Kotoshi saisho no yuki no hana o

Ao cair da primeira flor de neve deste ano

Futari yorisotte

Estamos juntos a contemplá-la

Nagameteiru kono toki ni

Neste momento

Shiawase ga afuredasu

Derrama a felicidade



Amae toka yowasa janai

Não é carência nem fraqueza

Tada kimi o aishiteru

Simplesmente eu amo você

Kokoro kara soo omotta

De todo o coração



Kimi ga iruto donna koto demo

Junto com você, não importa o que aconteça

Norikireru yoona kimochi ni natteru

Sinto ser capaz de superar qualquer coisa

Konna hibi ga itsumademo kitto

Acredito que isso dure para sempre

Tsuzuite ikukoto o inotteiru yo

Então rezo pra que esses dias continuem assim



Capítulo 35

— Wolfram… Eu não tenho certeza de que isso é uma boa ideia…

— Não tem nada a temer, fracote, confie em mim! – Wolfram trazia um sorriso confiante e soberbo no rosto. Sentada elegantemente ao lado dele, a cadela Liesel arfou em concordância. Yuri olhou para um lado e para o outro, e não havia nada ali que pudesse tirá-lo daquela situação agora.

Eles estavam naquele instante no pequeno haras da família de Wolfram. É verdade que Yuri sempre achou estranho que Wolfram não tivesse vizinhos nem nada assim, e a casa dele ficava em uma zona realmente afastada do centro, mas jamais iria imaginar que a propriedade fosse tão grande que pudesse abrigar uma pequena criação de cavalos sem problemas, e ainda tinha espaço suficiente para cavalgar. Além daquele limite onde ficava o jardim, que havia sido o máximo até onde Yuri chegara, havia mais alguns quilômetros de campinas e bosques pequenos. Não era exatamente o tamanho de uma fazenda, certamente — era mais como um pequeno sítio. Mas algo desse tipo no meio da cidade era praticamente inconcebível nos dias de hoje. Às vezes, Yuri tinha a impressão de que a família de Wolfram podia fazer mágica.

E então, depois dessas pequenas descobertas, Wolfram queria mostrar para Yuri outro de seus muitos hobbies. Apresentou a ele sua égua, Astrid. Era inteiramente branca, de olhos espertos e crina dourada. Yuri não entendia nada de cavalos, nunca havia nem chegado perto de um até aquele dia, mas Astrid era bonita, e parecia ter tanta pose quanto o seu dono. Yuri gostou dela, e até acariciou seu focinho.

Porém, quando disse isso a Wolfram, ele se empolgou mais do que deveria, e insistiu que Yuri deveria cavalgar com ele naquela tarde. Mandou que os empregados preparassem os cavalos, e vestiu sua roupa de montaria — camisa pólo azul-marinho, calça branca justa e botas até quase o joelho, fazendo com que Yuri usasse uma das suas também. Como ainda estava muito frio, os dois tiveram que usar paletós de montaria, que eram justos e curtos, diferentes dos gakurans que Yuri estava acostumado, mas não esquentavam tanto assim. Depois disso, quando retornaram, ele mandou trazerem outra égua, dessa vez uma totalmente negra, que se chamava Josephine, e disse que Yuri deveria montar nela.

— Não é difícil, Yuri! – Wolfram insistia, empurrando Yuri naquela direção pelo braço. – Tem um lugar que eu quero te mostrar, e à cavalo fica muito mais rápido! Vamos lá, não seja um fracote covarde! É só colocar seu pé aqui no estribo, e dar impulso, e então, você está lá em cima. Não tem erro.

— Mas… E se eu cair? – Ele estremeceu só de pensar em cair daquela altura toda. Wolfram riu, convencido.

— Você não vai cair! Vamos lá, eu ensino a você o que tem que fazer…

— Só se você aceitar ir comigo ao centro de rebatidas outro dia. – Yuri aproveitou a oportunidade, tendo um estalo repentino. – Se você jogar baseball comigo, eu faço isso!

