Sono Te Hanasanaide
58 Especial de Natal - Parte 1
Notas iniciais
Juunen-go no hachigatsu mata
Eu tenho certeza que nos encontraremos de novo
Deaeru no wo shinjite
Em outro agosto daqui a dez anos
Saikou no omoide wo
Porque aquelas foram minhas melhores memórias
Sono Te Hanasanaide
Especiais
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Parte I
— Vem, Shuu-chan! Olha só, essa é a Natsume, lembra dela? Você tem que brincar direitinho com ela, certo?
O garoto pequeno, que não devia ter mais do que 5 anos, tinha os cabelos castanho-avermelhados na altura do queixo, completamente revoltos e apontando para todos os lados. Olhava com curiosidade para a garotinha pequena, de cabelos escuros amarrados em duas marias-chiquinhas baixas, que se escondia entre as pernas da mãe. A garotinha o espiou, e, quando notou o olhar dele em cima dela, mostrou a língua. Naquele momento, Shuuhei decidiu que não iria gostar dela.
As duas mães das crianças eram amigas de longa data, e sempre moraram naquela vizinhança. Quando Natsume tinha apenas 3 anos de idade, seus pais se separaram, e ela passou um tempo morando somente com seu pai e sua avó, mas agora havia retornado para viver com a mãe, na mesma casa onde vivera antes. Mesmo que pouco mais de um ano tivesse se passado, obviamente, ela não lembrava do garotinho que morava na casa ao lado.
O pai de Shuuhei tinha uma padaria, e como tanto a senhora Asahina quanto a senhora Sunohara gostavam muito de se encontrar para conversar, a convivência entre Natsume e Shuuhei acabou se tornando rotineira. Eles se acostumaram com a presença um do outro, e logo Shuuhei julgou que a garota, que gostava muito de conversar com os adultos, e sempre sorria para eles, mas olhava para ele com uma carranca, talvez fosse merecedora de olhar sua coleção de insetos.
Depois disso, ele a ensinou a catar os tais insetos no jardim. E então, finalmente, permitiu que ela o acompanhasse até o parque onde ele brincava com seus outros amigos. Seria a primeira vez que uma garota se uniria ao grupo da rua, mas ela estava muito confiante de que se daria bem.
Shuuhei não gostava de garotas — elas eram estridentes, não gostavam de se sujar, e não faziam nada além de sentar em rodinhas para brincar com suas bonecas, que graça havia nisso? Mas tinha que admitir, Natsume não era assim. Sempre que iam jogar bola na rua, ela conseguia jogar tão bem como qualquer um dos meninos, e até melhor que eles, mesmo que dissessem que pegavam mais leve com ela porque era menina, o que nem era verdade. Ela não chorava quando perdia, não fugia quando a desafiavam e era muito mais inteligente que todos aqueles palermas da rua juntos. Shuuhei entendeu que, apesar de ser uma garota, ele podia gostar dela. E os dois se tornaram inseparáveis.
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Era manhã de Natal, e a neve que caíra durante a noite se acumulou até formar uma generosa camada branca que cobria toda a rua. Quando acordou, Shuuhei correu para a janela, e, ao ver aquele cenário inteiramente alvo, comemorou. Era o que ele estava esperando.
Principalmente porque o seu desejo de Natal havia sido atendido, e ele recebeu exatamente o que havia pedido de presente. Um pequeno trenó de madeira, que foi entregue a ele naquela mesma manhã, e não poderia haver um cenário mais perfeito para estreá-lo.
Queria sair imediatamente de casa, mas sua mãe ainda o obrigou a tomar café da manhã e se agasalhar muito bem antes de sequer pensar em ir para o lado de fora. Ele não gostava disso, mas sabia que, se não quisesse ficar de castigo, tinha que obedecer a sua mãe. E ele certamente não se arriscaria a ficar em casa naquela manhã perfeita, com toda aquela neve só esperando por ele.
