Sono Te Hanasanaide

34 Capítulo XXXIV


Kimi to deatta no wa

Quando eu te conheci

Tada no guuzen janai

Não foi só por coincidência

Kore wo unmei to yobunda

Eu prefiro dizer que foi o destino

Dare mo ga idomu toki

Quando você se sentir inseguro

Fuan ni karareru

Preocupado por minha causa

Sonna toki wa sotto senaka oshite yo

Apenas tenha certeza de que tudo vai ficar bem

Ready ready ready for the take off

Pronto, pronto, pronto para decolar?

Michinaru sekai e to maia garunda

Vamos dar as mãos e viajar por esse mundo desconhecido

Dakara, sono te hanasanaide

E nunca solte a minha mão

Capítulo 34

Após o fatídico almoço encerrado sem mais turbulências, todos retornaram para a sala anterior. Valtrana ainda estava visivelmente contrariado, mas limitava-se a demonstrar seu desagrado apenas com o comportamento, engolindo os comentários que saltavam pela sua mente. Elizabeth também parecia desanimada, sobretudo porque Wolfram não dispensava absolutamente nenhuma atenção para ela agora, e, pouco tempo depois de terminado o jantar, ela pediu licença e voltou para o seu quarto sem falar com ninguém.

Yuri conseguia conversar bem com Cecilie, Conrad, e até mesmo Gwendal estava sendo receptivo com ele. O temor inicial de Yuri logo se dissipou com a recepção agradável por parte da família, e logo ele estava se divertindo ali.

O piano de cauda branco ainda estava lá, é claro, e, com um enorme e satisfeito sorriso no rosto, Cheri sugeriu que Wolfram tocasse um pouco para mostrar a Yuri. O loiro hesitou, tentou dar uma desculpa qualquer, mas, no fim, acabou aceitando.

Yuri nunca tinha ouvido falar que Wolfram soubesse tocar piano, embora fosse bastante crível e nada surpreendente, afinal, observando o estilo de vida de sua família. Ele também não sabia que Wolfram pintava quadros, até tê-lo visto praticando a atividade uma vez. Era tão estranho que ele soubesse tão pouco sobre a pessoa que amava… E isso o fazia sentir-se um pouco relapso com Wolfram.

Mas todos os seus pensamentos foram deixados de lado, quando Wolfram começou a mover os dedos ágeis pelas teclas pretas e brancas do piano. Ele havia cerrado os olhos, movendo-se de acordo com as notas, e a melodia aveludada, lenta e precisa, parecia fluir da ponta dos seus dedos direto para os ouvidos de Yuri. Ele não conseguiu pensar em mais nada, e não conseguia olhar para mais ninguém.

Wolfram era lindo.

E a sua beleza parecia tão distante, intocável, inalcançável… Yuri sentiu que, de repente, jamais chegaria perto de ser merecedor de tanto. A música ia seguindo, mudando de um profundo e lento pesar para algo mais rápido e espontâneo. O coração de Yuri ia se agitando, batendo no ritmo dos acordes, e Wolfram abriu os olhos, lançando seus brilhantes orbes esmeralda na direção de Yuri. E ele sorriu. Yuri sentiu que, naquele momento, o mundo fazia sentido. Porque Wolfram sorria, e, se ele estivesse feliz, então tudo estaria bem. Não importava se ele não fosse adequado agora, ou se eles vivessem em mundos completamente diferentes… Enquanto Wolfram o aceitasse na sua vida, esse fato não tinha significado algum. Tudo o que Yuri podia fazer era se esforçar para, algum dia, ser alguém digno de ficar ao lado de Wolfram com orgulho… Ser tudo aquilo que ele merecia.

Yuri sentiu-se sendo puxado bruscamente para a realidade, quando a música parou, e a última nota ressoou no cômodo, pendendo no ar como uma única gota de água caindo lentamente. Começou a bater palmas entusiasticamente, e então percebeu que era o único fazendo isso. Pensou primeiro que estava cometendo alguma gafe, e que não deveria ter feito aquilo, mas, ao olhar ao redor, percebeu que Wolfram e ele eram os únicos naquela sala.

