Sophie: Filha De Traidores
14 Explosão
Notas iniciais
Fiquei paralisada à porta, totalmente sem ação, tamanha foi minha surpresa ao ver a família Malfoy ali.
Percebi, um pouco tardiamente, que na verdade todos estavam paralisados agora que eu havia achado a fonte de desconforto da sala e que tinha o olhar fixo nela.
O que, diabos, eles estão fazendo aqui?
Assim que pensei nisso, como se soubesse exatamente o que se passava em minha mente, Lúcio saiu do lado da mulher e do filho e aproximou-se de mim com os braços abertos e um sorriso estampado no rosto fino e pálido, emoldurado por seus longos cabelos quase brancos.
– Minha sobrinha! Que bom revê-la – sua voz soava animada de um jeito que não condizia em nada com as outras experiências que tive com ele.
Então ele aproximou-se mais e mais e me abraçou.
Sim, exatamente isso. Lúcio Malfoy, o Comensal da Morte, agora ex-seguidor de Lord Voldemort, o sanguinário, cruel, torturador e assassino Lúcio Malfoy estava abraçando-me. Logo eu. Que fazia parte do lado “traidor do sangue” da família.
Agora que ele estava perto o suficiente, mais do que eu gostaria, diga-se de passagem, eu podia ver mechas grisalhas em seus cabelos loiríssimos.
Mas foi somente nisso que cosegui reparar. Mesmo quando ele afastou-se um pouco de mim, a fim de olhar diretamente para meu rosto, imagino, não consegui fazer nada a não ser olhar dele para minha mãe e de volta para ele em absoluto choque.
Depois de me observar por mais um tempo, segurando-me pelos ombros à exata distância de seus braços esticados, falou em voz alta:
– Você tornou-se uma mocinha extremamente bela, Sophie. Puxou a beleza da família, é claro – ele deu uma risadinha. Eu corei. – Bom, mas vou parar de atrapalhar o andamento da reunião. Mais tarde falaremos – nisso ele afastou-se, indo para o lado de Narcisa e Draco, mas não sem antes dar-me uma piscadela.
Tudo bem, eu só podia estar ficando louca. Ou era o mundo cedendo espaço ao Caos de que os egípcios, nas histórias trouxas e bruxas também, tanto temiam. Sim, eu lia esse tipo de história. Era interessante, afinal, e eu sou meio sabe-tudo.
Bom, depois que Lúcio afastou-se de mim, lancei mais um olhar de incompreensão para minha mãe que, aparentemente, só podia me responder com um dar de ombros e olhos assombrados.
Eu, sinceramente, não acreditava em um milagre tão grande acontecendo tão de repente, principalmente vindo da pior parte da família Malfoy. Arquivei a questão para mais tarde.
– Tudo bem então – Kingsley Shacklebolt tomara a palavra, com sua voz grave e profunda, — o Sr. Olivaras aceitou gentilmente viajar para verificar se as varinhas dos campeões estão em perfeito estado de funcionamento. Então... bom, vamos em frente – dava para ver que ele hesitava com a presença dos ex-Comensais. Aparentemente decidiu seguir com tudo normalmente. Quão normal fosse possível.
– Comecemos então – disse o Sr. Olivaras, com sua voz frágil. Ele olhou para um pequeno pedaço de pergaminho com três nomes escritos nele. Não era difícil adivinhar quais eram. – Sr. Santaro Malfoy Black.
Santaro aproximou-se da mesa em que o velho fabricante de varinhas estava e, a um gesto deste, entregou-lhe a sua varinha.
– Hmm... essa é provavelmente uma das últimas varinhas fabricadas por Gregorovitch, suponho – ele olhou inquisitivamente para meu irmão que estava com um ar orgulhoso muito irritante. Ah, se eu pudesse ao menos chutar a bunda dele discretamente.
– Sim, é sim – superioridade impregnava cada sílaba que saiu de sua boca.
– É, eu reconheci o estilo dele. Bom. Espinheiro, núcleo de pelo de Kelpie, 32 centímetros. Rígida – ele então apontou para lugar nenhum e produziu fogos de artifício coloridos apenas com um aceno. Sorriu. – Perfeito estado. Muito bem cuidada.
