Notas iniciais
Hi, fiquei um tempo sem postar, pq eu to explicando kkkkkkkkk vc ja sabe

"Todo fim é um início, todo início é um fim"

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Eu sei... Sei que a magia já estava em mim mesmo antes de conhecê-la. Sei que minha sanidade sempre nadará contra a corrente, tentando trazer-me para costa dessa loucura. Sei que sou diferente da garota de três semanas atrás e que agora tenho novas realidades. Sei que tenho pessoas ao meu lado. Mas eu era tão límpida e cristalina, ininterrupta e intocada; como um cristal de açúcar, derreti e colori minha antiga alma. Sou uma mistura de emoções e cores, e sei que minha alma colorida irrompe em luzes, iluminando diferentes pessoas.

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– Mova suas mãos com leveza, para cima e depois para baixo – Rosana se move, fazia dias que ela tentava me ensinar magia básica, faço o que ela mandou – Leveza! Parece um robô dançando Macarena...

– Já falei que o forte dela não é dançar, seriam mais fáceis feitiços pronunciáveis – Rodrigo cruza os braços sob o peito e apoia-se numa das árvores do jardim.

– Rodrigo, trate de cuidar da sua magia e eu cuido da minha. Alias o que faz aqui ainda? — Rosana começa a velha discussão novamente, estávamos naquele dilema desde a chegada de Rodrigo há duas semanas.

Estávamos num ritmo acelerado de treinos, mas eu não tinha muito conhecimento. Passava quase todas as tardes sentada na sala de Rosana ou dançando no quintal. Entrei no modo automático, às vezes passava horas sem falar nada, só fazendo o que mandavam. A parte boa é que não fomos mais atacados e que Rodrigo começava mostrar-se um bom amigo, de algum jeito ele transmitia paz e o ambiente ficava mais leve com sua presença. Ter feito a viagem espiritual com ele parece ter sido milhares de vezes melhor do que ir com a Rosana, ela é experiente e cuidadosa, mas os olhos negros de Rodrigo faziam-me ter calma. Eu também não entendia por que ele continuava aqui, mas não o mandaria embora como Rosana faz todos os dias.

– Não me importo com o que seu pai pensa ou deixa de pensar desse clã! Se quiser continuar aqui, fique quieto. – Rosana volta-se para mim, seus cabelos bagunçados pelo esforço. – Vamos continuar, onde estávamos?

– Robô dançando Macarena... – Digo, ainda distraída. Os feitiços eram difíceis e requeriam muito esforço. – Será que podemos continuar amanhã? Está tarde e eu ainda preciso estudar, tenho prova amanhã... – Minto sem importar-me se parecia segura do que dizia.

– Ah sim! Manda os espíritos esperarem! Manda o vendo parar de soprar! – Rosana levantava as mãos, exasperada. — Temos muito que fazer ainda e o anoitecer poder ajudar com os feitiços que precisam do efeito da lua. Mais uma hora, OK?

– Ok... Mas sem dança... – Digo e Rodrigo sorri, sabia que não estavam adiantando muita coisa os movimentos. – Talvez Rodrigo possa me ajudar com os feitiços pronunciáveis e amanhã dançamos a tarde toda... O que acha?

– Faça como quiser... Tenho mais o que fazer. Ah, e amanhã é seu dia de folga. – Rosana fala com a expressão rígida, eu sabia que era puro fingimento, ela só queria parecer forte diante de Rodrigo. Ela caminha com os passos firmes para dentro da casa. Íris havia saído com os outros, estavam num bar no centro da cidade, e eu trancada aqui...

– Pois é, queridinha. Diversão para todos menos para reencarnação... – Rodrigo sorri irônico, fecho a expressão, pois sabia que ele lera minha mente.

– Quantas vezes já pedir para não fazer isso? – Cruzo os braços sobre o peito, odiava quando ele fazia aquilo. Já havíamos discutido muitos sobre ele invadir minha privacidade.

