Sono Te Hanasanaide
16 Capítulo XVI
Yasashii dake ja tarinakatta
Não era suficiente apenas ser agradável
Tanoshii dakeja munashikatta
Estava vazio sendo apenas divertido
Nandedarou kimi no maeda to kakkou tsukete bakaride
Por que razão quando estou ao seu lado, sempre me coloco mais a frente?
Yappari ienakatta yo
Eu sabia que não seria capaz de dizer
Ima demo kimi ga suki dayo
Que mesmo agora, eu amo você
Gomen nee, my friend
Me desculpe, meu amigo
Capítulo 16
Wolfram engoliu em seco. O que poderia falar agora?
Havia agido por impulso, arrancando Yuri dos braços daquela garota. Não aguentou vê-lo encurralado contra aquela árvore, sendo tocado por outra pessoa! Não! Yuri… Yuri pertencia a ele, somente a ele! Ninguém mais deveria ousar colocar os olhos em cima do seu Yuri. Wolfram era egoísta o bastante para ter esses pensamentos mesmo quando não podia confirmar seus sentimentos verdadeiros nem para si mesmo. Yuri era seu — seu, somente seu, e de mais ninguém. Yuri deveria olhar somente para ele! Wolfram ainda era uma criança mimada, que não queria dividir seus brinquedos.
Porém, agora tinha que enfrentar as consequências do seu ato impensado. Yuri o confrontara, exigira respostas. Por que ele havia feito aquilo? A razão para isso era tão óbvia, aquele fracote deveria deduzir sozinho, ao invés de forçá-lo a dizer coisas embaraçosas. Mas ele não conseguiria admitir nem em pensamento, quanto mais explicar em voz alta o motivo pelo qual agira daquela forma. Enquanto analisava suas opções, Yuri ainda o encarava, inquisitivo.
— Então, Wolfram? Por que você diz que eu não posso ficar com a Mariko-san? – Yuri insistiu, intrigado. Sem que ele entendesse, seu coração batia rápido, esperando pela resposta. Ele estava curioso para saber o que Wolfram diria, ansioso por isso. até.
— V-você não gosta dela! – Wolfram replicou, soltando o braço do garoto, que mantinha seguro na sua mão até agora.
— Bem, eu realmente… não gostei de sair com ela, e nem de ela ter me beijado… — Yuri ponderou por alguns segundos, e Wolfram soltou o ar ligeiramente aliviado, sem que o outro percebesse. – Mas não teria como você saber disso, se eu não falei nada!
— I-isso é porque… — Wolfram se perdeu nas palavras, mas um súbito lampejo o fez recobrar a razão. – Porque ela atormenta a sua prima na escola!
— O que?
— Ela maltrata sua prima todos os dias, e não a deixa em paz nem por um segundo! E só estava pedindo para sair com você para atingi-la ainda mais, e deixá-la sozinha! É por isso! – Wolfram cruzou os braços. – Não sei como você não percebeu logo que havia algum motivo para uma garota de repente querer sair com você… — Encerrou, em tom de desdém, aliviado por ter encontrado uma saída perfeita, que além de tudo, não era mentira.
— Isso… — Yuri baixou os olhos, e Wolfram pensou que talvez tivesse exagerado no seu desprezo pelo garoto, mas não retirou suas palavras, e nem pediu desculpas. – Isso é inaceitável! – Yuri bradou repentinamente, assustando-o.– Por que não me avisaram?! Eu tinha que saber disso!
— Miyako não queria que você soubesse sobre isso, ela sabia que você ia ficar preocupado… — Wolfram murmurou, sem saber o que deveria dizer.
— Isso não importa! Miyako-chan já vinha sofrendo com esse tipo de coisa na sua antiga escola… e agora de novo… e… e eu não percebi nada, não fiz nada para ajudar… — Os ombros dele tremiam, de raiva ou de pesar, e Wolfram repentinamente se sentiu um pouco culpado, por usar aquilo como desculpa para ocultar seus próprios motivos. – Eu vou até lá agora! Falar com aquela garota e fazê-la se desculpar por…
— Não! – O loiro o segurou pelo punho, impedindo-o de avançar. – Não vá. Ela já deve ter ido embora de todo modo, mas… eu não quero… que você fale com ela novamente, nunca mais. – Ele baixou a voz até quase um sussurro. – Eu não quero…
— Wolf… — Yuri recobrou a razão ao ouvir aquela voz. Wolfram estava certo. Não havia nada que ele pudesse fazer agora, para consertar os seus erros ou para se redimir com Miyako. E, de qualquer forma, Wolfram havia o salvado de algum problema maior, a tempo, provavelmente. Yuri virou-se novamente para ele, sorrindo dessa vez. – Obrigado por estar aqui hoje. Eu sei que você deve ter tentado me avisar sobre toda essa história, mas eu simplesmente não te dei ouvidos… Sinto muito… Acho que tem razão, eu tenho mente fraca… Às vezes eu sou muito lento para perceber as coisas, mesmo que elas estejam bem óbvias, na minha cara! – Ele riu sem graça, bagunçando os cabelos da nuca.