Então, tão logo recebeu a permissão da mãe, o pequeno garoto saiu correndo direto para a casa ao lado, puxando desajeitadamente o trenó por uma corda, e abrindo o portão sem cerimônia. Repousou o seu presente no chão e apertou a campainha apressadamente com a mão enluvada. Logo a porta foi aberta por uma jovem senhora de cabelos escuros e curtos, que sorriu ao ver o garotinho, que tinha o nariz vermelho por causa do frio e os cabelos revoltos escapando pelos lados da touca de lã vermelha. Nem precisava dizer nada, pois ela sabia exatamente o que ele viera fazer ali.
— Bom dia, tia. A Natsume pode brincar? — Ele perguntou, ainda recuperando o fôlego depois da breve corrida. Ele dizia aquela mesma frase há anos. Viu a amiga descendo as escadas, também agasalhada ao ponto de quase não poder se mover.
— Ela já estava se preparando para isso. Parece que vocês dois têm planos para o dia de neve?
— Sim! Nós vamos estrear o presente que eu ganhei. — Ele ergueu o trenó do chão, sorrindo abertamente. Os olhos de Natsume brilharam, lá atrás, e ela correu para a frente, animada, sentando no pequeno degrau do hall de entrada para vestir as suas galochas.
— Tomem cuidado, por favor… — A mãe de Natsume alertou. — Não desçam de tão alto, entendido?
— Nós vamos cuidar, mãe. — Natsume afirmou, erguendo-se e indo para o lado de Shuuhei. — Temos que aproveitar antes que a neve derreta!
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Os dois seguiram juntos até a praça onde costumavam brincar. Ela estava, como todo o resto, inteiramente coberta por uma camada de neve — e das árvores ao redor, das quais não havia nada além de galhos vazios, pendiam pingentes de gelo, que os dois perderam alguns minutos a admirar.
Os brinquedos também estavam congelados, e não havia possibilidade de utilizá-los por enquanto, mas não era por isso que eles haviam ido até ali. A rua logo ao lado era uma descida íngreme, e que geralmente era bastante cansativa de subir, mas que agora parecia um gigante escorregador branco e convidativo.
O plano deles era bem evidente.
Shuuhei posicionou o trenó bem no meio da rua, e os dois fizeram jokenpô para ver quem ia primeiro. Deu empate três vezes seguidas, e então, uma ideia infalível surgiu para o garoto.
— Vamos juntos!
Claro, o que podia dar errado?
Shuuhei ainda era o dono do trenó e podia ir na frente, então Natsume se acomodou logo atrás dele, segurando-se no capuz do casaco do menino, enquanto ele se preparava, do topo da rua, para a emocionante descida. Os dois contaram juntos. 3… 2…
— UM! — Shuuhei não esperou nem um segundo a mais para tomar impulso com os pés, e os dois se tornaram borrões descendo a ladeira. Ambos fecharam os olhos com força ao sentir o vento frio bater em seu rosto, e, antes que pudessem perceber qualquer coisa ou sequer apreciar a sensação, o trenó derrapou em algo, e girou de uma forma inesperada. Os dois desceram o que restava da rua rolando de forma dramática, e caindo como dois montes inertes na neve macia, enquanto o trenó continuava seu caminho sem eles.
Shuuhei se levantou com dificuldade devido a quantidade de roupas que usava, e virou-se imediatamente para Natsume, que tentava girar seu corpo parecendo uma tartaruguinha que havia sido colocada de casco para baixo.
— Você está bem?
— Me ajuda, Shuu-chan! — Ela replicou, erguendo os braços e agitando os dedos para que ele entendesse a sua dificuldade. Ele a puxou para que ficasse de pé novamente, e Natsume se apoiou no braço dele, o rosto oculto pelos cabelos longos, e os ombros tremendo.