Ele não saberia precisar exatamente quando, ou como não havia notado antes, mas toda a família de Wolfram havia sumido. Provavelmente, Cheri ou Conrad haviam dado um jeito nisso, mas ninguém mais estava ali. Wolfram se levantou do banco, fechando as teclas do piano com ar solene.

— W-Wolfram… — Yuri se aproximou, hesitante, ainda emocionado por todos aqueles sentimentos que transbordaram tão inesperadamente durante uma simples música. Seu coração ainda batia forte. — Isso foi… Foi tão… Wolf, eu nem sei o que dizer, isso foi lindo! – Ele exclamou, admirado. Wolfram corou ligeiramente.

— Mas é claro que foi! Até mesmo alguém sem nenhuma educação musical como você seria capaz de perceber isso. Eu tenho aulas de música desde os quatro anos de idade, não havia como tocar qualquer melodia que fosse com um resultado menor do que a perfeição! – Ele entoou com superioridade, tentando encobrir qualquer outra coisa. Yuri riu. Ah, sim, esse era o Wolfram que ele conhecia. Ele estava tão desconfortável vendo aquela versão taciturna e calada durante todo o almoço, que ver Wolfram agindo como ele mesmo mais uma vez era um alívio. Sem pensar duas vezes, Yuri avançou toda a distância que os separava em um pulo, cingindo Wolfram em um sufocante abraço, enquanto afundava seu rosto no ombro dele.

— Ah, Wolf… Você sabe, não é? Que eu te amo!

— E-eu sei disso, f-fracote… — Wolfram balbuciou, retribuindo o abraço. Queria dizer para Yuri não fazer isso na sala, onde qualquer um poderia vê-los, mas… Realmente importava? Yuri parecia estar precisando disso, mais do que ele próprio… E qualquer opinião contrária a isso, mesmo do seu tio, que ele tanto prezava, não era mais relevante do que Yuri para ele.

— Me desculpa por não saber como agir aqui perto da sua família, mas eu fico tão nervoso… E tenho medo deles não gostarem de mim… — Yuri se afastou. Seu semblante mais parecia o de um cachorrinho abandonado.

— A única pessoa que você tem que se preocupar se gosta ou não de você sou eu, ouviu bem? – Wolfram resmungou como se tivesse dando uma lição à Yuri, mas a mão que acariciava o rosto dele era delicada e carinhosa. – Vamos… Vamos sair daqui logo… — Ele baixou o olhar. Sua mão desceu, e segurou a de Yuri, entrelaçando seus dedos nos dele.

— Vamos aonde? – Ele indagou em resposta, quando o loiro foi à frente conduzindo-o de volta à sala principal, onde ficava a escadaria.

—... Para o meu quarto. — Wolfram sussurrou, esperando que Yuri não tivesse escutado. Mas ele ouviu, e muito bem, e seu rosto rapidamente esquentou, quando ele se deu conta das implicações subentendidas naquela simples e inacabada frase.

Eles subiram as escadas rapidamente, e Wolfram levou Yuri até aquele corredor que ele já conhecia. Não havia nem sinal de qualquer outra pessoa por perto, e isso só o fazia mais inquieto. Wolfram abriu a porta do seu quarto, deixando-o passar, e fechando-a logo em seguida. O moreno sentiu um arrepio na espinha, quando se viu dentro do quarto do seu namorado. Não havia nada diferente naquele espaço. Ainda a mesma cama enorme de dossel, com os lençóis azuis e o monte de travesseiros, os ursos de pelúcia empilhados em uma prateleira, remanescentes da infância, juntos daquele golfinho cinza que Yuri havia dando de presente em uma ocasião. A poltrona ao lado da estante de livros, o tapete cheio de detalhes, uma foto de família no porta-retratos em uma das prateleiras, e a foto dos dois no aquário em outro. O globo de vidro com o castelo de Shin Makoku também estava ali, em lugar de destaque. Yuri sorriu para si mesmo, prestando atenção em cada detalhe.

