Never knew I could feel like this

Nunca soube que eu poderia me sentir assim

Like I've never seen the sky before

Como se eu nunca tivesse visto o céu antes

Want to vanish inside your kiss

Querer desaparecer dentro de um beijo seu

Seasons may change winter to spring

Estações podem mudar, inverno para a primavera

But I love you until the end of time

Mas eu te amo até o fim dos tempos

Suddenly the world seems such a perfect place

De repente o mundo parece um lugar perfeito

Suddenly it moves with such a perfect grace

De repente ele se move com uma graça perfeita

Suddenly my life doesn't seem such a waste

De repente minha vida não parece um desperdício

It all revolves around you

E tudo gira em torno de você



Capítulo 26



Yuri não tinha ideia de por onde deveria começar. Ele arrastou Wolfram até a praça perto da sua casa, mas, agora que percebia o quão impulsivo havia sido, e que não sabia o que fazer, arrependia-se por não ter se preparado devidamente antes.

Eles se acomodaram em um banco de madeira, embaixo de uma árvore enorme que agora estava com a maioria das suas folhas caídas, e as poucas que ainda resistiam eram de um tom alaranjado que indicava que não permaneceriam muito mais tempo presas no galho. De fato, o vento era tão forte que logo desprendeu inúmeras delas, que acabaram flutuando na água do lago que ficava bem a frente de onde eles estavam.

Os dois estavam sentados lado a lado, e Yuri se arrependa amargamente por ter saído tão impensadamente de casa, sem ter pegado nenhum casaco. Apenas o moletom cinza não era o bastante para conter o vento que parecia encontrar brechas onde não havia, para gelar diretamente a sua pele. Wolfram estava bem aquecido, com seu longo sobretudo marrom-claro, e batia o pé no chão impacientemente, esperando que Yuri dissesse logo por que eles tiveram que sair de casa.

— Desculpa… ter te arrastado todo esse caminho até aqui… — Yuri esfregou as mãos geladas, olhando para a folha que acabara de cair no lago, e boiava delicadamente sobre a água. – É só que… eu não queria que a Miya e o Murata… ou até a minha mãe… nos atrapalhasse agora…

A maneira como ele disse “nos atrapalhar” fez Wolfram novamente ter reações adversas. Yuri estava falando baixo, e parecia nervoso, o que já não era tão comum. Seu rosto estava vermelho, e não era por causa do frio. Ele o fitava de canto de olho, e logo depois voltava a olhar para frente, mordendo os lábios com força. Parecia… parecia alguém que estava prestes a… se confessar!

— Yuri… O que você está pretendendo… — Wolfram ia perguntar, mas Yuri virou o rosto para ele no mesmo instante, com um olhar suplicante, fazendo-o engolir a sua frase.

— Por favor, Wolf… me deixe falar! Eu preciso dizer logo, antes que eu perca a coragem!! – Ele quase gritou, cerrando os olhos com força para conter o nervosismo. Wolfram engoliu em seco, recusando-se a interpretar o que via de qualquer maneira que fosse. Se estivesse errado, acabaria se lamentando pelo resto da vida. E se estivesse correto… Bem, ele apenas não conseguia imaginar essa hipótese. – O que eu quero dizer é… P-por favor, depois que eu disser, não fique com raiva de mim! Eu sei que é egoísta, mas eu não quero que você pare de falar comigo! Não quero que você me odeie… Será que você não pode fazer um esforcinho, e continuar sendo meu amigo, mesmo depois que eu contar… o que eu quero contar…?

— O que você fez de tão ruim assim que eu poderia acabar odiando você, Yuri? – Wolfram replicou, sem conseguir acreditar que pudesse haver alguma maneira de ele sentir aversão por Yuri, não importando que tipos de coisas estúpidas ele pudesse ter feito. Como beijá-lo sem droga de razão alguma, sem nem avisar antes ou algo assim? Bem, nem assim ele o odiaria…

—Você lembra… quando eu disse que, quando eu me apaixonasse de verdade, você seria a primeira pessoa para quem eu contaria? – Yuri murmurou, erguendo os olhos para o céu nublado.

