Sounds of the Future
7 Capítulo 06
Bartholomew tinha marcado o encontro com Nahuel no terraço naquela tarde.
“Aquele mecânico idiota, sempre atrasado.” Bartholomew pensou.
Suas mãos nunca transpiraram tanto... Afinal, elas nunca tinham transpirado.
Nahuel chegou ao terraço, usava um jaleco branco que ia até a altura das panturrilhas, os óculos de proteção vinham na cabeça.
– Desculpe o atraso, é que temos um problema...
– É, eu também tenho um problema.
Nahuel enrijeceu e fitou Bartholomew por alguns minutos.
– Você primeiro. – Nahuel falou.
– O asteroide... Ele chegou. Tori tinha me avisado, mas eu não quis ouvi-la.
– Bem, você é um tolo, afinal, Tori tem poderes psíquicos, ela consegue prever o futuro, mesmo que ele seja imprevisível.
– Do que me chamou?
– Esqueça isso agora Bartholomew, acontece que com a chegada do asteroide não podemos controlar os Crentes, você sabe disso.
O asteroide tirava completamente o poder deles.
– Amós não vai ficar nem um pouco feliz. – Nahuel falou.
– Ele ainda não sabe?
Nahuel balançou a cabeça.
– Ótimo, ele não pode saber.
Bartholomew desceu as escadas e foi até o quarto de Tori. Entrou sem bater.
– O que aconteceu? Onde está a barreira? — Bartholomew perguntou, a raiva perceptível em sua voz.
– A barreira não funcionou, eu avisei que ela não era 100% confiável. O asteroide a quebrou. – Tori falou, a voz firme.
– Construa uma que tire o poder deles, não podemos permitir que parem nosso plano outra vez.
– Não é possível! O plano deles já está em andamento há anos, você sabe disso mais que qualquer um Bartholomew, eles escolheram uma terráquea.
– E já acharam a menina?
– Ainda não. – Tori baixou os olhos.
– Pelo menos sabem quem é ela?
Tori balançou a cabeça em negativa, tentando se esquivar do olhar do superior. Bartholomew colocou o rosto nas mãos, como puderam deixar passar.
– Ela é humana?
– Provável que seja uma super-humana.
– Das nossas?
– Não... Uma não arquivada.
– Ótimo. Mais alguma má notícia?
– Provavelmente ela está sendo guiada por dois Guardiões. Recebemos o sinal de que eles foram arremessados na Terra há alguns meses, pensávamos que eram caídos para se juntar a nós, mas foram enviados em missão.
– Qual a aparência deles?
Tori ligou um computador e mostrou a foto dos dois guardiões. Bartholomew abriu um sorriso perverso.
– Bem... Acabamos de dar um passo à frente... Tão novos para serem guardiões.
– O que você quer? – Tori perguntou, sentindo sua confiança voltar.
– Aumentem a procura por super-humanos, aumente os avanços hostis dos agentes, faça o que quiser, mas ache eles, se achar, acabe pelo menos com um deles, o outro não vai ter poder o suficiente para regenerá-lo. E peguem essa garota, quero ela viva.
Tori assentiu e começou a digitar loucamente, mandando tropas do exército da Nação atrás dos Guardiões.
Duas crianças na companhia de uma garota com aproximadamente 16 anos.
As ordens eram claras: Eliminem pelo menos um deles e tragam a garota viva.
{...}
Minha boca estava seca, não tinha uma gota de saliva para eu engolir.
Quem havia feito aquilo? Aquele asteroide, porque a Nova Ordem mandaria aquilo? Ou não teria sido a Nova Ordem? Eu não conseguia pensar em nada direito.
Ouvi pés aterrissando no chão ao meu lado.
– Acorda, eu sei que você está viva! – Emma gritou do meu lado.
Senti a mão de Caleb em minha testa.
Abri os olhos e o olhei.
– Quem me achou? – Perguntei, percebendo que tudo ao meu redor eram escombros.
– Alma. – Caleb falou, sorrindo.
Sorri e olhei para Alma.
– Muito obrigada garotinha. – Falei e ela sorriu.
Me sentei com dificuldade e olhei para Emma, que me olhava com raiva.
– Que foi agora hein?
– Você nunca mais faça isso, foi idiotice sua! – Ela falou.
– Pelo amor de Deus Emma, eu falei pra você ir, ficou aqui porque quis.
– Não, eu fiquei aqui pela promessa que você fez pro papai e pra mamãe, lembra? Cuidar uma da outra.
Aquela promessa. Emma a levava mais a sério que eu, afinal, por mim, Emma estava em primeiro lugar e não nós duas.
– Tudo bem, vamos... Temos que achar comida em algum lugar e um mapa.
Começamos a andar pelos escombros na direção onde o asteroide havia caído.
– Porque estamos indo pra onde aquela coisa caiu? – Emma perguntou.
– Quero saber o que tem lá.
– Você quer matar a gente?!
– Emma, calada.
Continuamos andando em silêncio.
Caleb tocou na minha perna quando paramos pra descansar.
– O que foi amor?
– Minhas pernas estão doendo.
Sorri e o coloquei sobre meus ombros. Alma estava no colo que Emma há tanto tempo que nem me lembrava de que Emma havia a carregado.
Continuamos o caminho até conseguirmos ver o asteroide.
– É aqui. – Falei, colocando Caleb no chão. – Fique aqui, não quero que vá atrás de mim, está ouvindo?
– Mas eu quero ir com você. – Ele falou.