Wolfram suspirou, assentindo. A verdade é que Yuri faria o que Wolfram estava pedindo de qualquer maneira, porque não sabia dizer não a ele, mas era bom tentar conseguir alguma coisa disso de uma maneira ou de outra.

— Faça exatamente como eu faço. – Wolfram liderou, colocando o pé esquerdo no estribo da sela, e, num movimento ágil e preciso, segurando pelas rédeas, estava perfeitamente colocado sobre Astrid, mal havia se movido. Yuri o fitou, admirado por um segundo, e então tentou fazer o mesmo, mas Josephine se moveu para evitá-lo, e, como resultado, Yuri caiu de bunda no chão. Wolfram fez menção de descer do cavalo.

— Não, eu estou bem! – Ele disse, mais sério do que seria necessário, e tentou mais uma vez. Agora era questão de honra.

Dessa vez, Josephine ficou parada, mas, no entanto, por algum advento do destino, quando Yuri sentou na sela, não havia mais cabeça no cavalo. Antes que Yuri pudesse tentar deduzir o que havia acontecido, ouviu a risada de Wolfram alta e clara no seu ouvido.

— Você montou com o pé direito, Yuri! – Wolfram bradou, ainda com uma risadinha escapando. – Montou ao contrário. Fique parado aí, eu vou te ajudar…

— Está certo… — Só então ele reparou que estava virado no cavalo, de frente para a parte de trás, e se sentiu patético.

Wolfram emparelhou sua égua com a de Yuri, lado a lado, e então ofereceu sua mão a ele. Yuri por um momento pensou que nunca havia o visto parecer com um príncipe tanto quanto agora, mas logo voltou à realidade, e de alguma maneira, Wolfram conseguiu salvá-lo. Ele montou em Astrid, atrás de Wolfram, e tratou de abraçá-lo pela cintura tanto quanto podia, para garantir que não fosse cair mais uma vez.

— N-não pense em nenhuma besteira, entendido? – Ele disse, embora o fato de ter as pernas de Yuri ao redor das suas… Suas costas tocando o tórax dele… E o quadril dele encostando de leve na sua… — Nenhuma besteira, Yuri!! – Bradou com mais convicção, quando sentiu que Yuri estava lentamente ficando mais próximo, acabando com a sua concentração.

— Mas eu nem fiz nada!

Depois disso, Wolfram apenas bufou, incomodado, como se Yuri fosse culpado de tudo, embora nada tivesse acontecido, e virou as rédeas para sair da estrebaria. Astrid saiu trotando para a grama rala pelo inverno, feliz por estar do lado de fora, e Wolfram ia guiando-a pelo caminho. Liesel parecia muito predisposta a acompanhá-los, mas, assim que sentiu o vento frio do lado de fora, desistiu e deu meia volta para o lado da casa.

Yuri nunca havia ido para aqueles lados da mansão, e tudo o que via era a campina coberta de neve, e, mais ao longe, pequenos bosques reunidos espaçadamente aqui e ali, que nessa época eram somente um amontoado de árvores alaranjadas ou secas. Era tudo amplo e belo, e a cidade parecia apenas uma sombra cinza e distante, vista dali.

Wolfram aumentou a velocidade do trote para galope, e Yuri agarrou-se nele sem pensar duas vezes, afundando o rosto no ombro do outro. O loiro sentia os braços de Yuri ao redor do seu corpo, a respiração entrecortada dele, e o coração acelerado batendo contra suas costas, sem falar no movimento das suas pernas, que seguiam o ritmo das passadas do cavalo. Quando pensou em cavalgar com Yuri, parecia uma ótima ideia, mas ele não imaginou que pudesse sofrer tanto com os efeitos colaterais.

— Se você fechar os olhos vai perder a melhor parte, fracote… — Wolfram afirmou, olhando ligeiramente para trás e vendo que Yuri ainda se apertava contra ele como se fosse um bote salva-vidas.