A porta para a sacada estava aberta, e a brisa calma agitava as cortinas leves. Yuri percebeu que o telescópio que eles usaram daquela outra vez ainda estava montado ali. Yuri gostaria de perguntar se Wolfram ainda olhava por ele, e procurava por Orihime e Hikoboshi. Subitamente, a memória daquele beijo retornou, e ele percebeu com uma pontinha de satisfação que não precisaria nunca mais pedir desculpas por beijar Wolfram, quando quer que sentisse vontade de fazer isso. Pensar nisso o deixava feliz. Voltou-se para Wolfram, e percebeu que ele o observava em silêncio.

— Wolf… no que está pensando? – Ele se aproximou, segurando a mão de Wolfram na sua, fitando-o com todo o cuidado. Algo não estava certo, e ele sabia disso. Wolfram podia ser muito bom em disfarçar normalmente, mas, dessa vez, não era o suficiente para encobrir tudo, e Yuri podia ler isso nos olhos dele facilmente. – Ainda está se preocupando com aquilo que seu tio disse no almoço?

Wolfram se afastou, desviando o olhar para longe. Caminhou para perto da varanda, e percebeu que a neve recomeçava a cair, rapidamente, acumulando-se toda no chão novamente. O frio aumentou, e Wolfram fechou as portas de vidro, tocando com as pontas dos dedos na superfície fria. Pelo reflexo, ele via o rosto de Yuri, fitando-o com preocupação.

— Yuri… — Seu coração se apertou, enquanto ele tentava medir bem as palavras. – Você acha que nós deveríamos… — Ele hesitou, pesando bem as palavras. Yuri engasgou, apreensivo. – Bem, que já está na hora de contar para nossas famílias? Sobre nós?

— O quê? – Por um segundo, um ínfimo e desesperador segundo, Yuri podia jurar que Wolfram iria pedir para terminar tudo com ele. Mas o que ele disse era exatamente o contrário, e Yuri levou mais outro segundo para processar a informação. – Você... quer contar para eles? Agora?

— Não exatamente agora, é claro. – Wolfram voltou-se de novo para Yuri. Caminhou até ele, encarando-o nos olhos. – Precisamos pensar com calma no que dizer, evidentemente... Contar tudo de um jeito impulsivo, do jeito que você costuma fazer as coisas, não levaria a nada. Mas… se você não quiser, por causa da sua família e do seu time, eu… Eu posso pensar em alguma maneira de…

— Não, Wolf! Não é isso! Eu quero! Dizer para a minha mãe que eu tenho um namorado como você, nossa… Você sabe que ela te adora, não sabe? Meu pai também gosta de você. E a Miyako, eu nem preciso dizer nada… — Yuri sorriu. Segurava o rosto de Wolfram entre as mãos, acariciando a pele macia dele com os polegares de cada lado. – Meu irmão pode ser um pouco difícil, é verdade, mas eu sei como convencer ele.

— E eles não vão se importar… Você sabe, de eu ser outro garoto…? — Wolfram deu de ombros. Parecia não ligar para a opinião de ninguém, mas é claro que se importava. Era a família de Yuri, afinal. Como é que ele não iria ficar nervoso?

— Se eu explicar para eles o quanto eu te amo, e que você me faz tão feliz…

— Fracote idiota… — Wolfram corou até as orelhas, abraçando Yuri com força. Sentia o coração dele bater contra o seu ouvido, alto e forte, como o seu próprio, e um arrepio agradável subiu pelas suas costas quando sentiu as mãos de Yuri retribuindo ao abraço, as mãos passando lentamente pelas suas costas e pelo seu pescoço.

