Sounds of the Future
3 Capítulo 02
Amós acordou com uma mudança na pressão atmosférica. De repente o lugar parecia ter ficado mais frio que o normal.
Ele se levantou e foi até a sala de controles, onde eles podiam governar a Terra e observar o céu, para evitar novas invasões.
Ele olhou o céu, como se procurasse por alguma coisa, em especial um asteroide.
– Não conseguiu dormir? – Uma voz falou as suas costas.
Amós se virou e encontrou os olhos castanho avermelhados de Tori, que ficavam em vermelho vivo acompanhando sua pulsação.
– Você também não? – Falou, sem tirar os olhos de Tori.
– A pressão teve mudança demais pra mim, sabe que eu sou mais sensível. – Tori parou ao lado de Amós e olhou para o céu. – Sabe que eles estão vindo, não sabe?
– Não podem. Vamos começar uma guerra, temos um exército.
– Do que você está falando exatamente?
– Os super-humanos.
Tori o olhou nos olhos, o vermelho pulsando cada vez mais rápido.
– Eles vão se recusar Amós, sabe que vão, eles prezam muito as vidinhas inúteis deles, eles acham que os amaldiçoamos.
– Vamos mostrar que não... Ameaça é uma ótima motivação.
Tori se concentrou naqueles olhos azuis gélidos, a pele muito branca era quase transparente, principalmente no escuro.
– Pare de tentar ler a minha mente Tori, sabe que estou falando a verdade.
– É... Pode ser... Mas ainda acho que o medo é mais motivador.
– Do que está falando?
– Bartholomew fez uma grande bagunça naquele laboratório que nos cederam.
Ela tinha um sorriso brincalhão nos lábios.
– O que ele fez?
– Primeiro, um chip. Cada super-humano já criado por nós vai receber um deles, um tipo de rastreador.
– Mas como vamos colocar neles?
– Temos amostras de sangue de todos os que criamos.
Tori andou até um computador e Amós a seguiu. Ela mostrou uma tela com amostras monitoradas de sangue, que continuavam em constante mudança, como se nunca tivessem saído do corpo de seus hospedeiros.
– Vamos colocá-los em um insectóide criado por Nahuel, eles terão todo o arquivo dos super-humanos em microchips e a picada vai instalar o rastreador nos super-humanos indicados no arquivo.
– Qual a margem de erro?
– Zero... Eles não podem errar.
Amós relaxou, deixando os ombros caírem um pouco.
– Ah, ainda tem mais...
– O que houve? – Amós falou, sentindo a pulsação mais forte nas veias.
Amós a seguiu por um corredor estreito e claro que levava até o laboratório. Tori digitou uma sequencia de números e a porta se abriu com um clique.
O laboratório era enorme, Amós nunca tinha entrado lá, afinal, não era a sua área.
Tori continuou até parar em uma porta no outro lado da sala.
– Pegue a lanterna, vai precisar.
– Porque simplesmente não acendemos a luz?
– Eles são sensíveis. Qualquer sinal de luz, faz com que eles fiquem alterados.
Amós não sabia o que Bartholomew e Tori tinham inventado. Eles eram gênios da biologia tanto do planeta deles como da Terra.
O corredor estreito finalmente sumiu a frente deles. Tori ligou a lanterna e um brilho azul fraco saiu do objeto.
– Não acenda a sua ainda, me siga.
Amós seguiu Tori pelo grande espaço subterrâneo quando sentiu um grande movimento a frente.
– Contemple a nova espécie. – Tori falou.
Amós acendeu a lanterna e um pequeno facho azul mostrou uma grande gaiola.
– Como fizeram? – Amós falou, tinha um brilho doentio nos olhos.
– Esses são os Crentes... Construíram templos pra nós e nos ofereceram sua vida e alma em troca de salvação... Resolvemos aceitar a oferta.
Amós se virou para Tori e a tocou no ombro.
– Quem teve essa ideia?
– Eu... Bartholomew não sabia se daria certo, mas...
– Não quero saber de Bartholomew. Você é um gênio.