— Mas… É tão rápido…

— Exatamente por isso! – Wolfram soltou uma das mãos das rédeas, e segurou a mão de Yuri que estava ao seu redor. – Vamos lá, eu estou aqui, não vou deixar você cair de maneira nenhuma. Apenas abra os olhos.

Yuri fez um esforço, e abriu um olho, depois o outro. Afastou o rosto do ombro de Wolfram, e só então se deu conta do que estava perdendo. O vento batia em seu rosto, e estava gelado, mas não era ruim. A paisagem passava por ele como um borrão, mas a sensação de velocidade e liberdade tornava isso, de alguma maneira, fantástico. Ele já não sentia mais nenhum medo, pelo contrário — dessa vez realmente entendeu por que Wolfram gostava tanto disso.

— Parece que nós estamos voando! – Ele exclamou, maravilhado. E mesmo sem ver o rosto de Wolfram, sabia que ele agora estava sorrindo.

O lugar onde Wolfram queria ir não era longe, e logo eles chegaram perto de um dos bosques que antes pareciam pequenos, com várias árvores enormes de troncos negros e longos se erguendo da neve, seus galhos subindo e subindo, retorcendo-se uns nos outros. Estavam todos cobertos de neve, e os pingentes congelados que desciam das suas pontas pareciam cristais reluzindo à fraca luz do sol que chegava até ali. Wolfram desmontou quando chegaram a um ponto onde as árvores secas já estavam próximas umas às outras e dificultavam o acesso, e, depois de amarrar Astrid em uma delas, ele segurou a mão de Yuri e os dois avançaram.

No centro da floresta havia uma clareira, e nela um lago congelado, que parecia mais um espelho colocado no meio da neve, e brilhava reluzindo fracamente. Yuri só conseguia imaginar que a paisagem deveria ser estonteante durante o verão.

— Droga, está frio aqui… — Wolfram reclamou, encolhendo-se. A roupa de cavalgar não era a melhor opção para se aquecer, afinal. Yuri riu baixo e o abraçou.

— Por que você quis vir até aqui, afinal? – Ele indagou, curioso, enquanto Wolf se aninhava no seu abraço para se proteger do vento.

— Eu queria mostrar Astrid para você. E esse lugar, também… Porque era para cá que eu vinha quando…

— Quando…?

— Quando queria pensar. Em você, ou em qualquer outra coisa. Eu vinha até aqui e conseguia me acalmar, sempre foi bom. E, como mais cedo, você estava cheio de preocupações infundadas nessa cabeça, eu pensei que poderia ajudar…

Yuri quase disse que Wolfram não estava agindo como ele mesmo, tão cuidadoso assim, mas a verdade é que ele sabia que o loiro atuava daquela maneira teimosa e egoísta por proteção própria, e, se ele estava se abrindo e sendo mais honesto com Yuri, então era porque se sentia à vontade para agir assim. Yuri não podia negar que apreciava saber que podia ver esse lado tão raro de Wolfram também.

— Ajudou muito. De verdade… — Yuri beijou o topo da cabeça de Wolfram em agradecimento. – Seria bom se nós pudéssemos acalmar os pensamentos da Miya-chan e do Ben dessa forma, também. Eles dois parecem estar com muitas dificuldades para se entender…

— Se você quer saber minha opinião, eu acho que esse Benjamin está escondendo alguma coisa. Ele deve ter um passado vergonhoso, no mínimo, para agir dessa maneira tão defensiva e suspeita. – Wolfram se afastou, encarando Yuri seriamente determinado. Era a face que ele fazia quando tinha alguma ideia em mente, e o outro imediatamente já sabia que não conseguiria mais fazê-lo voltar atrás, não importando o que estivesse martelando na cabeça teimosa dele. – Eu sei o que nós vamos fazer. Vamos fazer uma cordial visita ao amigo do meu irmão, Yozak.

