Sozinha no mundo
1 Capitulo 1 – A primeira peça do quebra cabeças
Notas iniciais
- Personagens envolvidos: Kaira, Megan e Frederick.
- Há presença de NPC's
- Há transição de cidades
- Quantidade de palavras: 2.553
- Narrativa em 3° pessoa
Gritos de socorro podiam ser ouvidos do outro lado da porta de entrada da casa. Kaira ficava escorada na grande porta de madeira de carvalho escuro, segurando firme na maçaneta da porta, já que suas mãos tremiam de medo. Seu olhar perdido relutava-se contemplar através do olho mágico de vidro e inox. Escorou a mão direita que ainda estava livre na parede bege, ao contrario da esquerda, que por ventura tentava falhamente girar a maçaneta da porta. O seus olhos por fim se abriram depois de lutarem contra o desejo curioso dela. Foi questão de segundos, ate ela vislumbrar o que se passava na gélida e levemente nebulosa, porem molhada rua de seu bairro, onde a jovem morava com seu pai Frederick e sua mãe Megan. Os carros estavam em chamas, os prédios e casas totalmente depredados, com suas janelas e portas totalmente quebradas e jogadas pelo asfalto fosco e úmido. As pessoas corriam sob o céu fechado e escuro, enquanto outras totalmente rasgadas e ensanguentadas lhes perseguiam, e ate que umas conseguiam, para após isso lhes morder e comer vivos, causando nas vitimas gritos tão tenebrosos e altos, que alertaram e assustaram Kaira, que salto para trás desistindo de abrir a porta. Resolveu então a garota passar o trinco de ferro no encaixe da porta e abaixar a persiana da janela, que denotava a luz forte da sala de estar de seu lar. Megan correu então para a sala após ouvir os gritos da rua. A mulher secou as mãos, segurou o pano e o jogou em seu ombro, falando nervosa e exaltada.
– O que esta acontecendo la fora?! – questionou a mulher para sua única e apavorada filha.
Kaira caiu na poltrona que estava atrás de si, próxima a janela grande de vidro que se encontrava embaçada pelo ar gélido e clima frio de Nova York. A garota não conseguiu emitir se quer um som, mas permaneceu olhando fixamente para o olhar preocupado da mãe. Megan então bufou irritada e se dirigiu à janela, ficando do lado esquerdo da filha, que por sinal ainda permanecia em pleno e incomodante silencio. Megan segurou a corrente da persiana e a puxou, fazendo-a se abrir pouco e por fim revelar o caos que se passava na curta rua do condomínio Soft Dream Park. Um grito de horror ecoou na casa, trazendo a atenção dos pedestres ensanguentados que logo começaram a correr, quatro deles, em direção à entrada e janela da pequena e moderna casa. O som dos gritos de pavor de Megan chamaram a atenção de Frederick que desceu pelas escadas, com sua camisa azul riscada sutilmente aberta, revelando pequena parte do peitoral e as mangas arregaçadas e retorcidas, que não mais conseguiam se retorcer devido ao largo músculo dos braços do homem. Seus cabelos castanhos curtos caíram para o lado, quando ele retirou o óculos de leitura do rosto. O guardou no bolso da calça de corte reto e cor preta e então desceu as escadas, após ver a esposa se jogando contra a porta, ainda trajando o avental de cozinha xadrez vermelho, verde e azul. Kaira se desesperou com as batidas na janela e tratou de proteger o material e a passagem que as pessoas tentavam quebrar. Frederick correu desesperado e então seguiu os passos e atos da esposa, tentando manter a porta fechada, enquanto pessoas la fora batiam e se jogavam contra ela, utilizando a força dos ombros para tentar arrombar a entrada da casa.
– Corre, rápido arraste a estante de livros para cá, depressa! – exclamou Frederick, permitindo que Megan saísse e obedecesse a ordem que seu marido havia lhe designado.
