Notas iniciais
Yoo, minna-san~ olha eu aqui outra veez~ Sim eu confesso, estou completamente viciada em Yuuram, não consigo parar de escrever isso!! Não consigo parar de ler o mangá, de procurar por fanarts aahh~~ !! Eu preciso de tratamento .-. Enquanto isso, fiquem com o resultado da minha loucura (era duas da manhã e eu tava escrevendo isso...) ~ Boa leitura!

Kitto aijou nante gensou datte

Sentir isso, ainda que seja uma exceção

Gomakashitakunai yo kizutsuita to shitemo

Não quero te enganar, ainda estou magoado

Wakariaitai to tsuyoku negau hodo

Quero saber se é só um grande desejo seu

Butsukaru koto mo aru kara

Ás vezes há momentos em que me preocupo

Nakeru kurai aozora kousaten de te o nobashita

Abri minhas mãos quando o céu derramou suas lágrimas

Juu nen go mo konna fuu ni irareru kana isshouni

Ao meu redor, sem se importar com o passar do tempo, por mais dez anos isso continuou



Capítulo 22

Wolfram fechou o livro que vagamente tentava ler há mais de meia hora, e deixou-o de lado. Pegou a xícara de chá que estava repousada na mesa de canto, mas ele já estava frio. Com um resmungo, ele se ergueu, rodeando a sala da biblioteca a procura de algum título que chamasse sua atenção, em meio a centenas de livros de inestimável valor que estavam ali reunidos.

Passeando com a ponta dos dedos pela borda das capas, ele caçou com olhos atentos qualquer coisa que pudesse fazer sua mente viajar para mundos desconhecidos e, dessa forma, o liberasse ao menos um pouco de todos os pensamentos que rondavam sua mente, que nunca o deixavam em paz. Suspirou, desistindo e voltando a sentar na poltrona onde estava instalado anteriormente. Era inútil fazer isso para se distrair. Havia tentado de tudo, e nada entrava na sua cabeça… Isso porque aquele inútil fracote era espaçoso demais, e não deixava mais nenhum pensamento produtivo passar pela mente do loiro. Era apenas “Yuri, Yuri, Yuri” o tempo todo! Ah, ele já estava começando a pirar com isso!

Mesmo quando pensava que estava começando a olhar para frente, e esquecer aquele acontecimento, seus sentimentos se embaralhavam novamente, e a memória do beijo daquela noite voltava a atormentá-lo, repetindo-se sem parar na sua mente, torturando-o lentamente com a lembrança daquilo que, ele tinha certeza, jamais se repetiria. Dessa maneira, ele nunca seria capaz de superar isso! Se bem que, ele nem tinha certeza de querer superar isso ou não… Para ser ainda mais preciso, ele não tinha certeza de mais nada!

Três dias já haviam se passado, e nenhum dos dois ousara tocar nesse assunto. Seria como se nada tivesse acontecido, se alguns pequenos deslizes ou palavras soltas não desenrolassem um intenso e quase insuportável clima de constrangimento entre os dois, o que só deixava tudo ainda mais difícil para Wolfram. Se ao menos Yuri não fosse tão fraco, capaz de se deixar levar pela atmosfera facilmente e agindo meramente pelos seus impulsos, nada teria acontecido. Tudo continuaria como sempre foi entre eles. Embora, Wolfram odiava ter que admitir, ter tudo como era antes também não o satisfazia.

Ele havia gostado daquele beijo, droga, era humano também! E é claro que sonhava com aquilo de vez em quando, desejava intimamente que acontecesse de novo… Porém, por mais que esses desejos inconscientes o assolassem, tinha plena consciência da sua condição, e dos motivos por trás do comportamento de Yuri. Não se precipitaria mais, e deixaria tudo como estava. Era isso o que seu lado realista e prático o aconselhava a fazer – e era isso o que ele tinha como objetivo. Porém, é claro… Sua parte sentimental e apaixonada pedia exatamente pelo contrário, e Wolfram tentava com todas as suas forças calar aquela vozinha emocionada que insistia em fazê-lo pensar que havia algum motivo a mais por trás do ato impensado de Yuri.

