Soul Gems
5 Realidade
Notas iniciais
Thália chegou no lugar com uma hora e meia de antecedência, ela sabia que talvez fosse desnecessário chegar tão cedo, mas não conseguia evitar, estava muito ansiosa, muito preocupada, precisava daquela vaga e faria qualquer coisa para consegui-la.
O local era muito bonito e como esperado, bem freqüentado; haviam muitos rostos conhecidos, colegas de faculdade e funcionários entravam e saíam o tempo todo, ela não se incomodava, era até mais confortável estar tão rodeada com rostos familiares.
Sentada em uma mesa, sua perna direita tremia incessantemente, parecia até que estava se segurando para ir ao banheiro, ou que tinha coceira ou algo do tipo; os dedos de ambas as mãos batiam na mesa sem um ritmo certo, e sentia em seu intimo que em breve estaria roendo as unhas.
— Desse jeito você vai desmaiar antes que ela chegue. – Fredderick disse ao sentar-se na mesa junto a ela. – Espero que não esteja esperando mais ninguém antes. – e depositou os dois copos de chá gelado que trazia às mãos sobre a mesa.
— Não realmente... – checou o horário no celular – apenas ela e vai me encontrar em... algum tempo. – sua voz parecia ter assumido um efeito de fadeway desaparecendo aos poucos, aquele que um dia a fizera sentir se tranqüila agora a agitava mais que a maldita entrevista.
Notando o comportamento da garota, Fredderick juntou as sobrancelhas e colocou o par de óculos que estavam presos no bolso da camisa.
— Você está bem? – o tom era preocupado, e muito familiar a ela.
Ela acenou positivamente, pois tinha medo de responder e gaguejar a única palavra que teria que representar firmeza.
— Pode beber o chá, eu trouxe pra você. – notando a surpresa estampada no rosto da garota ruiva, resolveu explicar. – Na verdade, o seu amigo Lucca precisou de um empurrãozinho extra pra conseguir sua entrevista, e você me pareceu do tipo que fica ansiosa fácil. – ele ostentava agora um sorriso ridiculamente sedutor e insolente.
Ele era com ela alguém muito generoso para um estranho qualquer – e ela não conseguiria deixar isso permanecer como uma dúvida.
— Não entendo você.
— Não entende o quê? – perguntou ele enquanto bebericava o chá e a assistia fazer o mesmo.
— Você costuma sempre aparecer pra salvar garotinhas em desespero? — a interrogação fez com que visse pela primeira vez um sorriso divertido estampar o rosto daquele belo rapaz.
— Apenas as que eu acho que precisam mais. — respondeu zombeteiro e ela conseguia sentir se tão mais relaxada, distraida, como se a tensão de minutos antes nada mais fosse que uma nuvem passageira.
A postura descontraída dele fora substituída por uma mais séria e Thalia teve a impressão de que ele lhe diria alguma coisa muito importante, mas foi interrompido pelo toque do celular e pediu desculpa afastando-se para atender a chamada.
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Quando chegou em casa estava exausta e preocupada, durante a entrevista, descobrira que sua entrevistadora seria sua subgerente e que ela era mais amigável que o esperado; aquele também havia sido seu primeiro dia de trabalho. Não seria o primeiro emprego dela, no entanto aquela nova rotina a deixava mortalmente cansada.
Na sala de estar, encontrou lucky e kaitlyn assistindo a alguma série no netflix e largou-se no sofá com a melhor cara de choro que sabia forjar.
— Meu bem esse é só o começo. — comentou Lucky sem desviar o olhar da tela.
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No outro dia, Thalia estava ciente de que sua rotina deixaria de ser a mesma e só o pensamento da realização daquele novo ritual já a cansava; A aula de linguagem era a aula que mais a agradava e acalmava, a fazia sentir que estava no lugar no certo.
— E como foi o trabalho? — perguntou Benjamin, fazendo com que despertasse do transe de ansiedade.
— Ah, foi muito bom, — e sabendo que a resposta curta não era satisfatória, completou: — A minha chefe é muito boa comigo e as tarefas não são difíceis de aprender, os clientes todos foram muito educados e eu apesar de ter começado nervosa, terminei bem a noite.
Benjamin deu-lhe um sorriso satisfeito e um tapinha nas costas de incentivo.
— Vai dar tudo certo.
E como ela queria que fosse a mais pura e irrevogável verdade.
