South Park: The endless night
1 Butters
✇BUTTERS✇
–Eu na-não acredito que me perdi dos outros. –Murmurei para mim mesmo.
Um minuto atrás eu estava junto do Eric e dos outros quando no minuto seguinte eu me distrai por dez segundos e me perdi nessa floresta... Aliais, como será que todos nos viemos parar aqui? O Damien falou que aqui ele não conseguia usar o teletransporte.
Mas pelo menos eu ainda tenho uma lanterna, espero que as pilhas durem até eu conseguir achar o pessoal. Eu tenho um pouco de medo do escuro e essa floresta não ajuda em nada, é uma escuridão tão aterrorizante, sufocante. Sinto como se alguém estivesse me observando pelas costas, e não tenho a menor vontade de verificar quem ou o que.
Continuei a seguir pela trilha com esperança de conseguir achar alguém. Parece que aqui o tempo não passa, a lua está exatamente onde estava dês da ultima vez que parei para prestar atenção.
Ao longe avistei uma camionete. Será que tem alguém nos procurando!? Quando cheguei mais perto percebi que a caminhonete era velha e estava abandonada há algum tempo, depois de analisá-la melhor vi na parte traseira uma folha velha de pagina de caderno, nele havia um desenho de algo que pareciam ser árvores e na frente delas um grande homen-palito, que era mais alto que todas as outras árvores.
Peguei a pagina e voltei a seguir pela trilha. Dessa vez eu passei a ouvir um som não natural de tambor, que soava como se estivesse dentro da minha cabeça, e passos. Passos que infelizmente não eram os meus.
Eu não devia ter concordado com aquela brincadeira... Tudo bem que ela parecia bem divertida (e a Lexus também ia participar), mas agora eu vejo que ela não foi nada inteligente. Eu acho, só acho mesmo, que não é nada sábio fugir para a floresta as duas da madrugada e ficar por la até a manha seguinte. Mas talvez eu esteja exagerando um pouco, por que não tem nenhum assassino nem estuprador em florestas! Obvio que não!
Se eu continuar sendo tão irônico meus pais vão me colocar de castigo...
Depois de caminhar por mais alguns minutos percebi que havia me perdido na trilha. Ótimo Butters! A situação não poderia estar melhor. Você se separa do grupo e ainda por cima se perde da droga da trilha!
Assim que ouvi o barulho de galhos farfalhando atrás de mim virei e apontei a lanterna para onde o barulho soava, mas não havia nada la além das árvores e da escuridão. Ainda com o sentimento de medo e a sensação de estar sendo observado voltei a seguir o caminho anterior... mas fui impedindo.
Um homem, ou melhor, um ser humanóide estava a alguns metros de distancia de mim. Ele era alto, bem mais alto que as árvores, usava um terno negro e o seu rosto, bem, o problema estava ali... ele não possuía rosto.
Então como eu ainda consigo sentir essa sensação mesmo que aquilo não tenha olhos?
–É apenas uma alucinação Butters. –Sussurrei para ninguém em particular. –Se vire, ignore e aquilo vai desaparecer.
Comecei a caminhar na direção contraria a aquela coisa, mas a sensação de estar sendo observado e, principalmente, o medo ainda estavam bem presentes. Eu não vou me virar novamente, definitivamente não.
Ainda tentando manter a calma continuei caminhando até chegar perto de uma grande rocha, apontei a luz da lanterna em um ponto qualquer da mesma e vi uma outra pagina, corri até lá, peguei a página e enfiei no bolso do casaco sem prestar atenção ao que estava escrito nela.
Não importa por onde eu caminhe não acho a maldita trilha! Essa floresta não é normal! Todas as árvores são praticamente iguais, o tempo que aparentemente não passa e... aquela coisa. Só de pensar naquilo eu sinto um medo inexplicável, não é como o medo do escuro, ou de qualquer outra coisa do tipo... é como se qualquer coisa, qualquer coisa mesmo (até mesmo passar um ano com a vovó), fosse melhor do que ser pegue por aquilo.
Não sei por quanto andei até chegar em algo que parecia ser uma casa. Adentrando nela observei que o chão e parte da parede eram feitos de azulejos brancos, como se fosse um banheiro. Rapidamente explorei o lugar achando em uma das “salas” mais uma folha de caderno, nela estava escrita com letras grandes e chamativas um “ME AJUDE”.
Sai rapidamente daquela construção e comecei mais uma longa caminhada pela floresta. O ar estava mais “pesado” e a lua ainda não havia se movido um centímetro, algo em mim fala que enquanto eu estiver nessa floresta ela vai ficar onde esta por provavelmente toda a eternidade.
Espero que isso seja exagero meu.
Agora os passos atrás de mim eram constantes, mas eu não vou ousar em verificar o que exatamente está me seguindo e não tenho a menor vontade de fazê-lo.
Continuei caminhando, por um tempo que desisti de tentar contar, sem esbarrar com nada que não fossem árvores e sentindo as esperanças e forças diminuírem. Alguma coisa nessa floresta suga as minhas esperanças e forças colocando medo, tensão e loucura como substitutos, é uma sensação difícil de descrever em palavras... eu sinto como se a minha morte estivesse mais perto do que nunca.
–Eu não quero morrer... –Falei com uma ponta de desespero na voz.
Quando voltei a prestar atenção ao meu redor me vi de frente para uma grande árvore, a qual se destacava muito bem dentre as outras ao seu redor. Apontei a luz da lanterna para os seus secos e tortos galhos e não identifiquei nada de suspeito, mas quando eu estava começando a me aproximar do seu tronco para pegar outra pagina do caderno uma trilha vermelha me chamou atenção.
Dei a volta no tronco da árvore, que era consideravelmente largo, e deparei com uma cena que me fez curvar e vomitar tudo que estava em meu estomago.
Kenny havia sido o primeiro a desaparecer naquela noite, e agora eu sabia o que diabos aconteceu com ele. O resto do corpo estava deitado no pé da árvore, o sangue e as vísceras estavam espalhados para todas as direções, quase como se ele tivesse explodido, a cabeça estava sem um olho e torta em uma posição nem um pouco natural.
De tudo que eu poderia ter sentido, o que mais predominou foi alívio.Alívio de ter sido o Kenny, não eu.
Eu posso ouvir os passos se aproximando atrás de mim, passos que anunciam a minha morte.
Espero que seja rápid...
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