– É impossível não ficar curioso com o que passa por essa cabecinha. E nem se finja de ofendida... Sei que você adora... – Seu sorriso irônico aparece. – O que quer aprender hoje?

– Bom... Sei quase todos feitiços e conjuração de proteção, pouquíssimos de ataque... Mas nenhum sobre espíritos... – Eles tanto me atormentavam que a curiosidade sobre os mesmo aumentava a cada dia, viro para o sol que se punha atrás das inúmeras árvores.

–Não tem muito que ensinar sobre eles, quando querem aparecem. – Rodrigo toma uma expressão séria, sobrancelhas quase juntas e a boca parece tornar-se pedra — Às vezes ajudam, como quando Clara foi atacada na sua casa, às vezes atrapalham. Cada um tem uma coloração, os mais claros são as almas mais leves, é comum espíritos de crianças serem totalmente brancos, e os mais escuros possuem mais impurezas. Quase sempre eles têm uma mensagem ou missão, por isso seguem as pessoas, ou só querem acompanhar. Você pode conjurar espíritos da natureza, como os espíritos da água ou fogo, mas é uma técnica avançada da magia azul. Com o tempo você poderá ver a cor ou até falar com eles; dependendo do seu avanço na magia azul, você pode conversar com os espíritos antigos ou originais, como o que lhe falo sobre sua missão, sem precisar fazer uma viagem espiritual.

– Então pode me ensinar o básico da magia azul? – Estava praticamente implorando, tudo que aprendera até agora eram feitiços de proteção, como se eu fosse fugir durante futuras guerras. Quero lutar por mim e minha missão.

– A gatinha tem garras... – Rodrigo ri, atenuando sua expressão. – Você não pediu para que ninguém lutasse ao seu lado, Sereena, mas todos nós sentimos a necessidade de te ajudar.

– É impossível manter uma conversa normal com você lendo minha mente! – Praticamente grito, dou-lhe as costas e caminho para a casa.

– Eu também li na parte que você observada minha boca, danadinha... – Rodrigo dá gargalhadas atrás de mim. Mesmo assim, ele puxa meu braço, fazendo-me parar. – Calma, vamos continuar, prometo não ler mais a sua mente. – Rodrigo mostra os dedos cruzados, é claro que ele leria novamente.

– Comporte-se! Preciso muito que me ensine algo que poderei usar. – Afasto-me e observo-o.

– Bom, não vai te ajudar em muita coisa a magia azul numa luta... Até invocar um espírito e fazer ele lhe obedecer, você já está morta... – Rodrigo coça o queixo, pensativo. – Que tal aprender um pouco sobre a magia cinza?

– Magia da natureza, certo? – Rodrigo assente. – Bom, tudo que sei sobre isso é que aquilo ali é um árvore, isso é a terra, lá o sol... – Sorrio, não tinha ideia de como essa magia era feita ou funcionava.

– Bom, requer um pouco de movimento e palavras difíceis... Sei que você aprende rápido, mas não tem prova amanhã? — Rodrigo finge preocupação.

– Minha mentira convenceu?! Isso, Sereena! – Mentir nunca foi uma tarefa fácil, alegro-me com a ideia de ter convencido, até Rodrigo começar a rir.

– Nem um pouco... Principalmente por que amanha é sábado... – Rodrigo se diverte com a minha expressão. Nem tinha me dado conta que o próximo dia era sábado.

– Voltando à magia... O que fazemos primeiro? – Pergunto entredentes.

– Hoje eu acho que sua cabecinha oca não vai conseguir absorver nada mais. Porém eu tenho o livro que talvez possa lhe ajudar com os feitiços pronunciáveis, está num dos suportes de bagagem da Dóris... – Rodrigo olha-me, mas não presto atenção em sua expressão. Pois meu celular começou a tocar, no visor o nome da tia Suze aparece. Atendo

– Oi, tia Suze! – Digo e levanto a mão para Rodrigo fazer silêncio. – Já está na hora de ir para casa?

