Notas iniciais
Queria muito agradecer a todo mundo que está lendo, deixando reviews ou não, vocês são muito importantes! Os reviews de vocês... Dá até gosto de postar e escrever mais. Muito obrigada mesmo Boa leitura. #Lay xx

POV Piers

Era como um pesadelo, mas com proporções gigantescas.

Eu devia ter ouvido meu pai quando ele disse para eu não me misturar com pessoas da Nova Ordem. Agora eu era um agente em busca de aberrações super poderosas.

– Tudo bem equipe, vamos vasculhar as ruas. Tentem não deixar nenhum soldado ferido pra trás, só larguem o companheiro se já for impossível salvá-lo, entendido?

Os soldados fizeram um sinal de afirmativo com a cabeça.

– Fala assim e nem parece que abandonou seus pais de meia idade em casa. – Katrina falou.

Katrina era minha irmã mais nova. Ninguém dizia que éramos irmãos, porque éramos muito diferentes. Ela era alta e tinha um corpo escultural, os cabelos castanhos desciam em ondas até a altura dos ombros e os olhos eram incrivelmente azuis. Eu tinha o porte atlético devido a treinamentos do exército, meu cabelo era cacheado e loiro e meus olhos eram completamente pretos.

Dei o sinal para que meus soldados fossem para o campo de batalha. Katrina caminhou devagar até o meu lado.

– Isso não vem ao caso Katrina.

– O que não vem ao caso? Que sua mãe está com câncer e você preferiu vir brincar de ser responsável e caçar pessoas? Não sei se isso tem importância pra você.

Vendo Katrina naquela luz não parecia em nada a minha irmãzinha. Ela usava uma armadura preta blindada, que todos os agentes eram obrigados a usar, em sua mão, tinha uma arma de longo alcance.

– Então porque você veio? Se o problema era ter deixado nossos pais, porque não ficou com ele?

Ela me encarou, os olhos azuis pulsando de raiva.

– Porque nosso pai disse que você precisava de um cérebro. Você já tinha feito merda o bastante, sua idiotice me obrigou a entrar nisso aqui.

Ela apontou a arma e deu um disparo. Um tiro certeiro na perna de um super-humano que atacava um soldado.

Katrina era a melhor atiradora de elite que eu havia conhecido, apesar de nunca atirar pra matar. Era a única do meu pelotão, ela dava conta de todos os tiros.

– E mais uma coisa... Você devia se lembrar do que nosso pai nos contou, não sei por que você odeia tanto os super-humanos, foi um deles que salvou nosso pai. Por causa desse cara é que ele ainda está vivo cuidando da mamãe.

Ela mirou na perna de outro super-humano e atirou, ferindo-o de raspão.

– Vai ajudar os seus homens, faça alguma coisa de útil. – Ela falou, sem tirar os olhos da mira.

Corri em direção ao campo. Corpos de super-humanos estavam jogados no chão. Abatidos, mas não mortos, era assim que a Nova Ordem queria.

Todos os agentes andavam com rastreadores, eles implantavam um tipo de chip nos super-humanos, que os cadastrava no sistema, fazendo com que o rastreamento fosse mais fácil.

Estava colocando chips numa pilha de corpos quando se fez um silêncio absurdo. Não havia mais tiros, gritos, nada disso. Então eu vi, o asteroide.

– Piers, sai daí! – Ouvi Katrina gritar.

Eu corri em direção a voz dela. O asteroide era enorme e caía com força total, não pegava fogo ou coisa do tipo, apenas caía pesadamente.

Alcancei Katrina e largamos as armas, tentando correr o mais longe que conseguíamos. Mas foi inevitável, assim que o asteroide atingiu o chão, uma onda de energia verde nos atingiu, nos arremessando longe.

Ouvi o grito de Katrina e tudo ficou escuro.

{...}

Acordei sob uma redoma de vidro. O teto esterilizado e branco de um hospital ou laboratório.

Olhei para o lado e Katrina ainda tinha os olhos fechados, também estava sob uma redoma. Usava um vestido branco de pacientes, decotado na altura dos seios. Haviam fios colados às suas têmporas e ao peito.

Tentei olhar para a roupa que eu vestia. Usava uma calça branca e estava com o peito nu, também com fios colados ao meu peito.

Comecei a sentir calafrios, que logo se tornaram um choque doloroso.

– Façam parar! – Gritei, agoniado.

O choque parou. Era como se estivessem fazendo aquilo de propósito.

Não conseguia tirar os olhos de Katrina. Eu não sabia onde estávamos, não queria colocar a vida dela em risco.

Ela abriu os olhos repentinamente. Ela olhou para o lado, me olhando, então percebeu a redoma em volta dela.