— É, muito lento… — Wolfram franziu a testa, irritado.
— Me sinto mal por ter gastado dinheiro com essas coisas, para sair com esse tipo de garota… — Ele tirou do bolso da calça os dois ingressos para o aquário, que havia comprado na véspera.
— Você ia levá-la para o aquário? – Wolfram ainda conseguia ficar surpreso com a inabilidade de Yuri para eventos românticos. A garota provavelmente teria se jogado na piscina do aquário por causa do tédio antes do fim do encontro, se ele não tivesse interferido. Mas isso não teria sido um desfecho tão ruim.
— Não importa mais, não é? O encontro já acabou mesmo. – Ele deu de ombros – Mas… você não quer ir comigo? – Perguntou, com a ideia surgindo de súbito. – Os ingressos só valem hoje, e nós podíamos nos divertir um pouco ainda! E… eu ainda estou me sentindo mal por ter aceitado sair com essa garota, e depois saber de tudo isso… — Ele olhou para o chão, coçando o rosto. Sentia-se péssimo por não ter pensado direito, e se deixado levar pelas insinuações e a aparência de Mariko, e queria de alguma forma recompensar Wolfram por isso. – Então, você aceita ir ao aquário comigo agora?
— Vai ser chato, eu tenho certeza…– Ele concordou, sentindo-se absolutamente nervoso, mas sem querer demonstrar isso. – Mas vejo que não tenho outra opção. – Disse por fim, seguindo Yuri, que havia miraculosamente recuperado toda a sua energia com o assentimento do outro.
Wolfram pensou por um momento se devia alertar que Miyako estava ali com ele, mas como as probabilidades apontavam que havia grandes chances de que ela resolvesse ir junto com eles no aquário, ou apenas observá-los e espioná-los de longe, o que era mais plausível — então, era melhor que ela fosse para casa sozinha mesmo.
De qualquer forma, a loja de Ben, onde ela estava trabalhando há algum tempo, era ali perto, e ela podia ir até lá. Não havia por que se preocupar com ela, ou qualquer outra pessoa agora… Porque Yuri estava ali com ele…
Depois de pegar um trem (e Wolfram nem estava mais indignado com a falta de planejamento do garoto, em escolher um local tão longe para visitar), eles enfim chegaram ao Aquário Municipal. Adentraram o enorme prédio, que estava relativamente movimentado. Como era fim de semana, não havia excursões escolares, mas o local estava repleto de casais, a maioria de meia idade, passeando pelos salões azuis refletidos de água, calmos e silenciosos. Mesmo que fosse um pouco monótono, Wolfram não podia negar que o lugar era lindo.
— Por que você ia trazê-la aqui? – Wolfram perguntou, de repente, enquanto andavam ao lado do vidro observando os peixes e a paisagem submarina. – Considerando que era você, achei que a levaria para algum estádio de baseball.
— Essa era a minha primeira opção! – Yuri afirmou, surpreso por Wolfram ter pensado nisso. – Mas… eu costumava vir aqui com meus pais e o meu irmão, e era tão divertido ver todos esses peixes, e a água… É tão calmo e bonito aqui… Achei que talvez uma garota fosse gostar disso…
— É, talvez seja um pouco chato para o primeiro encontro, mas você podia ter se saído pior… — Wolfram comentou distraidamente, seguindo com os olhos um peixe particularmente grande e que tinha enormes nadadeiras onduladas. Aquilo era completamente o contrário da personalidade de Yuri, mas Wolfram se sentiu um pouco feliz por poder ver aquele lado desconhecido dele.
— Acho que esse encontro seria um desastre de qualquer forma. – Yuri disse, sentando-se no banco em frente ao cenário, e Wolfram o acompanhou. – Acho que, no fim das contas, não tenho jeito para coisas de amor…
Wolfram não podia negar aquela afirmação, mas sentiu que qualquer coisa que dissesse agora poderia ser comprometedor. Resolveu mudar de assunto, mas nada vinha à sua cabeça. Continuou a olhar para os peixes enquanto isso.