— Ah, então era aqui que você estava escondido… — Wolfram ouviu a voz do irmão mais velho vindo da porta. Sobressaltou-se, acordando da sua intensa discussão interna, e fitou Conrad, que se aproximava sorrindo como sempre. – Eu estava procurando por você… Queria conversar.

— Conversar… Sobre o quê? – Wolfram mexeu distraidamente na alça da xícara cheia de chá frio, sem ligar para o que quer que Conrad quisesse falar para ele, e tentando parecer despreocupado.

— Bem, eu não tenho certeza, mas acredito que algo está acontecendo com você… — Conrad sentou na poltrona logo ao lado de Wolfram, e o encarou com os olhos castanhos transbordando preocupação. Wolfram remexeu-se, incomodado com aquelas palavras.

— Não sei do que está falando. – Disfarçou.

—Você anda distraído durante as práticas de esgrima, isto não é comum. Também, está sempre sozinho pelos cantos, suspirando e pensando em sabe-se lá o que… Quase não come durante as refeições, e a sua expressão está sempre carregada. Eu percebo que algo o aflige… Mas não sei o que fazer quanto a isso. Pensei que, talvez, se falasse com você, poderia entender melhor, e tentar ajudá-lo. – Como sempre, Conrad foi tão direto e simples que Wolfram teve dificuldades para reagir apropriadamente. Primeiro, pensou em negar com todas as forças aqueles indicativos, mas eles eram tão evidentes, para qualquer um, que insistir na negação seria tolice.

— Eu não vejo como qualquer um desses indícios poderia causar preocupação. São apenas comportamentos comuns, sem nada de anormal ou preocupante… — Ele ainda tinha esperanças de encerrar aquela conversa sem que nada fosse dito, mas é claro que Conrad não se deixaria vencer tão facilmente.

— Não para você. – Ele sorriu – O Wolfram que eu conheço sempre foi direto, concentrado, empenhado em suas tarefas como ninguém. Jamais se deixaria abalar pelo que quer que fosse, dificilmente se mostrava afetado por qualquer acontecimento… Mas, ultimamente, você me parece mais sensível a todo ambiente, sempre se irritando por coisas poucas, encerrado com seus próprios pensamentos, e ainda mais distante do que costumava ser. Até mesmo Gwendal pôde notar essas mudanças bruscas. E eu poderia acrescentar, inclusive, que essas mudanças vêm ocorrendo com cada vez mais frequência, e sempre ligadas diretamente a certo rapaz…

— Não diga mais nada! – Wolfram o interrompeu, erguendo-se subitamente da poltrona. – Eu não quero ouvir nada disso! Não tem nada acontecendo comigo, me deixe em paz! – Ele bradou infantilmente, enquanto caminhava para longe de Conrad.

— Não, Wolfram. – Conrad o segurou pelo punho, obrigando-o a virar-se para ele novamente. Wolfram tentou tapar os ouvidos, fechando os olhos com força, mas Conrad o impediu de fazer isso também. – Escute o que eu tenho para falar! Não adianta esconder-se das suas preocupações, se você deixá-las dessa maneira, elas apenas crescerão, como uma bola de neve infinita! Aceite os seus sentimentos, confronte-os, exponha-os! Não há nada mais confortador do que contar às pessoas o que você sente sobre elas… Confie em mim, isso irá retirar esse peso das suas costas, se apenas procurar por Yuri, e dizer a ele o que sente…

— Do que você está falando? Eu nunca disse nada sobre esse fracote! – Wolfram indignou-se, com o rosto colorindo-se rapidamente ao ouvir o nome dele sendo dito tão casualmente pelo seu irmão. Conrad sorriu mais uma vez, soltando as mãos de Wolfram que ainda mantinha seguras nas suas. O loiro bufou, reclamando baixinho. Nada precisava ser respondido para que ele entendesse que estava escrito na sua cara o que acontecia. Só aquele fracote imbecil mesmo para não entender…

— Eu sei que parece difícil agora, Wolf… — Conrad acariciou de leve os cabelos do menor, bagunçando-os. – Mas você vai ver que não há nada melhor do que uma boa conversa direta para resolver seus problemas. Fugir deles não vai adiantar nada, eu estou te dizendo.

