Sophie: Filha De Traidores
17 Convites
Notas iniciais
Fui para a cama cedo.
Coloquei meu pijama de cetim e renda Victoria Secret’s de novo, depois de meu banho, sentindo o tecido em meus dedos, lembrando-me do dia em que tinha o comprado com minha mãe. Havíamos decidido ter um dia como trouxas, então fomos às compras. Rimos muito naquele dia. Um programa de mãe e filha. Sentia saudades daquele tempo, em que tudo era mais calmo.
Joguei-me na cama de costas e, pela primeira vez, reparei no teto. Era abobadado e enfeitiçado. Do mesmo jeito que o Salão Principal de Hogwarts. Sorri com isso. Eu podia ver o céu azul e as poucas nuvens que passavam por ele de tempos em tempos.
Finalmente parei para analisar o quarto.
Era no formato circular de que eu tanto gostava e metade do círculo que o formava era de vidro. Do chão ao teto.
A cama era de casal, com dossel.
Imaginei se era em um quarto como esse que princesas dormiam. Achava que sim.
Até o armário gigante era curvo para acompanhar a silhueta das paredes.
Alem de tudo, havia uma porta que levava ao banheiro e a parede de vidro, na verdade, uma parte dela, possuía uma passagem que se abria e levava a uma pequena varanda, com flores subindo por sua estrutura.
Era perfeito.
E foi analisando toda essa perfeição que peguei no sono.
Acordei quando era noite. Estava toda doída por ter me mantido na mesma posição Durante todo o tempo em que dormi.
Foi muito desorientador abrir os olhos e encontrar um céu estrelado logo acima de mim, mas logo consegui lembrar-me de onde estava, então a sensação não durou muito.
Ainda deitada do mesmo modo, revi meu sonho perturbadoramente real que envolvia certo par de olhos azuis-acinzentados e braços fortes abraçando-me...
Sacudi a cabeça e levantei-me. Surpreendentemente eu ainda estava com sono, mas tinha que comer algo antes de voltar para a terra dos sonhos.
Andei até onde deixara minha mala e peguei meus pratos encantados, levei-os até minha mesa de cabeceira e disse:
– Quiche lorraine – um dos pratos típicos franceses de que eu mais gostava surgiu no prato à minha frente.
Comi com vontade. Não havia notado como estava faminta até encher a boca com a primeira garfada (até os talheres haviam aparecido junto com a comida, isso sim havia sido uma surpresa).
Em questão de minutos eu já havia devorado tudo e me deitara novamente.
Um súbito e intenso cansaço arrasava cada parte de meu corpo. Acomodei-me em meu novo, macio e perfumado travesseiro e, rapidamente, fui tragada novamente para as sombras do sonhar.
Assim que abri os olhos vi que uma suave luz matinal inundava o quarto. Ainda era cedo, por isso fiz tudo com calma, começando por um banho longo e quente.
Por algum motivo eu sentia que esse seria mais um longo dia.
Saí do banho e vesti lentamente o uniforme, sem vontade alguma. Saia, blusa de manga curta, casaco leve. Eram familiares demais. Arrumei meu cabelo, passei um mínimo de maquiagem e desci para o café da manhã.
Surpreendentemente, apesar de ainda ser muito cedo, a maior parte dos estudantes e dos visitantes já estavam no Grande Salão.
Localizei Lola e me dirigi até onde ela estava. Fui barrada a meio caminho de lá.
– Hmm, oi – era um garoto da Durmstrang. Eu nunca havia falado com ele, mas suas feições eram familiares. Era colega de meu irmão, no último ano.
– Olá – fui obrigada a dizer depois de algum tempo em silêncio. Ele parecia nervoso, então tentei ser agradável, apesar de meu mau-humor inexplicável.
Tudo bem, talvez tivesse uma explicação.
– Então... – ele hesitou, mas então continuou esperançoso – você quer ir ao baile comigo?
Bom, por essa eu não esperava. Para ser bem sincera, eu nem me lembrava mais do baile. Faltava menos de uma semana agora e eu ainda não tinha par.
Passei a analisá-lo. Eu não o conhecia e ele era colega de meu irmão. Era bonito? Sim. Mas estava tão nervoso que as palmas de suas mãos brilhavam de suor, assim como seu rosto.
Tentei me imaginar dançando com ele. Não consegui.
– Oh, desculpe-me, mas eu já tenho um par, quem sabe na próxima – imediatamente me senti culpada por dispensá-lo com uma desculpa dessas, principalmente porque ele ficou vermelho como um berrador. Afastei minha culpa. Eu já tinha coisas demais com o que me preocupar.
– Ah, tudo bem, quem sabe... – ele não olhou para mim quando disse isso e saiu tropeçando.
Voltei a caminhar de encontro a Lola, mas logo fui parada novamente, mas dessa vez reconheci quem era.
– Olá – ele sorria confiante. Curvou-se levemente para mim. – Sou Miguel Corner. Sabe, do... – ele iria mesmo dizer que era do grupo de Potter para mim? – da Armada de Dumbledore. Queria saber se eu poderia ter a honra de levá-la ao baile.
Bom, por que não? Ele era simpático e bonito, tivera a coragem de vir falar comigo, que não gostava nada de seu, digamos, “pseudo-líder”, Potter. Fora gentil e educado.
Olhei rapidamente ao redor. Potter estava ali por perto com o restante de seu grupo e com Santaro. Todos nos olhavam.
Lola também estava observando e sorria largamente devido ao acontecimento.
Mas foi quando olhei para trás que tomei minha decisão. Draco estava ali, suas mãos amassando e torturando um pedaço de pergaminho qualquer, em branco, pelo que podia ver. Ele olhou para mim com chamas furiosas no lugar das íris. Praticamente dava para sentir ele tentando incendiar Corner somente encarando-o.
Sorri tranquilamente. Virei-me para a frente e respondi ao garoto que ainda estava ali, aguardando.
– Como eu poderia negar um pedido desses? – falei alto o bastante para todos a nossa volta ouvirem.
Ouvi um pergaminho sendo rasgado. Pobre pergaminho.
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