Santaro sorriu enquanto afastava-se da mesa.
– Srta. Ginevra Molly Weasley – agora ele sorria mais amplamente. Estava claro que conhecia bem a família Weasley.
E eu ficaria por último na avaliação de varinhas. Típico.
A ruiva aproximou-se confiante da mesa.
– Claro, essa é uma das minhas – exclamou assim que pegou a varinha com suas mãos enrugadas. – Aveleira, núcleo contendo uma pena de fênix, 29 centímetros, levemente flexível – ele fez um floreio e um bonsai surgiu. – Excelente! – entregou a varinha e a planta para ela, que agradeceu em um murmúrio. – Agora... – ele analisou a lista – Srta. Sophie Malfoy Black.
Comecei a me aproximar lentamente da mesa.
– Espere.
Era Potter. Trinquei os dentes e fechei os olhos por um momento para me concentrar em não arrancar a cabeça de ninguém. Abri-os e, para meu pânico, eu vi que Potter agora convergia sua atenção para minha mãe.
– Sra. Black, tem uma coisa sobre sua filha que eu preciso contar...
Até Santaro olhava para Potter com espanto.
Eu não pensei. Apenas reagi. E explodi. Mas podia ter sido pior.
– Tarantallegra – minha voz estava calma quando apontei a varinha para os pés de Potter. Ele imediatamente passou a sapatear, mal conseguindo manter-se em pé.
Ele olhou para mim com raiva, enquanto suspendia minha azaração com apenas um gesto da varinha. Então ele a apontou para mim.
– Expelliarmus!
Tão óbvio, por Merlin.
– Impedimenta! – ele voou contra uma classe com a força do feitiço.
Levantou-se imediatamente. Agora seus olhos cintilavam com puro ódio. Eu não vacilei nem por um momento.
– Estupef...
Potter ia tentar me estuporar, sério?
Antes que ele pudesse completar as palavras mágicas, abaixei a varinha até mirar o chão, perto dos pés daquele idiota magrelo e gritei:
– Serpensotia! – imediatamente uma cobra negra ganhou forma a partir da ponta de minha varinha e saltou para perto dos pés de Potter, que ficou sem reação diante da surpresa.
Truque sujo? Possivelmente. Mas valia a pena somente por eu poder ver a cara que ele fez. Contive o riso com muito esforço.
Sim, Draco me contava algumas histórias de Hogwarts, devido a meus pedidos insistentes. O duelo deles no segundo ano, coincidentemente, foi uma delas. Era uma tentação muito grande para não repetir o feito. E além de tudo, era extremamente irônico. Eu não pude desperdiçar a chance.
– Saia – disse Potter. A palavra não fez efeito nenhum sobre a cobra. Ele tinha perdido o dom da ofidioglossia? Essa era novidade para mim.
Mas nem tanto para ele.
Potter olhou para Hermione Granger com perguntas estampadas no rosto, porém. Ela olhou preocupada para ele, mas de um jeito conformado, então apontou sua própria varinha para a cobra, ainda no chão, pronta para atacar e murmurou:
– Vipera Evanesca – e a cobra desfez-se em apenas uma fumaça negra.
Potter olhou para mim, mas não falou mais nada, somente se aproximou mais de seus amigos. Reparei então que todos na sala tinham se afastado de onde havíamos duelado para não serem atingidos. Encontrei o rosto de Draco enquanto passava os olhos pelo lugar. Ele claramente tentava não gargalhar.
– Uhum – um pigarro rompeu o silêncio que havia se imposto na sala. Era o Sr. Olivaras. – Posso verificar sua varinha, Srta. Black? – olhei sem entender por um momento, então me dirigi à mesa e entreguei a varinha ao idoso. – Hmm, essa é das minhas também. Abeto, núcleo de pelo de unicórnio, 27,3 centímetros. Surpreendentemente flexível. E quando ao funcionamento... bom, receio que qualquer varinha que derrote Harry Potter não precise ser testada quanto a isso – piscou para mim e sorriu, como se achasse graça.
Sorri também. Pelo jeito eu conquistara algumas pessoas com o pequeno duelo. Quem imaginaria uma coisa dessas? Eu ganhando fãs por derrotar o santo Potter?
Dessa vez, não consegui conter o riso.
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