— N-não é como se eu pudesse… ir até lá e dizer tudo isso… p-para ele… — Ainda relutante, Wolfram resmungou, evitando olhar para Conrad enquanto disfarçava arrumando os cabelos com a mão.

— É assim, sim. Você só precisa ir até lá, e falar. Não é tão complicado quanto imagina, Wolfram. Yuri tem um bom coração, e ele vai entender…

— Não, ele não vai! Porque ele é burro, tão idiota, mas tão idiota, que vai achar que eu estou só… brincando… se eu disser… disser que… — Wolfram foi baixando a voz até quase um sussurro inaudível, baixando o olhar, mas Conrad o compreendeu sem problemas.

— Então explique de uma maneira que não restem dúvidas entre vocês dois. Esclareça todo e qualquer mal-entendido, explique quantas vezes forem necessárias. Até mesmo ele vai acabar entendendo, uma hora ou outra. Você só tem que ser paciente, e saber esperar pelo tempo dele.

Wolfram baixou ainda mais o rosto, ocultando-se atrás da franja, sentindo que estava próximo às lágrimas. Ele já havia esperado tempo demais por Yuri. Quase dez anos! Já não aguentava mais ter que disfarçar e fingir que estava tudo bem com isso. Mordeu os lábios, segurando-se ao máximo para não agir como uma criança na frente de Conrad, mais uma vez.

— P-por que está fazendo isso? – Gaguejou, escondendo o rosto com o braço. Seus ombros tremiam. — Por que está dizendo essas coisas para mim?

— Eu sou seu irmão mais velho, Wolfram, é claro que vou me preocupar com você, e desejar ajudá-lo… Eu só quero a sua felicidade. – Conrad respondeu, sinceramente. – E eu simpatizo muito com Yuri, ele me parece um bom garoto. Gosto de como você parece mais leve e mais feliz quando está perto dele. Como naquela vez, no parque…

— Tudo bem, eu já entendi! – Wolfram o interrompeu novamente com um grito, juntando o restinho de autocontrole que possuía para impedir as teimosas lágrimas de saírem. – Vou pensar no que você disse!

— Que ótimo. Pense com cuidado, antes de agir…

— Com quem acha que está falando, eu sempre penso cuidadosamente em tudo! – Ele replicou, dando as costas para Conrad e saindo da biblioteca a passos duros. Parou em frente a porta, cerrando os punhos. Assim como antes, seus ombros tremiam. – Obrigado… — Murmurou, antes de sair correndo porta afora. Conrad ficou para trás, sozinho com seus pensamentos. Esperava ter feito a coisa certa, e ajudado, ao menos um pouco, o seu descuidado irmãozinho a tomar o caminho correto.

— Ele cresceu antes que eu notasse… — Suspirou consigo mesmo. Ainda era meio jovem para ser tão saudosista… Mas era inevitável se sentir um pouco solitário quando via seu pequeno irmão, que até pouco tempo corria pelo jardim chamando seu nome, caminhar em frente, por si só, em busca da sua própria felicidade.

~

— Você vai sair com o Wolfram-kun, Nii-chan? – Miyako indagou, ajoelhada no sofá, vendo o primo colocando os calçados na entrada da casa.

— Não, eu vou ir com o Murata ver o preço de uns equipamentos para o clube… — Ele falou, notando a evidente desanimação da prima com a sua resposta. – Por que você está tão aborrecida?

— Eu quero que o Onii-chan se dê bem com o Wolfram-kun… — Ela resmungou, afundando o rosto na almofada do encosto do sofá, o que fez os óculos subirem para a testa.

