Sophie: Filha De Traidores
15 Aposentos
Notas iniciais
Para alívio geral, não houve mais nenhum duelo.
Na verdade, o resto da reunião foi breve. Acho que ninguém queria testar a sorte ou provocar o destino mantendo a mim e a Potter no mesmo lugar por muito tempo.
Bom, eu não iria reclamar. Não sobre isso, pelo menos.
Meu maior motivo de reclamação era que, no fim de tudo, o que havia de tão importante para ser dito sobre a misteriosa primeira tarefa, era que ela ia continuar sendo tão misteriosa quanto antes. Não haveria nenhum tipo de pista sobre o que seria.
Ou seja, a reunião só serviu para me dar uma satisfação descomunal por pegar Potter de surpresa quando ele estava prestes a me delatar para minha mãe. E só. Chegava a ser quase perda total de tempo.
Então, depois de terem nos anunciado um nada muito frustrante e dito para nos prepararmos com todos os feitiços que pudéssemos aprender ou que já soubéssemos, fomos liberados.
Uau, quanta ajuda.
Estava saindo da sala rapidamente, querendo evitar a tudo e a todos, quando a professora Samantha apareceu bem na minha frente dando-me um susto. Soltei um gritinho ridículo.
Ela riu.
– Desculpe-me, Srta. Black – disse ela ainda com um sorriso. – Não era minha intenção assustá-la, mas precisava encontrá-la depressa. Tenho uns... assuntos. Para resolver. Mas antes preciso lhe mostrar seu novo quarto. Poderá ficar com ele até terminar seus estudos se... – ela parou de falar e seu sorriso sumiu. Parecia ligeiramente nervosa.
... Se eu sobrevivesse até lá. OK. Entendido. Hora de mudar de assunto.
– Ah, obrigada por me mostrar onde é meu novo quarto, professora – começamos a andar. – Eu vou ter privacidade mesmo? – era o que eu mais queria, não pode esconder a ansiedade em minha voz.
A professora sorriu novamente.
– Sim, inclusive terá sua própria senha de acesso, você a revelará para quem quiser ou para ninguém, o que eu particularmente recomendo – ela piscou para mim. Bom, isso podia ter diversos significados. Ela podia querer dizer que recomendaria isso por segurança, mas também para evitar, hã, quebrar algumas regras da escola. Mais algumas, aliás.
Bom, veremos.
Merlin, como eu estava me sentindo rebelde ultimamente.
– Chegamos – anunciou professora Samantha.
Estávamos no sétimo andar, no final do corredor à esquerda da escada. O corredor era tão circular que fazia parecer que estávamos em uma enorme torre, mas era só o formato que enganava. Era por isso que eu amava aquele andar. Era tão... lúdico e mágico.
O acesso à Torre Astronômica ficava no lado oposto do corredor, o que seria ótimo já que os alunos têm permissão para acessar a Torre, mesmo fora do horário de aula. Mesmo de noite. Por algum motivo, os professores acharam que assim os alunos poderiam estudar Astronomia sem que fosse uma obrigação, somente por diversão. Isso foi uma esperança vã, claro. A maior parte do corpo estudantil preferiria ter um lugar para festas. Mas mesmo assim essa norma da escola não havia sido revogada. Acho que os professores ainda esperavam por um milagre.
Por mim, podiam esperar por muito tempo. Estava ótimo do jeito que estava, somente eu indo quase todas as noites lá em cima para observar as estrelas e ter um pouco de paz.
Paramos na frente de uma porta entalhada, de madeira e detalhes dourados, com o brasão da Academia de Magia Beauxbatons. Duas varinhas cruzadas e, saindo de cada uma, um tiro de três estrelas.
O engraçado é que eu passara milhões de vezes por aquele mesmo corredor e tinha bastante certeza de que aquela porta nunca havia existido. Pelo menos até agora.
Olhei para a professora, esperando, já que a porta não tinha maçaneta nem nada que permitisse acesso de outro jeito que não fosse um feitiço muito poderoso ou, o modo mais simples, uma senha.
Ela estava distraída. Olhava preocupada para um ponto do corredor à nossa direita. Olhei também, mas devido a todo o andar ser circular, não se conseguia ver muito longe.
Por um momento achei que havia visto uma sombra movendo-se por uma das paredes, mas pisquei e a sombra sumiu. Devia ter sido minha imaginação.
Mas quando olhei para professora Samantha novamente, ela ainda estava encarando o mesmo lugar, agora com olhos estreitos e com os lábios franzidos. Imediatamente fiquei desconfiada.
Depois de mais um momento, quando comecei a realmente entrar em pânico e estava prestes a chamar a atenção de Samantha, ela sacudiu levemente a cabeça, como se acordasse de um transe e virou-se para mim, um sorriso nervoso espalhando-se por seu rosto.
– Ah, sim, sua senha. Para entrar no seu quarto pare diretamente em frente à porta e diga: Evanesca. E, sim, mudei a senha hoje, depois que a história da reunião espalhou-se pela escola – ela deu uma risadinha e eu não pude deixar de sorrir também, mesmo ainda estando tensa com aquela sombra estúpida. – Bom, vou deixar você apreciar seus novos aposentos enquanto eu resolvo alguns... – ela lançou um olhar para o ponto que estivera observando tão atentamente antes – problemas. Seus pertences já estão no quarto.
Virou-se rapidamente e saiu quase em disparada.
Tudo bem, agora eu estava tensa de verdade, mas decidi tentar esquecer o episódio. Duvidava que fosse conseguir.
Posicionei-me melhor em frente à porta.
– Evanesca.
A porta abriu-se, revelando uma escada em caracol que conduzia para cima. Uma torre. Imediatamente me animei.
Comecei a subir a escada, admirando as pessoas e paisagens que se mexiam, retratadas nos quadros presentes nas paredes. Havia janelas também. Gigantes. Deixavam tudo muito claro com a luz natural vinda de fora. Parei no meio da subida para olhar por uma delas. A vista era linda, isso que não podia negar, mesmo que odiasse a escola em si.
Vales, montanhas e florestas misturavam-se, formando um cenário incrível. Um rio serpenteava por entre as árvores. As fontes, flores e os caminhos de pedra do jardim da escola completavam a visão de sonho. Parecia uma espécie de paraíso.
Irônico? Muito.
Suspirei e continuei subindo os degraus.
Cheguei a uma porta no alto da escada, era igual à outra mais abaixo. Peguei na maçaneta e a abri.
Paralisei.
– Olá – disse a voz masculina. Um sorriso em seu rosto e outro em sua voz.
Fale com o autor