Notas iniciais
Pois é pessoal, tomei vergonha na minha cara. Espero que gostem, fiz de coração. É possível a ocorrência de erros, desculpe. Uma boa leitura e um bom começo de saga :3 Amo-os, sejam críticos, podem ser maus até...Para esse capitulo seria bom se escutassem uma musica leve, talvez um indie ou a playlist que há no youtube de " Bat for lashes Two suns" Obs: É possível uma carga excessiva de drama, afinal eu sou a rainha do drama. Obs 2: Aos que já leram esse capitulo: Mudei algumas coisas, e meus personagens serão mais baseados nos meus amigos.

"Que busquemos a felicidade quanto respirarmos…”

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Os pingos de chuva deslizam preguiçosamente na janela do carro. Como as lágrimas no meu rosto, a chuva cai sem importar-se. Preguiçosa e dolorosamente. Vejo minha casa ficar pra trás, tia Suze sorri para mim e aperta minha mão em uma forma de carinho. Meu vestido preto amarrotado lembra-me da manhã, passei o dia em pé entre os túmulos dos meus pais. Enxugo uma das lágrimas que escorre pelo meu queixo... Deixar a casa onde cresci era uma tarefa fácil, mas deixar as lembranças seria completamente impossível. Era com se uma parte de mim tivesse sido arrancada, destruída... Não acho que eu seria a mesma depois de tudo que aconteceu.

— Uma hora você terá que falar algo, querida — Tia Suze fala, tocando meu queixo.

— Acha que um dia eu vou voltar a ser feliz? — Fito-a, não queria realmente a resposta, pois eu nunca mais seria a mesma.

— Sereena! — Tia Suze fala em tom repreendedor, encarando-me — É claro que vai, mas de uma forma diferente.

Viro o rosto para o banco de trás. Clara dorme quieta na sua cadeira, tem apenas sete anos, mas foi a única que conseguiu me fazer sorrir. Seria uma longa viagem até a cidade das duas, que se tornaram tudo que posso chamar de “família” agora. A localização era praticamente do outro lado do país. Apoio a cabeça no banco e fecho os olhos; ainda escuto a musica leve no rádio e a chuva do lado de fora, até cair no sono.

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O som do riso da minha mãe, o cheiro do meu pai, o abraço quente em uma noite chorosa, a calma, lavandas, brilhos... Então escuridão. O telefone toca, a difícil notícia da morte, o choro carregado, a desolação... Meus pais se foram sem se despedirem. Não era para acontecer, não podia acontecer! NÃO! NÃO! Por favor, diga que é mentira, que os verei em casa quando chegar da escola... Policiais e o cheiro forte de sangue, meus pais juntos, caixões lado a lado…

— Sereena, acorde! Vamos acorde! — Minha tia sacode meus ombros. Outro sonho havia me assombrado, levanto rígida e olho para o para-brisa a minha frente.

—Desculpe, dormi por quanto tempo? — Laceio o cinto, que se contraia contra meu corpo.

— Tempo o bastante para anoitecer, vamos ficar nessa pousada hoje à noite. Clara, querida, saia do lado da calçada. — Tia Suze alonga-se, desligando o carro.

Desço do carro e olho para a grande casa antiga a minha frente. Uma pequena mão se encaixa na minha; olho para baixo e os curiosos olhos azuis de Clara me encaram, ela sorri e me puxa em direção à porta. Uma senhora velha e um pouco acima do peso sorri para nós, caridosa .

— Olá — sua voz, já marcada pelo tempo, recebe-nos — Sejam bem-vindas à pousada Raiar do Sol! — A senhora ri ao falar. “Raiar do Sol” era um nome irônico para o lugar, contando que estávamos numa das partes mais frias do país, onde o inverno é muito rigoroso e o sol quase não brilha. Sorrio em resposta, a senhora continua:

— Meu nome é Geórgia, não vão ajudar sua mãe com as malas? — A senhora fala, encarando-me com seus grandes olhos verdes.

— Ela não é minha mãe, é minha tia... — digo desconfortável, coloco a mecha de cabelo, que me atrapalha, atrás da orelha e fito o chão.

— E onde está sua mãe, querida? — Geórgia toca meu queixo e levanta meu olhar. Engulo em seco. Clara fala com sua voz juvenil:

—No céu, ela virou uma estrela. — Clara abre seu resplandecente sorriso torto e a senhora, que percebe o erro, atrapalha-se. Sorrio para Clara .

—Obrigada... — sussurro para a pequena sábia que se portava ao meu lado.

Tia Suze entra na sala cheia de malas, a senhora fala com ela enquanto eu e Clara exploramos o resto da sala com cheiro de naftalina. Sento em um dos sofás e Clara pula ao meu lado.

