controle, acionando todos os controles da nave. Hikari, preocupada, perguntou:
— Você acha que consegue, Deffender?
“Não se preocupe, Hikari. Eu posso fazer isso.”, foi a resposta da nave, que logo começou a subir. E partiu em direção ao laboratório, deixando um irado General e seu exército de soldados para trás.
Enquanto isso, Spielvan chegava ao laboratório, encontrando um cenário desolador: a parede destruída, cacos de vidro espalhados pelo chão, tudo revirado. Ao ver isso, lembranças há muito deixadas de lado afloraram em sua mente, e um sentimento há muito esquecido reacendeu em seu interior. Então ele se pôs a procurar pela irmã, logo a encontrando caída próximo ao que restara de um balcão semi-destruído, bastante ferida e exausta.
— Helen! — exclamou ele, apressando-se em ajudá-la.
Se agachou próximo a ela e checou seus sinais vitais. Estava viva, apenas inconsciente. Então ele tentou reanimá-la, conseguindo na segunda tentativa. Ela abriu os olhos e balbuciou:
— Spielvan... — e se moveu, tentando se levantar.
— Shh... Não se esforce. Deixa que eu te ajudo. — Spielvan falou, amparando-a e ajudando-a a se levantar.
A carregou até uma parte menos destruída do laboratório, próximo da porta, onde a deitou novamente, com cuidado. E ela balbuciou:
— Eu... eu tentei...
— Shh... Já disse para não se esforçar. — Spielvan retrucou, preocupado. E, se levantando e olhando para os lados, falou — Agora tenho que achar papai.
— Ele... está com Hikari...
— Hein?! Com Hikari? — Spielvan perguntou, espantado, olhando para a irmã.
— Sim... Ela o tirou daqui...
— Tem certeza, Helen? Acabei de encontrar Hikari e ela estava... Hã?!
Foi interrompido por um barulho forte vindo de fora do laboratório. Ele olhou para fora, intrigado, e voltando a se agachar próximo à Helen, falou, dirigindo-se a ela:
— Não se mova, Helen. Eu vou ver o que está acontecendo.
E, se levantando, foi dar uma olhada lá fora. Qual não foi seu espanto ao olhar para o céu e se deparar com uma enorme nave sobrevoando o local, nave esta que ele conhecia muito bem:
— Impossível!... É... é Deffender!...
A nave pousou próximo ao laboratório, diante de um impressionado Spielvan, que apenas olhava, boquiaberto. E, mais boquiaberto ainda, ele viu sair do interior da nave, ninguém menos que Diana, Dr. Paul e Hikari. Esta, ao ver o irmão, correu até ele, seguida pelos outros dois. E o abraçou, feliz em vê-lo bem. Diana se aproximou e perguntou:
— Spielvan, tudo bem? Onde está Helen?
— Ela... ela está lá dentro... — o rapaz respondeu, ainda impressionado com a visão diante dele.
Diana e Dr. Paul se apressaram em entrar, seguidos por Hikari, que veio puxando o irmão. Os três recém-chegados ficaram chocados com a destruição que tomava conta do local. E encontraram Helen deitada no canto onde Spielvan a havia deixado. Então ele se aproximou e chamou:
— Helen... Acorde...
Ela abriu os olhos e viu os quatro agachados ao seu redor. E balbuciou, a voz ainda fraca:
— Diana... Papai... Hikari... Estão todos bem... Fico feliz... — e fechou novamente os olhos.
— Temos que tirá-la daqui. —Dr. Paul falou, com ar preocupado.
— Vamos levá-la para Deffender. Lá é seguro. — Hikari respondeu.
— Certo. — Diana concordou. E os três ajudaram Spielvan a erguê-la com cuidado e levá-la até a nave. Então, com os cinco dentro, Deffender novamente decolou, saindo dali.
Notas finais
Essa é uma das fics em que estou trabalhando atualmente, portanto, espero poder atualizá-la com maior assiduidade...
Mas, para isso, um pouco de incentivo não seria nada mal, então... comentem, mandem idéias, sugestões, críticas (construtivas, de preferência...), enfim, participem!!!
No mais, arigatou e sayonara!!!!!!!!!!!
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