– Não, não sei o que tem lá, você vai ficar aqui até eu voltar. – Olhei para Emma. – Se eu demorar muito, me prometa que vai pegar os dois e vai embora, vai arranjar algum jeito de ir pra 15ª Província.
Ela assentiu com a cabeça. Lhe dei um abraço e me virei na direção do asteroide.
Uma pedra espacial lisa, maior do que um prédio. Dela emanava uma energia azul acinzentada. Uma das crateras era tão grande que eu podia entrar, e foi isso que eu fiz.
O lugar era completamente escuro. De repente uma luz fraca e verde começou a clarear o local.
– Identificação de Massa: Rachel Young, 16 sóis, Terra.
– O que? – Falei.
Não era um asteroide, era um tipo de capsula e ela me conhecia.
– Como sabe quem sou? – Falei.
Não recebi resposta. Era uma máquina, precisava de comandos e eu não sabia nenhum.
Eu nunca teria previsto uma coisa dessas. Sentei-me no meio da cápsula e olhei para as fracas luzes verdes.
– De onde você veio? – Falei.
– 16 mil anos luz da Terra. Sistema Alfa.
– Porque está aqui?
– Exterminação de ameaça. Codinome, Nova Ordem.
Seria possível? O que era aquilo? Uma bomba? Eu também queria destruir a Nova Ordem, mas não sabia que outras coisas ou pessoas no Universo também tivessem o mesmo objetivo.
– Você está perdida.
– Como é que é? – Falei.
– Quer saber por que quero destruir a Nova Ordem, quer ir para a Colônia na 15ª Província, mas não sabe como, você está perdida.
Aquilo estava realmente me assustando, era como se fosse vivo, mas era uma máquina... Ou eu achava que era uma máquina, pelo menos, era o que parecia.
– Pode me ajudar então? Já que sabe tanto assim sobre o que eu estou pensando e coisa e tal.
De imediato imagens em verde apareceram desenhadas nas paredes rochosas do asteroide.
– É uma história antiga devo lhe afirmar vocês já os conheciam antes, mas vocês tinham medo deles... A história foi esquecida há muito tempo e vocês esqueceram-se deles, abrindo espaço para que eles voltassem.
Os desenhos mostravam quatro figuras humanoides, uma mulher e três homens, assim como os líderes da Nova Ordem.
A imagem mudou e mostrou quatro figuras em cima de quatro cavalos.
– Vocês o denominavam Cavaleiros do Apocalipse. O início do fim dos tempos.
– Está dizendo que o mundo vai acabar? – Perguntei.
– Não... Mas uma era acabou assim que eles chegaram. Eles avançaram mais uma etapa da evolução humana.
– Os super-humanos.
– Afirmativo.
– E porque está me dizendo isso?
– Digamos que vocês tiveram um aviso há muito tempo... A milhões de anos, um versículo de Judas dizia que falsos deuses viriam.
– Quer dizer... Na bíblia sagrada?
– Afirmativo.
As coisas se encaixavam com dificuldade na minha cabeça.
– Mas eles são alienígenas!
– Correção: Inteligência superior.
– E você? O que é você?
– A voz que você escuta em suas visões... Vim preparando pessoas como você desde os tempos das primeiras guerras.
– Existiam super-humanos antes?
– Não criados em laboratório... Eles eram abençoados ou amaldiçoados com poderes no dia em que nasciam... Assim como você.
Então, eu não precisava ter nascido com poderes... Eles haviam me amaldiçoado com aquela visão.
– Porque fizeram isso? – Falei, sentindo a raiva subindo a minha cabeça.
– Você é a próxima na linha de sucessão.
– Que linha de sucessão?! Quem na minha família tinha isso?
– Ninguém... Você foi escrita na linha de sucessão. O nome dela era Liesel Bauer, Alemanha, ano de 1937.
O rosto de uma menina apareceu na minha frente em um holograma. Ela tinha a idade que eu tenho hoje.
Pelo que eu sabia, a 2ª Guerra Mundial tinha começado em 1939.
– Quando ela me escolheu?
– Ela te viu em uma visão alguns minutos antes de ser capturada pela Gestapo. Te escolheu enquanto morria num campo de concentração.
Minha respiração falhou. Pela primeira vez eu aceitei minha visão sem reclamar, aceitei meus poderes de bom grado, pela Liesel. Eu devia a vida a ela e mal a conhecia.
– Você... Você é a Liesel?
– Um pedaço da essência dela.
Engoli em seco.
“Me perdoe Liesel.”, foi o que passou pela minha cabeça.
– Como eu chego a 15ª Província?
– Os Guardiões vão te guiar até lá.
– Guardiões? Mas quem são os Guardiões? Como vou saber que eles estão me guiando?
– Você saberá quando chegar a hora.
Eu odiava suspense e aquela máquina, ou seja lá o que aquilo fosse, estava fazendo exatamente o que eu odiava. As luzes foram diminuindo de intensidade até se apagarem completamente, deixando o desenho dos quatro cavaleiros pulsando com uma luz vermelha bem fraquinha.
Saí do asteroide e lá estava Emma e as crianças, sentados no chão mexendo em entulhos.
– Vamos? – Falei.
– O que descobriu? – Emma perguntou.
– Não muita coisa. – Menti, não queria deixa-la preocupada, se fosse pra isso acontecer, que fosse quando chegássemos a 15ª Província.
– Tudo bem... Então, como chegamos a 15ª Província?
– Já sei chegar lá. Vamos.
Eu não sabia quando aqueles tais Guardiões começariam a agir, mas esperava que não demorasse muito.
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