— Wolfram… Você quer mesmo contar para a sua família? – Yuri balbuciou, pouco confiante. – Sabe, eu não acho que eles vão ficar muito orgulhosos de você ter um namorado assim como eu… — Ele baixou a voz, fechando os olhos. — E sendo como você é, tão lindo, e cheio de habilidades, um futuro brilhante… Eu quero fazer parte desse futuro, é claro que quero… Mas não sei se eu me encaixo na sua vida dessa forma… Talvez você estar comigo seja apenas um desperdício…

Wolfram se afastou e encarou o outro por alguns segundos, parecendo não acreditar no que ouvia. E quando Yuri ameaçou dizer qualquer coisa, ele saltou com os braços estendidos, enlaçando-o pelo pescoço e calando a boca dele com a sua própria. Alguns segundos depois, quando pareceu que Yuri tinha desistido de argumentar, Wolfram se afastou minimamente dele. Suas testas se tocavam, e as respirações ofegantes misturavam-se no ar.

— Nunca mais pense em algo assim. – Wolfram falava, e seus lábios se roçavam com os dele no movimento. – Você não vai me ouvir falar assim de novo tão cedo, porque eu não quero te mimar, mas você é incrível, Yuri! – Wolfram tinha um ar de admiração novamente em seu olhar, e segurou o rosto do namorado entre as mãos, encarando-o com fervor ardendo nos olhos esverdeados. – Você tem talento para os esportes, Conrad não para de falar aqui em casa sobre o quanto você melhorou na nova posição, e em como tem espírito de liderança, sabe conduzir o time, e não sei mais o quê. E é tão gentil que isso me dá até raiva, às vezes; você sabe ser agradável com todos, até com quem não merece, e é corajoso, justo... Lembra, quando você tentou me salvar, quando nós nos encontramos pela primeira vez? Ou até quando protegeu a Mariko daqueles caras! Ela não merecia isso, mas você parecia tão legal naquela hora… Mesmo quando éramos crianças, você não hesitou em tentar me ajudar, e nós nem nos conhecíamos… Você faz sem nem perceber. Você é bom em lidar com as pessoas e esse é o seu talento, Yuri. Mais do que pintar, ou tocar piano… Essas coisas não importam de verdade se você pensar por outro lado. Mas ser como você, Yuri, isso poucas pessoas conseguem… Eu, por exemplo, ou qualquer outra pessoa por aí, jamais faria as coisas que você faz tão facilmente, sabe? É único. Ouça o que eu estou dizendo, você é alguém admirável, eu tenho orgulho de poder ser o seu namorado. Entendeu, fracote?

— Wolfram… Você... acha isso mesmo, sobre mim...? – Yuri balbuciou, incrédulo. Wolfram revirou os olhos.

— Já me ouviu falar qualquer coisa da qual eu não tivesse absoluta certeza? É claro que eu acho isso. – Wolfram apertou novamente os braços ao redor do pescoço de Yuri. – E é por isso que eu nunca, nunca, vou deixar você ir embora. Porque você é todo meu, só meu… — A voz dele foi ficando mais manhosa, enquanto ele fechava os olhos e ia cedendo, deixando que Yuri o abraçasse de volta. – Mesmo que você queira me deixar, eu não vou permitir que isso aconteça. Nunca.

— … Eu espero que sim… — Yuri deu meio suspiro, abraçando Wolfram intensamente, provando mais uma vez do doce aroma que ele emanava, e do qual ele nunca cansaria. Deslizou com o nariz pela pele sensível do pescoço, causando arrepios por onde passava. Roçou os lábios, e recebeu um fraco, quase inexistente, protesto em resposta. Sorriu para si mesmo, e, quando sentiu as mãos de Wolfram ao seu redor, segurando com firmeza a parte de trás do seu casaco, sabia que todas as suas preocupações infundadas sumiriam em um instante, a partir dali.

— Fracote indecente… Eu estou conversando com você… e você vem… Ah! — Wolfram não conseguiu dizer mais nada coerente, pois sentiu os lábios de Yuri contra sua pele, movendo-se por vontade própria, até alcançarem sua boca novamente.