Ela olhou fixamente para a redoma de vidro acima dela e, por incrível que pareça, a mesma começou a rachar, até que explodiu em um milhão de cacos de vidro.

Katrina se levantou, arrancando todos os fios que estavam conectados a ela. Seguranças armados começavam a vir de todos os cantos e ela começou a lutar contra eles.

Era um aproximado de trinta homens no chão, e Katrina tinha derrotado todos eles... Sozinha.

Ela pegou uma arma no chão e levantou minha redoma.

– Anda, temos que ir. – Ela falou.

Não parecia nem estar cansada por ter lutado com trinta homens. Arranquei meus fios, me equipei com uma arma e fomos para os corredores.

– Pra onde temos que ir? Isso é um labirinto. – Falei.

– Seria se eu já não tivesse causado confusão o bastante. – Ela falou, indo a frente.

– Quer dizer que você já tinha acordado antes?

– Afirmativo Capitão.

– Onde estamos?

– Laboratório de pesquisas da Nova Ordem.

– Por quê?

Ela parou em meio ao corredor e olhou pra mim.

– Se lembra das histórias? Época das abduções? Desaparecimento de pessoas? Famílias mortas? Fomos abduzidos irmãozinho.

Eu soltei uma risada.

– Isso é impossível Kat... Nós somos a Nova Ordem, porque eles abduziriam a gente?

– Porque a pesquisa deles ainda não acabou. Eles querem criar os super-humanos perfeitos, que estejam lutando do lado deles, nem que eles precisem implantar chips em nossos cérebros.

– Como sabe disso?

– Ouvi uma conversa quando fingi que estava sedada. Ah e tem mais... Eles disseram que o primeiro experimento não funciona mais no momento.

– Que primeiro experimento?

Ela deu de ombros, não sabendo responder.

Katrina era uma pessoa impossível de controlar. Foi então que comecei a ligar os pontos. Todos os abduzidos desapareciam e reapareciam um mês depois, com super poderes.

– Há quanto tempo estamos aqui? – Perguntei.

– Não sei ao certo... Acho que umas duas semanas.

– Temos que sair daqui!

– Sei pra onde temos que ir. – Ela falou

Percorremos corredores desconhecidos até chegarmos a uma sala com armários de ginásio, onde estavam nossas roupas.

– Como sabia pra onde ir? Foi instinto? – Perguntei, enquanto ela tirava o vestido e colocava a calça jeans.

Ela deu uma gargalhada.

– Não existe mais isso aqui Piers, somos super-humanos agora, queira você ou não. Uma questão de tempo até eles sentirem nossa falta no laboratório.

Ela tinha acabado de falar e um sinal tocou, ensurdecedor.

– Pois é... Já sentiram nossa falta. – Ela falou, sorrindo.

– Acha isso engraçado? – Falei, olhando pra ela.

– Mais ou menos... É que ainda não temos rastreadores e nem arquivos.

– E nossos arquivos do exército.

– Queimados junto com nossos pais.

– Espera... Nossos pais?

Uma lágrima escorreu no rosto de Katrina, que a limpou rapidamente com a mão, ainda mantendo o sorriso sarcástico nos lábios.

– Papai estava certo quando disse pra você não entrar nisso de Nova Ordem...

Ela pegou um revólver que estava em um dos armários, carregou a munição e colocou na cintura da calça, abrindo a porta da saída. A porta dava em um heliporto, acima do prédio da Nova Ordem.

– Como vamos sair daqui?

– Voando ora. – Ela falou.

– Não sabemos voar. – Falei.

– E eu não sei? Vamos pegar um helicóptero.

Não deu tempo. Homens apareceram em todas as direções, nos cercando. Automaticamente, eu e Katrina ficamos de costas um para o outro.

– São mais de trinta agora. – Falei.

– Sem problemas.

Katrina olhou para o chão, molhado com a chuva fraca que caía. Ela esticou a mão e um cabo da fiação elétrica arrebentou.

– Se prepara pra fazer uma coisa realmente útil. – Ela falou.

O cabo ainda eletrizado tocou o chão, dando choque em todos os soldados.

– Ativa o campo de força agora! – Katrina falou.

Eu não sei como fiz aquilo ou como ela sabia que eu podia ter feito, mas um campo de força roxo surgiu em torno de nós, isolando o chão onde estávamos.

Katrina sorria.

– Finalmente fez alguma coisa útil. Vamos, não temos tempo pra helicóptero. Pulamos o prédio e corremos daqui.

– Acha que vão conseguir nos alcançar?

Ela me lançou um sorriso.

– Eles nunca mais vão nos alcançar.

Falando isso, ela pulou do prédio e eu fui logo atrás.