Sophie: Filha De Traidores
18 Momentos
Notas iniciais
Finalmente consegui sentar ao lado de Lola para o café da manhã. Ela virou-se totalmente no banco para olhar de frente para mim. Um sorriso de orelha a orelha preenchia seu rosto.
– O que, diabos, foi isso? – ela então começa a rir.
Ouvindo sua risada cristalina e claramente verdadeira, começo a rir junto. Nossa crise dura um bom tempo.
Quando finalmente consigo parar, digo, ainda ofegante:
– Não vou nem fazer comentários. Veremos no que vai dar – e dou de ombros casualmente.
– Ele é ex-namorado da Gina.
Olho para o lado. Hermione Granger está ali, sentando-se no banco junto a mim.
– Quem? – é o que pergunto, tentando fingir que não é anormal a melhor amiga de meu quase-pior-inimigo estar sentada a meu lado.
– Miguel Corner – ela me encarou, sorrindo. – Ele foi namorado da Gina no quarto ano dela. Isso foi bem antes dela começar a namorar Harry, claro. O outro ex dela ia convidar você também, Dino Thomas, mas Miguel chegou na frente – ela riu com vontade.
Eu sorri.
– Bom, obrigada pela informação. Espero que essa Gina não termine com Potter até o próximo baile. Não sei bem o que faria se ele me convidasse.
Hermione riu mais ainda.
– Se você o transformasse em uma vassoura ou em uma doninha eu confesso que iria rir muito – agora ela gargalhava, imaginando a cena.
Lola, que escutava atentamente a conversa, e eu a acompanhamos. Era realmente muito fácil gostar dela.
– É, mas acho que eu arranjaria mais problemas que satisfação por fazer isso – continuei rindo. A sensação era boa e fazia muito tempo que eu não a sentia assim.
– Provavelmente, mas no fundo valeria a pena para você – conclui Hermione, piscando para mim.
– Provavelmente – admito. Seria hilariante.
Quem diria que a “sangue-ruim Granger” seria tão legal. Depois que tudo o que Draco havia me falado sobre ela passei a achar que fosse um tipo de monstro com sete
olhos, três cabeças e bocas que cuspiam fogo, como um dragão. Fiquei imaginando se, no fundo, Draco gostava dela, como amiga ou algo mais, mas não queria admitir.
Eu apostava que sim. O conhecia muito bem.
Outra questão arquivada para mais tarde.
Começo a comer, antes que fique sem nada no estômago até a hora do almoço novamente.
– Então, por que Gina e Miguel terminaram? – pergunto casualmente. Na verdade, não estou muito interessada, mas quero manter uma conversa com Hermione.
– Ah, eles não eram compatíveis, — sarcasmo impregnou a palavra e eu senti ela revirando os olhos – então Gina terminou com ele. Eu não lembro muito bem nem deles juntos, nem deles terminando. Foi um ano letivo complicado aquele. Primeiro Umbridge, nós formamos a Armada de Dumbledore por causa do Ministério que decidiu demonstrar o quão idiota era. Hagrid com o irmãozinho gigante dele, Grope. E então a nossa invasão ao próprio Ministério da Magia, Voldemort aparecendo lá e Sirius... – ela olha para mim rapidamente ao dizer isso. Infelizmente acho que não consegui esconder a dor e o choque com rapidez o suficiente.
Lola também havia notado. Eu quase pude ouvir os ossos de seu pescoço estralando perigosamente quando ela virou sua cabeça com rapidez espantosa para mim.
Olhei para meu prato e passei a comer minhas panquecas em silêncio.
– Sophie, — era Hermione quem falava – eu realmente sinto muito sobre Sirius. Nós gostávamos... gostamos muito dele. Acredite, ninguém ficou bem depois que ele se foi. Claro, a família deve ter ficado pior, ficou pior, — acrescentou ela quando viu que eu abria a boca para protestar – mas nós também não ficamos bem. Você sabe como Harry, Rony e eu conhecemos seu pai?
Fiz que não com a cabeça, sem confiar em minha voz.
– Nós estávamos no terceiro ano, Sirius havia fugido de Azkaban e todos procuravam por ele conhecendo-o apenas como um assassino cruel, seguidor fiel de Voldemort. Ele já havia invadido o dormitório dos garotos – apontou a cabeça para o grupo em que Potter estava – e dera um baita susto em todos. Eram dias tensos, achávamos que ele queria matar Harry. Mas então ele apareceu em forma de cachorro nos terrenos da escola e levou Rony arrastado pelo tornozelo até a Casa dos Gritos, onde descobrimos que Pedro Pettigrew estava vivo e que Sirius era inocente. Mas ele acabou sendo capturado pelos dementadores e ninguém costuma acreditar em estudantes de 13 anos...
Ela tinha os olhos voltados para o passado. Fez uma pausa como se estivesse relembrando dos detalhes daquele tempo e então continuou:
– Eu tinha um vira-tempo... dado a mim pela Professora McGonagall no início daquele ano letivo para que eu pudesse acompanhar todas as minhas aulas. Dumbledore sugeriu que Harry e eu o usássemos para salvar Bicuço, o hipogrifo hoje conhecido como Asafugaz – ela parou, virou-se para mim e sorriu torto. – Longa história. Mas, bom, o que você precisa saber é que Harry e eu, Rony estava muito mal para nos acompanhar, voamos com Bicuço até a janela da sala em que Dumbledore nos disse que Sirius estaria preso, prestes a receber o beijo do dementador. Explodi a janela e resgatamos Sirius.
Ela encerrou a história displicentemente, quase como se não se importasse, mas eu percebi que, no fundo, ela estava arrasada por eles terem tido tanto esforço para depois vê-lo praticamente desperdiçado. Percebia a tristeza em sua voz apesar de saber que ela considerava meu pai irresponsável, sabia disso tudo assim como eu sabia que havia herdado esse traço da personalidade dele.
Como eu sentia-me naquele momento? Apenas chocada demais para falar qualquer coisa.
Potter havia salvado meu pai?
Então todos os pensamentos foram varridos de minha mente quando o Grande Salão foi invadido por figuras encapuzadas, com longos mantos pretos. Varinhas empunhadas, apontadas em minha direção.
Cobrindo seus rostos, máscaras idênticas àquelas usadas por anos pelos Comensais da Morte.
Senti o pânico se formando ao meu redor. E em mim.
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