Notas iniciais
Ooooooi, finalmente postando o/ Espero que gostem desse capítulo. E a todos os que estão acompanhando e que favoritaram um meeega obrigada! Aah, e Reeks, obrigada pela linda recomendação :3

Eu estava arrumando-me para o baile, lenta e deliberadamente, com os pensamentos voando longe.

Mais especificamente, voando para um dos possivelmente piores dias de minha vida.

O dia do ataque à escola.

Revi-me cruzando lentamente a porta de entrada da ala hospitalar.

Tinha medo de descobrir a verdade. Descobrir o que minha mãe estava fazendo naquele lugar, naquela maca rodeada de gente.

Percebi vagamente os contornos de uma pequena família de três pessoas, ligeiramente mais afastadas do centro da comoção. Duas delas com o cabelo loiro, quase branco. Não dei atenção a elas.

Todos ouviram a movimentação de pessoas chegando e viraram-se para ver quem era. Quando viram-me, o silêncio que já era profundo, passou a ser mortal. Quase fúnebre.

Santaro levantou-se e andou até mim.

Algo em meus olhos deve ter revelado o quão assustada eu estava. Ele abraçou-me como se eu ainda fosse criança, encostou sua boca em meu ouvido e sussurrou, para mais ninguém ouvir.

– Ela está desacordada. Ninguém sabe o que aconteceu. Estão tentando reanimá-la.

– Mas ela está tão pálida, Santaro. E se... – minha voz não passava de um suspiro e, no fim, falhou e morreu, impedindo-me de pronunciar as palavras que me davam tanto medo.

Santaro abraçou-me ainda mais forte.

– Eles vão dar um jeito.

Então me soltou e eu aproximei-me de minha mãe.

Sacudi a cabeça para voltar com meus pensamentos ao presente. Eu havia passado muito tempo ao lado daquela maca durante os dias anteriores. Ninguém havia descoberto a causa nem a cura do coma de minha mãe, portanto ela continuava lá. Desacordada. Sem sinais de melhora ou piora. Era como se apenas existisse por existir, sem ter reação, ou ação, alguma a não ser os batimentos cardíacos e a respiração constante.

E cá estava eu, arrumando-me para o baile. Eu não queria ir, mas tanto Santaro, quando Lola, Hermione e até a professora Samantha, haviam insistido. Todos usaram o mesmo argumento: eu era campeã por Beauxbatons, não poderia faltar ao primeiro evento oficial relacionado ao Torneio Tribruxo.

No fim, eu cedi a todos. Até mesmo a Cristal, que estava me azucrinando por eu realmente ter pensado em deixar um gato como Miguel Corner na mão, sem par em cima da hora. Palavras dela.

Agora eu olhava-me no espelho de corpo inteiro de meu quarto. Meus cabelos estavam levemente mais cacheados que o normal, mas ainda soltos e assim ficariam. Eu só havia prendido a parte da frente de meu cabelo para trás e colocado uma presilha, que imitava uma tiara de princesa, meio de lado, quase no centro de minha cabeça.

Minha maquiagem era leve. Rímel e delineador, ressaltando meus olhos claros. Pouquíssimo blush para quebrar minimamente minha palidez natural. O batom, em compensação, era vermelho vivo, fazendo com que meus lábios cheios ficassem em evidência.

Meus olhos foram descendo pela imagem no espelho. Passaram pelo colar que pendia de um pescoço gracioso que mal reconhecia como o meu próprio.

O colar fora um presente de minha mãe e repousava suavemente logo abaixo do pequeno V que se formava abaixo do pescoço. O pequeno pingente de ouro, o conhecido triãngulo com um círculo e uma reta em seu interior destacava-se em minha pele branca e nua. O símbolo das Relíquias da Morte, a lenda que meu pai tanto gostava.

Desci mais um pouco o olhar, passando para a parte de cima do vestido. Uma imitação de espartilho com mangas curtas de renda. O fecho era na frente, com amarrações e não zíper ou botões, e deixava entrever uma parte de minha pelo e uma leve curva de meus seios.

A parte de baixo do vestido era uma saia longa, muito ampla, com babados de tule irregulares que se espalhavam por toda a sua extensão. Pequenas pedras brilhantes douradas encontravam-se espaçadamente bordadas nesses babados, parecendo estrelas pontuando o negro do vestido. Assim eram também meus sapatos de salto alto e bico arredondado, que mal de viam por causa do comprimento da saia.

Dirigi meus olhos, então, para minhas mãos, cobertas por luvas de renda preta que iam até pouco acima do cotovelo.

Eu estava toda de negro. Por dentro e por fora.

Afastei-me um pouco do espelho, tentando enxergar-me num todo.

Eu parecia uma princesa gótica. As únicas cores alem do preto eram o vermelho de meu batom, o azul de meus olhos e o dourado de meu colar, tiara e as pedrinhas em meu sapato e vestido.

Meus longos cabelos reluziam com a luz vinda das velas acesas no quarto.

Bom, pensei, chega de enrolar, está na hora de descer.

Então encaminhei-me para o Grande Salão.

Havia muita gente na sala onde os campeões e seus pares deveriam encontrar-se antes de dar início ao baile.

Familiares, professores e amigos esgueiravam-se de um lado para o outro por ali, ajeitando cabelos, retocando maquiagem, dando opiniões e ajustando vestidos e trajes a rigor.

Todos já estavam ali, inclusive Miguel. Quis ir direto para ele, para acabar logo com os cumprimentos e para que fôssemos logo à parte do baile em si. Mas não pude.

Assim que terminei de abrir a porta simples que abria passagem à sala atrás do Grande Salão, todos pararam o que faziam e encararam-me de boca aberta e olhos arregalados. Até Santaro parecia surpreso, mas veio até mim, abraçou-me delicadamente, como se eu fosse de porcelana, enquanto todos ainda olhavam, depois afastou-se levemente e declarou:

– Você está divinamente maravilhosa – sua voz estava embargada, mas também carregada de orgulho.

Eu me senti feliz por ter vestido o traje que passara a apelidar de “princesa gótica vai ao baile”, isso proporcionou que ainda agíssemos como irmãos de novo, como vinha acontecendo desde o ataque alguns dias atrás.

Sorri para ele.

– Obrigada.

Ele sorriu de volta e afastou-se, oferecendo o braço a Cho Chang, seu par para o baile.

Então Miguel aproximou-se de mim, irradiando alegria.

– Ele tem razão, você está magnífica.

Apenas sorri e enganchei meu braço ao que ele oferecia a mim. Quando eu estava prestes a agradecer, fui interrompida pela professora Samantha.

– Muito bem, campeões, hora de entrar e dar início ao baile.

Ela então abriu as portas duplas que conduziam ao Salão, nós nos enfileiramos, com garotas à direita e garotos à esquerda, e entramos para abrir o primeiro baile de minha vida.

Notas finais
Então, o que acharam??? :3