Sorien
1 Prefácio
Eu estava correndo, não compreendia como uma coisa daquelas podia ser tão rápida; sequer entendia o que era aquilo que me perseguia. Virei à primeira esquina que apareceu na minha frente, lembrei que ao alcance do primeiro prédio havia um lance de escadas enferrujadas que eu podia usar. A coisa parecia cada vez mais perto, eu estava com medo e suando, será que conseguiria chegar a tempo? Antes mesmo que meus pensamentos se organizassem para responder a essa pergunta pulei em direção a escada e logo abaixo de mim senti o vento passando pelo meu sobretudo. O que quer que esteja me perseguindo não era humano.
A criatura cambaleou quando percebeu a mudança de meu trajeto, caiu dentro do latão de escoamento e por um momento ficou coberta por dejetos e excrementos. Não perdi tempo e subi a escada que me levava até o terraço do prédio.
Construções grandes como aquela não eram muito comuns. Senti um arrepio na espinha em pensar como iria passar daquele prédio para o telhado da casa ao lado. Não havia muito que medir, num segundo a criatura apareceu na outra ponta do terraço. Como estava escuro, via apenas a sua silhueta que aparentava ter a altura de um homem com 30 anos muito forte, seus olhos cintilavam com o brilho da lua e era apenas isso o que se podia ver de seu rosto.
No desespero, pulei para o próximo telhado, que não aguentou o impacto da minha queda e cedeu, uma dor forte percorreu todo o meu corpo e minha perna direita latejava, não sabia como iria escapar da criatura. A casa por sorte era abandonada.
Rastejei-me até o canto do pequeno quarto e esperei pelo que viria a seguir. A criatura caiu dentro do quarto e me olhou, seus olhos eram vermelhos e seu halito fedia a podridão. Ela ou ele usava um capuz negro e nele havia um símbolo, duas foices se cruzando, nunca havia visto aquele símbolo, mas sabia que não era de nenhum grupo daqui.
Meus segundos estavam contados, não tinha para onde eu fugir, estava frente a frente com meu maior medo. Quando este se aproximou de mim, parou. Um baque surdo soou em suas costas e um brilho surgiu, iluminando toda a casa. A criatura se desintegrou na minha frente e seguindo o trajeto do brilho vislumbrei uma nova silhueta, um homem, cabelo cumprido e em suas mãos havia duas armas que reluziam o prateado da lua. Elas vibraram e como se tivessem vontade própria se soltaram e voltaram para o coldre.
Eu estava cansado e dolorido demais para me manter acordado.
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