Suas línguas não se demoraram a entrelaçarem-se, e Wolfram ergueu os braços para envolver o pescoço de Yuri, trazendo-o mais ainda contra si. Suas pernas bateram em algo, e só então ele percebeu que aquele tempo todo Yuri estava conduzindo-o para trás. Não houve tempo para pensar – em um momento estava de pé, e no outro sentiu as costas batendo contra a cama macia, afundando nos edredons e travesseiros, com Yuri em cima de si, impossibilitando que ele escapasse. Não que ele parecesse tentado a isso, de qualquer maneira. Yuri ergueu o rosto alguns centímetros e sorriu de maneira quase provocativa.

— Y-Yuri…- Wolfram reclamaria da indecência de Yuri, mas sua voz havia sumido no meio das sensações que o acometiam.

— Você disse no outro dia que eu poderia fazer coisas pervertidas com você… — Yuri argumentou, elevando-se sobre Wolfram, encarando-o diretamente com aqueles divertidos olhos negros, que pareciam brilhar ainda mais só de olhar para ele.

— Eu não disse isso… E-eu disse q-que você poderia… entrar em contato gradualmente… com o objeto da sua imaginação… — Wolfram corrigiu, mas sua voz falhava enquanto Yuri ia chegando mais perto, tocando seus rostos lentamente, a respiração fazendo cócegas de maneira quase enlouquecedora.

— Eu prometo que vou ser bem gradual… — Yuri riu contra o pescoço de Wolfram, e continuou se concentrando naquela região, fazendo o loiro se retorcer, agarrando-se ao casaco dele com os dedos. Elevou-se um pouco, com uma das mãos descendo em direção à cintura, e, mesmo através das camadas de roupa, Wolfram ainda sentia sua pele formigar com o toque. Ao mesmo tempo, Yuri tocou com os lábios o lóbulo da orelha de Wolfram, mordiscando de leve, sentindo a mão de Wolfram apertá-lo.

— Aah…!

— Desculpa, Wolf… Eu te machuquei? – Yuri balbuciou, surpreso, ajeitando-se sobre o outro. Wolfram tinha o rosto completamente rubro, e respirava com dificuldade.

— Não… Na verdade… – Ele não completou o pensamento, e inquiriu, arqueando a sobrancelha desconfiadamente. — Onde… Onde foi que você aprendeu essas coisas, seu trapaceiro?

— Mangás da Miya-chan. São muito interessantes… — Ele respondeu diretamente. – Você deveria ler…

— Idiota. — Wolfram franziu os olhos, irritado, e segurou Yuri pelo colarinho, trazendo-o para outro beijo, que foi se aprofundando cada vez mais. Yuri não demorou em corresponder, pressionando com seu corpo o de Wolfram contra a cama, aumentando os pontos de contato entre eles.

A mão de Yuri era ágil, e logo já estava deslizando lentamente pelo corpo de Wolfram, fazendo-o estremecer com sua pele sensível demais, com cada pequeno avanço de Yuri. Ele intensificou o beijo, roubando todo o ar de Wolfram, e invadiu a roupa dele com os dedos, tocando diretamente a tez pálida. Wolfram encolheu-se, enquanto percebia que Yuri não estava hesitando em erguer seu suéter, subindo ainda mais, sem nunca interromper o beijo.

— Ngh… – Wolfram gemeu baixo, ao sentir novamente os lábios de Yuri em seu pescoço, com uma das mãos segurando-o pelas costas enquanto a outra o trazia para mais perto pela perna. Desceu pela clavícula, e nos lugares onde tocava, ia formando pequenas marcas vermelhas que se destacavam predominantemente.

Ergueu os olhos negros, enevoados pelo desejo e a confusão decorrente das sensações novas e desconcertantes para ele, e encarou profundamente os orbes verdes de Wolfram, como se pedisse permissão para continuar. — Wolf… E-eu quero… Eu quero estar ainda mais perto de você, parece que nunca é o suficiente… Isso faz sentido?