—Prima, como eu vou saber qual das estrelas é a tia Agatha?

— Eu também queria saber querida... Eu também queria saber... — respondo tocando o topo da sua cabeça loira.

Uma música antiga toca e Clara dança na minha frente, o que me faz sorrir involuntariamente. Clara tem me alegrado, mas a dor continuava ali, sempre me vigiando. Tia Suze aparece com os cabelos claros escabelados.

—O que aconteceu, tia? — pergunto devido ao seu estado.

— Digamos que o quarto é pequeno para tantas malas. — Tia Suze sorri abertamente e puxa os cabelos soltos para trás da orelha.

Sorrio, pego Clara na garupa e subimos as escadas, estamos no segundo andar. Os quartos são antigos, mas o cheiro de lavanda é notável. Deixo Clara numa das camas e vou até o banheiro. No espelho, uma Sereena assustada e rígida me encara de volta, estou com enormes olheiras debaixo dos olhos quase negros, os cabelos pretos parecem um ninho de passarinho... Estou muito magra e meus lábios estão tão pálidos quanto os lençóis brancos que havia no quarto. Volto para perto das camas e busco pelas minhas malas, pego a escova de dentes e um pijama. Tomo um banho demorado e quente, deixo a água espalhar-se pelos músculos rígidos. Depois de um tempo me preparando para dormir, saio do banheiro.

— Aleluia! Pensei que tinha morrido no banho — Tia Suze fala. Jogo-me na cama ao lado de Clara, que brinca com uma das bonecas da sua coleção, pego uma boneca e brinco com ela enquanto sua mãe está no banheiro. Assim que Clara vai para o banho, eu coloco um casaco e abro a sacada.

Ainda chove, a leve chuva molha o meu rosto, olho para as estrelas. Será que eles estão lá? Olhando por mim... Lágrimas escorrem pelo meu rosto, eu seria capaz de fazer tudo para tê-los perto de mim novamente, nem que fosse por minutos, eu não tive tempo para um adeus…

—Sereena, querida? — Tia Suze chama dentro do quarto, fazendo-me limpar as lagrimas e entrar novamente.

—Estou aqui. — respondo ao fechar a porta atrás de mim.

— Temos que falar sobre a escola, eu te matriculei na escola onde leciono. Bom, não é como a sua antiga escola, mas é a melhor da cidade.

Tento sorrir, mas acho que fiz uma careta, pois ela fica com o semblante triste. Eu havia deixado minha vida para trás, meus amigos, minha casa, minha cidade... E havia Jessie, minha melhor amiga, precisava conversar com ela. Era difícil pensar que não a veria mais na escola.

— Tudo bem — digo arrumando o travesseiro — Vou dormir um pouco. Boa noite, tia.

— Deito na cama perto da sacada, viro e tento dormir o mais rápido possível, não quero chorar antes de dormir, não novamente... Caio no sono.

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Minha mãe me chama, corro por um campo. Não sei de onde a voz vem, mas sinto um desespero enorme. Corro, procurando pela mulher que falava meu nome repetidas vezes, tropeço num tronco e caio com as mãos em frente ao rosto. Meus braços se cortam com a queda. Abro os olhos, o teto encontra-se a centímetros do meu rosto, estou levitando acima da minha cama. Há sangue em minhas mãos, toco o teto com a ponta dos dedos. Assim que vejo a quantidade de sangue meu desespero aumenta, com força, bato a cabeça contra o teto. Escuridão…

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Acordo com minha cabeça zunindo, procuro me orientar e olho para os lados. Clara e Suze ainda dormem. Levanto e vou para o banheiro, eu tive o sonho mais estranho de toda a minha vida, olho para o espelho um enorme galo aparece um minha resta, roxo. Aquilo era um sonho ou era real? Toco o machucado, gemo de dor e afasto os dedos. Olho para meus braços, nenhum sinal de arranhão.

— Eu devo estar ficando louca — falo para mim mesma. Devo ter conseguido o galo debatendo-me durante o sono.

Pego uma roupa limpa e a visto, amarro o cabelo em um coque. Vou para o quarto, caminho vagarosamente para não acordar Clara e sacudo um dos ombros de Suze.

— Tia! Acorda! Já são quase dez horas e temos muita estrada pela frente. — digo baixinho, próxima ao seu rosto.

— Mais cinco minutinhos... — Tia Suze joga seus braços contra o rosto e cabelos babados.

Seguro o riso e viro-me para a outra cama, pego a boneca de pano de Clara, toco seu rosto com ela e falo:

— Bobona, hora de acordar! Vamos Clarinha, hora de tomar o café da manhã. Vamos descobrir que comida tem aqui?

