Soulmate - Spideypool
3 "Quanto maior o tamanho da asa, maior o..." | Peter Parker
A aula de ética no trabalho sobrenatural parecia voar quando Wade estava olhando para si.
Peter Parker sabia que por algum motivo o loiro não lhe tirava os olhos. Na verdade, a obsessão de Wade em olha-lo havia se tornado um jogo entre o castanho e seus amigos: quem acertasse quantas vezes Peter pegou Wade o encarando naquele dia, ganhava.
Peter havia se transferido para a sala do loiro, mesmo sendo um ano mais novo, ele era um dos anjos mais avançados no Instituto que tinha frequentado. Não demorou muito para os olhares começarem, assim como os boatos. Seus amigos especulavam sobre tudo, já que Wade era um famoso demônio encrenqueiro do colégio e Peter mal havia chego e já tinha se tornado representante de sala. Além é claro, de seus passados.
Era incrível como opostos podiam se atrair tão rápido.
Apesar de qualquer interação amorosa ser proibida no colégio, Peter sabia que por mais que o desejasse, ambos nunca poderiam ficar juntos. Wade era um demônio, o que automaticamente anulava qualquer tipo de relacionamento que pudessem ter. Mesmo com o tratado de paz entre os mundos, o Arcanjo havia sido irredutível quanto a regra de mistura entre raças, para ele, anjos deviam sempre ter sangue puro.
Peter tinha pais anjos, assim como avós e bisavós, essa era a primeira geração que tinha um bom contato com outras criaturas, sem serem seres angelicais. O perigo eminente de uma tomada de poder era um medo maior para os Arcanjos, do que conviver com os demônios, lobos e vampiros.
O refeitório do colégio já estava abarrotado quando Peter conseguiu chegar a ele. Asas negras e ossudas como de morcegos se misturavam com asas brancas e cheias de plumas, o rosnado e uivo de lobos enchia o ar, assim como o cheiro de sangue das refeições dos vampiros. Peter gostava de ver aquele aglomerado, era tão diferente do Instituto de Anjos, onde todos andavam em silêncio, faziam seus trabalhos e depois iam para suas casas, não havia sequer um único barulho diferente das vozes dos professores que eram constantemente ouvidas.
— Desculpa, desculpa, com licença. – O castanho pedia enquanto se movia tentando evitar as asas expostas de outros alunos.
As asas eram como uma marca poderosa de popularidade para os homens, quanto maior o tamanho, mais respeitado você seria. Havia o boato de que, quanto maior a asa, maior também era o que se tinha entre as pernas, mas nenhuma ciência havia provado isso. Sendo cegados pelo desejo de popularidade e respeito, anjos e demônios adolescentes viviam comparando seus tamanhos sempre que podiam. Asas podiam crescer até os 25 anos de idade, e mesmo que não fosse comprovada qualquer ligação com o tamanho do instrumento masculino, todos faziam a comparação, mesmo que mentalmente.
Aqueles que possuíam asas maiores do que o normal, raramente as cobriam, eram como galos dizendo aos outros que eram eles que mandavam ali. Peter tinham asas brancas pouco abaixo da média, o que quase sempre lhe deixava constrangido. Sua mãe assegurava que era porque ele era pequeno, então não precisava de asas grandes para carrega-lo e era a isso que o castanho se assegurava sempre que precisava se defender entre os meninos. Ele não as cobria, não tinha vergonha delas e sabia que se o fizesse, só estaria dando a chance de sofrer bullying entre os próprios anjos.
Entretanto, havia um único garoto na escola inteira, que apesar dos boatos, viviam com as asas escondidas debaixo de uma jaqueta. Wade Wilson era não só o demônio mais encrenqueiro, mas também o que supostamente tinha as maiores asas já vistas. Era também o único demônio que não vivia medindo suas asas por todo o colégio, o que claramente chamava a atenção de muitas meninas. Todas gostavam do fato do loiro ser tão seguro de seu tamanho, que nem mesmo precisava assegurar seu território no colégio, ele aspirava confiança e até mesmo um pouco de arrogância.
Todos sabiam das encaradas que Wade dirigia a Peter e muitos boatos rolavam pelo colégio, já que os pais de Peter, Mary e Richard, haviam sido os responsáveis pela morte dos pais de Wade, por isso, todos imaginavam que o loiro queria vingança. O esperado de um demônio.
Wade nunca havia tocado no assunto e se tornava uma fera quando alguém sequer falava sobre seus pais, por isso poucos tinham a coragem de perguntar qualquer coisa relacionado a Peter. O fato de Wade não conversar com o menino e somente encará-lo, acrescia para que o boato se tornasse ainda mais comentado por todo o colégio.