— Não, não faz nenhum sentido. – Wolfram ergueu uma das mãos, entrelaçando os dedos nos cabelos curtos de Yuri, e o puxando mais uma vez para si, tomando seus lábios com certa voracidade. — Mas eu entendo perfeitamente…

A outra mão subiu pelo abdômen de Yuri, aproveitando para se livrar do incômodo casaco, deixando o garoto com apenas a camiseta azul de mangas compridas e gola puída pelo tempo, que ele usava. Yuri movia-se com agilidade, e em um único momento, jogou o casaco para longe e puxou Wolfram pela cintura, erguendo-o e colocando-o sobre seu colo. Dessa maneira, podia abraçá-lo com mais facilidade.

Wolfram ajeitou-se no colo de Yuri, envolvendo-o com ambos os braços enquanto recomeçava a beijá-lo. Aquela provou ser tanto uma boa quanto uma péssima ideia. Enquanto Yuri tinha vantagem para passar a mão no corpo de Wolfram da maneira que quisesse – e ele realmente fazia isso – outras partes da anatomia deles também se comunicavam, e isso não poderia de nenhuma forma acabar bem.

— Ahn…! – A voz de Wolfram escapava sem o seu consentimento, e, por trás de toda aquela neblina que atrapalhava seu raciocínio, ele se sentia irritado com o fato de que Yuri conseguia tão facilmente tomá-lo para si, e assumir o controle da situação. Não era comum para ele acatar passivamente as coisas que fugiam do seu controle, e nem sabia como raios Yuri conseguia fazer isso sem esforço algum.

Num rompante de consciência muito efêmero, Wolfram conseguiu reverter sua condição, e empurrou o corpo de Yuri para trás. Jogou para longe o casaco que usava e ficou somente com a camiseta branca e lisa que usava por baixo, sentindo-se já em brasas pelo calor que o acometia, completamente em contraste com a neve abundante que caía lá fora.

Satisfeito por estar novamente em uma posição favorável, ele se inclinou sobre Yuri. Sentiu algo roçando em si na região do baixo-ventre, e um desconforto incomum e não muito desagradável que parecia invadir todos os seus nervos. Sem se deixar abalar, Wolfram terminou o caminho até Yuri, encerrando a distância entre eles, com as mãos a postos já adentrando pelo tórax acima. Pela ponta dos dedos, sentia a pele rija e lisa do moreno, e aquilo que seriam músculos começando a se formar. Yuri era atlético, e Wolfram não podia dizer que não gostava daquilo. Yuri mordia os lábios, tentando conter um ruído que vinha do fundo da garganta, ao sentir Wolfram movimentando-se sobre si.

Yuri o puxou para si, intensificando o contato e invadindo com a língua os lábios cheios, coordenando seus movimentos aos dele. Tocou mais uma vez as costas de Wolfram, abraçando-o com força, enquanto segurava seu rosto com a outra mão. Mais uma vez, Wolfram perdeu-se naquele beijo, e então Yuri retomou o controle, girando novamente e empurrando Wolfram contra os travesseiros, roçando os lábios por todo o caminho até a orelha direita.

Sem nem perceber, Yuri descia a mão pela cintura dele, e só parou quando sentiu o cós da calça impedindo-o de continuar. Travou, ao notar o quão longe estava se deixando levar. Ele queria tanto estar com Wolfram que seus pensamentos foram todos drenados, e era como se ele tivesse acordado de um estado de hipnose somente agora. Wolfram também parecia estar se dando conta de algo naquele instante, e soltou as mãos do pescoço de Yuri, parando a meio caminho do peito dele, como que para manter alguma distância. Seus lábios estavam vermelhos, assim como o rosto, e os olhos úmidos e cintilantes. Ele estava ofegante, Yuri também estava, e seu cabelo era uma verdadeira bagunça, os cachos todos emaranhados acima da cabeça.

— E-eu fui longe demais… — Yuri balbuciou, sentindo-se culpado de repente. Afastou as mãos de Wolfram, sem saber para onde olhar, já que ele ainda estava bem ali na sua frente, com a camiseta erguida e a calça caída no quadril, e essa imagem era muito para o jovem aguentar nesse momento.

