Sophies Gaiden
1 História reveladora demais
Era uma tarde abafada nos arredores de Geffen. Lá, diversos aprendizes ainda treinavam, mas na sua grande maioria eram meninas. Uma família inteira, na verdade. Irmãs e primas treinavam juntas, matando diversos monstros em grupos. Apenas duas supervisionavam o serviço. Quer dizer, uma. A outra era uma Noviça loira de aparentemente 13 anos, que corria de um lado para o outro desesperada para curar e buffar suas primas e irmãs. A que cuidava do treinamento era uma Ninja, com seus 14 anos, que estava sentada em uma rocha, meditando. Tinha cabelos azulados e amarrados em dois lacinhos.
— Por Odin! Elas não cansam nunca! – Reclamava a noviça, deixando o corpo desabar ao lado da Ninja.
— Não acha que ela já está se saindo muito bem, sem nem ser uma aprendiz ainda? – Murmurou a Ninja, abrindo os olhos e encarando uma pequena menina de cabelos lilases. A garotinha tinha apenas 5 anos e trajava um vestido surrado e amarelo. Em suas costas, uma criança um ano mais nova, de melenas grisalhas.
— SOPHIE! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! – A noviça novamente corre até a criança. Antes mesmo de chegar até a garota, o Creamy que a pequena batera logo caía morto aos seus pés, completamente estraçalhado. Já era o quinto naquele dia. Temendo pelo estado da mocinha de cabelos brancos, a loira pega a criança das costas de Sophie rapidamente. – Imagina se um bicho desses machuca a Ary? Quem teria que curar ela? Hein?!
— OLHA, A ANN VOLTOU!! – A criança passa quase que voando pelo lado da noviça e vai de encontro a uma Templária de cabelos também grisalhos. Sophie freia ao chegar perto da jovem e abraça suas pernas.
— Nossa Sophie, como você cresceu... – A moça sorriu de um jeito doce. No auge dos seus 17 anos, a serva dos deuses que carregava a espada voltava de mais uma de suas missões.
— Você trouxe algum presente para mim? – A mais nova perguntou com olhos brilhantes. Mas logo fora atropelada pelas irmãs e primas mais velhas, que se acotovelavam para conseguir falar com a Templária. – Hey! Eu cheguei aqui primeiro! Aie! Não é educado pisar no pé dos outros sabia Ashley? Ow! Vou descontar essa cotovelada em você depois Lyn! Não! NÃO! SOCORRO, ‘TO AFUNDANDO AQUI! – Apenas era possível ver a mãozinha da menor balançar no meio de tantas aprendizes, que não paravam de fazer perguntas para a mais velha.
— Acalmem-se meninas... Vou contar tudo para vocês assim que chegarmos em casa e comermos alguma coisa. – Ann sorriu, tirando Sophie do meio das irmãs ao pegá-la no colo. Sem dizer mais nada, deu às costas para o grupo, caminhando para dentro da cidade circular de Geffen. A Ninja seguiu-a em silêncio também. Aos poucos, o monte de meninas ia dissipando-se, tomando o mesmo caminho da jovem Templária. A única que ficara para trás fora a jovem Noviça, muito irritada pelo que acabara de acontecer. Mas logo seguiu seu caminho, idêntico ao das outras. Depois de caminhar pela cidade dos magos, chegou a uma casa grande, porém bem simples. Ao abrir a porta, quase fora degolada.
— SOPHIE!! – Berrou a loira, segurando a mais nova pelo braço que carregava uma espada. A garota apenas deu um sorrisinho sem graça, soltando-se e correndo para perto de Ann para proteger-se dos cascudos da Noviça.
— Acalme-se Catherine, apenas estava mostrando a minha Claymore Flamejante... Seu pai que fez sabia? – A Templária sorriu novamente. Retirou a arma das mãos de Sophie e analisou minuciosamente. – É uma Claymore Flamejante do famoso Weiss... – Ann continuou com seu sorriso, porém arrependeu-se ante o olhar tristonho de Catherine.
— Isso foi antes ou depois de ele pular para a mãe da Angie? Ou talvez da Lyn? – A Noviça sorriu amargurada. Mas logo foi puxada levemente para baixo por alguém menor.
— Por que você não me citou? – Sophie indagou curiosa, afinal nenhuma das três irmãs haviam comentado algo sobre seu pai. As únicas coisas que sabia era que o Mestre-Ferreiro havia deixado cada uma delas sozinha com a mãe um pouco depois das filhas nascerem, que ela e Lyn eram as únicas filhas da mesma mãe e que o cafajeste jazia embaixo da terra após ter a audácia de tentar enfrentar o Mestre-Ferreiro Howard Alt-Eisen.