Kaira começou então a chorar e se desesperar, dando gritos de horror enquanto o vidro – que por sorte e qualidade do condomínio, era mais resistente que os normais – sofria rachaduras causadas pelos golpes fortes que recebiam dos vizinhos tenebrosos. Megan não atrasou e logo começou a empurrar a larga estante de livros, que estava em seu volume médio naquela tarde. Usou sua força e seus instinto de proteção materna, para empurrar o maximo que podia e então conseguir manter a proteção de sua família. Frederick vendo a esposa se esforçar, larga a porta e ajuda-a a empurrar os nove poucos centímetros que restavam ate que o móvel se chocasse contra a parede. E então a estante tapou não só a porta, como a janela da qual Kaira tortuosamente tentava manter intacta. Os pais da jovem a puxaram, enquanto as lagrimas em sua face escorriam.
– Nós vamos morrer?! – exclamou Kaira em prantos, após presenciar o momento traumatizante que perturbava sua mente segundo à segundo.
Os sons de força corporal contra a porta na sala não a permitia esquecer daquilo, enquanto a mãe e o pai da garota corriam para os fundos da casa, guiando a jovem que naquela altura já estava em estado de choque. Megan foi com a filha para a garagem fechada e Frederick seguiu escada acima, indo em busca de seus documentos e maleta. Pegou a pasta de documentos vermelha ainda lacrada e uma arma na gaveta de sua escrivaninha de mogno preta. Com tudo isso o homem desceu o mais rápido que pode, indo em direção à sua esposa e filha, que já estavam abrindo a porta do carro e o porta malas.
– Amor, por favor, prepara tudo, tenho que pegar umas coisas. – exclamou Megan nervosa e desesperada.
Saiu então a mulher casa a dentro, procurando seus pertences. Subiu as escadas em direção a seu quarto. A porta ainda estava com a estante intacta, mantendo a casa fechada, mas ela não tinha tempo. Pegou sua bolsa, uma mala e a encheu de roupas da família, o suficiente para eles ficarem uma semana em um hotel. Pegou o cartão e a economia de nada menos que 10mil dólares no cofre do closet e uns mantos para aquece-los. Desceu as escadas desesperada e encheu o espaço restante da mala com mantimentos embalados, lanches e bebidas. Adicionou também dois isqueiros e uma garrafa de álcool domestico. Puxou uma faca de cozinha grande e saiu em direção a garagem, ate que o inesperado a agarra. Mais pessoas vinham ao seu jardim, e tentavam quebrar a janela. Uma delas quebrou o vidro da janela embutida na porta e agarrou o pescoço de Megan. A mulher sem pensar duas vezes enfiou a faca no braço do seu agressor, pegou seus pertences e saiu da casa, adentrando a garagem. Frederick que já estava a aguardando, depositou tudo no porta malas de seu carro e então o adentrou junto da esposa.
– Vamos Frederick, ta esperando o que?! – gritou Megan em nervos, batendo no painel do carro.
Colocou o cinto dela e da filha que estava no banco de trás. Lacrou as portas e Frederick saiu com o carro, arrombando a porta de ferro da garagem. No percurso pela rua devastada e totalmente ensanguentada, a família atropelou o que invadiu seu caminho, mas conseguiu sair da sua rua, deixando para trás não só uma casa que conquistaram a vida inteira, como amigos e vizinhos que agora estavam mortos ou correndo atrás deles na rua. Passaram por outras ruas do condomínio e as cenas eram piores. Chamas e pessoas se matando ou matando as outras, eram tudo o que eles conseguiam ver através da janela escura do carro. Frederick colocou a arma no colo da esposa, e Megan que estava totalmente ativa e com medo, a segurou, mantendo olhar direto no caminho que estavam seguindo.
– Frederick, o que esta acontecendo?! – questionou Megan ao marido que ate então estava se mantendo frio, porem, demonstrava o horror perante a situação.
As pessoas que os viam com carro ainda preservado os perseguia em uma corrida incansável, mas não conseguiram se manter assim por muito tempo. Frederick e a família saíram do condomínio às pressas, atropelando as entradas sem desacelerar um segundo. Era uma situação tão desesperadora que Kaira, ainda em choque desmaia no banco traseiro.