— O quê? Por quê?

— Não seja ingênuo, Yuri! Acompanhe a minha linha de raciocínio. Benjamin mora com Yozak. Se nós formos até a casa dele, poderemos dar uma olhada no quarto dele, descobrir alguma coisa importante que ele guarda, alguma evidência do que quer que ele esconda da Miyako… Alguma ex-namorada problemática, quem sabe… Ou ele foi um delinquente, cometeu algum delito… Não importa o que seja, nós descobriremos!

— Isso não parece meio… errado? – Longe de Yuri querer cortar a animação de Wolfram com invasão de propriedades e da privacidade alheia, mas, se eles fossem ser presos, que ao menos não fossem ser vistos por ninguém conhecido. – Sem falar que vai ser muito suspeito nós dois simplesmente aparecermos na porta da casa dele do nada depois de hoje…

— Nós podemos ir com o Conrad. Ele é amigo do Yozak, e ninguém suspeita do Conrad. – Wolfram parecia estar realmente investindo na ideia. Como é que Yuri conseguiria negar qualquer coisa para aqueles olhos brilhantes? Já havia perdido a conta de quantas vezes havia sido persuadido por aqueles olhos, e isso só contando desde aquela manhã.

— Está bem... Mas espere ao menos alguns dias, antes de colocar seu magnífico plano em prática. Você viu o jeito que ele ficou depois que nós conversamos no templo, e eu ainda quero conversar com a Miya-chan para saber o que ela acha…

— Hm, quem diria, Shibuya Yuri, o responsável. – Wolfram apoiou a cabeça no ombro dele, enquanto cuidava Astrid de longe. Ah, estava tão frio ali... – Está bem, você que decide. A família é sua, afinal…

— Falando em família… — Yuri recomeçou, hesitante, e Wolfram o fitou, já imaginando o próximo tópico. – Sobre o que nós decidimos, de contar para eles… Como você acha que nós deveríamos fazer isso? Aproveitar que estamos aqui e contar para a sua mãe, ou esperar e contar para a minha… — E ele estremeceu, somente de imaginar a reação da sua mãe, entre todas as pessoas. É claro que ela faria um escândalo. Começaria a chamar Wolfram de filho, e o faria chamá-la de Mama. Ficaria horas conversando com ele… Faria trocadilhos sem graça, contaria para toda a vizinhança. Ah, ela iria querer fazer uma festa para “reunir as famílias”, sem sombra de dúvidas. E Yuri, pela primeira vez desde que começou a namorar Wolfram, temeu pela sua dignidade. Ele passaria tanta vergonha na frente de Wolfram, depois que ela descobrisse… Precisava se preparar psicologicamente para isso, também.

— Ah… Eu não sei. Você prefere contar para a sua mãe primeiro?

— Não! Quero dizer, ela ficaria exultante em ser a primeira, mas seria bom poder sondar o meu pai e o meu irmão, ver o que eles acham… E, ao mesmo tempo, eu sei que ela ficará desolada se for a última a saber. – Yuri suspirou. Já estava cansado antes mesmo de falar com ela.

— Minha mãe também detesta ser a última a ficar sabendo das coisas… Se nós contarmos para a sua mãe antes, ela vai ficar magoada. — Wolfram revirou os olhos, um tanto indignado em ter que lidar com essas particularidades da sua mãe. Era tudo tão complicado que ele tinha vontade de apenas continuar mantendo o segredo sobre Yuri somente para si. – O que nós fazemos? Nenhuma das duas vai querer ser a última a ficar sabendo.

Era engraçado que a maior preocupação dos dois não fosse exatamente pela reação das suas mães, mas pelo fato de que eles haviam demorado muito para contar a verdade para elas. Claro que ainda havia o irmão de Yuri, e o tio de Wolfram para se lidar, e era desnecessário dizer que eram duas pessoas difíceis, embora Yuri tivesse quase certeza de que poderia conversar com Shori tranquilamente, e Wolfram tinha a ideia de que Valtrana não era influente o bastante para ser algum perigo.