— Você... Falou... Comida? — Clara fala devagar, sonolenta.

—Vamos, princesa. — falo colocando a boneca no seu travesseiro.

A pequena boceja e esfrega os olhinhos, pego ela no colo e nós começamos a descer as escadas; um cheiro de ovos toma conta do ar. Geórgia aparece com uma xícara de café.

—Vamos crianças, hora do café.

Sento ao lado de Clara, que conversa com a senhora sobre o sonho que teve. Tomo um café e como uma fatia de bolo, fico quieta até Geórgia perguntar:

— Querida, qual a sua idade mesmo? — Ela me encara, curiosa.

— Eu tenho dezesseis anos e a baixinha tem sete. — olho suas feições que expressão tristeza e curiosidade ao mesmo tempo. Assim que termino de falar, vejo seus olhos arregalarem-se.

— Como seus pais morreram? Já faz tempo? — A mulher não se conteve, joga-me as perguntas como um tapa no rosto.

— Hum... — Engulo em seco a porção de bolo e tento buscar as palavras — Na verdade, foi na sexta passada. Num acidente de carro…

— É difícil ainda falar sobre isso, não é? — A curiosidade corre como uma lebre do seu rosto, que é preenchido pela tristeza e compaixão.

— Sim — Fito o resto de bolo que havia em minhas mãos.

— Tia, às vezes, escuto ela chorar de noite… — Clara fala para Geórgia, coro e olho para a garota rapidamente.

Tia Suze parece de pijamas e pantufas, senta-se à minha frente. Ela olha fixamente para minha testa, com uma expressão de poucos amigos.

— Que machucado é esse, querida? — Ela aponta para minha testa.

— Não sei bem, mas acordei com ele. — Já não aguentava mais as perguntas, levanto-me apressada, atrapalhando-me com a toalha da mesa. — Bom eu vou arrumar as malas para partirmos.

Subo as escadas lentamente. Eu não sei bem o que aconteceu na noite passada, mas se ter levitado foi real, eu tinha um grande problema pela frente... Afasto o pensamento tolo e sem cabimento, e abro a porta do quarto.

Arrumamos tudo dentro do carro e nos despedimos de Geórgia. Sento ao lado do motorista. Mal conversamos durante a viagem, diversas placas passam por nós. Estou a caminho de uma vida nova, de uma nova realidade. Mando um SMS para Jessie: “Estamos quase chegando, me deseje sorte”. Largo o celular na bolsa e me viro um pouco de lado, na esperança dormir.

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Horas se passam, paramos algumas vezes para abastecer e comer, até avistarmos uma grande placa: “São Domingues a 2 km”. Fecho os olhos e torço por mim, seria uma grande mudança.

— Sorria querida, estamos quase chegando — Tia Suze fala sorridente vendo minha expressão de preocupação, balanço a cabeça. Sinto uma mãozinha no meu ombro e olho para trás; Clara sorri ao dizer:

— Irá ficar tudo bem — Clara era com certeza uma criança muito especial. Sorrio e olho para frente.

São Domingues era uma cidade pequena, média de 2.888 pessoas. A maioria da população era formada por pessoas com mais de 45 anos. Minha tia escolheu a cidade pela pequena taxa de criminalidade, então mudou-se com seu marido e a filha de cinco meses. Eu estava acostumada com a cidade grande, onde cresci. O carro entra em uma das ruas mais movimentadas da cidadezinha. Um posto de combustível, um restaurante, os bombeiros e uma pequena loja de departamento circundavam o cruzamento. Olho para todas as construções, elas eram antigas e tudo parecia quieto. O clima era calmo, mas ensolarado. Entramos na entrada de carros da casa em tons pasteis da Tia Suze.

Saio do carro e coloco as mãos nos bolsos do casaco. O marido de tia Suze, Matthew, sai da casa e abraça a filha sorridente. Involuntariamente, lembro-me de quando fazia o mesmo com meu pai. Viro o rosto e afasto o pensamento, tio Matt me abraça calorosamente.

— Desculpe não poder estar ao seu lado naquela hora, a oficina ficou uma bagunça com os preparativos da festa de São Domingues, sabe? Muitos carros para o desfile. — ele sorri sem jeito e coloca as mãos na traseira do carro — Eu também sentirei falta de Agatha e Walter.

— Obrigada pelo apoio, tio Matt — sorrio e ajudo-o a pegar uma das malas, tio Matt não era a melhor pessoa para demonstrar seus sentimentos; sua estrutura e barba grandes não deixavam transparecer nenhuma emoção facilmente.