— Como você sabia sobre a Miyako? – Yuri acabou com o silêncio repentinamente, sobressaltando o loiro. Por algum motivo, a ideia de ter Wolfram tão próximo à sua prima o desagradava. Ele não sabia que era tão ciumento com sua prima quanto Shori era com ele. Seria isso o sentimento de um “Onii-chan”, no final das contas? – Ela contou a você?
— Não. – Wolfram resolveu contar tudo de uma vez, já que havia revelado o principal. – Eu a vi sendo encurralada em um dos banheiros, quando estava passando. Aquela garota e mais outras duas haviam quebrado os óculos da sua prima, e pareciam que iriam bater nela também. Eu intervi, e Miyako me fez prometer que não contaria a ninguém.
— Entendo… Mas isso é realmente sério! Vocês deviam ter me alertado sobre a Mariko-san! – Yuri ainda considerava imperdoável ter se envolvido com uma garota desse tipo. – Eu queria poder ajudar a minha prima, também!
— Não importa mais. Miyako está bem, e ela não o culpa de nada. Aposto como ela deve estar se divertindo com tudo isso agora mesmo, inclusive. Tudo acabou bem, e você rejeitou a vadia… Digo, a garota… no fim das contas. – Wolfram virou o rosto, incomodado. De fato, havia ficado bem mais próximo de Miyako durante esse curto período em que a fascinação de Yuri pelo desconhecido caminho da sedução feminina os unira contra um único ideal. Era complicado, mas talvez ela tivesse se tornado… uma amiga? Estranho pensar dessa forma, já que a única pessoa que Wolfram considerara seu amigo era Yuri, e atualmente, pensar nele dessa maneira já não era satisfatório.
— Vocês são amigos, então? – Yuri insistiu na questão.
— Não sei. – Wolfram respondeu sinceramente. – Ela pode ser uma aspirante à esse cargo. Ainda está sob meticulosa avaliação.
— Como você é rígido! – Yuri reclamou. – Coisas como amizade não podem ser decididas dessa forma fria. Você deve seguir seus instintos…
— Foi seguindo seus instintos que você acabou nessa situação. – Wolfram lançou um olhar acusador, e Yuri encolheu-se, sem argumentos para replicar.
— O que eu posso fazer para me redimir? Eu já pedi desculpas!
— Apenas… — Wolfram resmungou, cruzando os braços. – Não saia mais com tipinhos assim, seu fracote…
— Da próxima vez, você vai estar lá para me ajudar, não é Wolf? – Yuri riu, segurando o garoto pelo ombro. – Não vai me deixar cair em uma armadilha dessas de novo, certo?
— Como se fosse haver uma próxima vez pra você… — Fuzilando-o com os olhos, Wolfram replicou, não gostando nada do rumo daquela conversa.
— Eu fico feliz de ter um amigo como você! – Ele abriu ainda mais seu sorriso, parecendo verdadeiramente grato. – Você protegeu a minha prima, e ainda me tirou daquela enrascada… Eu nem sei como agradecer! – Ele jogou os braços ao redor de Wolfram, apertando-o em um enorme e apertado abraço. – Muito obrigado por estar ao meu lado…
Wolfram ficou paralisado diante dessa ação. Para Yuri, isso não era nada demais. Sua família, ao contrário da maioria dos japoneses, era muito calorosa. Sobretudo sua mãe e seu irmão, e seu pai também, estavam sempre distribuindo abraços sem motivo algum e, para Yuri, essa atitude era algo natural, sem significados profundos.
Mas Wolfram não esperava por isso. Ver-se tão subitamente cercado pelos braços de Yuri, sentindo o calor que irradiava dele, o cheiro dele tão próximo… Seus sentidos não estavam preparados para esse choque. Aquele abraço tão acolhedor conseguiu de forma simples abalar toda a compostura tão bem formada do jovem príncipe. Yuri logo se afastou, sorrindo amigavelmente. Mas Wolfram estava confuso com seus sentimentos. Ele queria mais. Ele queria estar mais próximo de Yuri, e permanecer para sempre naqueles braços, sem nunca precisar soltá-lo. Ele queria beijá-lo novamente, como naquela noite… Ele queria poder dizer, com todas as letras, que o amava…
Aquele súbito e irracional pensamento que escapuliu na sua mente fez Wolfram acordar do seu estado de torpor. Havia mesmo pensado isso? Se tivesse apenas mais um segundo de descontrole, somente um momento de desatenção, e teria dito aquilo de verdade! Seria um completo desastre… Não, não! Wolfram não estava pronto para encarar de fato os sentimentos conturbados que afloravam sem o seu consentimento. Era difícil até pensar dessa forma clara, colocar em palavras, então, era completamente inviável.