— Então, como fazemos? – Yuri indagou, coçando o rosto.

— Você passa a noite aqui em casa e nós deixamos assim. Amanhã, nós contamos para elas, ao mesmo tempo. Você conta para a sua família, e eu conto para a minha. Simples assim.

— Mas… E o seu tio? Ele não vai ser um problema? Pelo que nós ouvimos dele hoje no almoço, ele não vai aceitar isso facilmente, sabe… Eu não quero deixar você enfrentando isso sozinho…

— Eu não vou contar para ele ainda. Só para a minha mãe… Ela eu sei que vai entender. Talvez para o Conrad, embora eu desconfie que ele já saiba, e também Gwendal. – Ele voltou a fitar Yuri. – Tudo bem se eu fizer isso?

Não era muito do feitio de Wolfram se preocupar sobre como as coisas estariam para outras pessoas, mas Yuri sabia que ele tinha motivos pra estar apreensivo. Ele próprio estava quase reconsiderando a ideia. Mas era o certo, ele sabia, dizer a verdade a todos. Compartilhar com as pessoas queridas a felicidade que ele sentia era o mínimo a se fazer. Sem falar que, quanto mais demorasse com esse assunto, mais difícil seria.

— Só acho que tem um problema em contar para minha mãe… — Yuri rodeou os braços na cintura de Wolfram, e o puxou na sua direção, prendendo-o.

— P-problema? Que problema?

— Ela não vai acreditar que meu namorado é alguém tão lindo quanto você. – Ele resmungou em resposta, enterrando o rosto no pescoço de Wolfram, onde estava quente e ele podia sentir o perfume dele.

— Yuri… Nariz gelado… — Wolfram reclamou, embora não parecesse estar tentando se afastar. – Melhor voltarmos logo para casa, está frio, e eu já mostrei o lugar para você… — Ele enfim conseguiu se desvencilhar, e foi andando na direção da trilha entre as árvores.

— Não, espera… Tem uma coisa que eu preciso fazer…

Wolfram parou, virando-se para ele, mas, no instante em que fez isso, uma bola de neve acertou em cheio seu rosto, espalhando-se por seu cabelo e suas roupa. Ele olhou, chocado, para Yuri, que ainda estava na posição de arremesso, como se estivesse no meio de uma partida de baseball, e ria abertamente.

— C-como… Por que fez isso?

— Você nunca brincou de guerra de neve, Wolf? – Yuri desafiou, juntando mais um punhado de neve entre as mãos para formar outra bola. Wolfram poderia responder que não, e seria a verdade, mas ele apenas juntou rapidamente um monte de neve e jogou na direção de Yuri, acertando-o no braço.

— Duvido que um fracote como você possa me vencer! – Ele desafiou, e saiu correndo antes que Yuri o acertasse mais uma vez. Ele tentou mais algumas boladas, mas Wolfram era rápido, e se escondia atrás das árvores antes que ele pudesse alcançá-lo. Em contrapartida, ele aproveitou o fato de que Yuri hesitava antes de jogar a bola de neve para acertá-lo, e então saía correndo. O moreno se surpreendeu ao ouvir um som que raramente podia ser percebido: a risada de Wolfram.

Como o loiro ia correndo e se embrenhando pelas árvores secas, Yuri desistiu de tentar acertá-lo, e apressou o passo, tentando chegar até ele. Finalmente, quando Wolfram fazia a volta para chegar perto da clareira onde ficava o lago, ele conseguiu agarrá-lo pela cintura, e os dois perderam o equilíbrio e rolaram pela neve fofa.

Wolfram tremia, de empolgação ou de frio, provavelmente uma mistura dos dois. Yuri, que havia caído por baixo, o envolveu com os dois braços, rolando até que Wolfram estivesse bem seguro entre seus braços, com a cabeça afundando na neve branca, os cabelos inteiramente tomados de pequenos pontinhos brancos, assim como os de Yuri também estavam.