— Lembro… — Wolfram baixou a voz, e virou o rosto rápido para frente. E se finalmente tivesse acontecido, e Yuri tivesse encontrado alguém de quem gostasse? Wolfram nem mesmo teve a chance de colocar algum das centenas e planos que formava na sua mente em prática. Certo, se ela fosse alguma garota metida e que não tratasse Yuri direito, ele só precisava pulverizá-la, seria rápido. Mas… Se Yuri tivesse feito uma boa escolha dessa vez… e ela fosse uma garota legal… Wolfram sentia que não poderia acabar com a felicidade de Yuri apenas por causa do seu enorme egocentrismo. Afinal… Ele o amava. E tudo o que queria era a felicidade dele.

— Bem… Sinto muito, Wolf, mas eu menti. – Yuri suspirou, e Wolfram virou-se imediatamente, indignado, para ele. E pensar que ele estava seriamente considerando os sentimentos daquele fracote! Traidor!

— Mentiu? Você mentiu para mim? Eu achei que nós fossemos amigos, seu fracote, imbecil! – Wolfram gritou, e Yuri tentou se defender dos golpes descontrolados que o loiro desferia.

— Desculpa, Wolfram, mas eu não pude cumprir nossa promessa!! Você não foi a primeira pessoa para quem eu contei! – Yuri tentava se explicar, ainda que fosse difícil desviar de Wolfram e falar ao mesmo tempo. Enfim, ele conseguiu segurá-lo pelo pulso, baixando sua mão lentamente. Não a soltou, mesmo que Wolfram já tivesse parado de tentar bater nele. – Eu acabei falando com a Susanna Julia-san…

— A Susanna Julia?? – Wolfram chocou-se. – Eu não sabia que você era um pervertido que gostava de mulheres mais velhas, Yuri! Seu fracote indecente, ela vai se casar!!! Você também andou dando em cima da minha mãe, é isso?

— Não, não é dela que eu estou falando! Não gosto de mulheres mais velhas! Eu só conversei com ela, naquele dia, e ela me fez perceber… Bem, várias coisas… — Yuri ergueu os olhos, com um sorriso calmo se formando, e Wolfram engoliu em seco, completamente desarmado com aquele comportamento. Quando Yuri resolvia ser sério com alguma coisa, Wolfram não conseguia lidar com ele como sempre. Era como se seu cérebro derretesse só de tentar. – Então, eu conversei com o seu irmão Conrad e…

— Não!!! Você está a fim do meu irmão??? – Wolfram soltou um grito agudo, erguendo-se do banco, estupefato com aquilo. Se já era ruim o bastante que Yuri pudesse gostar de alguma garota legal, seu irmão então, ultrapassava todos os parâmetros do que Wolfram poderia julgar como “aceitável”. Claro que ele não tinha nenhum argumento para vencer Yuri. Conrad era a melhor pessoa que ele conhecia! Ninguém iria cuidar melhor de outra pessoa… do que ele.

— Não, Wolfram, pelo amor de Deus, não! – Yuri voltou a segurar a mão dele e o fez sentar novamente. O loiro respirou fundo, sentindo-se preparado para qualquer coisa a partir de agora. Aquele fracote ia matá-lo do coração qualquer dia desses. – O que eu estou querendo dizer é que eu percebi quem era a pessoa de quem eu gostava, depois de conversar com a Susanna Julia, e também com seu irmão no outro dia. E então, o Murata, ele…

— É o Murata??? – Wolfram voltou a interromper Yuri, e levantou-se do banco. – Aquele maldito quatro-olhos, bem que eu achei estranho ele me impedir de entrar no seu quarto! – Ele parecia pronto para sair marchando de volta para a casa de Yuri para tirar satisfações com o próprio Murata, mas Yuri o conteve novamente, segurando-o pelo braço e dando meia volta, até que ele parasse de frente para ele.

