Soul Gems
6 I'll be with Adelle in the deep I
Notas iniciais
Parecia que uma fada madrinha sinistra havia visitado o campus, o desespero de Kaitlyn em parecer a mais atraente agora fazia sentido para a amiga ruiva.
— Isso aqui realmente está começando a me perturbar. — Sussurrou Thália ao ver todas as meninas usando as roupas mais curtas e apertadas que encontraram, com cabelos de capas de revistas e maquiagens que mais pareciam mascaras.
Benjamin se aproximou com um sorriso de divertimento ao ver todas as caretas que Thália fazia:
— Que bom que você parece ser imune ao mais novo vírus de Portland.
— Agradeço a todos os Deuses por isso. – respondeu carrancuda.
Kaitlyn trajava seu jeans favorito e uma blusa com um decote tão profundo que mais parecia que estava rasgada ao meio, a pele negra exposta atraía todos os olhares do corredor até que alcançasse seus amigos que riam da situação apoiados em uma janela, na área imaginária de imunidade deles.
— Isso está sendo um pesadelo! – reclamou a recém chegada.
— Deve ser a primeira vez que partilhamos do mesmo sentimento. – concordou Benjamin.
— Não é isso ruivinho, nenhum gato tentou falar comigo! Já estamos no horário do almoço, eu vou ter um ataque! – continuava a reclamar histericamente.
— Mas você já não está tendo um? – perguntou Tália quase alheia ao desespero da amiga enquanto olhava a tela do celular. Todos sabiam que Kath era a rainha do drama.
— Qual seu problema hein Lia!? – berrou enquanto chacoalhava a amiga pelos ombros.
Benjamin pensou em entrar no caminho para tentar proteger a amiga dos danos do ataque da rainha do desespero desnecessário, mas também estava com medo das conseqüências.
— Eu odiei essa ideia idiota, fala sério, esse baile ou festa, ou seja lá qual for o nome dessa coisa bizarra, não vai dar certo — disse após conseguir uma mísera distancia segura da sua atacante, ajeitando fios ruivos irritada.
— Eu concordo com a Lia, provavelmente foi ideia de algum dos imbecis do grêmio que faz parte daquele clube estúpido de anime. — disse Benjamin enquanto sua parceira ruiva ficava boba e fazia gestos pela pronuncia de “imbecis”, xingar não era uma coisa que Benji fazia com freqüência, sussurrou um “dane-se” de volta a ela.
— Você já foi um dos imbecis do clube de anime – pontuou Kaitlyn.
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No café, Lia trabalhou por um período dentro da cozinha aprendendo o primordial caso fosse necessário e voltou ao seu posto de servir quando o movimento se intensificou no final da tarde.
Mara Primm era sua colega garçonete e estava com uma quantidade de mesas a mais que Lia, pois achava que talvez ela não conseguisse lidar com o fluxo, mas ao observar que a garota se saia muito bem com o publico e não mais fazia confusões com os pedidos pensou que talvez ela conseguisse mais uma ou duas mesas.
— Hey Novata. – chamou-a quando chegaram ao balcão e Lia organizava a bandeja com dois copos de chá gelado.
— Sim, Primm? – respondeu ela imediatamente terminando de equilibrar a bandeja para fazer a entrega dos pedidos.
— Pode me chamar de Mara, eu já falei – A garota pálida de cabelos coloridos e tatuagens chamativas realmente causava calafrios nas funcionarias mais novas, ela já estava no ultimo ano de sua graduação, mas ainda trabalhava no café (e provavelmente era a funcionaria mais antiga já que o quadro costumava se atualizar frequentemente), existiam muitas histórias sobre ela ter agredido colegas em todos os estágios que conseguira, mas ninguém sabia o verdadeiro motivo que a mantivera ali.
— Fique com a 12 e a 13 também, você está indo razoavelmente bem. – e partiu para anotar pedidos deixando a novata com as bochechas coradas pelo quase elogio.
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— Boa noite, meu nome é Thália e irei servi-los. – disse educadamente ao chegar à mesa 13 para anotar seus pedidos.
Em resposta, teve uma risada pesada e grave, extremamente escarnecedora:
— Olha se não é a ruivinha que deu banho no babaca da piscina – e Thalia reconheceu o gigante negro da festa, seu nome era Douglas ou Diego, não tinha certeza.
Constrangida, ignorou o comentário e tentou manter sua compostura enquanto aguardava pelo pedido.