As ruas estavam destruídas. Tudo ao redor parecia ter sido exterminado, era um cenário verdadeiramente pós-apocalíptico. Frederick e Megan não conseguiam imaginar do porque aquilo estava acontecendo, estavam transitando rapidamente pelas ruas, enquanto viam as pessoas sendo devoradas umas pelas outras. Ate então tudo parecia não passar de um possível canibalismo generalizado, ao menos foi o que Megan pensou, durante os minutos de silencio que se faziam no automóvel. Até que um suspiro pesado é ouvido do banco de trás. Megan olha sobre seu ombro e vê a jovem de cabelos castanho escuro e pele caucasiana se erguer do banco totalmente dolorida. Sobre Kaira, Megan, havia colocado um edredom de veludo que ela pegou em casa, para que ele aquecesse sua pequena de 17 anos enquanto ela estava desacordada.
– Esta melhor? – assim perguntou Megan à sua filha, enquanto Frederick dirigia pela cidade devastada, totalmente silenciado pela pressão dos fatos.
Kaira se ergueu sem pronunciar se quer uma palavra, mantendo seus lábios secos e selados. Seus olhos e face amassada estava totalmente tomada por um semblante de pavor e silencio. Era como se a morte tivesse lhe tocado os cabelos de veludo. Kaira não acreditava que tudo aquilo estava acontecendo. Há dois dias atrás era uma sexta feita, manha de aulas no colégio privado Dellaware Institute, onde a jovem estudava com seus melhores amigos e vizinhos Bredley Hucherston e Ellienor Wicherstok. Agora ela se encontrava em um veiculo, fugindo da cidade onde ela morou desde o seu nascimento.
Quando Megan olhou através da janela, suspirou aliviada por estar agora em um local totalmente vazio, ou quase. Já não havia um ser vivo nas ruas de Nova York, todos mortos e despedaçados. Megan deixou Kaira quieta e então se dirigiu à sua bolsa, pegando uma garrafa de água natural e um comprimido calmante. Kaira pegou a garrafa após sentir o frio dominar seu corpo, depois de retirar a manta de cima de seu corpo. Bebeu a água com abundancia e ingeriu metade do comprimido, entregando o restante à mãe.
– Mãe, onde estamos? O que esta acontecendo?! – foram as únicas palavras que Megan ouviu desde o evento traumático na sala de estar. A mulher não tinha noção do que estava acontecendo ao seu redor, só queria entender porque do nada aquilo começou a destruir a sua rotina. Sorriu solidaria quando a filha lhe encarou.
– Querida, não faço a mínima ideia, mas garanto que vai ficar tudo bem. Amor você e o que importa e que estamos juntos! – falou Megan tocando com a mão esquerda o joelho da filha e o braço do marido.
Kaira sentiu uma lagrima rolar, não apenas por de tristeza, mas por desolação e desanimo então a jovem enxugou com a ponta do edredom as lagrimas que insistiam e abandonar seu olhar triste e perdido. Se enrolou na manta quente e olhou através da janela fechada e embaçada. Limpou o suor frio da janela e então pode enxergar através da neblina fina, as pessoas mortas na estrada, calçada, estabelecimentos e esquinas. Estavam cobertas de sangue, umas sem as partes do corpo e outras completamente desfiguradas e abertas. Kaira não conseguia entender porque tudo isso estava acontecendo, assim como sua família sofria pela falta de informação e pelo caos visível a olho nu, a centímetros de cada um. Megan e o esposo continuavam acelerados com o veiculo, saindo do estado que conforme era inevitavelmente explorado, demonstrava a extensão que a destruição alcançou.
– Não consigo entender. Hoje de manha estava tudo bem, estava um dia normal como qualquer outro! – exclamou Megan confusa.