Wolfram se concentrou em fazer seu corpo se acalmar, embora isso parecesse absolutamente impossível. Baixou a camiseta rapidamente, e então, tocou o rosto de Yuri, tentando fazê-lo olhar na sua direção. Ele ainda estava embaraçado, e tinha as orelhas avermelhadas.

— Não ouse pedir desculpas por qualquer coisa, ouviu bem, seu fracote? Eu também… — Ele desviou o olhar, ligeiramente contrariado. — Também tenho responsabilidade pelo que acontece, então… Bem… Isso é normal, não é? Nós namoramos, afinal…

— Então… Eu deveria ter continuado…? – Yuri indagou, surpreso. Wolfram ofegou, indignado. – Porque, sabe… Por mais que eu realmente, realmente… queira muito, ahn… Continuar… — E nesse momento Wolfram já estava à beira de uma síncope, amaldiçoando aquela execrável sinceridade que Yuri possuía. — Eu não sei… Não sei exatamente o que fazer! É isso! – Ele enfim concluiu, como se estivesse confessando um erro imperdoável. — Eu não sei nem como começar ou como terminar e...

— Calado! – Wolfram cerrou os olhos, erguendo os braços e tapando a boca de Yuri com ambas as mãos sobrepostas. – Eu já entendi! A-acho que… não tem problema… isso. – Ele murmurou entredentes, jogando-se para trás e afundando no mar de travesseiros. Yuri se aproximou e deitou ao lado dele, de lado, fitando-o com apreensão. – Eu também não… Nunca… Não sei… Enfim! Não tem problema nenhum se nós levarmos as coisas no nosso próprio ritmo, e-então pare de se preocupar com coisas desnecessárias. Está tudo bem. Tudo ótimo.

Ele finalmente virou os olhos na direção de Yuri, permitindo-se um esboço de sorriso. Aquele que só permitia que Yuri, de todas as pessoas, visse. O sorriso de plena felicidade por tê-lo em sua vida. Não estava rindo dele por ter ficado hesitante. Estava sorrindo para ele, por estar tranquilo e satisfeito com tudo o que acontecia entre eles.

— Então… Quando chegar a hora certa…? – Yuri arriscou.

— Quando chegar a hora certa. – Wolfram assentiu. Passando a mão pelos lençóis, procurou pela mão de Yuri, e entrelaçou seus dedos nos dele. – Aí nós vamos descobrir o que fazer, juntos. Mas, até lá… Não tem por quê apressar as coisas…

— Tem razão… — O moreno aninhou-se no namorado, abraçando-o carinhosamente, sem soltar a mão bem segura na sua. Ele permitiu, inclinando o rosto para tocar no dele.

— Eu sempre tenho. – Afirmou com segurança.

— E você sempre entende o que eu estou pensando! – Yuri exclamou com admiração, e um ar brando no tom de voz, parecendo perceber isso pela primeira vez.

— Não é tão difícil, sabe… Você é previsível. – Wolfram franziu os olhos, como se estivesse repreendendo-o por isso. – Além do mais… É meu dever como seu namorado saber o que se passa na sua cabeça, o tempo todo. Então, é por isso que eu estou dizendo para você parar de se preocupar tanto com bobagens, que não vão levar a nada.

Yuri se aconchegou no espaço entre o pescoço e o ombro de Wolfram, cerrando os olhos enquanto escutava claramente a pulsação acelerada do loiro por ali.

— Eu queria nunca mais precisar pensar nessas coisas. Apenas avançar para quando tudo isso… Estar com você, o tempo todo, seja algo normal, e eu não fique mais tão nervoso com cada coisinha…

— Se isso acontecesse, nós perderíamos muito tempo… — Wolfram divagou. Acariciou distraidamente os cabelos de Yuri, com a mão que antes cingia-o pelas costas, enquanto olhava para fora e percebia que a neve abundante já havia acumulado em todo o peitoril da sua janela, e na varanda, com uma espessa camada branca. – E eu não quero desperdiçar nada disso.