— Mas nós nos damos bem. – Yuri murmurou, sem entender. – Quer dizer, nós nem brigamos, nem nada…

— Ah, não é isso, Onii-chan! – Deitou a cabeça na guarda, conformada com a falta de perspicácia de Yuri. – Bom, tanto faz. Se o Onii-chan não descobrir por si mesmo, então não tem graça! – Desistindo de estabelecer uma linha de comunicação, ela voltou a deitar no sofá com o seu mangá. – Ah, a Miya está com saudades do Wolfram-kun… — Suspirou.

— É porque você parou de ir almoçar com a gente… — Yuri observou. – Pensando bem… Por que você não vai mais almoçar na nossa sala?

— Ah, não é estranho uma caloura ir para a sala do segundo ano todos os dias? – Miyako riu, meio sem jeito. Como Yuri não podia ver seu rosto dali, não sabia que tipo de expressão ela fazia. – A Miya está almoçando com as amigas, na sala, agora… — Ela despistou. Yuri sabia que não era verdade, e Miyako parecia ter o mesmo talento nulo para mentir que ele, mas resolveu não se intrometer nesse assunto — pelo menos, por enquanto.

— Você quer que eu traga alguma coisa? – Ele perguntou, pedindo intimamente que ela não pedisse por nenhum mangá de conteúdo duvidoso para ele. – Algo de comer ou…

— Traz o Wolfram-kun para a Miya! – Ela bradou, mexendo as pernas, como uma criança birrenta. Yuri revirou os olhos, arrependido por perguntar.

— Você realmente gosta dele, hein? — Ele resmungou, saindo da sala para a rua. Era verdade que ultimamente estava cada vez mais difícil conversar com Wolfram, e eles já não se falavam direito desde o início da semana… Mas Yuri entendia que Miyako quisesse vê-lo. Ele mesmo estava sentindo vontade de ligar para Wolfram agora mesmo, e pedir para ele vir junto… Porém, lá estava aquela pequena insegurança, bem lá no fundo, que Yuri não entendia a razão por estar ali, e ele se sentia incapaz de encarar Wolfram por mais de dez segundos sem que aquela confusão mental e a sensação de estar sendo esmagado por um trator o deixassem completamente aturdido.

— Não é a Miya que gosta dele, Onii-chan… — Ela sussurrou para si mesma, olhando para o teto, ao ouvir o ruído da porta da frente se fechando. Quando é que Yuri perceberia a verdade, afinal? Até ela já estava começando a ficar impaciente…

~

Yuri encontrou-se com Murata no centro da cidade, e os dois seguiram juntos pelas lojas de equipamentos esportivos. Ele conseguiu se deixar levar pela tarefa, e distraiu-se com aquilo, mas, em momentos de distração, a breve conversa com Miyako retornava à sua mente. Ele e Wolfram não haviam brigado, e aparentemente a relação entre eles continuava da mesma maneira que sempre havia sido. Entretanto, Yuri sabia que não era bem assim. Depois do que aconteceu, ele não poderia voltar a pensar da mesma maneira em relação à Wolfram e, provavelmente, ele também se sentia assim. E, quanto mais pensava no assunto, mais Yuri sentia que também não queria que a amizade entre eles voltasse a ser como era antes. Mas então… O que ele queria?

— Hm… Murata… — Yuri chamou, enquanto analisava os bastões que estavam expostos no mostruário. – Posso perguntar uma coisa para você?

— Ah, claro! – Murata sorriu para ele. – Mas acho que essa loja é cara demais para o nosso orçamento, vamos indo para a próxima… — Ele sugeriu em voz baixa, fazendo Yuri segui-lo para fora. – O que você quer perguntar?

— É que… Bem, sobre um amigo meu… — Yuri começou sem jeito, ignorando até mesmo as razões pelas quais estava falando sobre aquilo. Na sua lista de pessoas que poderiam dar um bom conselho, Murata não estava nem mesmo no top 20.

— O Wolfram? – O garoto de óculos supôs.