– Já sim... Ah, seu tio mandou convidar O garoto da Indian branca para jantar conosco. – Tia Suze parece animada com o jantar. Reviro os olhos, já Rodrigo começa a sorrir ao meu lado.

– O.K. tia... Já estamos indo. – Desligo o celular, irritada. – Meu tio ama sua moto, nem em casa consigo me livrar de você, praga...

– Até parece que não gosta da minha companhia... – Rodrigo inclina-se um pouco para frente, consigo sentir sua respiração. Odeio o fato de ele estar certo sobre querê-lo por perto. – Eu sabia...

– Vamos logo, antes que eu lhe dê um chute no meio das pernas e saia dirigindo a Dóris por ai, sozinha... – Digo, sorrindo. Rodrigo fecha a expressão.

– Nunca diga isso novamente... Dóris é uma moça de família. – Ele finge-se ofendido.

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O jantar seria como qualquer outro, se não fosse por Rodrigo e tio Matt falando sobre motos, motores, corridas... Olho para tia Suze que apoia a bochecha na mão, nós duas não éramos as mais animadas, já Clara comia uma grande porção de lasanha, toda feliz.

– Sabe Rodrigo, nós temos bastantes coisas em comum... Mas eu nunca tive uma Indian, minha primeira moto foi uma Yamaha 1976, do ano que nasci. Branca, suja e caindo aos pedaços, mas para mim, com meus quinze anos, era a oitava maravilha do mundo. Chamava-se Sandra. Eu e Sandra éramos inseparáveis, passava mais tempo com ela do que com minha namorada na época. Até que meu pai deu ré em cima dela com seu Jeep, Sandra foi esmagada. – Tio Matt parecia triste com a historia, Rodrigo tinha uma expressão entre o riso e o choro e tia Suze revirava os olhos a cada frase. – Vendi as peças da pobre num ferro velho. Espero que nada de ruim ocorra com Dóris... Caso aconteça, estou disposto a mobilizar a oficina para ela.

O clima da mesa não era um dos melhores, a expressão entediada de tia Suze parecia até poder azedar a salada de maionese. Rodrigo não parara de tagarelar sobre como era feliz por ter a Dóris, tio Matt falava sobre a oficina e as novas peças originais e cromadas que conseguiu comprar, tia Suze estava claramente com ciúmes.

– Matt, ajude-me com a sobremesa? – Tia Suze levanta, fazendo barulho e lança um olhar mortal para o marido.

– Mas eu estava no meio de uma história... – Tio Matt começa, mas tia Suze o interrompe.

– Agora! –A mulher, que costumava ser minha doce tia, fala entredentes, o homem levanta rapidamente e os dois praticamente correm para a cozinha. O barulho de pratos e gritos sussurrados se seguem, tia Suze sempre teve um temperamento forte e tio Matt sempre era aquele que pedia desculpas, logo fariam as pazes.

– Vejo que o seu temperamento veio da parte materna... – Rodrigo diz tocando meu queixo como se eu fosse uma criança birrenta. A única coisa que odiava de ter ido para a viagem com Rodrigo é que ele sabia sobre toda minha vida.

– Muito engraçado, idiota... – Digo, tirando meu queixo de perto dele. Seu humor tirava-me a paz muitas vezes, mas em outras fazia com que houvesse sempre um alivio cômico ao meu lado. Ele sorri e cruza os braços, convencido.

– Clara... Tem algum segredo da sua prima que quer compartilhar comigo? – Rodrigo parece divertir-se.

– Nada novo. Ela vai demorar a deixar de negar o fato que gosta quando você está por perto e das suas brincadeiras, ela mesmo se engana. – Clara fala baixo, como um olhar divertido e sapeca para Rodrigo, os dois pareciam macaquinhos fazendo bagunça.