— Para de fazer suposições e me deixe terminar de falar, Wolfram! – Yuri bradou, fora de controle, e Wolfram parou de resmungar no mesmo segundo, assustado. Yuri segurava ambos os seus braços com força, e ele nunca o viu tão determinado na vida. O rosto estava corado, mas ele ainda parecia firme na sua decisão. – É você, tá legal?! Você é a pessoa que eu amo!!

— O... quê? – Wolfram engasgou, indignado, e Yuri sentiu um arrepio, percebendo um pouco tarde que aquela não havia sido nem de longe a confissão romântica que ele tinha planejado. – Yuri, se isso for alguma brincadeira…

— Não, não é brincadeira!!! – Yuri se apressou em dizer, temendo que ficasse desacreditado depois de tudo o que havia feito. Com cuidado, colocou Wolfram novamente no banco de madeira, e sentou também, encarando-o nervosamente, segurando-o pelos ombros. – Wolfram, eu amo você! Era isso o que eu queria dizer aquele dia na sua casa, e era isso que eu estava tentando escrever em uma carta, quando você chegou no meu quarto. Eu sei que pode ser repentino, e que provavelmente não é o que você estava esperando, mas…

— D-desde quando… — Wolfram murmurou, incrédulo, ainda paralisado. Sua pulsação acelerou tão rápido que ele ficou tonto com tanta informação, e encontrava dificuldades para divisar o que era realidade do que poderia ser somente um sonho. Sentiu seu mundo girando. O que ele havia acabado de ouvir mesmo?

— Eu não sei exatamente… — Yuri soltou Wolfram, com medo de fazê-lo ficar desconfortável demais com a situação. Virou-se para frente e fitou os próprios pés, colocando as mãos geladas nos bolsos do moleton. Seu rosto ainda estava bem vermelho. – Eu acho que sempre tive… Sobre você… Pensamentos que não se tem normalmente sobre os amigos… — Ele confessou, e sentiu as orelhas queimarem. Se encolheu, constrangido, com aquela súbita revelação, mas Wolfram continuou em silêncio, absorvendo a notícia devagar. – Primeiro, eu percebi que queria ficar mais perto de você… Saber mais sobre você… Tudo o que eu queria era ser seu amigo, e fazê-lo sorrir. Como quando nos conhecemos, quando crianças, e agora também. Eu só queria um sorriso seu… Só que… Talvez, eu tenha ficado ganancioso, porque apenas isso já não era mais suficiente, e eu queria tocá-lo, e abraçá-lo… Mesmo você sendo um garoto, eu me sentia dessa forma sobre você, e não sei como isso foi começar, mas…

— Eu sou só uma curiosidade para você? – Wolfram levantou os olhos, e Yuri sentiu que qualquer coisa que falasse agora poderia sair errado. Aaah, por que as palavras certas para convencer Wolfram do que ele sentia apenas não surgiam na sua mente, como mágica?

— Não é isso, Wolfram… — Yuri segurou a mão de Wolfram, tentando transmitir confiança. A mão dele estava gelada, e tremia ao seu toque. Ele a segurou com ambas as mãos, tentando aquecê-las. – No início, realmente… Eu pensei que tocar você, dessa maneira… — Ele passou as pontas dos dedos na pele macia, e Wolfram o observou, atônito, com o coração quase saindo pela boca de tanto nervosismo. — … era bom. E como eu nunca tive de verdade nenhuma experiência sobre me apaixonar ou qualquer coisa assim, eu realmente não sabia o que fazer… Mas, eu pensei que, se eu tinha que vivenciar algo desse tipo… — Yuri ergueu os olhos, e focou-os diretamente nos verde-esmeralda de Wolfram, não dando a ele nenhuma chance de escapar. Ele o fitava com a boca entreaberta de surpresa, e o coração batendo alto. Yuri sorriu. — …tinha que ser com você, Wolfram, e com mais ninguém.