— Você fala como se o tempo que nós tivéssemos juntos fosse limitado… — Yuri resmungou, girando para encarar Wolfram diretamente, colocando-se sobre o corpo dele. – Não fale assim! Nós temos todo o tempo do mundo!

Todo o tempo do mundo era muito tempo. Wolfram sempre pensou que Yuri fosse um otimista tolo, mas, às vezes, gostaria de poder ser assim também. E, francamente, por que não poderia? Ele se sentia tão feliz por estar com Yuri, que nada mais deveria importar. Nem sua mãe, seu tio, ou Elizabeth, nem mesmo Mariko ou qualquer outro que resolvesse ficar no seu caminho. Ninguém conseguiria tirar dele esses momentos preciosos. Ele só queria poder arrumar uma maneira de fazer todos esses momentos durarem mais.

— Yuri… A neve lá fora está ficando cada vez pior... — Wolfram o encarou com ar de superioridade, com uma ideia repentina na cabeça.

— Ahn… Sim… E daí?

— Você não acha que vai ser difícil de ir para casa com essa neve toda? — Ele insinuou, torcendo para Yuri entender, e ele não precisar ser tão direto dessa vez.

— Acho que não… Se eu tiver um guarda-chuva… Ou talvez até o Conrad possa me dar uma carona…

— Fracote idiota, eu estou dizendo que você não vai conseguir ir para casa com essa neve caindo! – Wolfram bradou. Havia se esquecido de com quem estava falando. A quem queria enganar, é claro que Yuri jamais entenderia a arte da aproximação sutil. – Vai ter que passar a noite aqui em casa, entendeu?

— Ahn… — Finalmente, a ficha caiu, mas ele ainda tinha o semblante confuso. – Eu... Eu posso, mesmo?

— Droga, Yuri… Entenda a atmosfera! – Wolfram desistiu de explicar o que quer que fosse. Enlaçou os braços ao redor do pescoço dele, semicerrando os olhos de uma forma que os longos cílios projetavam sombra nos olhos esmeraldinos, fazendo-o parecerem ainda mais profundos. Yuri engoliu em seco, corando ligeiramente ao sentir-se sendo puxando novamente para os braços de Wolfram.

Ah, sim, Wolfram adorava esses pequenos momentos em que ele podia inflar o peito e afirmar, com toda a certeza, que era a pessoa mais feliz do mundo. Seu namorado era bobo, demorava para entender certas coisas, e tinha tantas inseguranças… Mas ele não podia fazer nada, o amava daquele jeito, exatamente assim. E Yuri sabia que Wolfram podia ser meio egoísta e teimoso, e ainda não admitir as coisas que sentia tão facilmente, mas gostava de lidar com ele dessa maneira, complicado e cheio de particularidades só dele.

Depois de tudo, pensar em contar a verdade para as suas famílias, e enfrentar algumas opiniões contrárias... Bem, isso não era nada. Porque ambos sabiam que nada disso poderia afetar os sentimentos que tinham um pelo outro.

Ambos tinham a certeza de que jamais iriam soltar as suas mãos.

Notas finais
Bem... após as pequenas turbulências comuns, os dois finalmente conseguiram o precioso tempo a sós que tanto precisavam... e eles bem que se empolgaram, ahn~ ainda não completamente, eles ainda são inciantes da bela arte do... como posso dizer... yaoi n-n mas com muita persistência e treino, tudo pode ser possível! Yuri deveria era parar de ler shounen-ai e passar logo pro hard-lemon XD Nãaaao que qualquer um aqui leia essas coisas, claro que não u-u Somos todos muito puros e recatados, pois é... Enfim, espero que tenham gostado~ e no próximo capítulo, Yuri passando a noite na casa do Wolf?? Será?! Dedico o capítulo aos muitos impacientes que mal podiam esperar pra ver a king-size do Wolfram estreando! Está aí ~ hohohoh [Revisado]