– Obrigada mesmo, Clarinha. Mas o que falamos sobre não falar sobre seus sonhos? – Repreendo-a, mas Clara dá de ombros.

– Isso não é um tipo de visão, é a verdade... Está estampando na sua cara, Sereena. – Rodrigo fala sorrindo.

– Idiota...

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Há várias finalidades no uso da magia cinza. Como natureza, podemos utilizar desde o ar dos pulmões até os asteroides para fazer magia. Depende muito do comprometimento com a tecnica, a preferida entre a maioria dos feiticeiros é a magia com água ou fogo, mas há muitas além dessas como a cósmica, onde a energia magica é retirada dos astros, e a climática cuja função é modificar o clima em volta do feiticeiro, podendo provocar fortes chuvas ou até furacões. Em cada capitulo desse livro você aprenderá uma das finalidades e crescerá na magia cinza.

– Jasper Lazzari

Essa era a introdução do livro que Rodrigo emprestou-me, o autor do livro era o pai dele. Só de ler suas palavras, um arrepio prolongava-se pelas minhas costas. Muito da ironia de Rodrigo era um mecanismo de defesa, como uma armadura para um guerreiro... Eu também usaria algo do tipo se fosse filha de alguém como Jasper, onipotente e que alimentava uma sombra enorme, onde todos do seu clã espremiam-se. Rodrigo tinha um grande e quente coração, podia sentir isso... Viro-me na cama e jogo o livro no chão, estava exausta. Rodrigo... Faça o favor de sair da minha mente, pois preciso dormir. Mando um SMS para Jessie, que ficara o dia atrás de mim, falando sobre Rodrigo e o jeito como eu adorava odiá-lo, e como odiava adora-lo. Rodrigo Lazzari havia se tornado o melhor que se pode ser; durante as duas semanas, ele me irritara e usava o sarcasmo para tudo, mas aquilo fazia a situação tornar-se tênue, fácil e límpida, como se uma grande cortina de fumaça fosse retirada do meu caminho. Mas a última coisa que precisava era ter mais alguém com quem me preocupar, embora não gostasse de admitir eu estava pondo todos no clã em risco e agora sua segurança preocupava-me, não sabemos o que ocorreu com o pemungut e se eles atacariam novamente, possivelmente sim. Rosana dissera que Clara estava a salvo, ela fez um circulo com incenso de ervas e enxofre para afastar possíveis espíritos maus. Mas nada parecia o bastante, meu corpo estava no automático, minha mente estacionada, mas meu instinto queria fugir de tudo aquilo, proteger todos que amo. Mesmo assim, não fugirei... A magia sempre irá me seguir... E com ela meus temores e meu futuro. O maior problema não era esse... Minha missão tornara-se um tormento, as guerras só iriam parar com a unificação dos clãs, e era meu dever trazer a paz.

Adormeço...

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Pisco varias vezes antes que eu esteja realmente acordada. O sol brilha do lado de fora da janela, a grama brilha com o orvalho contra a luz, os pássaros cantam, e posso ouvir o barulho de passos na cozinha. Fora uma noite sem sonhos, tudo na mais profunda e quieta escuridão, adormecera sem perceber, mergulhada em pensamentos que não me levariam a lugar algum.

– Sereena! Café da manhã! – Tia Suze grita da cozinha. Levanto, arrastando-me. Embora estive com fome, o momento de paz era tão grande, sem ordens nem magia, que minha vontade de paralisar tudo era enorme. – Agora, mocinha! – Choramingo e caminho aos tropeços sonolentos para cozinha. O cheiro de café instantâneo e pão de queijo enchem o lugar.

– Bom dia... – Digo baixinho. Quatro pares de olhos voltam-se para mim... Quatro... Rodrigo sorri da mesa de jantar. – O que ele está fazendo aqui?

