Sophie: Filha De Traidores
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Notas iniciais
O resto do dia passou sem maiores incidentes e visitas. Optei por ficar na cama mesmo, levantando apenas para ir ao banheiro do dormitório tomar banho. Um longo e relaxante banho. Aproveitei-o para pensar, principalmente em um assunto.
Quanto à minha madrugada não-tão-secreta com Draco, especificamente. Decidi não preocupar-me com ela. Pelo menos no aspecto que se referia a Santaro ter descoberto tudo. Afinal, somente ele tinha nos visto, não havia prova nenhuma a não ser a palavra do meu irmão traidor e paranoico. Provavelmente não valeria de nada e eu duvidava seriamente que ele me deduraria, principalmente por causa de mamãe, que ainda se encontrava hospedada no palácio, embora eu não a visse muito.
Depois de tomar a decisão de não me importar com o idiota do Santaro foi fácil relaxar. Até eu lembrar da última conversa que tive com Draco.
–- Sophie – dissera ele, interrompendo um dos longos beijos que trocávamos. – Quero que você me escute agora.
Meu coração martelara contra o peito, descompassado, prevendo o pior. Olhei para ele já com uma súplica no olhar.
Ele notou.
–- Ah, Soph. Você sabe que é o melhor – sua voz trazia um traço de súplica também.
–- É o melhor ou o mais fácil pra você? – eu estava magoada. Não queria demonstrar isso, mas infelizmente minhas lágrimas traidoras me entregaram.
Ele secou meu rosto gentilmente com as costas da mão.
–- Não chore – ele estava claramente transtornado com minha reação. – Você sabe que é complicado. As pessoas vão julgar, olhar torto. Eu venho de uma família de Comensais. Eu fui um Comensal. E nós somos primos, além de tudo.
–- Draco, eu também sou de uma família de Comensais. De duas famílias das trevas, na verdade, caso você não lembre. E o fato de nós sermos primos é um problema menor – acrescentei não muito certa do que dizia.
Ele me olhou nos olhos, mais sério do que jamais o vira. Ele suspirou com o que viu.
–- Tudo bem, então. Vamos continuar nos encontrando – sua boca e seu rosto formaram uma careta de desgosto. Um bolo formou-se em minha garganta. Se ele não queria, por que não me dizia de uma vez? Era o que eu queria ter perguntado. Não tive coragem. – Mas nos encontraremos escondidos. Concorda?
Somente assenti com a cabeça uma vez, não confiando na minha voz.
Ele abraçou-me e aproveitei esse gesto para selar toda minha mágoa e insegurança dentro de mim. Nunca mais ninguém iria vê-los. Pelo menos enquanto eu pudesse aguentar.
Na banheira, sacudi a cabeça tentando me livrar das lembranças. Eu não queria mais pensar nisso, já havia tomado minha decisão. E iria segui-la.
Saí, me sequei, vesti meu pijama, que dessa vez consistia somente em uma antiga camiseta de malha, estampada com corações (irônico, não?), eu fui para a cama novamente, pegando um livro de feitiços no caminho. Eu teria que começar a aprender coisas úteis para o Torneio e o livro me pareceu um bom começo.
Havia lido apenas algumas páginas quando um enorme cansaço me acometeu. Olhei para fora, apenas começava a anoitecer, mas decidi que não queria falar com mais ninguém e o melhor jeito para que isso acontecesse era dormir.
Botei o livro de lado, levantei-me e joguei rapidamente todas as minhas coisas dentro da mala. Quando terminei já havia escurecido completamente, então deitei-me, acomodei minha cabeça no travesseiro e adormeci em menos tempo do que julgava ser possível.
Acordei cedo na manhã seguinte. Todas as outras meninas ainda dormiam, mas levantei-me, vesti o uniforme azul-claro da Academia e desci para tomar café da manhã com os outros, ignorando os pratos que já estavam dentro da mala.
Estava com uma torrada a meio caminho da boca quando Lola entrou no Grande Salão, procurando-me com o olhar. Acenei para ela. Assim que me viu, Lola abriu um sorriso e veio em minha direção. Bom, pelo menos alguém ficava feliz de verdade em me ver.
Ela sentou-se ao meu lado e começamos a falar de coisas banais, como fazíamos toda manhã, antes de tudo se complicar, pelo menos. Ela não me pediu o que havia acontecido no dia anterior, pelo que fui grata.
Após o café, dirigimo-nos à nossa primeira aula do dia: Técnicas de Adivinhação. Desperdício de tempo. E o resto da manhã decorreu normalmente. Normal até demais, principalmente depois de toda a agitação que minha vida se tornou.
Estava com medo de essa ser a calmaria antes da tempestade.
Fomos almoçar, despedi-me de Lola e deixei-me ficar sozinha no Grande Salão, para esperar a dita reunião dos campeões. Confesso que eu estava nervosa.
Às 13:45h comecei a me dirigir ao quarto andar, subindo lentamente as escadas em caracol que levavam aos diferentes níveis do palácio.
Chegando ao andar, virei à direita e parei em frente à segunda porta daquele corredor. A sala de aula de Feitiços e Feitiçarias. Respirei fundo, já com a mao na maçaneta e a abri.
Todos que eu já esperava estavam lá. Os diretores, o ministro e seus assistentes, a tão famosa e odiada repórter Rita Skeeter, um homem idoso e com aparência cansada que eu sabia tratar-se do Sr. Olivaras, um excelente fabricante de varinhas, que havia fabricado a minha própria, inclusive. Estavam também presentes os outros campeões, claro. Santaro olhou para mim com uma cara magoada. Por Merlin, agora eu teria que pedir desculpas? Decidi deixar pra lá, por enquanto.
E lá estava também...
Bom, não posso dizer que estava surpresa, afinal a situação já estava ficando ridícula de tanto que eu encontrava Potter e seu séquito. Isso estava destruindo o resto de meu autocontrole.
Mas havia também pessoas que eu não esperava que estariam lá. As famílias. Minha mãe.
Imediatamente sorri para ela, mas quando ela respondeu-me com um sorriso vacilante, imediatamente percebi que alguma coisa estava errada. Agora eu reparava também, todos pareciam concentrar-se somente em um lado da sala.
Não demorei muito para perceber o porquê.
No lado posto ao de todos, onde ninguém mais atrevia-se a ficar, encontravam-se Lúcio e Narcisa Malfoy. Com Draco entre eles, sorrindo constrangido e vacilante para mim.
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