“Ai, droga, ela se machucou…” Ele logo ficou pálido, assustado com a perspectiva. Porém, o som que ouviu fez a sua breve preocupação logo evaporar. A garota ria alto, e quando ergueu o rosto novamente, exibia um enorme sorriso, com os olhos azulados brilhando em excitamento.
— Vamos de novo!
Ele não pôde evitar rir junto com ela, enquanto comparavam quem havia sido arremessado mais longe na descida. No entanto, se queriam descer novamente a rua, teriam que encontrar o trenó, e ele não parecia estar em nenhum lugar por perto. Não era possível que tivesse deslizado para tão longe assim.
Os dois andaram mais um pouco pela rua de baixo. Não havia muitas pessoas por ali, e as casas ainda estavam fechadas, afinal, pessoas que precisavam trabalhar já teriam saído muito mais cedo, e quem iria querer ir para o lado de fora por vontade própria em uma manhã gelada e coberta de neve como aquela?
Inesperadamente, eles ouviram vozes próximas. Shuuhei passou a frente de Natsume, e, ao avançar um pouco mais, percebeu um grupo de três garotos um pouco mais velhos escondidos no espaço entre duas casas, onde não havia tanta neve, que riam e falavam alto. Ele não precisou olhar por muito tempo para perceber que eles estavam com o seu trenó.
— Shuu-chan, acho que eu vou chamar a sua mãe… — Natsume sugeriu. Era bem evidente para ela que eles não iriam entregar o trenó para ele facilmente, e Shuuhei não conseguia brigar nem com ela, quanto mais com três pivetes mais velhos.
— Não precisa, eu vou resolver isso. — Ele sorriu confiante para ela, parecendo muito resolvido. Natsume tentou argumentar, mas, antes que pudesse, ele já havia caminhado para perto da calçada, então ela foi junto. — Oi, esse trenó é meu, vocês podem me devolver?
As risadas pararam de imediato, quando eles notaram as duas crianças pequenas que se aproximavam.
— Quem é você? — Um dos garotos respondeu a pergunta com outra pergunta, rindo de um jeito que Natsume não gostou. Ele era o mais alto dos três, e tinha o cabelo preto arrepiado para cima. O que estava com o trenó era careca e bem magro, e o outro era mais gordo e tinha os cabelos até os ombros, com uma touca preta por cima. Eles deviam ter onze ou doze anos. Ou seja, eram mais velhos.
— Eu moro na rua de cima… — Shuuhei apontou. — E a gente estava andando de trenó e caímos aqui. Será que você pode…
— Se vocês são da rua de cima, então deviam estar na rua de cima. — O gordinho de touca desafiou, cruzando os braços. — A gente achou o trenó na rua, não foi?
— É isso aí. — O careca confirmou. — Não tem nada aqui dizendo que ele é seu.
— Mas eu ganhei de Natal. — Shuuhei respondeu.
— Você está dizendo que eu roubei ele de você? — O garoto mais alto se aproximou, inclinando-se até ficar na altura de Shuuhei para encará-lo. Natsume segurou no braço de Shuuhei, não gostando nada daquilo.
— Não, eu não disse isso, é só que…
— Então eu achei o trenó, e agora ele é meu, tá entendendo?
— Dá o fora, moleque!
— Não! — Shuuhei não pensou duas vezes e soltou-se de Natsume, correndo na direção do garoto que estava com seu trenó. Foi agarrado pelo capuz do casaco no meio do caminho, e jogado novamente na neve.
Natsume assistiu a tudo, chocada, e enfureceu-se. Eles iam bater no seu amigo! Ela não ia deixar isso acontecer. Pulou no garoto no momento em que ele se voltava para Shuuhei, segurando-o pelo braço e impedindo-o de caminhar. Os outros dois garotos deixaram o trenó para trás para tentar ajudá-lo, mas ele apenas se chacoalhou, forçando a garotinha a soltá-lo. Ela foi jogada para longe, e tropeçou até cair na calçada atrás dele.
