Depois de deixar Soushi dormindo profundamente na cama desci de volta pra cozinha e comecei a ajudar Carmem a limpar a bagunça. Ela não disse nada e eu também não. Não havia sinais de Ichiro e muito menos de Hyoga.
—Luana -chamou ela sentando em uma das poucas cadeiras sobreviventes- quero te contar uma coisa sobre o Soushi
—o que? -perguntei me sentando no balcão
—há muito tempo eu e Ichiro queríamos ter um filho, você sabe, como a família regente do clã precisávamos de um herdeiro. Porém eu não podia ter filhos, então como toda a pessoa sensata procuramos uma bruxa
—desde quando isso é ser sensato?
—sinta meu sarcasmo. Enfim, a bruxa que usamos infelizmente era uma antiga inimiga da família de Ichiro. A maldita amaldiçoou meu primogênito, a ideia seria da criança se tornar uma aberração enlouquecida, mas como eu fiquei grávida de gêmeos a maldição de dissolveu. Hyoga nasceu com a escuridão implantada em seu coração, a maldade é o que o faz feliz. Já o Soushi se transforma em uma besta inconsciente quando está furioso, por isso ele é tão infantil. Quando ele nos disse que havia tomado uma companheira humana tememos pela sua segurança e para o caso de se vocês não ficarem juntos e o Soushi se perder pra sempre. Mas o que eu vi hoje foi simplesmente incrível, a besta a obedece. Em anos você foi a única que o fez recuar
—ela não me obedece, e não deveria chamá-lo de besta. Pode não parecer, mas ainda é ele.
—eu sei querida. Na verdade o que eu mais queria era agradecer a você, por mantê-lo conosco. Mesmo que dentro de alguns dias vocês tiverem que voltar pra sua casa
—virei visita-los sempre que possível
—faça isso
—e o Ichiro? Como ele está?
—ele e o Hyoga estão tento uma conversa agressiva
—como assim?
—soco e ponta pés
—mas eles estavam feridos
—somos felinos. Somos teimosos por natureza- nós duas rimos e depois de terminar de fazer um lanche pro Soushi eu voltei pro quarto
—trouxe comida pra você- coloquei o prato em cima da bancada e peguei meu gatinho preto no colo- tudo bem com você pequenino?
Soushi soltou um miado e se encolheu no meu colo. Deitei na cama mantendo Soushi preso em meu abraço até que acabamos dormindo.

Acordei já de noite com algo molhado na minha barriga. Desci a mão até o lugar sentindo cabelo se emaranhar nos meus dedos. Abri os olhos e olhei pra baixo vendo Soushi me olhando
—o que tá fazendo?- ele lambeu minha barriga e ronronou em seguida. Seu olhar estava estranho, mais feroz, faminto. Tentei me levantar e Soushi sibilou pra mim- Soushi?
A única resposta que tive foi um par de presas a mostra. Fiquei encarando aqueles olhos que eu amava tanto e descobri um pequeno brilho vermelho no fundo deles. A besta
—oi gatinho. Tá tudo bem. Eu vou ficar aqui tá bem- levantei a mão pra ele tocando seu cabelo e ele voltou a ronronar- você tem um nome?
Ele deitou a cabeça no meu estômago e seus olhos se tornaram um pouco mais vermelhos. Me olhando, olhando através de mim.
—Luana -me assustei ao ouvir sua voz dentro da minha cabeça. Parecia a voz do Soushi, porém era mais rouca, como um sussurro de algo proibido, mas tentador- Kasai
—seu nome é Kasai? -ele ronronou de novo e eu tomei como um sim- você não vai me machucar não é?