Amós se inclinou e a beijou, um gesto proibido no planeta deles, fazendo seus lábios queimarem ao primeiro toque, mas logo depois passou.
Ele se afastou e colocou uma mecha do cabelo de Tori atrás de sua orelha.
– Vamos... Temos uma guerra pra começar, vamos testar os seus... Bichinhos.
{...}
Ano 2084
O mundo não mudou como a Nova Ordem queria.
As pessoas que foram “agraciadas” com super poderes ou se matavam ou viviam escondidas, poucas foram as que tomaram coragem para ir em frente. Peter e Ashia continuaram a viver como se nada tivesse acontecido.
Ignoraram o fato de que tinham super poderes, Peter tinha super velocidade e Ashia tinha telecinese.
Os dois se casaram e tiveram duas filhas. As duas eram iguais a mãe, sendo que a mais nova tinha os olhos escuros do pai.
Elas nasceram com genética modificada, tendo poderes que ninguém sabia quais seriam, mas que deixavam os pais preocupados.
– Como vamos contar a elas tudo que aconteceu Peter?
– Não precisamos dizer nada ainda Ashia, elas nem têm poderes ainda.
– Mas isso é questão de tempo, podemos ter anos como podemos ter dias... Como vamos fazer?
Peter ficou em silêncio.
– Elas não precisam saber o que aconteceu com a gente... Digamos que elas apenas nasceram com poderes...
Quando as meninas fizeram 10 e 7 anos, uma guerra se iniciou.
As primeiras pessoas a serem convocadas foram as da 1ª Classe da Nova Ordem, os super-humanos.
Várias pessoas que tinham continuado a vida e tinham feito famílias, começaram a fugir, caravanas de famílias com pais super poderosos fugiram para qualquer lugar, mas não funcionou, a maioria deles foi rastreada.
Eles não tiveram como fugir, se recusassem a Nova Ordem colocaria suas famílias em risco.
– A guerra é contra quem? – Ashia perguntou a Peter, após ele voltar desolado de uma reunião de batalha com a Nova Ordem.
– Não é quem, é o que... Uma nova espécie está começando a atacar o planeta e eles precisam de soldados para evitar.
– Vocês vão voltar... – Ashia falou.
– Não entende meu amor... Seremos massacrados. – Peter falou, colocando as mãos nos braços de Ashia.
Ele sentia a pele de sua esposa, ele se lembrou da primeira vez, presos em um laboratório, Ashia estava com medo, assim como agora.
– Mamãe...
A menina mais velha colocou a cabeça para fora do quarto.
– Rachel... – Ashia falou, lançando lhe um sorriso triste.
Rachel correu e abraçou as pernas do pai.
– Você vai ter que ir pro lugar com os caras maus?
– Como você sabe disso Rach?
– Eu sonhei com isso papai.
Rachel conseguia prever o futuro, o poder dela tinha acabado de se desenvolver. Ashia e Peter trocaram um olhar apavorado.
Peter se ajoelhou em frente a Rachel e a segurou nos braços.
– Promete uma coisa pro papai... Você vai cuidar da sua irmãzinha, até o papai voltar, tudo bem?
Rachel tinha grandes olhos verdes e eles estavam ainda maiores naquela noite. Ela assentiu com a cabeça.
– Muito bem, agora vai dormir. – Peter falou.
Antes de deixa-la ir, o pai a abraçou forte. Ele não queria deixar ela ali, ele não queria deixar a família dele sozinha.
– Não esqueça essa promessa nunca ok Rach?!
Rachel assentiu com a cabeça e correu para o quarto.
Ashia estava ali de pé, com lágrima nos olhos.
– Nós podíamos te esconder, e você ficaria com a gente. – Ela falou.
– Eles nos achariam de novo, e estaríamos todos em perigo.
Peter a abraçou e ela começou a chorar.
Seria mais difícil ir do que ele pensava.
Quando Ashia finalmente dormiu em seus braços e ele a carregou até a cama, foi ao quarto das meninas, deu um beijo na testa de cada uma e partiu, sem dizer mais nada.
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