— A-ah… — Wolfram soluçou. Yuri temeu que ele pudesse ter algum ímpeto de raiva e o atirar no meio do lago gelado, ou então sair correndo, mas ele apenas juntou as mãos em frente ao rosto ruborizado, escondendo-o. — … P-por que você tinha que dizer isso?? – Wolfram gritou, com a voz abafada, e seus ombros tremiam. Yuri tentou se aproximar, mas não sabia exatamente como fazer isso. – E-e-esse tipo de declaração feita pela metade, acha mesmo que eu vou me contentar apenas com isso? Seu fracote, imbecil! – Ele gritou mais uma vez, e empurrou Yuri para longe. Seus olhos estavam marejados, mas ele lutava com todas as forças para não deixar nenhuma lágrima cair. – Se você ousar voltar atrás na sua palavra, e depois vier pedir desculpas e dizer que não era isso o que você queria, eu juro… Eu juro que mato você!

— Isso significa que…

— Só você que nunca foi capaz de perceber o que eu sinto por você! – Wolfram gritou mais uma vez, perdendo a paciência, e Yuri sobressaltou. Entender explicações nunca foi o forte dele, é claro, mas aquelas palavras entraram fundo em sua mente, e ele só pode chegar a uma única conclusão. Um enorme sorriso se formou, e Wolfram continuava a encará-lo com todo o autocontrole que possuía, tentando não fazer nada que pudesse atrapalhar o raciocínio, já debilitado, daquele garoto.

— Então… então… Isso… Você… e e-eu… — Sem encontrar nenhuma palavra suficientemente razoável para descrever a situação em que se encontravam, Yuri apenas balbuciou sons sem sentido, com um sorriso absolutamente tolo no rosto inteiro. Wolfram revirou os olhos, sentando para trás no banco, mantendo uma distância segura daquele idiota, embora estivesse com vontade de esquecer a compostura por apenas um segundo, e relevar o fato de que estavam em um local público.

— Eu sou o maior idiota desse mundo, por acabar sentindo essas coisas por um fracote como você. Eu poderia escolher qualquer um... mas foi por você que eu… E-espero que tenha isso em mente sempre, e tome responsabilidade por tudo o que disse, ao firmar esse compromisso comigo! – Ele desviou os olhos ferinos para Yuri, com os braços cruzados, e parecia perfeitamente controlado, ainda que seu coração batesse como louco dentro do peito.

— C-compromisso…? – Yuri repetiu, sem conseguir acreditar. Isso era mesmo verdade? Mas… era incrivelmente conveniente, que a pessoa por quem ele se apaixonou, retribuísse esse sentimento, não é? Coisas assim… não aconteciam somente nos mangás?

— Você realmente espera que eu- — Wolfram indignou-se, mas sua frase foi cortada por um brusco e repentino abraço de Yuri, que sufocou todas as suas palavras em apenas um segundo. Todo o frio que ele sentia se dissipou, sentindo algo quente inflando-se no seu peito, espalhando pelo resto do seu corpo, fazendo-o estremecer e perder o senso de realidade.

Yuri apertou com força o loiro contra si, enterrando o rosto na curva do seu pescoço, gravando na mente o seu perfume floral, tão gostoso… E a sensação cálida do corpo dele… Tudo isso era mais do que ele podia imaginar, na sua limitada concepção. Wolfram hesitou, mas retribuiu ao abraço, cravando as unhas no tecido do casaco como medida adicional para garantir que tudo não fosse desaparecer entre seus dedos.

— Se você ousar…

— Sshh… Eu não vou mudar de ideia, Wolf… — Yuri sussurrou no ouvido de Wolfram, e ele paralisou diante das sensações provocadas por esse simples contato, e a respiração quente dele tocando sua pele. Yuri não desfez o abraço, enquanto falava. — Eu amo você… Agora que eu já disse, não consigo parar de repetir… — Ele riu, e a sua risada reverberou pelo corpo de Wolfram, fazendo-o formigar. – Eu amo você, Wolf… Muito mesmo… Mas eu não sei… Não sei o que fazer... – Ele confessou, escondendo o rosto mais uma vez nos ombros de Wolfram, e seus lábios roçaram de leve no pescoço dele, fazendo-o arquejar.