Os três garotos paralisaram, ao perceber que a garota não se movia. Ela se ergueu com dificuldade, e permaneceu sentada no chão. Fitou os três idiotas perplexos. Olhou para Shuuhei, que ainda estava no chão, e a encarava. E então, começou a chorar alto. Muito, muito alto.
— Faz ela parar! Alguém vai aparecer! — O garoto mais alto mandou, e o careca se aproximou de Natsume, cuidadoso, tapando os ouvidos para abafar os gritos histéricos da menina.
— Você não se machucou, não é, garotinha? — Ele baixou a voz, tentando parecer tranquilizador.
— Mãaaeee!!!!! — Ela gritou ainda mais alto, fazendo o garoto se afastar com um salto para longe.
Uma janela se abriu no segundo andar da casa do outro lado da rua. Os três garotos sobressaltaram, e saíram correndo o mais rápido que podiam dali, tropeçando nos próprios pés pelo caminho. Shuuhei se ergueu de qualquer jeito para ir para o lado de Natsume, e se aproximou a tempo de ver a expressão dela se contorcer, indo do choro desesperado diretamente para uma gargalhada divertida, assim que os viu virar a esquina lá longe.
— Eu não acredito que eles caíram nessa. — Ele balançou a cabeça, rindo também. Eles ainda haviam deixado para trás o trenó, o que já era considerado uma vitória absoluta na sua concepção.
— Eu sei ser convincente. — Ela respondeu com confiança, e foi tomar impulso para levantar, mas acabou caindo sentada novamente, com um semblante de dor. — Hm.. Shuu-chan… Me dá uma ajudinha aqui…
— O que houve? — Shuuhei havia ido até o trenó, e o arrastara de volta para perto de Natsume. Ela massageava o tornozelo por cima das botas de borracha. — Você torceu o pé?
— Acho que cai de mau jeito… — Ela deu de ombros, tentando disfarçar e parecer bem apesar disso, embora Shuuhei já tivesse percebido que devia doer mais do que ela demonstrava. — Só me ajuda a levantar, acho que consigo caminhar.
— Vem. — Ele virou de costas para ela, com os braços para trás, evidentemente oferecendo uma carona. — Você não vai conseguir andar, só vai doer mais…
— Não vou ir nas suas costas! — Ela protestou, indignada. — Eu posso ir sentada no trenó, então, e você me puxa.
— Não vai dar pra subir a ladeira desse jeito, você vai acabar caindo. Vamos lá, é só subir. — Ele insistiu. Natsume era tão teimosa, por que ela não aceitava logo a ajuda e acabava logo com isso? Se bem que… Ele nem queria ver a cara das mães deles dois quando ela chegasse em casa com o pé machucado. Claro que não planejava contar sobre como quase perdeu seu presente de Natal pra outros garotos nos primeiros dez minutos de uso, mas não teria como esconder aquela parte da história.
— Você não vai conseguir me carregar!
— Claro que vou! Eu finalmente fiquei mais alto que você esse ano! — Ele replicou.
— Mas e o trenó…? — Ela ainda tentou insistir, embora já imaginasse que Shuuhei não mudaria de ideia por nada. Ele sabia muito bem ser teimoso também quando queria.
— Eu vou arrastando ele pela corda. Agora, sobe logo e vamos. Tá frio e você tá sentada no chão gelado... — Como o menino não costumava ser tão determinado, Natsume se viu sem opções, e acabou aceitando.
Inclinou-se para a frente e o abraçou pelo pescoço, deixando que ele segurasse suas pernas, e, com alguma dificuldade, conseguisse se erguer. Ele levou alguns segundos para se equilibrar, e, como já segurava a corda do trenó, começou a andar vagarosamente, um passo de cada vez.
— Tem certeza de que vai conseguir subir a rua comigo e o trenó…? Não é melhor pedir ajuda…? — Ela podia perceber claramente que não estava sendo nada fácil carregá-la, mas Shuuhei não parecia disposto a desistir.