Os dois estavam ofegantes pela corrida, e suas respirações esbranquiçadas pelo ar frio se misturavam no pequeno espaço que separava seus rostos. Yuri encarou os orbes verdes de Wolfram, e podia inclusive contar seus cílios longos, respingados de flocos brancos. Seu coração se apertava e acelerava de uma maneira já conhecida, confortável, e ele sabia que Wolfram se sentia da mesma maneira que ele, naquele momento.

— Wolf… — Ele se aproximou quase inconsciente, completamente tomado pela presença de Wolfram, e seus lábios se roçaram. Yuri segurou o rosto de Wolfram com uma das mãos, como se tomasse cuidado com um objeto frágil que poderia que desmanchar com qualquer toque descuidado, assim como a neve abaixo deles.

Seus lábios enfim se juntaram, de maneira lenta e prolongada indefinidamente, sem pressa alguma de se separar. Yuri queria proteger Wolfram. Protegê-lo de qualquer um que pudesse fazer mal a ele, fosse com ações ou com palavras — e, por isso, ele temia o que o futuro reservava a eles. Sabia que não seria fácil desde o início, mas tudo o que ele desejava era fazer Wolfram feliz, e ele faria o possível para manter aquele sorriso tão lindo no rosto do garoto que amava.

E apesar de todas essas inseguranças, ele se sentia feliz. E se sentir desse jeito era mais uma apreensão do garoto, afinal, sua vida nunca havia sido algo digno de nota até o momento em que Wolfram entrou nela; e, se ele nunca havia sido tão feliz assim, estava claro que essa tranquilidade toda não poderia ser eterna. Isso era o que ele mais temia.

— Yuri… O que está acontecendo com você? Está estranho… — Wolfram murmurou pouco tempo depois, quando Yuri enfim se afastou, erguendo-se e estendendo a mão para ajudar Wolfram a se levantar.

— Eu só estava pensando… no quanto eu tenho sorte. Sorte em ter conhecido você, e em ter me apaixonado pelo meu melhor amigo, e por você sentir o mesmo por mim. Eu simplesmente… me dei conta do quanto eu amo você. – Ele sorriu. – Amo muito, mesmo…

— Eu sei… — Wolfram respondeu, surpreso, com a voz falhando, e o rosto absolutamente vermelho. – Por que... isso tudo, de repente?

— Eu só senti vontade de dizer. – Yuri sentiu-se engasgar, de repente. Era ,de novo, aquele sentimento de que algo não estava certo, de que ele estava tendo uma benção que não merecia, de que a qualquer momento tudo desmoronaria. Abraçou o loiro de repente, quase o sufocando. – Se você já sabe, deveria dizer de vez em quando para mim também…

— Dizer o quê?

— Que me ama! Sou sempre eu quem diz… — Yuri se afastou minimamente, e seu rosto estava absolutamente suplicante, quase como o de uma criancinha que fazia birra. Tinha até um beicinho. Wolfram soltou uma risada soprada, embora ainda estivesse corado.

— E eu não digo, Yuri?

— Não! Eu nunca ouvi pelo menos, com essas palavras…

Wolfram suspirou, e juntou ar, erguendo o rosto para encarar Yuri. Segurou-o firmemente com ambas as mãos para garantir que ele fosse ouvir bem, e que estivesse olhando para ele. Se Yuri queria tanto ouvir isso, ele diria, mas tinha que ter certeza de que ele prestaria bem atenção.