– Mãe, isso é algum tipo de filmagem de filme inédita? Me diz que é por favor! ... Nós vamos morrer?! – falou Kaira com voz de choro.
Megan a olha com olhos de pena e amor.
– Não querida, não vamos morrer, mas mamãe não sabe o que esta havendo.
E então o silencio tomou conta. Kaira virou o rosto para a janela e se manteve enrolada e encolhida, enquanto a mãe repousava a cabeça no encosto da poltrona. Frederick estava estranhamente silencioso e quieto. Não demonstrava emoção nenhuma, nem falava uma palavra se quer. Parecia um robô motorista sem vida. Seus olhos brilhavam de medo e seus lábios estavam secos e pálidos. Parecia que estava vendo fantasmas. Antes fosse. Frederick não se pronunciava desde que sairá de sua casa. Sua esposa lhe olhou de forma silenciosa e confusa, mas abriu os lábios ainda quentes e corados, para então expressar sua duvida perante a reação do esposo.
– Frederick, você sabe de alguma coisa?! – questionou Megan sem um pingo de delicadeza no tom da voz.
– Do que você esta falando? – questionou ele em plena calma.
Kaira que estava no banco de trás acabou adormecendo com o remédio que sua mãe dera. Aquela foi à chance para Megan questionar tudo o que tinha duvida.
– Você sabe muito bem do que eu estou falando. Essa confusão em Nova York, o que você sabe sobre isso? – perguntou ela duvidosa e firme.
Megan sabia que ele como um executivo e sócio de uma empresa de publicidade, saberia de tudo o que estava acontecendo na cidade, ou da maior parte das coisas. Infelizmente, sua resposta não lhe deu esta visão dos fatos.
– Não sei de nada! Eu trabalhei o dia inteiro na propaganda do evento da nova empresa cliente, como eu poderia saber de alguma coisa?! – exclamou ele em tom de surpresa pela intimação da esposa.
Para Megan, a pior das traições era a mentira e isso ela sabia que ele nunca seria capaz de fazer, portanto lhe pediu desculpas apenas balançando a cabeça em concordância com ele e então se ajeitou no assento.
– Me perdoe, acho que me exaltei afinal de conta. É que aconteceu rápido demais. – explicou ela se sentindo envergonhada de fazer uma pergunta dessas ao seu marido, com quem viveu 20 anos de casado e ainda vive muito bem.
Passaram-se então cinco horas de uma silenciosa e solitária viajem para a família McHallen. Estavam já fora de Nova York, agora em uma estrada deserta. O vento soprava forte e o céu então se despencou em uma chuva extremamente forte. O carro agora corria em uma velocidade moderada e Kaira estava tranquila. Megan acabou cochilando no banco, com a arma ainda depositada em seu colo e Frederick estava absorto em seus pensamentos, enquanto dividia sua atenção na estrada na qual dirigia. Olhou para as arvores e então ouviu seu celular vibrar no porta objetos do painel do carro. Pegou o telefone ainda atento à estrada e visualizou a tela usando sua visão periférica. Assim que identificou a chamada sentiu seu peito inchar e coração bater mais rápido. Ficou em estado de nervos e já aos 41 anos isso não era nada bom. Segurou firme o aparelho e atendeu a chamada, enquanto tinha uma certa privacidade.
– O que você quer?! – exclamou o homem tentando conter o tom da voz. – Não quero saber, já te disse que não tenho nada a ver com isso, e se continuar ligando para mim vou te denunciar ao FBI. – falou o homem gritando irado.
Megan então acorda e ouve a conversa ainda meio sonolenta. Ergue-se do banco e deposita a arma no porta-luvas do automóvel.
– Quem era querido? – questionou ela lhe encarando mais tranquila agora do que antes.
– Ninguém, não se preocupa meu amor, pode dormir, em breve chegaremos em Nova Jersey. – afirmou ele à esposa que pode descansar a cabeça depois do terrível dia que teve.
Notas finais
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- Agradeço pela leitura.
- Postagens ocorrerão toda semana, fiquem atentos.
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