— Diego você realmente não tem educação. – comentou Fredderick enquanto tomava o assento vago e direcionava seu olhar a menina ruiva paralisada — Ignore a presunção e falta de tato do meu amigo “bombado” aqui — disse com o habitual sorriso enigmático, os olhos escuros sob os longos cílios negros pareciam conter mais palavras do que pronunciava — Eu vou querer um café expresso.
— Tch seu britânico de merda – reclamou o outro se sentindo ofendido — Que seja, quero o mesmo, gatinha.
Thalia anotou o pedido e seu olhar se encontrou com o de Fred trazendo o sangue quase que instantaneamente a sua face, ela acenou em assentimento rapidamente e foi entregar o pedido no balcão. Fez o caminho apressada, sem saber exatamente a razão, com o coração palpitando e o rosto queimando de embaraço.
— Você está se sentindo bem novata? – perguntou Mara, preocupada se o aumento das mesas não a estava sobrecarregando.
Totalmente distraída em pensamento, a garota preparou sua bandeja novamente após entregar os pedidos e não respondeu sua colega que repetiu a pergunta e posicionou suas mãos em seu rosto avermelhado.
— O-que...? – engasgou ela com o ato e quase derrubou tudo que tinha acabado de preparar.
— Eu perguntei se você está bem garotinha. — os olhos violetas e o rosto magro demonstravam uma emoção que as pessoas não viam com frequência em Mara, genuína preocupação.
— Ah – disse ela desvencilhando-se das mão geladas da morena – Estou sim Pri-Mara — corrigiu se rapidamente antes que a chamasse pelo sobrenome mais uma vez. — não precisa se preocupar.
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Diego falava sem parar sobre como tinha um grande esquema para o baile e estava lucrando vendendo vales para uma área secreta do ginásio que apenas atletas tinham acesso para casais estenderem sua diversão, mas Fredderick estava totalmente alheio, observava a menina ruiva desajeitada e agora corada trabalhar.
— Marcus totalmente quer terminar na casa e por isso pediu que você fizesse aquele lance do copo rosa — terminou o empolgado garoto esperando por uma resposta do rapaz misterioso que estava claramente entretido com algo melhor.
— Me diga que você escutou pelo menos a parte em que você é útil? – perguntou Diego irritado.
— Não, mas mesmo que eu negue alguém vai me tirar de casa pra alguma coisa que eu vou julgar totalmente fútil e ainda assim eu vou realizar. – respondeu estoicamente enquanto a garota vinha em sua direção com a bandeja e as xícaras de café.
— Eu já saquei a sua Sebastian. – disse após mais uma daquelas risadas ameaçadoras.
— É mesmo criatura com vicio em proteína? – e finalmente direcionou seu olhar ao seu interlocutor – e qual é a minha?
A expressão de Diego era um misto de incredulidade com agressividade e zombaria.
— Você vai levar ela pro baile né? — e quando o rapaz se fez de desentendido, ele completou — fala sério, desde a festa você deve estar doido pra pegar ela. — e riu — Se você não convidar, eu convido.
O tom de desafio despertou uma resposta fumegante em Fredderick que apenas não a proferiu por conta da chegada da garota em questão.
— Desculpe pela demora, aqui está seu pedido. – dizia enquanto os servia.
Diego sorriu, um sorriso com os dentes cintilantes à mostra quase ameaçador, a garota se contraiu quase que instantaneamente.
Fredderick sentiu por um momento uma ansiedade esquisita, sentiu que ele faria o pedido, sentiu ela com medo recusando, ou ele galanteadoramente a convencendo a aceitar, ou a pressão do publico em volta, afinal o café estava cheio de estudantes e Diego era do tipo que gostava muito de chamar atenção.
— Você gostaria de ir ao baile em minha companhia? – Disse Fredderick sem se dar conta do peso de suas palavras.
Seu colega soltou mais umas de suas barulhentas gargalhadas e algumas pessoas viraram-se para observar a comoção, algumas meninas começaram naquele mesmo instante sussurros sobre o pedido.
A menina ficou terrivelmente corada, a respiração descontrolada, parecia nauseada. Por um instante ele pensou se teria feito a escolha certa ao se precipitar, seu julgamento estava nublado pela ideia de Diego conseguindo convencer a garota pela pressão – se quer pensando que poderia ter sido um jogo dele para fazer com que ele mesmo realizasse o feito.