— Yuri. Eu te amo. Amo muito. Fracote. – E então ele desviou o olhar, recuperando o fôlego, e soltando outro riso disfarçado e constrangido, absolutamente adorável. – Você já deveria saber, a essa altura, sem eu precisar falar…

— É sempre bom ouvir… — Yuri não se conteve, e beijou Wolfram mais uma vez, agora quase erguendo-o no ar enquanto o abraçava pela cintura. – É que… eu acabo tendo tanto medo de te perder…

Wolfram tocou os pés no chão, e se colocou na ponta deles, ainda segurando o rosto de Yuri entre as mãos. Com o impulso para cima, ele tocou com os lábios gelados a testa de Yuri. Quando voltou a fitá-lo, ele mantinha um semblante de choque e assimilação lenta.

— É um encanto, lembra? Para fazer o medo ir embora.

Yuri sorriu, levando a mão no lugar tocado. Estranhamente, era como se de fato toda a aflição e as hesitações no seu coração tivessem sido varridas para longe, e ele apenas batesse leve, com vontade e com um peso a menos para carregar.

— Sim, o medo foi embora. – Ele respondeu, sorrindo, e segurou a mão de Wolfram na sua.

— Está muito frio aqui, vamos logo voltar… — Wolfram virou o rosto, tentando disfarçar o embaraço, e foi guiando Yuri de volta pelo caminho por onde vieram.

— Ah, antes… Tinha uma coisa que eu queria perguntar! – Ele disse rapidamente, fazendo Wolfram parar de andar. — Nós podemos patinar nesse lago congelado algum dia? – Ele apontou para trás, onde o lago parado no tempo reluzia fracamente.

Wolfram olhou para lá, demorando um pouco o olhar pela superfície, e por um breve momento lembrou-se daquela noite mágica de Natal e de todas as lembranças. Quase imperceptivelmente, sorriu, e então voltou-se novamente para Yuri, enlaçando-se a ele para evitar o vento gelado.

— A camada de gelo é rasa, ele se quebraria. – Respondeu. – Mas nós sempre podemos ir ao ringue de patinação, não é? Eu vou ensinar você a girar, da próxima vez.

— Ah, mas eu sou horrível nisso! E se eu cair?

Wolfram baixou o rosto, encobrindo-o com a franja.

— Então eu caio junto com você. — Ele murmurou, mais para si mesmo, e então, apressou-se em alcançar o lugar onde Astrid estava.

Montou rapidamente, com a agilidade de anos de prática, e ajudou Yuri a dar impulso para cima. Ele aninhou-se muito bem no namorado, tiritando de frio e aproveitando para se aquecer, e os dois cavalgaram dessa vez mais lentamente, em um ritmado trote que fazia o caminho durar mais.

Definitivamente, andar a cavalo não era uma atividade tão ruim quanto Yuri pensou no início.

Notas finais
Boa noite, pessoas! Vocês devem estar imaginando o que uma pessoa tão correta e inocente faz acordada há essa hora, e a resposta é, nem queiram saber! Bem, como o capítulo estava pronto e esperando para ser postado, resolvi ser rápida~ mas tem um porém. Essa capítulo ficou enormemente colossal, eu precisei dividi-lo em duas belas partes... então pensei, Valentine's day chegando, por que não presentear os meus queridos e amados leitores com mais um capítulo?? Ah, eles merecem! Então, aguardem ansiosos, porque no dia 14 de fevereiro, teremos outro capítulo, superespecial! Mas antes disso, tenho uma questão importantíssima a levantar. Por favor, não deixem de se manifestar, quem realmente quer ver LEMON nessa fic! Porque eu pretendo colocar, mas não acho justo, já que a fanfic está desde o início classificada como +16, mudar de repente sem antes avisar... Não estou dizendo que vai acontecer hoje, ou amanhã, mas eventualmente isso poderá ser possível, e antes que aconteça, eu gostaria de saber a opinião de todos... Bem, só posso dizer, aguardem ansiosos pelo próximo! E por favor, não deixem de expressar suas opiniões sobre o lemon, mesmo aqueles leitores fantasmas queridos (estou dizendo queridos sem sarcasmo, ok? Sei que estão aí e amo vocês XD) Até dia 14!~ [Revisado]