— Querida, venha ver o seu quarto... — tia Suze fala na soleira da porta. Quando ficaram sabendo do ocorrido, eles arrumaram um pedaço da garagem para mim. Eu não poderia ficar mais agradecida. Mesmo que fosse pouco, era algo amável.

Entro na casa com minha mala nas mãos. O local era confortável, feito de madeira num estilo rústico. Havia apenas dois dormitórios, pois tia Suze teve um problema no útero após o nascimento de Clara e não podia ter mais filhos. Além destes, havia a cozinha, a sala de jantar, dois banheiros, a sala e a garagem.

— Bom, eu comprei um armário e a cama para você... — Tio Matt diz orgulhoso da linda cama e armário. A garagem estava dividida por uma prateleira e tábuas; do lado oposto a minha cama, havia uma enorme vidraça que dava acesso ao jardim da casa, o pátio era separado dos outros jardins por uma cerca baixa. Agradecida, abraço tio Matt e Tia Suze.

—Obrigada por tudo que estão fazendo por mim. — Meu estômago se revira pela fome e gratidão.

— Não precisa agradecer, querida — Tia Suze fala com lágrimas, afasto-me e sento na cama. — Vamos deixar você se organizar. — todos saem do quarto, deixando-me sozinha. Desfaço as malas e escuto o toque do meu celular, abro a bolsa e procuro-o. No visor, o nome de Jessie parece, atendo.

— Alô? — digo ao colocar o aparelho no ouvido.

— Alô! Sereena! Já chegou à cidade? — A voz de Jessie parecia preocupada.

— Acabei de chegar, estou desfazendo as malas...

— E como são os gatinhos dai? — Jessie me interrompe.

— Sumidos, pois não vi nenhum até agora! — rio com a brincadeira — Vou ter que desligar, tenho muita coisa pra fazer. Te amo mais que suco de morango com hortelã em dia quente, beijos...

— Também te amo, mais que chá em dia frio! Beijos!

A linha fica muda e eu volto a organizar minhas coisas no armário. Checo minha caixa de voz, havia cerca de quarenta e oito mensagens de voz de Jessie, ela estava louca atrás de mim.

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—Boa noite — digo ao me retirar da mesa, onde tínhamos acabado de comer — Estou exausta por causa da viagem.

— Boa noite querida — diz tia Suze — Ah, amanhã é um dia muito especial na cidade, o festival de São Domingues, você vai querer ir?

— Vou sim, talvez ver gente me faça bem… Bom estou indo pra cama.

Dou um beijo em Clara e vou para o quarto-garagem. Todas minhas coisas estavam ali: computador, roupas, perfumes, maquiagem... É como se minha vida tivesse sido resumida e censurada. Olho para a vidraça; a noite canta com seus grilos e cigarras do lado de fora, adormeço pensando no que o dia de amanhã me reserva.

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— Está pronta, Sereena? — Tia Suze pergunta do carro

— Quase... — respondo, desamasso o vestido florido e coloco os sapatos altos. Fazia tempo que não me arrumava, então demorei um pouco na elaboração da maquiagem. — Pronto! — Pego a bolsa e corro para dentro do carro.

Clarinha está sentada ao meu lado, ela está com uma coroa de flores na cabeça, na verdade toda a cidade parecia florida.

—Está linda, prima — Clara diz tocando no meu cabelo longo e preto.

— Você também, Clarinha. — Toco uma das flores de sua coroa.

Saímos da entrada de carros em direção ao centro da cidade, todas as ruas então coloridas e floridas. Há imagens de São Domingues em várias vitrines e casas. Saio do carro com Clara ao meu lado; havíamos parado, pois uma barreira separava a feira do resto da rua.

—Que horas começa o desfile de carros, tio? — pergunto assim que Matt termina de estacionar o carro.

— Daqui a pouco, só tenho que checar os carros. — Ele fala caminhando em direção à sua oficina.

—Vou circular um pouco, nos encontramos aqui para ver o desfile. — falo e viro em direção a uma tenda de comida perto da igreja, na praça principal.

São Domingues era o centro da imigração italiana, por isso há vários tipos de comidas italianas, escolho um Cannoli. Admiro a festa colorida e cheia de vida, volto para junto dos meus tios assim que os sinos da igreja são tocados. Os carros começam a desfilar, mas eu não noto os detalhes, pois algo prende minha atenção: Um garoto que olha fixamente para mim...

Notas finais
Particularmente, não é um dos melhores textos que já escrevi, mas espero que tenham gostado. Deixem suas opiniões, ou sei lá o quê, pois não sei mexer nesse troço! Beijos e abraços.