— F-fracote… — Murmurou fracamente, perdido entre as emoções tão inesperadas. Não queria soltar Yuri nunca mais. Não queria sair daquele lugar, jamais. Se pudesse apenas parar o tempo e ficar ali para sempre, ele o faria. Mas, precisava fazer algo, antes disso. Afastou-se minimamente dele, e Yuri parecia um filhotinho de cachorro confuso, de quem tiram o brinquedo favorito sem nenhum motivo. Segurou seu rosto em uma das mãos, observando o semblante de Yuri ruborizar e se atenuar, com um sorriso fácil brincando nos lábios. – Se você realmente não sabe o que deve fazer agora, então suponho que deva ser eu a mostrar o caminho…

Ele cerrou os olhos, impelindo-se na direção de Yuri, e logo sentiu o nariz dele roçando com o seu, a respiração desordenada do garoto batendo em seu rosto. Yuri estava nervoso, e Wolfram gostava de saber disso. Inclinou-se para a direita, e avançou os derradeiros centímetros que os separavam de seu alvo, enfim sentindo os lábios entreabertos de Yuri tocando os seus. Seu corpo inteiro estremeceu, de expectativa e satisfação, enquanto sentia Yuri se aproximar ainda mais, envolvendo-o pela cintura com os dois braços, suspirando pesadamente, sem se separar dele.

Ele pareceu finalmente entender o que acontecia, e se concentrou no que fazia. Ainda abraçando Wolfram com força, aprofundou o contato da maneira que julgava certa, mas como não houve reclamações, ele continuou da forma como estava. Pediu passagem com a língua, hesitantemente e, como previsto, Wolfram aceitou facilmente, entrelaçando a mão na nuca de Yuri, trazendo para tão perto quanto pudesse, prendendo-o em seus braços que tanto ansiaram poder tocá-lo, e finalmente tinham agora seu desejo realizado.

Com as milhões de borboletas lutando em seu estômago, seu coração pulsando alto contra seu ouvido, Yuri sentia-se completo, com a sensação macia dos lábios de Wolfram nos seus. Era exatamente a mesma sensação mágica que sentia quando sonhava com “a garota predestinada”, mas muito, muito melhor. Porque era real, e porque era Wolfram.

Em algum lugar da sua mente, girava a ideia de que eles estavam em um lugar público, e qualquer um que passasse poderia vê-los, mas ele não se importava com isso. Se alguém os visse… Bem, ótimo. Não havia nada que ele pudesse fazer por essas pessoas. Porque ele já estava bem ocupado, com Wolfram, e não ligava nem um pouco para o que pudessem pensar dele, de qualquer forma.

Finalmente, a necessidade de respirar se provou mais urgente do que a vontade que tinham de ficar daquela maneira para sempre, e os dois tiveram que se separar. Wolfram soltou Yuri lentamente, repentinamente percebendo tudo o que havia feito e dito. Yuri sorriu, inseguro, e ele sentiu o rosto em chamas. Não conseguiu segurar-se por mais tempo, e escondeu o rosto no peito de Yuri.

— Idiota, fracote idiota. – Ele reclamou, com a voz abafada pelo tecido do moletom, e os braços do japonês não demoraram a circundá-lo, em mais um abraço carinhoso e protetor. – P-por que demorou tanto para…

— Desculpe, Wolf… Eu fiz você esperar…

— Isso é tudo o que você tem a dizer? – Wolfram levantou os olhos, irritado, Yuri riu, mais uma vez.