Peter consegue finalmente ver a mesa dos amigos, Jhonny Storm, um pacificador, Mary Jane, um anjo e Gwen Stacy, uma loba, levantam os braços, o chamando. Ele se aproxima e arruma os óculos no rosto antes de levantar a mão para cumprimenta-los.
— Ei, pesso-ai! – Peter sente bater em uma parede de músculos, todo o movimento no refeitório para em um segundo. O castanho arruma os óculos que estavam caindo e olha para cima. – Desculp...
Peter engole em seco ao lentamente levantar a cabeça até conseguir encarar os olhos azuis de Wade. O coração de Peter passa a bater 30 vezes mais rápido, ele sente o rosto esquentar e as asas se mexerem inquietas. Ambos se observam, sem dizer uma única palavra.
Os chifres roxos de Wade, passam para uma coloração vermelha com rapidez e, apesar de sua expressão não mudar, Peter precisa controlar a sua para não demonstrar medo. Os chifres de um demônio eram a forma mais pura que tinham de expressar seus sentimentos, e vermelho simplesmente não podia ser uma boa cor. O anjinho engole em seco e toma a primeira ação, saindo da frente.
“Meu Deus, será que ele vai mata-lo?”, “Devíamos chamar algum responsável?”, “Os chifres dele...Santo Lúcifer, esse anjinho está ferrado.” Peter tinha ciência de tudo o que cochichavam a sua volta, assim como Wade, porém nenhum dos dois tiravam os olhos um do outro para olhar para os lados.
Peter conseguia ver um fraco vermelho ao redor da íris azul, e se perguntou se aquilo era também um sinal de raiva. As asas cobertas de Wade iam até seus pés, Peter sabia disso e sua boca secava só de imaginar o que isso queria dizer. O castanho praticamente não respira, até que Wade finalmente tome sua decisão do que fazer.
O loiro olha para o anjo uma última vez, parecendo indeciso sobre humilha-lo ou mata-lo, Peter abaixa a cabeça, finalmente cortando sua ligação. Ele espera pacientemente por uma reação, mas Wade sai sem dizer absolutamente nada. Peter levanta a cabeça em um pulo e observa Wade ir até a mesa onde seus amigos estão e se sentar, aos poucos, as pessoas parecem voltar a vida se desconectando daquele momento raro.
— Você está bem? – O castanho quase salta quando sente a mão de alguém em seu ombro.
— Gwen, que susto você me deu. – Ele coloca a mão no coração e se vira para a amiga.
— Terra para Peter. – Ela brinca. – Se você encarar mais, o coitado vai secar, querido.
— Eu não, eu não estava...encarando. – Ele pode sentir suas orelhas esquentando. – Ele pode me encarar, mas eu não posso?
— Relaxa, anjinho. – A garota coloca a mão em seu ombro, o trazendo para a mesa. – Você vai ter todo o tempo do mundo para olhar para o seu namoradinho enquanto come.
— Ele não é meu namorado! – Peter quase grita, chamando a atenção das mesas mais próximas, o que faz Gwen só cair ainda mais na risada. – Digo, a gente não tem nada, ele não é meu amigo, nem nada.
— Você é uma gracinha, Petey. – A loira belisca as bochechas do amigo. – Agora senta aqui e come todo o lanchinho, representante de turma, ou como você vai ter energias para aguentar o... – ela faz um sinal quase pornográfico para o menino. – do seu namorado mais tarde?
— Gwen! – Peter arregá-la os olhos e cora com força. – Eu...A gente, não.
— Meu Deus, Gwen, você vai dar um ataque cardíaco no anjo. – Mary Jane repreende.
— Vocês são muito puritanos. – A loba rola os olhos. – E é engraçado ver o Peter desse jeitinho.
— É, ela não está errada. – Jhonny Storm, se aproxima de Peter, colocando o braço sobre seus ombros, enquanto mastiga uma porção de batatas-fritas. – Como resistir a essa carinha? – Peter tem suas bochechas agressivamente apertadas.
Os amigos continuam brigando sobre como tratar seu anjinho favorito, enquanto Peter só quer se enfiar debaixo da mesa e sumir. Gostava muito de Wade, mas não podia mentir, ele morria de medo que os boatos sobre a vingança fossem verdadeiros. Além do mais, ele gostava da relação sem proximidade que partilhavam. Jamais poderiam ficar juntos, então o melhor que podia fazer era observá-lo.
Com isso em mente, Peter levanta os olhos na direção de Wade, só para então pegá-lo o encarando. Peter desvia o olhar no mesmo instante imaginando o que Wade estaria pensando, já que seus chifres haviam adquirido uma coloração negra.
Havia cor melhor do que o preto para representar a morte?
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