—família...protege -ele afundou o rosto no meu estômago e eu senti o leve raspar de suas presas quando ele subiu até ficar perto dos meus seios
—bom quando eu disse família, eu quis dizer seus pais e seu irmão
—companheira- rosnou ele antes de mordiscar um dos meus seios
—Sou...Kasai. para com isso
—minha- ele rastejou sobre mim até que seu rosto estava no meu pescoço. Senti suas garras rasgarem boa parte da minha camisa e tive que lutar com a vontade de gritar. Gritos não resolveriam o meu problema
—Kasai me solta agora- ele rosnou contra meu pescoço e eu agarrei seu cabelo o puxei pra longe enquanto o mesmo rosnava e mostrava os dentes. Consegui soltar uma de minhas pernas e prendi sua perna fazendo o mesmo com a outra quando consegui solta-la. Kasai segurou o lençol se puxando pra baixo enquanto eu o mantinha o mais afastado possível- controle-se ou nunca mais vou deixar você me tocar
—minha- ele sibilou mostrando os dentes e eu mostrei os meus a ele
—meu corpo, minhas regras- ele parou de lutar comigo e eu afrouxei meu aperto em seu cabelo- eu vou te soltar, mas você não vai tentar tirar a camisa
Ele bufou pra mim e guardou as presas. Retirei minhas pernas e aos poucos soltei seu cabelo
—bem melhor. Pode deitar se quiser- ele foi deitando devagar ainda me observando
—me...irrita
—também amo você- mostrei a língua pra ele e juro que o vi sorri- vi como ser educado não machuca
Ele ronronou mantendo o rosto no meu pescoço. Quase tive um ataque cardíaco quando a porta do quarto se abriu e os pais do Soushi entraram, mas Carmem me fez o enorme favor de expulsar o marido quando viu nossas condições. Ler-se eu deitada de calcinha e uma camisa quase toda rasgada de perna aberta com o Kasai deitado no meio delas e com o rosto no meu pescoço sendo que ele estava só de cueca. Mais vermelha que isso impossível. Kasai começou a rosnar e eu o abracei mantendo seu rosto onde estava
—Luana, v-você está b-bem?-perguntou Carmem
—sim, ele só está me cheirando
—suas roupas
—foi um acidente, está tudo bem, certo Kasai?- ele ronronou se esfregando contra seu corpo
—creio que é melhor deixa-los a sós- ela deu as costas, mas parou antes de sair-cuidado com o calor do acasalamento
—com o que?
—com o cio pequenina- ela saiu e eu fiquei estática no lugar. O que ela quis dizer quando falou pra eu ter cuidado. O Soushi não me machucaria não é mesmo? Mas e o Kasai?
—Lu? -sai do meu transe e vi que não era mais o Kasai e sim o Soushi. Céus, como isso é complicado, eles são basicamente idênticos, com a exceção do cabelo branco e os olhos vermelhos. E o Soushi não andava por aí exibindo as presas e garras.- Lu?
—que?
—você está pálida
—você não se lembra de nada?
—do que? -seu olhar correu pelo quarto e ele saltou pra longe ao ver o estrago na camisa- Luana, deus me perdoe. Eu a machuquei?
—Soushi eu to bem-segurei seu rosto fazendo com que ele mantivesse seu olhar no meu rosto
—suas roupas
— o Kasai não me feriu, ele só...-senti meu rosto queimar em pensar no que ele queria fazer comigo
—ele queria acasalar com você- assenti e ele baixou a cabeça- sinto muito Lu
—sente por ele ter tentado ou por você não ter tentado?- eu não ia dizer nada, mas tê-lo rígido no meio das minhas pernas e ele dizer que sente muito é foda pra qualquer mulher. Soushi abriu a boca pra falar algo, mas desistiu- o que significa o calor do acasalamento?
—c-como? -ele começou a ficar vermelho e eu quase ri
—sua mãe entrou aqui e te viu em cima de mim. Ela disse pra eu ter cuidado com o seu cio
—droga- Soushi amaldiçoou baixo, mas eu ouvi mesmo assim- ela não devia ter te contado
—por que não?
—não é o meu cio e sim o seu, estava planejando inventar uma desculpa pra sumir enquanto você estivesse ovulando. Seu cheiro é tentador, meu controle está por um pelo, tem noção do que poderia fazer com você se eu cedesse por completo
—você não vai me machucar
—mas a besta vai
—besta é um nome ofensivo
—não sei o nome dele
—é Kasai. Eu perguntei
—mesmo assim não confio nele
—eu confio
—está se oferecendo a mim? -um sorriso maldoso surgiu em seus lábios e eu desviei o olhar
—não sou uma oferecida
—então será tomada- disse ele tomando meus lábios de forma intensa.