— M-Me desculpe, eu acho que não entendi.
— Ele perguntou se você quer ir ao baile com ele, ele fala engraçado assim porque se acha o maioral. – disse Diego.
— Ela não precisa da sua tradução companheiro, tenho certeza que todos falamos o mesmo idioma aqui. – comentou Fredderick agora mais racional, uma parte com raiva por ter caído no jogo de Diego e outra pela intromissão, que mais uma vez indicava que tinha sido planejado. Com isso conseguiu atrair mais ainda a atenção dos clientes da cafeteria.
— Você tem que aceitar! – gritou alguém ao fundo.
Thália ainda parecia atônita, a bandeja nas mãos tremia, correndo o risco de derramar as xícaras de café. Mais uma vez Fredderick sentiu que tinha tomado a decisão errada, e agora com certeza absoluta no lugar errado. Parecia que naquele momento todas as pessoas reduziram seus ruídos a fim de escutar a resposta da pobre garçonete envergonhada.
— E-eu não sei o que deveria responder — disse enquanto recordava-se que estava trabalhando e os servia, parecia uma tentativa de desviar o assunto, que agora já não era possível.
— Apenas diga onde irei encontrá-la na noite do baile. – respondeu Fredderick ignorando a atenção dos curiosos, e tentando da maneira mais galanteadora que conhecia fazer com que a pressão e a risada nada controlada de Diego provocassem um colapso na garota. Ele não iria admitir isso ao colega, mas estava ridiculamente interessado agora.
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¾ Me diz pelo amor de Hyuna que você aceitou? — suplicou o loiro histérico após Thália contar sobre o ocorrido no trabalho.
Estavam todos jogados no sofá (Anna, Luke e Thália) a TV ligada passava uma noticia sobre fenômeno astronômico que aconteceria na noite do baile, uma chuva de meteoros. Ninguém prestava atenção embora Anna mantivesse seus olhos fixos na tela.
— Não que eu tivesse muita escolha não é Lucca? — e o menino sorriu travesso. — A não ser que dissesse a ele que não iria.
— Mas você não fez isso — ele acariciava seu cabelo estupidamente sorrindo e fazendo caretas.
— Chega de tirar sarro de mim! — falou irritada enquanto se desvencilhava das mãos do amigo aloirado, estava corando mais uma vez ao se recordar do momento.
— E você Nana? Quem te convidou? – perguntou Lucca ainda entusiasmado com o evento. Anna, no entanto, se quer moveu seus olhos da tela enquanto respondia — Não.
Thália se esticou enquanto Lucca a cutucava pra analisar a feição contorcida da amiga.
— Você acha que ela tá’ bem? — sussurrou ela para o menino enquanto apoiava suas mãos nos ombros magricelos.
— Eu estou ótima. – Respondeu Anna que escutava tudo apesar de seu semblante indefinido.
— Nós estamos preocupados com você vadia mirim. — Lucca não era muito conhecido pelo seu tato, mas seus amigos próximos sabiam que quando se preocupava, era real.
A menina loira e geralmente delicada virou seu rosto na direção dos amigos e deixou que notassem lagrimas secas em sua face. Os dois restantes não sabiam agora muito bem como reagir, dessa vez a amiga tinha uma feição mais resignada, parecia levemente irritada ou entediada.
— Não vou a esse baile estúpido. — e deixou o sofá em direção a cozinha a passos firmes de uma criança que escuta uma história na qual não quer acreditar.
Lucca prontamente saltou do sofá e foi atrás da amiga elevando sua voz ao nível “LuckyMe” questionando a atitude da menina.
— Olha bi, eu não quero mais falar sobre isso. – respondeu ela mais uma vez sem encará-lo, sua voz também parecia alterada agora, mais rouca, parecia que iria chorar. Enchia um copo de água gelada de uma garrafa que acabara de tirar da geladeira quando o amigo forçou-a ao contato visual.
— É por causa daquele pedaço de céu loiro de dois metros do dia da festa?
— Lucca, não...
Parecia cada vez mais que ela cairia em lágrimas, e Lucca já estava ficando farto de ver aquelas garotas chorarem.
— Eu também não vou então, — disse abraçando a menina menor que ele — sou sua companhia anti-baile.
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Kaitlyn andava a passos firmes, movendo os quadris sensualmente (não que fizesse algum esforço para isso, era natural), estava irritada. Era abertamente uma garota fútil e superficial porque era muito mais fácil que revelar camadas de preocupação, – e esse esforço a cansava – tinha uma família fanática por essa exposição de sentimentos, considerava sua cota de demonstração bem ali.