— Eu tenho certeza! Eu consigo. — Ele bradou de volta, sem hesitar. Natsume sobressaltou.
— Por que está tão irritado? — A culpa não é minha, sabe? Ela guardou o segundo pensamento para si, esperando pela resposta à sua pergunta. Shuuhei soltou o ar pesadamente, e ela podia enxergar o ar esbraquiçado da respiração dele entrando em contato com o frio, mas não conseguia ver a sua expressão naquele momento.
— Eu… não deveria ter deixado isso acontecer. Você se machucou por minha causa. — Ele baixou a voz. Chegaram até a esquina, e Shuuhei começou a subir a rua, inclinando-se mais para frente, ajeitando o peso nas suas costas. — Eu devia ter te protegido daqueles idiotas, mas eu só consegui ficar sentado no chão vendo eles te derrubarem. Eu sou um covarde.
— Não é não! — Natsume discordou prontamente. — Você tentou enfrentar eles sozinho primeiro, mas eles eram maiores e em maior número, nós não…
— Eu devia ter feito alguma coisa, mesmo assim! — Ele parecia irredutível. — Me desculpa, Natsume… Eu não consegui fazer nada…
— Está tudo bem! Tudo terminou bem, não foi? — Natsume sentiu os ombros de Shuuhei estremecerem. Mesmo sem vê-lo, ela tinha certeza de que ele devia estar vermelho, e mordendo a ponta do lábio. Ele ficava desse jeito quando estava embaraçado.
— Eu prometo que, quando eu crescer, eu vou te proteger. — Shuuhei afirmou, convicto. Ela se afastou ligeiramente, surpresa. — Eu vou ficar forte e não vou deixar ninguém mais te machucar.
— Shuu-chan… — Ela murmurou, escondendo o rosto o quanto podia. Sentia as pontas das suas orelhas ficarem quentes. — E-então, se é assim, eu também vou q-querer proteger você!
Shuuhei percebeu que a voz de Natsume havia ficado embargada, e ela soluçava.
— Você tá chorando? — Ele indagou de repente, preocupado. — De verdade?
— N-não! Estúpido! — Ela replicou, deixando as lágrimas caírem livremente, e ocultando ainda mais a face.
— O seu pé dói?
— Muito! Então anda mais rápido!
— Eu to tentando, mas você é pesada…
— Fica quieto!
Eles subiram o resto da ladeira, com alguma dificuldade, em silêncio. Obviamente, foram repreendidos longamente ao chegar em casa naquele estado, completamente sujos de neve e com Natsume machucada. “Como é que vocês dois conseguiram voltar assim para casa se saíram faz só 15 minutos?” Nem eles sabiam como responder a essa questão.
A mãe de Shuuhei se mostrava indignada, embora os dois já houvessem aprontado o suficiente em todos aqueles anos para isso não ser mais algo inesperado. Ambos ficaram de castigo por duas semanas, e quando finalmente puderam sair, já não havia mais neve suficiente para andar com o trenó. No ano seguinte, Natsume viajou durante as férias, e Shuuhei não via graça em fazer aquilo sozinho, então o trenó foi lamentavelmente aposentado.
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Dois anos após esse acontecimento, assim que Shuuhei entrou para o ginásio, Natsume foi morar com o seu pai em outra cidade, e não houve mais um dia de neve tão emocionante quanto aquele, afinal. Mesmo distantes, eles ainda mantiveram contato durante todo aquele tempo.
E, ainda que não tocasse mais nesse assunto, Shuuhei nunca esqueceu da promessa que havia feito, naquela manhã gelada de dezembro, com o peso de Natsume nas suas costas, os braços e pernas doendo, e os dedos apertados na corda que levava o trenó.
Ainda que até esse dia chegar ele fosse levar muitos tombos, algum dia, provaria que poderia protegê-la melhor do que ninguém.
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