Notas iniciais
Pessoas, obrigada pelos reviews liiindos, espero que gostem desse capítulo, eu sei que adorei escrevê-lo!

Era inacreditável a cara de pau e total falta de vergonha na cara de certas pessoas. Principalmente em meu irmão.

Um gosto amargo estava estagnado em minha boca, não querendo sair de jeito nenhum. Quanto mais eu tentava engoli-lo, mais amarga minha boca ficava. Eu imaginava faíscas de raiva saltando de meus olhos. Isso não deveria estar muito longe da realidade.

–- Eu me preocupei – a voz de Santaro estava dura como pedra, inflexível. – Você está bem?

–- Estou – minha voz soava entediada. Resultado de meu esforço sobre-humano de evitar xingá-lo de todas as coisas imagináveis que envolvessem palavrões.

Santaro somente olhou-me por um longo momento. Ele reparou na parte de cima de meu pijama. Decotado demais, com as alças de renda à mostra. Ele ergueu uma sobrancelha sugestivamente. Senti que estava corando, mas permaneci impassível, apenas ergui um pouco mais os cobertores, fazendo-os chegarem até o pescoço.

–- Reparei que você é bem íntima do Malfoy.

Estreitei meus olhos e suspirei, tentando conter um sibilo.

–- Ele é meu primo, convivemos desde a infância – falei agressivamente, voltando meu olhar para Potter, ele que havia feito o comentário. Será que até ele tinha que se meter na minha vida agora?

–- Pareciam muito mais que primos – falou agora categoricamente e com um tom de acusação na voz.

Hermione Granger deu um cutucão nas costas de Potter, ela estava com os olhos arregalados e temerosos. Não estava gostando da situação. Bom, eu certamente também não estava.

–- E o que exatamente você tem a ver com isso? – falei calmamente, somente demonstrando frieza enquanto tentava conter minha raiva homicida.

–- Tenho a ver porque Santaro é meu amigo e ele é seu irmão mais velho, preocupa-se com você. É hora de você, Sophie, ouvir a voz da razão: ele é um Comensal da Morte. Um assassino. Um seguidor de Lord Voldemort. Um...

–- Primeiro – interrompi seu discurso idiota antes que eu ficasse ainda mais tentado a matá-lo do que já estava, — ele era um Comensal da Morte, eles não existem mais. Segundo, ele não é, nem nunca foi, um assassino. TERCEIRO – alteei a voz, agora quase gritando, quando vi Potter abrindo a boca para me interromper, — Lord Voldemort está morto, então agora é cada um por si. Quem quiser ser mau, será mau

sozinho. Então guarde suas opiniões para si, principalmente porque só vejo um assassino real neste quarto – acrescentei venenosamente, esperando que ele entendesse o recado. Todos mexeram-se desconfortavelmente.

Ele entendeu. E ficou mais pálido que o normal, fazendo com que seus olhos verdes e sua cicatriz ficassem mais destacados ainda em seu rosto.

Todos os outros presentes pareciam vacilantes e assustados. Como se estivessem receosos de que a discussão fosse acabar em duelo.

–- Olha, você tem quase razão – dava para ver que Potter tentava controlar a voz para não surtar de vez. Granger pôs a mão em um dos ombros dele enquanto a garota Weasley colocava sua mão sobre o outro. – Mas ele tentou matar Alvo Dumbledore, portanto...

Eu sabia onde ele queria chegar. E o interrompi antes que chegasse lá.

–- Portanto... isso não o qualifica como assassino. Estou errada? Não. Não estou. Sinceramente, duvido que ele tivesse tido coragem de matar quem quer que fosse. Acredite, eu o conheço muito mais que você que só sabe julgá-lo, olhá-lo torto e acusá-lo de coisas que ele não fez – agora eu fazia questão de demonstrar meu ódio em cada palavra. Minha voz estava ferina. – Agora, se não se importam, minha noite foi cansativa por diferentes motivos, então... – indiquei a porta, deixando o recado subentendido, mas claro.

Desviei os olhos, pegando um dos pratos ao meu lado, esperando que eles saíssem logo.

–- Eu vi você – Santaro falou. Olhei para ele, pressentindo o pior. – Nos jardins. De madrugada, com Malfoy. Vi vocês se beijando pela janela do dormitório onde os alunos de Durmstrang estão dormindo. O que você tem na cabeça? Por que o beijou na calada da noite? Isso é uma indecência.

Tentei esconder meu pavor por ele ter nos visto, pavor que se originava principalmente por não saber o que ele pretendia fazer com essa informação, além da desculpa de me dar uma bronca. Apesar disso, decidi ser direta e definitiva.

–- Eu tenho a mesma coisa que você na cabeça, Santaro, um cérebro, mas diferentemente do seu, o meu é muito melhor desenvolvido – dei um sorriso torto enquanto vários membros da AD tentavam reprimir o riso. – E, meu querido, se eu quisesse transar longa e deliciosamente com Draco nas costas de um dragão em pleno voo, eu to teria feito. A boca é minha, o corpo é meu. Todas as partes – pisquei para ele maliciosamente. – E agora, se não se importam, eu realmente apreciaria se vocês me

deixassem sozinha para fantasiar mais cenas de sexo tórrido e selvagem com Draco – a essa declaração houve uma gargalhada, logo contida, e vários risos disfarçados como tosse e espirro e a mais variada quantidade de doenças. Engraçado, eu gostei dessas pessoas. Da maior parte delas pelo menos.

Para provocar ainda mais, levantei-me a fim de conduzi-los para a porta. Houve diversas exclamações masculinas de espanto e, notei com surpresa, desejo mal contido. Todos encaravam meu lindo pijama de cetim Victoria Secret’s: uma blusinha de alça de renda com decote em V, também rendado, mostrando um pouco da curva superior dos meus seios e um short, curtíssimo, que seria quase simples, tirando o fato de ter transparências laterais, também feitas com pedaços de renda.

Sorri candidamente para o olhar mais que surpreso de meu irmão e me encaminhei para onde eles estavam, conduzindo-os para fora, ainda sob os olhares desejosos dos rapazes.

Finalmente só restara Hermione Granger no quarto comigo, ela estava quase saindo porta afora quando virou-se para me olhar e deu-me um grande e iluminado sorriso. Ela claramente gostara da lição que eu dera em Santaro e Potter. Sorri de volta, percebendo que eu realmente tinha gostado dela. Talvez até nos tornássemos amigas. Então ela partiu atrás do resto do pessoal dela e eu fiquei sozinha.

Fechei a porta do dormitório ainda com o sorriso estampado em meu rosto. Eu estava adorando essa nova Sophie.

Notas finais
Gostaram? :3