Chegou à cafeteria recebendo alguns olhares curiosos, mas não somente curiosidade genuína, ela sabia que ali tinham olhos que a registravam com admiração, com inveja e alguns até com repúdio. Não era a pessoa mais fácil de lidar exatamente, mas isso tornava a interação social mais simplista, ou você a suportava ou a evitava.
— Um chá de pêssego, por favor. – pediu à sorridente atendente que olhou o freezer e depois de alguns segundos fez um gesto para que esperasse.
— Nos conhecemos? – ao escutar a frase, Kaitlyn virou-se com uma postura não muito simpática com intuito de iniciar seu esquema de despacho quando notou que era um rapaz bonito (embora não estivesse na sua lista de desejos), seu radar estava falho graças às constantes decepções do dia.
— Creio que não, – fez questão de sorrir da maneira mais encantadora que conseguia lembrar ao responder — Sou Kaitlyn, do segundo ano de direito.
Os traços não lhe eram familiares, mas ele era muito bonito. Os cabelos escuros e mal arrumados – provavelmente intencional –, o rosto fino com largas sobrancelhas escuras e olhos verdes marotos. Apesar da beleza, percebeu que sua nova chance de ir com um gato ao baile estava decepcionado logo no começo da conversa.
— Desculpe, eu devo ter me confundido. – O sorriso fraco dele causou uma onda de desespero repentino em Kaitlyn.
— Espera, espera aí! – dizia enquanto se colocava no caminho dele. A essa altura, já tinha estragado tudo, queria pelo menos uma resposta de consolação. — Você não ia me chamar para o baile?
O rapaz a sua frente ergueu as sobrancelhas sem lhe dar uma resposta imediata, parecia estar passando pelas etapas de processamento, e quando chegou ao final e sua expressão tornou-se pura travessura. Ele deu um passo à frente, quase quebrando a barreira de aproximação máxima para pessoas que não tinham tido horas mínimas de convivência com a Kaitlyn (esse era o critério para aproximação dela).
— Você queria que eu te convidasse? Por quê? Eu sou um cara muito bonito?
A moça negra caiu na gargalhada, estava perplexa por ter ido tão fundo no poço.
— Eu? Você? — enquanto ela se enrolava em seu discurso de orgulho, o outro ria descaradamente do desespero dela. — Quer saber? Eu queria não, eu quero sim.
— Ok, — disse entre risos, — ok, você está me surpreendendo!
Kaitlyn agora estava no limite de sua ira, aquele cara que instantes atrás parecia ser sua janela tornara-se um belo vaso sanitário. A adrenalina nublou seu pensamento e por algum momento o rosto jocoso do rapaz a fez lembrar da noite da festa, lembrou de vê-lo com Thália em algum momento entre dançar com um cara horripilante e fugir para o banheiro.
— Olha só! Eu lembrei de você! Parecia muito você! — acusava ansiosamente. A expressão de Markus escureceu.
— Do que você está falando agora? — a risada havia cessado.
— Minha amiga vomitou em você! — a fala dela o fez corar, não sabia se de raiva ou de vergonha.
— Então eu realmente já tinha visto essa sua cara estúpida em algum lugar. – rosnou Markus agora muito irritado pela lembrança.
— Com licença... – disse a atendente do balcão um pouco mais alto dessa vez, trazia o suco de Kaitlyn e estava há pelo menos dois minutos tentando ter sua atenção.
A interrupção na discussão fez Markus se irritar mais ainda. Kaitlyn por sua vez se desculpou com a moça e pegou o suco, imediatamente se preparando para ignorar o idiota e ir para longe dali.
— Você quer ir ao baile comigo então? — gritou ele por cima do barulho da cafeteria, atraindo muitos olhares para a cena.
Kaitlyn olhou em volta nervosamente esperando que não tivessem prestado atenção no berro do garoto para se esquivar de respondê-lo.
— Se você não me responder eu vou entender que não vai! — gritou mais uma vez, provocando-a.
Ela não conseguia entender o que ele tinha na cabeça. Estava furiosa, e diante da afronta, ela mostraria a aquele idiota que tinha cometido o pior erro de sua vida acadêmica: provocar Kaitlyn Jolie.
— Eu vou sim! — gritou em resposta.
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