— O que eu posso fazer para recompensar? – Estava se sentindo tão feliz, que não se importava em parecer bobo. Ele se sentia bobo. Podia ficar rindo como um tolo o dia inteiro, sem nem ligar para isso. Tudo estava mais brilhante, o dia era nublado, mas, para ele, soava com uma maravilhosa e ensolarada tarde; com passarinhos cantando, borboletas flutuando, as flores desabrochando, muito embora fosse inverno.

Wolfram deitou a cabeça em seu peito, aspirando o cheiro que ele emanava. Ainda tinha problemas em conseguir provas suficientes de que aquela era a realidade, e não mais um dos seus sonhos. Pensou por um momento breve.

— Eu vou pensar em algo suficientemente bom para ser sua punição. – Ele resmungou.

— Você vai mesmo querer me punir? – Ele ergueu o rosto de Wolfram com o dedo no seu queixo, e tocou suas testas. – Não seja mau, Wolf… — Murmurou, com os olhos negros focados nos dele.

Wolfram sentiu outro solavanco no peito, e franziu os olhos. Esse fracote era surpreendentemente bom nisso. Ele não sabia, mas toda a experiência de Yuri vinha dos mangás de Miyako, e ele estava se esforçando muito para parecer legal, agora.

— Você precisa aprender a lição, ou vai acabar pensando que pode fazer o que quiser, e eu sempre vou perdoá-lo… — Wolfram tentava ser rígido, mas ter Yuri passando os dedos pela sua bochecha, enquanto o apertava pela cintura com a outra mão, e ainda roçava com os lábios no seu rosto… Bem, pode-se dizer que ele não estava indo tão bem quanto pretendera.

— Wolf… Isso tudo… Quer dizer que nós estamos juntos? – Ele sussurrou, subitamente amedrontado com a resposta. Wolfram sorriu de canto.

— Juntos. – Ele confirmou, e Yuri sorriu. Wolfram não pôde deixar de pensar que ele se parecia com Liesel, quando ele brincava com ela no pátio. Completamente alegre, com algo tão breve e simples. – E é melhor você se dedicar a isso, ouviu bem? Se eu descobrir que você anda falando com qualquer garota por aí…

— Sim, sim, sim! Eu vou ser o melhor namorado do mundo, para você. – Ele abraçou Wolfram novamente, sem nem dar a ele a chance de respirar.

— N-namorado? – Ele corou furiosamente, e Yuri estancou, ainda com ele nos seus braços.

— Eu pensei que… N-não era isso o que você queria dizer…? – Ele inclinou a cabeça para o lado, fitando Wolfram, sufocando-o no seu abraço de urso.

— Era isso. Só que… — Wolfram desviou o olhar. – É estranho… ouvir isso…

— Ah, como você é fofo, Wolfram! – Sem conseguir resistir, ele depositou outro beijo no rosto de Wolfram, deixando-o ainda mais desconcertado. Com certeza, havia os genes de Hamano Jennifer naquele garoto. Aquela amabilidade toda não era comum nos japoneses, ou, pelo menos, era isso o que Wolfram ouvira. Mas… ele podia se acostumar com aquilo.

Enquanto o recém-formado casal começava a aproveitar o tempo que tinham, e começar a se acostumar com a nova situação em que se encontravam, não reparavam que, ao redor, várias pessoas presenciaram sua cena absolutamente romântica no parque. Quase ninguém prestou atenção, era verdade… E os poucos que o fizeram, logo trataram de passar reto, ou esquecer. Havia ainda aqueles que achavam bonitinho.

Porém, em meio à todas as pessoas que resolveram sair de suas casas para caminhar no parque em uma tarde nublada, estava alguém que sabia quem eram aqueles dois. E não ficou nem um pouco feliz com o que viu.

Notas finais
Todo mundo vivo? Ninguém querendo me matar? Okay... *sai de trás de uma barricada de travesseiros* Pois é... parece que agora foi~~ Será que foi... bom? aah, eu estou nervosa.. por mais que escrevesse e reescrevesse esse capítulo, nada parecia bom o suficiente .-. Espero que esteja à altura das expectativas... *volta a se esconder nos travesseiros* [Revisado]