Acordei na manhã seguinte sozinha na cama. Me levantei e fui fazer minha higiene matinal. Vesti um vestido azul rodado que ia quase até os joelhos e calçei minhas sapatilhas.

Desci as escadas, mas não vi ninguém e pelo silêncio parecia não ter ninguém na casa.

Fui pra cozinha e achei uma bandeja com um bilhete.

"Bom dia minha dona

Tive que sair, meu pai insiste em me mostra pro concelho, farei o possível pra voltar antes de você acorda

Ps:espero que goste do café da.manhã

Bjs seu neko"

Sorri quando terminei de ler e me sentei pra comer. Assim que acabei me levantei e fui lavar os pratos.

—bom dia-levei um susto de morte quando senti braços ao meu redor e me virei

—que susto caramba- disse pondo a mão no coração e ele riu- não tem graça. Neko baka

—não faz isso, foi sem querer- ele se aproximou e eu senti uma sensação estranha que só piorou quando ele me beijou. Me sentia enjoada, com frio, com raiva. E desde quando os beijos do Soushi eram tão agressivos? Puta merda. Empurrei ele pra longe e tive que me controlar pra não vomitar- que foi?

—você não...-tapei a boca quando a ânsia de vômito veio com tudo

—não entendi- ele tentou me tocar, mas eu desviei

—não encosta em mim Hyoga- berrei furiosa

—o que? Luana isso é ridículo, Hyoga não está em casa

—acha que eu dou imbecil? Responda-me, quando eu me perdi e você me achou na floresta como você me chamou?

—eu não me lembro

—eu nunca me perdi, você não o Soushi -Hyoga sorriu e se recostou na mesa

—então você consegue me diferenciar daquele monstrinho

—o Soushi não é um monstro- trinquei os dentes sentindo a raiva me consumir aos poucos. Quem aquele garoto pensa que é pra ofender o meu Soushi

—ah então você não sabe da besta descontrolada que ele se transforma quando tá com raiva?- me lembrei de quando Soushi se transformou me fazendo sentir calafrios- você viu, viu a besta. Você é mais burra do que eu pensava. Já sei você é do tipo de garota que gosta de mons...

Fechei o punho e lhe acertei um soco bem dado no rosto de Hyoga sem sentir o menos remorso quando vi seu lábio partido

—nunca mais, nunca mais o chame de monstro. O Soushi pode ser seu irmão, mas é óbvio que você não o conhece. Ele é meigo, gentil, divertido e um ótimo amigo. Olha só pra você, está sozinho, seu irmão te detesta e se tivesse amigos com certeza não estaria perdendo o seu tempo fingindo ser o Soushi. Quer saber Hyoga, eu tenho pena de você- me virei de costas pra ele e sai pela porta dos fundos.

A vila era calma, tinha várias crianças brincando na rua, alguns cavalos e pouquíssimos carros. Uma menininha veio correndo pra mim com uma flor na mão e eu me agachei

—onee-chan você é a mulher do Soushi-sama?

—sou sim. Me chamo Luana e você?

—Ino. Pra você- ela prendeu a flor no meu cabelo e logo eu estava cercada de crianças. Tantas gatinhas perto de mim me deixava com um sorriso bobo na cara que eu acho que até o Jeff teria inveja. Sim eu conheço o Jeff the killer. Morro de medo, mas foda-se.

—um dia e já roubaram a minha noiva? -me virei pra um Soushi sorridente e o puxei pra brincar conosco. As meninas fizeram duas coroas de flores e nos deram.

Na hora do jantar as crianças simplesmente evaporaram. Soushi me levou de volta pra casa. Sentei o mais distante fisicamente possível de Hyoga que pareceu querer desejar que eu lhe atira-se um copo e admito, não estava muito longe disso

—se me dão licença eu vou me deitar, não me sinto muito bem- me levantei da mesa e fui direto pro quarto. Tirei a roupa e entrei no chuveiro. Depois de um banho bem tomado, me sequei e voltei pro quarto, coloquei uma calcinha dispensando o resto de minhas roupas e vesti uma das camisas do Soushi. Cai na cama como uma boneca de trapos e fechei os olhos.

—Lu o que foi? -Soushi se deitou do meu lado acariciando meu cabelo

—não é nada

—Luana, se não me contar eu vou começar a miar que nem louco — Soushi começou a cutucar minha testa enquanto miava de modo estridente

—Bastet querida. Para com isso- sentei em cima dele tapando sua boca

—confia em mim

—não quero que fique com raiva

—Luana o que aconteceu? -Soushi cerrou os olhos e me olhou sério

—Soushi, eu não...

—vamos fazer assim. Eu perguntou e você acena se eu estiver certo- confirmei com a cabeça e ele me abraçou mantendo meu rosto em seu pescoço- alguém a chateou?

Confirmei com a cabeça e ele continuou

—mamãe? Papai? -negei e ja sabia quem seria o próximo quando Soushi ficou tenso- foi o Hyoga

Confirmei e Soushi rosnou

—o que aquele maldito fez a você-me encolhi com seu tom de voz, mas seus braços ao meu redor me impediam de me afastar- responda

Toquei meus dedos em seus lábios e soube que ele tinha entendido o recado quando ele me empurrou de cima dele pulando pra fora da cama

—HYOGA

—Soushi não- não havia mais tempo, ele já havia corrido pra fora do quarto. Controlei meu pânico e ignorando o fato de que a camisa do Soushi malmente cobria até metade das minhas coxas e corri atrás dele- Soushi

Ouvi o barulho de vidro quebrando e corri pra cozinha. Soushi estava da mesma forma que antes. O cabelo branco comprido, a cauda peluda, as garras, mas o que mais me assustou foram os olhos vermelhos me encarando. Hyoga estava preso sob uma de suas patas mais pálido que papel enquanto Carmen pressionava um corte na barriga de Ichiro. Respirei fundo e me joguei em cima de Soushi. Ele rosnou e fiz a primeira coisa que me veio a cabeça. Lhe dei um tapa no rosto e comecei a berrar feito louca

—não rosne pra mim seu gato burro, já chega disso, olha só a bagunça que você fez- Soushi rosnava furioso, mas ficou imóvel debaixo de mim- eu sou sua dona e juro que vou amara-lo pela cauda se não parar de rosnar pra mim como um animal selvagem

Soushi bufou, mas calou a boca. Sorri pra ele e acariciei seu cabelo o fazendo ronronar

—bom garoto. Não quero que machuque ninguém tá bom. São sua família, nós protegemos a família, nunca machucar- Soushi fechou os olhos e logo estava de volta ao normal

—me desculpa Lu

—tudo bem meu gatinho- fiz com que fechasse os olhos de novo e olhei pra Carmen e Ichiro pra ver como estavam. Ambos me olhavam espantados e eu não entendi bem o motivo- vem meio, vamos te limpar

—ok -sai de cima Soushi e ele se levantou ficando de cabeça baixa- mãe, pai, perdoem o meu descontrole. Hyoga, fique longe da minha Luana ou da próxima ela pode não chegar a tempo de salva-lo

Soushi se apressou pra escada e eu o segui

—Luana- voltei ao ouvir a voz de Carmem que ajudava Ichiro a se levantar- precisamos conversar

—tudo bem. Eu já volto- dei as costas a ela e subi as escadas pra cuidar do meu gatinho.