— Porque você é filha do Lorde Seyren Windsor... – A Ninja falara calma, cortando a Noviça. Vendo o olhar descrente de Sophie, acrescentou. – Sim, o monstro Seyren Windsor... Aquele mesmo do Laboratório de Somatologia...
— Konan! Era muito cedo par... – Catherine segurou a pequena pelos ombros, puxando-a contra o corpo, como se isso fosse protegê-la de tal informação.
— Não, ela tem o direito de saber... – Ann apoiou a idéia da Ninja, aproximando-se de Cath e pegando Sophie no colo novamente. – Sabe... Apesar de ser um monstro, Seyren amava a sua mãe... Mas ele não podia viver entre os humanos de jeito nenhum, ou seria morto. Ele, você e a sua mãe... – Fora interrompida por inúmeros cochichos. Olhou em volta para as irmãs e primas seriamente. Todas entenderam o recado e subiram para seus quartos, deixando a Templária sozinha com a pequena. – A sua mãe, tão impetuosa e ainda jovem, foi procurar encrenca nos laboratórios. Esse lado a Lyn puxou direitinho. – A Templária comentou distraída. Mas logo voltou ao foco da história. – Você sabe... Ela, como uma Atiradora de Elite, iria se dar muito bem por lá. Mas chegando no último andar, o primeiro monstro que ela viu foi o Seyren. Ele estava sentado, de costas, alisando a espada. Claro que a Kanami não iria perder tempo, então lançou uma flecha direto no seu pai, mas não passou da armadura dele. O Lorde então virou-se para a sua mãe, no entanto o olhar dele não era cheio de ódio, como o dos outros monstros que estavam ali... Era triste... – Ann fez uma pausa e respirou fundo. Olhou para Sophie para ver se ela queria continuar sabendo da história, mas a garota a fitava com extrema curiosidade. Decidiu continuar. – Ele então se aproximou da sua mãe, parando cada flecha com a espada. Ela ficou paralisada, mas não era por medo. Nem ela mesma sabia do que era, mas não conseguia mais atacar Seyren. O Lorde foi chegando mais perto até baixar o arco dela. Ela me disse que foi amor à primeira vista... – A Templária sorriu, assim como a pequena que jazia em seu colo. – É claro que passar por todo o laboratório sozinha não fora fácil, por isso ela estava cheia de hematomas, cortes e muito cansada. Sabia que se caísse ali, o seu pai a mataria. Mas sua mãe não agüentou, desmaiou nos braços do Seyren. – Ann suspirou sonhadora, com uma das mãos no rosto. Sophie sorriu.
— Pensando naquele tal de Modragor que você viu na abadia um dia desses? – A menor sorriu bem zombeteira, apesar das informações girando em sua cabeça. Quem diria! Filha do Lorde Seyren Windsor!
— C-Claro que não! Quer que eu continue a história?! – A Templária corou furiosamente. Percebendo que a menor se calara, continuou. – Bem... Deixe-me ver... Sim! A sua mãe disse que ficou apagada por uns dois dias. Quando ela acordou, estava em um lugar relativamente aconchegante e percebeu que Seyren estava novamente de costas para ela, analisando sua espada. Ela ia levantar, mas reparou que somente vestia sua roupa íntima, tendo todos os cortes bem cuidados com curativos bem feitos. Bem, vou pular todos os carinhos, todas as conversas... Na verdade só ela falava e o seu pai ouvia com um sorriso no rosto. Estranho ver um monstro sorrir... De qualquer maneira, uma ou duas semanas depois você foi concebida naquele mesmo cantinho aconchegante que Seyren fizera para acolher a sua mãe. Bom... Depois ele a acompanhou até a saída do laboratório. Mas não pôde ficar muito tempo, já que logo seria caçado novamente. E termina aí... – A Templária finalizou a história, um pouco receosa. Talvez sua prima não iria reagir tão bem.
— Que... Que lindo! – A menor se exaltou, pulando no colo de Ann alegremente. Estava exaltada. Ela era realmente filha de um monstro. Do melhor dos monstros!
Ann sorriu com a animação da prima mais nova, tirando-a do colo. Mandou-a para cama, e foi atendida prontamente pela pequena. Ajeitou suas coisas de viagem ali mesmo na pequena sala e também rumou para o quarto. Algo a incomodava, mas ela não sabia o que era.
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