Sounds of the Future
4 Capítulo 03
Peter sabia que estava morrendo.
Depois de dois cansativos anos lutando contra aquelas criaturas ele finalmente se sentia fraco e a ponto de desistir.
– É o último confronto, é o último confronto... – Um homem ficava repetindo ao seu lado.
– Me desculpe... Mas porque acha isso?
– Eu não devia estar aqui... Quer dizer, é a guerra dos super-humanos não é?
Peter o olhou com cuidado.
– Você é humano?
– Sim... Sem poderes... Eu não tenho nem armas.
– Fique comigo... Eu te defendo no campo de batalha.
– Muito obrigado.
Um silêncio pairou no ar, até que o homem começou a falar de novo.
– Você tem família?
– Sim, duas meninas e minha esposa... E você?
– Minha esposa e um casal. – O homem tirou um colar com a foto de duas crianças, um menino loiro com os cabelos cacheados e uma menina com o cabelo castanho. – Piers e Katrina.
– As minhas são Rachel e Emma.
– Sabe... Não precisa me proteger, você tem as suas meninas e eu cometi muito erros na minha vida.
– Não fale isso... Todo mundo merece uma segunda chance.
Os dois fizeram silêncio. Tinham chegado ao campo de batalha.
– Faça o que eu disser pra fazer. – Peter falou.
Eles esperaram até as portas se abrirem, mas antes Peter viu um lampejo de luz azulada pelo canto do olho.
Em uma placa digital estava escrito “Arena: Teste final”.
Não era uma guerra real, era um teste, mas de quê? Estariam testando os super-humanos?
A porta da nave se abaixou. Peter olhou o terreno, apertando os olhos para se acostumar com a luz.
Usou a visão avançada que tinha para procurar alguma coisa.
Um oficial da Nova Ordem estava de pé sobre um tipo de muralha invisível, em sua mão havia uma prancheta. “Crentes: Testes”.
Estavam testando as criaturas. Peter procurou uma possível saída da arena então ele achou. Tremeluzindo perto de uma pedra, estava uma mudança de paisagem, como se o deserto desembocasse direto em uma cidade grande.
Peter se virou para o homem e o segurou nos braços.
– Aconteça o que acontecer, corra na direção daquela fenda, passe por ela e fuja, não vai poder sair vivo daqui se não fizer isso!
– E você?
– Eu vou ficar bem. – Peter falou, mesmo sentindo que não teria muitas chances de sair de lá.
– Qual o seu nome?
– Peter... Peter Young.
Uma sirene soou, como que para começar o teste.
Peter pulou da nave e correu em direção às criaturas.
Os Crentes eram humanoides deformados. A pele estava cinza, o corpo estava alongado, tinham dois dedos com garras nas mãos e tinham quase dois metros de altura.
Por mais que estive destruindo vários deles, Peter sentia a força se esvaindo de seu corpo a cada passo.
“Entregue-se a mim Peter.” Ele ouvia uma voz feminina em sua cabeça.
Não era delírio, realmente ele estava ouvindo. Realmente ele estava morrendo.
Num momento de distração, ele foi cercado. Cinco Crentes estavam em volta dele, não tinha mais pra onde correr.
Ele olhou para a fenda, lá estava o homem parado, ainda olhando para ele. Peter acenou com a cabeça e começou a lutar com os cinco. Enquanto lutava, ouvia a voz em sua cabeça:
“Querido Peter Young, há anos espero para lhe encontrar e lhe dizer isso... Sei que vai morrer, no mesmo lugar em que eu morri só que de uma maneira diferente. Há séculos, sua filha, Rachel foi destinada a salvar esse mundo e agora sei do que se tratava. Sua Rachel vai te orgulhar. Ela vai salvar o mundo, ela vai livrá-lo da Nova Ordem. Orgulhe-se dela.”
Depois de o último Crente ter caído no chão Peter deixou que o cansaço o levasse. Seu corpo se estendeu ao chão. Ele olhou para a fenda, o homem ainda o olhava, com lágrimas nos olhos.
Peter sorriu e deixou que seus olhos se fechassem para sempre.
{...}
Dois anos depois de Peter ter ido para a guerra, um oficial levou uma carta até a casa de Ashia. Foi o pior dia da vida das meninas. Peter havia morrido em combate, depois de lutar sozinho contra cinco inimigos.
O oficial disse que Peter morrera sorrindo depois de derrotar os cinco inimigos. Exaustão, ele não sentira dor. Por algum motivo que Rachel não entendeu, o oficial tinha lágrimas nos olhos.
Ashia e Emma choraram por várias horas, mas Rachel não conseguiu chorar. Um sonho ficava ecoando em sua cabeça:
“Rachel Young... Chegou sua hora... Quando você completar a minha idade, você vai ser responsável por salvar o seu mundo! Você foi escolhida há séculos para esse momento.”
Ashia não durou mais que um mês e logo morreu. O motivo: Depressão. Ela não podia viver sem Peter.
Rachel agora tinha 12 anos.
– Emma, vamos... Precisamos fugir. – Rachel falou para a irmã mais nova.
– Mas e a mamãe? – Emma falou.
Era difícil para Rachel... Ela ainda era uma criança e já era responsável por outra.
– Desculpa Emma... A mamãe não vai poder vir com a gente.
Rachel pegou Emma no colo e correu para o mais longe possível. Ela estava desesperada, porque na noite anterior, Rachel sonhara que depois da morte da mãe, uma bomba cairia sobre sua casa.
Foi ai que ela começou a descobrir seus poderes. Depois de correr e ficar a uma boa distância de sua casa, a bomba caiu sobre ela, espalhando pedaços de madeira por todo o lugar.
Os olhos de Rachel continham raiva e o único sentimento que crescia dentro dela era Justiça.
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