— Não! Não!! Não tem nada a ver com o Wolfram, nada mesmo, nem um pouco! – Negou Yuri, quase entrando em desesperou, e Murata se surpreendeu com aquela atitude tão fora de controle. – O que eu queria dizer era que… era sobre um… personagem de mangá…

— Você está lendo alguma coisa interessante? – Murata indagou.

— Bem, sim… Mais ou menos… — Yuri pensava em alguma maneira de sair daquela situação constrangedora, e não estava se saindo nada bem até agora. – Eu estava lendo essa história, que me deixou realmente intrigado, e eu queria saber a sua opinião. – Ele resolveu partir para um lado mais metafórico, imaginando se por ventura Murata realmente seria capaz de ajudá-lo. – É de… um dos mangás da Miya… — Ele girou os olhos para o outro lado, para que Murata não o pegasse em sua mentira.

— Da Miya… — Murata sabia que nada de bom podia vir dali, mas continuou a ouvir o amigo com atenção, embora fosse evidente que ele não estava agindo de maneira usual. – Continue… — Franziu o olhos, curioso sobre aonde isso iria parar.

— Na história, tem esses dois garotos, que são meio que amigos de infância… — Yuri achava esplêndida sua ideia de camuflar a situação em uma história fictícia, mas agora lutava para encontrar palavras que ajudassem-no a explicar melhor as circunstâncias do caso. –… Certo, eles ficaram separados por vários anos, mas acabaram se encontrando novamente e estudando na mesma escola, e tudo mais. Eles eram muito bons amigos! Mas numa noite… um deles perdeu o controle… e acabou b-beijando… o outro… — O moreno corou furiosamente, sentindo-se ainda mais patético ao dizer aquilo em voz alta. – E agora, ele não consegue parar de pensar nisso, e acha que está ficando maluco!

— Hm.. é uma história bem comum, nesse tipo de mangá que a Miyako lê… – Murata não entendeu aonde Shibuya queria chegar. – Você só precisa ler o resto.

— Certo, mas eu só li até aí, não tem outros capítulos! – Yuri insistiu. – Eu quero muito saber como essa história acaba! O que você acha que aconteceu, hein?

— Se você quer saber a minha opinião, é algo muito simples… — Murata coçou o queixo, com ar de especialista. – Primeiro… esse garoto que tomou a iniciativa, ainda sente vontade de repetir a sua atitude?

— É claro! – Yuri respondeu sem pensar, e sentiu seu rosto queimar em brasas com aquela confissão da qual nem ele mesmo havia se dado conta. – Q-quero dizer, provavelmente…

— Ele não se sentiu enojado, ou com aversão, por ter beijado outro cara, não é?

— Claro que não… Ele só ficou… muito confuso…

— Nada mais natural. É claro que ele gostou do beijo, e ficou se sentindo estranho depois disso. Sem falar que se os dois são melhores amigos, isso se torna ainda mais complicado, mesmo se um deles fosse mulher, ainda seria uma história complexa. – Murata levou a sério a tarefa de analisar a história. – Se não há conhecimento do que a outra parte pensa, é mais difícil, mas se for pensar somente pelo lado desse garoto, é óbvio para mim que ele acabou se apaixonando pelo melhor amigo…

— A-apaixonando… — Yuri arregalou os olhos, com a voz engasgada na garganta.

— Evidente que sim! – Murata ajeitou os óculos, indignado. – Francamente, Shibuya, só você para não perceber algo simples como isso.

— M-mas… E-eles não…

— Ah! Eu sabia que tinha reconhecido essa voz! Yuri-kun! – Alguém interrompeu o gaguejar confuso de Yuri, colocando-se na frente dele. A mulher de cabelos azul-claros sorriu docemente para ele, embora seus olhos estivessem fixos em outro ponto, e Yuri a reconheceu imediatamente.

— Susanna Julia-san! – Ele exclamou alegremente, e a mulher aproximou-se para abraçá-lo longamente, como uma velha amiga. Ao lado dela, um homem alto e garboso o encarava com olhos sérios. Tinha cabelos loiros e sobrancelhas espessas, que encimavam olhos penetrantes e desconfiados. O rosto forte era marcado pela idade, e demonstrava imponência. Ele segurava protetoramente a cintura da mulher, que sorria docemente como no dia em que Yuri a conheceu.