– Bom dia para você também, amarga desde cedo. Sua tia convidou-me para o café, em forma de desculpas pela forma como o jantar terminou. – Rodrigo sorri de orelha a orelha. Ele está sentindo vitorioso, meu mau humor matinal não me ajudava a aguenta-lo logo cedo.

– Valeu mesmo, tia... – Semicerro os olhos em direção à tia Suze, que dá seu mais branco sorriso sem graça. Ela parecia sentir-se no dever de recompensa-lo.

–O que pretende fazer hoje, Sereena? – Tia Suze pergunta, desviando do fato que Rodrigo estava fazendo uma pequena competição com Clara de quem comia mais cereal.

– Dormir... – Procuro pelas xicaras, batendo as inúmeras portas dos armários. Assim que acho, caminho para mesa.

– Na verdade, Sereena e eu havíamos combinado de sair! – Rodrigo fala, ou tenta falar, com a boca cheia.

– Havíamos? – Odeio quando planejam algo sem meu consentimento, bato a xícara contra a mesa e sento a sua frente.

– Sim, vamos à casa de uns amigos. – Rodrigo faz um sinal com a cabeça para que eu concorde. Reviro os olhos, tudo que queria era não ter saído do quarto, ou voltar correndo para ele, mas respiro fundo, procurando forças.

– Verdade! Havia esquecido. Bom, perdi a fome... Vou me arrumar para sairmos logo... Licença.– Levanto da cadeira e marcho de volta para meu quarto.

Hoje era meu dia de folga, ele acha que pode chegar e tirar uma garota do seu conforto, estava entre ficar muito braba ou enlouquecer. Visto a primeira coisa que vejo.

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Rodrigo espera-me, encostado em Dóris. Se ele não fosse tão irritante, acharia amável a forma como ele combinava com seus óculos escuros, jaqueta e motocicleta. Como cada fio de cabelo caído na testa fazia meu estomago arrepiar-se, como seu olhar negro e firme faziam-me querer aproximar-me... Balanço a cabeça a fim de livrar-me dos pensamentos.

– Não leu minha mente, não é? – Pergunto, caminhando para perto de Dóris.

– Dessa vez não... Tem alguma ideia de para onde estou te levando? – Ele sorri malicioso, e olha-me dos pés a cabeça.

– Para casa da Rosana... E você não pode fazer nada ruim comigo, você é um lumino. Só faz coisas boas. – Digo, cruzando os braços.

– Estou te levando para um lugar diferente, uma das recepcionistas do hotel falou sobre ele. Natureza e tudo mais, vamos treinar um pouco de magia cinza. – Rodrigo diz rapidamente, fechando a expressão. Ele me dá o único capacete, quieto... – Pronta? – Ele pergunta, assento e subimos na moto.

Nunca vira Rodrigo daquela forma, como se algo terrível estivesse o assombrando. Meus pensamentos são desviados para beleza da cidade acordado para mais um monótono sábado. São Domingues tinha seu charme, cidade pequena onde a tradição italiana persistia, nenhum prédio passava de três andares, e arranha-céus pareciam proibidos, o sol posicionava-se atrás dos inúmeros telhados laranjas, as luzes da rua desligavam-se uma a uma. Janelas abriam, lojas arrumavam as vitrines, e eu só conseguia ver felicidade naquilo, poderia ser falsa, mas tudo se combinava. Era como um quebra cabeça de criança, alguns gostavam já outros odiavam, assim como Thomas... Fazia tempo que não pensava nele, toda presença de Rodrigo e treinos não deixavam preocupar-me com ele. Thomas era alguém perdido num lugar novo, como um passarinho que cai do ninho, mas isso não justificava suas atitudes, talvez ele fosse a futura causa de uma guerra entre Librins e Anluxes. Não entendo ainda como unir os clãs, enquanto tenho exemplos das diferenças entre eles, aprendo com os Luminos, vivo com os Librins e temo os anluxes... Minha missão é penosa...