— Ei, Wolf, você está bem? – Yuri agitou as mãos na frente do rosto do loiro. – Quer comer alguma coisa?
— Eu estou bem. – Ele respondeu automaticamente, sem conseguir encarar Yuri diretamente. Disfarçou, levantando do banco e indo ver as águas-vivas do outro lado.
— Olha, Wolf, tem um lugar para tirar fotos! Vamos lá, tirar uma! – Ele segurou o loiro pelo braço, no impulso, e o arrastou até o corredor oposto, onde uma pequena cabine havia sido montada, com motivos aquáticos como decoração.
— Você realmente quer guardar recordações desse dia desastroso? – Wolfram estava relutante.
— Ora, e por que não? – Yuri já estava dentro da pequena cabine das fotos automáticas, e puxara Wolfram com um único movimento. O loiro ofegou, desconfortável, por de repente ter que ficar tão perto do outro em um espaço apertado e sem saída. – Nós não temos nenhuma foto recente juntos, de qualquer forma, é uma boa oportunidade. Vamos, deixe de reclamar, e faça uma cara sorridente!
— Tanto faz…
Yuri passou o braço no entorno do pescoço de Wolfram, e segurou ambas as suas bochechas, para forçá-lo a sorrir. As fotos foram sendo tiradas em sequência. Depois da primeira, as tirinhas de fotos saíram com Wolfram soltando-se de Yuri, tentando se desvencilhar dele, e então, os dois caindo no chão, com apenas parte da cabeça de Wolfram e a perna de Yuri aparecendo.
O barulho da queda dos dois podia ter ecoado por todo aquele aquário silencioso, mas eles estavam longe de reparar nisso. Wolfram caíra sobre Yuri, e novamente, seus sentimentos conturbados enevoaram sua mente sempre tão segura. E Yuri, tendo Wolfram repentinamente perto demais, sentia-se conturbado. Estava constantemente sendo assolado por esses estímulos inexplicáveis. Mais de uma vez, sentira-se estranho perto de Wolfram, e isso o assustava de muitas formas. Inclusive, quando o abraçara a pouco, sentira-se esquisito e confuso, como nunca havia se sentido antes. Mas Wolfram era um garoto! E não apenas isso, como era também seu amigo! Essa incerteza tinha que ter um fim.
— Wolfram… — Ele sussurrou, embora não estivesse com vontade de dizer nada. O rosto de Wolfram estava diretamente em frente ao seu, e ele também parecia estar lutando internamente com todos os seus pensamentos. Era tão errado, ficar tendo esses pensamentos apenas porque ele tinha um rosto bonito… Mas era um rosto tão bonito, Yuri nunca cansaria de vê-lo, ainda mais assim, de perto… – É melhor se levantar… — Ele disse, embora não fosse sua real vontade.
— Fracote, imbecil! É tudo culpa sua! – Wolfram resmungou, erguendo-se de mau jeito, sem conseguir levantar sem se apoiar no outro. Yuri desejou que ele fosse mais rápido e acabasse logo com a tortura de ficar se roçando contra seu corpo. Aquilo estava o deixando maluco.
Ele terminou de se levantar, e já foi saindo da cabine de purikura. Teve o cuidado de pegar uma das tirinhas de fotos, e a cartela de adesivos, mas ainda estava irritado por todos aqueles acontecimentos.
— Aonde você vai? – Yuri corria para acompanhar seu passo apressado.
— Vou ver os tubarões. – Wolfram respondeu, sem olhar para trás.
— Espere por mim! – Com sua mente simples demais, Yuri logo esqueceu o acontecido, e todas as perturbações que confundiam sua cabeça. Ele pensaria melhor nisso depois. Ou não. Não importava mais… Agora, ele queria se divertir com seu amigo Wolfram. Amigo? Engraçado… Essa palavra já não parecia mais certa, não era mais o suficiente… Mas, por enquanto, ele não queria pensar em coisas complicadas demais. – Vamos ver primeiro os golfinhos!
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