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Quando foi trabalhar depois da ultima aula, quase se atrasou e chegou à conclusão que puxar assunto com Senhorita Hernandez de filosofia quando se está com um horário apertado não é uma boa ideia. A cafeteria estava pouco movimentada naquele dia, e então sua chefa decidiu que ela deveria ficar no caixa.
Logo após assumir o posto e aprender o que teria de fazer, atendeu o garoto loiro que agora ela sabia ser o primeiro amor de Anna.
— Oh, você é a menina da festa! – ele a reconheceu enquanto pegava o recibo e ela conseguia sentir o sangue se acumular em seu rosto quase que instantaneamente. Christopher ao notar o constrangimento da garota ofereceu-lhe um sorriso acalentador. – Não se preocupe, já vi o Markus passar por situações piores. – e deu uma gargalhada grave e profunda, quase que espelhando sua personalidade.
— Eu sinto muito... – ela murmurou, sem saber onde esconder todo aquele constrangimento.
— Não, não, tudo bem. – o sorriso luminoso do rapaz loiro quase fez com que sua vergonha duplicasse, e ele notando o desconforto dela, tentou ajudar mais uma vez: — Aliás, eu me chamo Christopher, mesmo que você já saiba, acho certo me introduzir apropriadamente.
Ela deu uma risada extremamente nervosa:
— Meu nome é Thalia, desculpe por aquela noite... Mas, sobre a Anna... — ela não queria se intrometer, mas estava preocupada com a amiga, se pudesse dar um empurrãozinho...
O semblante do rapaz perdeu o calor, deixando a preocupada com sua abelhudice.
— Eu acho que prefiro não falar sobre isso. — Ela não fez nada além de acenar e deixar que ele se despedisse e desse lugar a outra pessoa da fila.
Aquele momento a deixou pensativa; Anna chorara tanto e a história não ganhara um final explanatório, e agora Christopher parecia sentir quase dor ao tocar no assunto, a curiosidade a corroía e a preocupação a deixava tensa, queria poder ajudar de alguma forma.
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Quando chegou em casa, haviam gritos e roupas espalhadas da sala até o quarto de Kaitlyn, seguindo o rastro da amiga a encontrou com diversas combinações espalhadas na cama. Recostou-se na porta e soltou um longo suspiro assistindo ao desespero da morena em encontrar seu jeans favorito.
— Ele não poderia desaparecer assim! Minha vida depende disso!! – o cabelo longo e cacheado estava desfigurado e a pele negra sempre muito bem cuidada parecia sem brilho, o rosto que limpo que quase sempre continha quilos de maquiagem transformava a situação em um pesadelo ao nível Kaitlyn.
Thalia limpou a garganta conseguindo a atenção da amiga por um instante.
—Seria aquela pendurada no espelho? — e rindo do desespero da amiga e pegar a peça, perguntou finalmente — Por que tanto alvoroço?
Kaitlyn soltou uma risada seca e sinistra.
— Como você não sabe!? — e no instante seguinte estava a segurando pelos ombros — Essa semana os gatos solteiros da faculdade vão convidar as gatas solteiras para o baile de halloween!!
—Baile? Que baile? —Thalia estava confusa, não tinha escutado falar sobre isso.
Tantas coisas estavam acontecendo, talvez Benjamin tivesse até comentado sobre isso, mas ela não conseguia lembrar.
— Céus! Como você consegue!? — e voltou a procurar mais peças enquanto falava —É um baile de solteiros organizado pelo curso de arte, eles estão — e a voz dela se tornou abafada, pois entrou no closet — fazendo isso em prol da paixão de outono e os garotos tem de convidar as garotas, os convites devem ser entregues em lugares públicos e — ela finalmente saiu com uma blusa que Thalia desconfiava ser um vestido, não tinha certeza se seria permitido vestir aquilo na faculdade.
“Talvez não seja em lugar algum ...”
—As garotas precisam aceitar o primeiro convite, ou recusá-lo e não ir ao baile. — ela parecia ter se acalmado por um momento.
—Isso não é muito justo. — reclamou a ruiva.
— NÃO É NADA JUSTO! — berrou Kaitlyn furiosa — Mas eu preciso ir, e com um gato!
Thalia encarou outro momento de surto da amiga e resolveu deixa-la sozinha por um momento, ou quem acabaria pirando seria ela.
“Eu é quem não vou participar de uma coisa dessas.”
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