– Chegamos! – Rodrigo fala ao parar a moto. – Tudo bem com você? Está com uma expressão terrível.

–Ah, obrigada... Mulher adora ouvir isso! – Digo, afastando os pensamentos pessimistas. Olho para o lugar onde paramos, Rodrigo me levara para fora da cidade, podia notar pela falta de casas ou comercio. Uma pequena cabana estava a nossa esquerda. – Onde exatamente estamos?

– Essa é a entrada para um riacho, a cabana está abandonada. Ao que parece, o dono afogou-se... – Rodrigo fala com um tom sombrio.

– E vamos para o mesmo riacho onde ele se afogou? – Arqueio uma das sobrancelhas. Ele começa a rir. – Não sei por que me dou ao trabalho de levar a serio o que você fala... O que vamos aprender hoje?

– Você deveria ver sua expressão de preocupação... Eu quero lhe mostrar um feitiço com a água. – Rodrigo puxa-me para o quintal da casa, algumas macieiras fazem uma espécie de divisa entre a propriedade e o riacho. Caminhamos em silêncio. – Aprendi lendo os livros de Jasper e aperfeiçoei vendo os movimentos de Rosana, só não conta para ela...

Um sorriso brota nos lábios de Rodrigo, como uma criança prestes a mostrar aos pais o desenho que fizera na aula. Ele caminha para beira do riacho e tira as botas, arremangando as calças até os joelhos. Sento-me perto de uma das macieiras e observo-o. Rodrigo começa a andar para a água, e a fazer movimentos com as mãos, como se estivesse empurrando o ar para baixo.

– Aqua murum – Rodrigo grita contra o vento que o escabelava, e com um movimento com as mãos uma parede de água forma-se a sua volta. – Recedunt aqua. – A água volta para o lugar, parecendo que nunca havia sido tocada. – Podemos fazer algo parecido com todos os elementos, mas a água é o elemento básico e mais fácil conjurar. O fogo, as plantas e os astros são os mais difíceis, pois têm vida própria. Alguém que consegue mudar a influência que um astro faz e conjurar sua essência é muito poderoso, poucos conseguiram... Jasper é um deles. E com treino você pode conseguir.

– E você? – Digo, assustando-o.

– Eu conseguir conjurar um astro? Acho muito difícil... É algo para os grandes feiticeiros.

– Mas podemos tentar, não é? Juntos... – Digo entre a vergonha e o encorajamento.

– Nossa! Dona Sereena rabugenta quer fazer algo comigo! Estou me sentindo honrado, madame! – Não reprimo o riso, e Rodrigo aproxima-se.

– Posso saber por que você está tão tensa desde que saiu da Dóris?

–Rodrigo... Olha pra mim, como eu poderei unir coisas tão distintas, quanto os Luminos e os Anluxes? – Olho para Rodrigo, cuja expressão era preocupada. – Você ouviu aquele espirito sobre a minha missão, tudo que tenho feito é tentar ajudar e aprender, mas cada vez me afundo mais nessa duvida.

–Sereena... Eu tenho uma coisa para lhe falar. – Rodrigo ajoelha-se ao meu lado. Suas mãos pegam meus pulsos. – Você pode mudar tudo isso, eu acredito em você... E estarei sempre ao seu lado, até porque você me mudou...

–Como assim? — Pergunto completamente confusa.

Rodrigo levanta a manga da jaqueta de couro, largando meus pulsos em meu colo. Não consigo entender, até que a informação choca-se contra mim... A cicatriz dos dois sois de Rodrigo, a que o identifica como lumino, mal podia ser notada. Como se ele estivesse mudando de clã, mas nenhum outro desenho colocava-se no lugar... Rodrigo não pertencia mais a nenhum clã, mas sim a magia pura...

Notas finais
FIM! kkkkkkkkkkk esse é um cap de transição, para dar um time até os próximos acontecimentos.