— É tão bom encontrá-lo novamente, Yuri-kun! Eu mal posso acreditar nessa coincidência. Este é meu noivo, Adalbert. – Ela tocou o peito do homem, indicando-o. – Veja, querido, este é o garoto que eu falei, que ficou na nossa casa por uma noite…

— O garoto que estava em uma fuga amorosa com o Príncipe Wolfram? – O homem inquiriu, parecendo ter que se esforçar para lembrar, e Julia assentiu com vigor, sorrindo.

— Fuga amorosa? – Murata arqueou uma sobrancelha.

— N-não é bem assim… — Yuri estava pronto para tentar explicar, mas perdeu totalmente a motivação diante do sorriso encantador que Susanna Julia lançava para ele.

— Onde está o Wolfram-kun? Vocês estão bem? Não voltaram a brigar, não é? – Ela perguntou, parecendo ávida por informações. – Você não quer tomar um café conosco agora? Quero muito conversar com você, e saber de tudo… Seu amigo pode vir junto… — Ela referiu-se à Murata, segurando uma das mãos de Yuri de forma que não desse a ele chance de escapar.

— O Wolf está ótimo, sim… — Yuri coçou a cabeça, sem saber muito bem como agir nesse momento.

— Você pode ir com a sua amiga, Yuri, eu termino as compras sozinho. – Murata indicou. – Sem falar que eu tenho o palpite de que era de alguém como ela que você precisava para conversar. – Ele piscou um olho. – Foi um prazer conhecê-los, mas eu vou indo… — Murata curvou-se rapidamente, antes de sair pelo lado oposto.

Como seu amigo o abandonou tão facilmente – e não era a primeira vez que acontecia –, Yuri não teve opção a não ser permanecer ali. Não que parecesse que Susanna Julia fosse deixá-lo ir de qualquer forma.

— Você pode ficar com ele, eu vou terminar o que tínhamos para fazer e os encontro depois. – Adalbert depositou um rápido e surpreendentemente carinhoso beijo na testa da mulher, e depois de um simples aceno para Yuri, deixou-os a sós também. Ele parecia entender exatamente o que a mulher queria, sem que ela tivesse falado nada, pois ela exibiu um belo sorriso logo depois, voltando-se para Yuri.

— Então… — Julia segurou-se no braço de Yuri, deixando-o conduzi-la. – Tem algum lugar que nós possamos ir comer algo?

— E-eu só conheço um café aqui perto… — Yuri lembrou-se do lugar onde Miyako trabalhava, que ficava a uma quadra de distância.

— Então vamos! – Ela animou-se rapidamente. – Eu gosto muito de conversar com você! Quero saber sobre tudo…

— Que bom… — Yuri coçou o rosto sem jeito, e começou a caminhar, com a mulher o acompanhando de perto.

Aquele encontro havia sido uma surpresa, mas, repentinamente, Yuri imaginou que pudesse ser bom para ele. Susanna Julia era gentil e compreensiva, e ele apreciava a companhia dela. Como estava sentindo-se perdido e confuso, talvez ela pudesse ajudá-lo com esses problemas, quando era evidente para ele que mais ninguém que conhecia podia aconselhá-lo. Talvez esse tivesse sido um golpe de sorte do destino, no final das contas. Então ele teria que aproveitar a oportunidade…

Notas finais
Entãaaaoo~ alguém já quer me matar por não ter feito acontecer nada entre eles, ou ainda não?? Só por precaução, vou contratar o Yozak de segurança hoje '-' ... Mas tenham paciência com o Yuri, ele ainda está absorvendo as informações! Ninguém como ele pode virar um seme do dia pra noite, certo? Okaayy~ lentaaamente as coisas estão andando na mente do nosso fracote, então é uma questão de tempo u-u e vamos todas orar para que Susanna Julia consiga colocar alguma coisa naquela cabecinha, vamos sim u-u Até a próxima! [Revisado]