Sophie: Filha De Traidores
25 Preparação
Notas iniciais
Cinco dias haviam se passado desde o baile. Tudo estava correndo bem e eu nunca havia sido tão feliz.
Clichê, eu sei. Mas ainda assim verdadeiro, em parte.
Depois de explicar a situação para Miguel, no dia seguinte já que na noite do baile fiquei ocupada demais após a dança da realeza, Draco assumiu nosso namoro. Parecia um pequeno milagre e eu, com certeza, fui pega de surpresa com a proposta dele, mas, bom, eu não podia negar, podia? Apesar dos possíveis riscos que assomavam à frente de nosso relacionamento, eu resolvi assumir os riscos pela minha própria felicidade. Mesmo que ela fosse temporária.
Claro que ainda estávamos sendo foco de fofocas e da atenção da maior parte da escola. Por onde íamos, tínhamos olhares nos acompanhando, estando juntos ou separados. E é obvio que nem tudo estava às mil maravilhas, mesmo com tudo indo relativamente bem. Havia os pontos negros no foco de luz.
Minha mãe continuava desacordada. Nem mesmo haviam sido descobertos os motivos do estado dela. Alguns dos melhores curandeiros do mundo estavam a caminho da escola no momento. Mas enquanto eles não chegavam... havia a espera, a espera interminável e a esperança renovada a cada dia que, ao final dele, esmaecia, tal como a luz do sol.
Havia também uma preocupação menor, mas ainda assim válida. Uma data agora assomava em meu horizonte.
Finalmente havia sido divulgado o dia em que a primeira tarefa do Torneio Tribruxo seria realizada.
Dia primeiro de novembro, não havia nem um mês para preparação e eu quase não havia treinado. Contava somente com minhas habilidades de me sair bem de qualquer situação que fosse, como normalmente acontecia. E eu tinha minhas dúvidas se isso podia ser contado como habilidade ou simplesmente sorte. Ou os dois. A questão é... eu estava ficando sem tempo e seriamente preocupada com as consequências que meu desleixo poderia causar. Como uma talvez morte deliciosamente dolorosa.
Resumindo, eu estava começando a pirar.
Enlouquecer. Surtar. Morrer de preocupação.
Havia diversas maneiras de tentar explicar a situação psicológica em que me encontrava.
Falei isso para Lola e Hermione no café da manhã daquela quinta-feira.
– Você não pode ficar tão preocupada. Precisa relaxar e se concentrar no que precisa ser feito – Hermione disse. – Olha, sei que não é a melhor comparação do mundo pra você, mas o Harry também quase não treinou. Quase não se esforçou, e quando o fazia, era de última hora. E ele ganhou. Não nas melhores circunstâncias, é claro, foi uma época difícil, mas é só você se focar num objetivo.
– E qual seria meu objetivo principal?
Ela parou por um momento, depois abriu um meio sorriso e olhou para Lola, então de volta para mim.
– Aprender a não morrer?
Pisquei.
– Ótima sugestão – e abri um meio sorriso também. Humor negro, quem diria.
O dia passou em um borrão. As aulas foram normais, com os alunos de Hogwarts e Durmstrang acompanhando a maior parte delas. Incluindo membros da AD, claro.
No almoço encontrei-me de novo com Hermione e ela ofereceu-se gentilmente para me ajudar com o treinamento.
Fiquei curiosa e temerosa com a reação dos outros amigos dela. Os mais antigos, por assim dizer, afinal, eles também tinham uma campeã para apoiar.
Expressei minha dúvida quanto a ela me ajudar ser uma boa ideia. Ela descartou minhas preocupações.
– Gina é minha amiga, sim, mas ela ainda tem um namorado e um irmão que vão ajudá-la, então acho que posso dar um pouco de auxílio para você também. Rony provavelmente vai dizer que estou “confraternizando com o inimigo”, mas eu sempre achei que o Torneio servisse para isso, então não se preocupe. Eu lido com eles, já estou acostumada – virou-se para mim e deu um sorriso triste.
Sorri de volta e fui para minha aula, com as centenas de estudantes ao meu redor, de olhos fixos em mim.
Era noite. Eu praticamente não havia visto o dia passar. Depois de uma visita rápida à ala hospitalar para visitar minha mãe depois das aulas, fui para meu quarto preparar-me para o início do treinamento.
Os corredores não estavam totalmente vazios, ainda havia alguns estudantes indo de lá para cá, em direção à biblioteca ou ao Grande Salão para o jantar. Eu decidi
comer no quarto. Já havia recebido muita atenção por um só dia, era mais do que o suficiente para mim.
Caminhava lentamente, praticamente me arrastando. Eu estava preocupada e começava a me sentir um pouco mais infeliz a cada passo. Eu sempre soube que minha alegria contagiante pela reconciliação com Draco duraria pouco, mas não esperava que fosse tão pouco assim.
Sem perceber, no meio de meus devaneios, cheguei à porta de meu quarto. Falei a senha e subi, esperando Mi e Lola, que logo chegariam.
Peguei meu prato mágico, analisei-o, pensando no que pedir, só para então perceber que estava sem fome. Um enorme bolo de nervosismo e apreensão já preenchia meu estômago. Resolvi deitar na cama e me deixa relaxar sob a luz do luar que entrava pela parede de vidro. Então ouvi batidas na porta.
– Por favor, como se vocês duas não soubessem a senha – eu havia passado a senha de meu quarto para as meninas, a fim de não me incomodar em ir abrir porta alguma para elas, havia também passado a senha para... mais uma pessoa, — entrem logo!
Ouvi uma voz abafada e a porta destrancando-se, logo elas já apareciam no meu campo de visão, levantei-me lentamente da cama e olhei para elas.
– Então – disse Hermione, olhando antes para Lola, – vamos começar!
Apoiei-me em meus próprios pés no mesmo instante.
– O que vamos fazer? – Perguntei.
– Vamos começar pelo básico, para irmos aquecendo. Primeiro o feitiço do desarmamento. Isso vai ser importante.
Olhei cética para ela. Mi olhou-me de volta com um olhar divertido.
– Você parece com o pessoal da AD na primeira reunião – e riu.
Não pude deixar de a acompanhar.
– Tudo bem, tudo bem, vamos lá então.
Preparei minha varinha e...
Parei.
O sussurro, a porta se abrindo. Todas nós olhamos em direção ao topo da escada bem quando uma cabeleira loira apareceu.
Ele olhou para cima, sorriu de lado e disse:
– Posso ajudar vocês com isso?
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