Anata ga inai toriai atteieru wagamama

Seria egoísmo da minha parte dizer que eu não quero que você vá

(zutto kienai you ni kesanai you ni)

(Eu não quero que você vá embora, eu não consigo me livrar de você)

Aijou, yuujou, shiritai koto wa nandemo.

Amor ou amizade, eu só quero saber.

(aimai sugite wakaranai yo.)

(Isso é tão vago, eu apenas não aceito isso)



Capítulo 15



— Nee, nee, Wolfram-kun, você consegue enxergar alguma coisa? – Miyako indagou.

— Só a cabeça daquele fracote tarado imbecil! – Wolfram respondeu, cerrando os dentes e os punhos de raiva.

Os dois estavam do lado de fora de uma lanchonete comum, camuflados entre os arbustos que ficavam do outro lado do estacionamento. Qualquer um que passasse naquele lado da rua diria que eram duas pessoas suspeitas, mas como Wolfram tinha aquela aparência, era mais provável que acabassem pensando que se tratava da filmagem de algum dorama.

Depois de sair sem pensar da casa de Yuri, em um rompante de irritação e impulsividade, Wolfram acabou percebendo que não fazia ideia de onde ele teria ido com aquela garota. Decidiu optar por começar pelo lugar mais perto, ali pela vizinhança mesmo, embora não pudesse acreditar que Yuri fosse bobo o suficiente para fazer uma escolha idiota dessas… Mas, de alguma forma, ele estava certo! Decididamente, Shibuya Yuri não sabia planejar encontros.

— Ah, ela fica o tempo todo olhando pela janela… Será que não vai acabar nos descobrindo? – Miyako sussurrou.

— Ela está entediada… — Wolfram notou, suspirando de pesar. – Nem mesmo para fazer a garota se divertir esse imprestável serve! Francamente… Olha só! Ele está falando alguma coisa e… Aah! Ele fez aquela cara idiota! A cara idiota que ele faz quando fala alguma piada sem graça! Aposto como foi um daqueles trocadilhos imbecis…

— Kyufu… — Miya soltou uma risadinha abafada. – Wolfram-kun observa tanto o Onii-chan que sabe exatamente qual idiotice ele falou sem nem ouvi-lo… Será que é isso que chamam de “telepatia do amor”?

— Ninguém usa essa expressão!! – Protestou Wolfram, virando o rosto para o lado, para escondê-lo. – E pare de falar assim! É claro que não é nada disso! – Ele voltou a olhar atentamente a janela, com um semblante compenetrado.

— Hai, hai… — Miyako também voltou a observá-los, um pouco mais interessada nas reações engraçadas que Wolfram tinha ao ver cada ação de Yuri, do que em qualquer outra coisa. Aquilo era tão fofo! Como Yuri podia ser tão tapado a ponto de não perceber…?

~

Enquanto isso, do lado de dentro da lanchonete, Yuri nunca pensou que estaria em uma situação como aquela. Primeiro, porque sair com alguém, qualquer uma que fosse, estava muito além da sua imaginação… E segundo, ele nunca poderia supor que fosse tão difícil manter uma garota interessada.

Mariko não media esforços para deixar bem claro o quanto estava achando aquele encontro um porre. Suspirava e olhava para o céu todo o tempo, brincava com o canudinho do copo, e às vezes mexia no celular, parecendo impaciente. Yuri tentou fazer uma seleção das suas melhores piadas, aquelas que Miyako sempre ria quando ouvia, porém não conseguiu nada. Tentou falar sobre a escola, ou outro assunto que tivesse em comum, mas ela não o deu atenção alguma. Falou um pouco sobre baseball, e sobre quem ele achava que ia ganhar nessa temporada, no entanto ela não parecia estar escutando uma única palavra.

Sem nem perceber, os pensamentos de Yuri vagaram indistintos, e ele parou de tentar estabelecer algum diálogo, e se concentrou na sua comida. Mesmo que Mariko estivesse vestindo um vestido curto, cor-de-rosa claro, que acentuava bem as suas curvas, nem isso conseguia mais captar a atenção do Shibuya mais novo, e aquela visão, inicialmente estonteante, estava começando a ficar tediosa também. Aquela garota era meio chata… E ainda, se ela ia agir daquela maneira em primeiro lugar, por que o chamou para um encontro? Se estivesse com Wolfram, estaria se divertindo mais. Ele parecia ouvir o que ele dizia, pelo menos! Nem que fosse para dizer que ele era um “fracote idiota!” ou qualquer coisa assim…

— … e então, Mariko-san, você está no primeiro ano, não é? – Ele falou novamente, apenas para ocupar o tempo. Odiava ter que comer no silêncio… E tendo uma família como a sua, era bem evidente que não estava acostumado a ter que fazer isso. – É colega da minha prima, Shibuya Miyako?

— Quem? Ah, sim, Shibuya! – Ela o fitou, com visível desinteresse. – Nós somos colegas sim. Mas… Bem, ela não parece querer se misturar muito, sabe? Acho que ela prefere a companhia dos garotos, afinal…

— Como assim?

— Ah, você sabe! Aquela sua prima parece ser ingênua e tapada, mas na verdade, só quer se dar bem com os meninos! Eu conheço bem esse tipinho… Fica se fazendo de megane fofa, desajeitada, e está sempre corando, gaguejando… Mas, na verdade, é a mais esperta de todas, e só quer enganar os garotos para conseguir o que quer!

— Você não deveria falar da minha prima dessa maneira, Mariko-san. – Yuri a cortou, rapidamente.

— Ah, isso te ofende, Yuri-kun? – Ela se fez de desentendida, fitando Yuri de forma lasciva por baixo da franja. Um sorriso malicioso era escondido pelo canudo do milk-shake.

— Eu não acredito em nada do que você está falando, então não vou me sentir ofendido. – Yuri replicou, com a voz anormalmente séria. – Mas se você continuar a falar dessa forma, faz parecer que você sente inveja da Miyako-chan. – Ele disse o que pensava da forma mais simples que podia, e Mariko perdeu a compostura por um segundo.

— Tanto faz. Com licença – Ela disse, friamente, erguendo-se da mesa com visível irritação, e seguiu na direção dos banheiros. Que garoto mais odioso! Além de ser lento para entender as coisas, e idiota daquele jeito, ainda pensava que podia sair dando lições de moral nela! Nem mesmo incomodá-lo estava valendo a pena…

O plano de Mariko era roubar Yuri de Miyako, e de quebra, conseguir fazer Wolfram notá-la. Se você queria chamar a atenção de um garoto, bastava chamar o amigo dele para sair, era um velho truque que ela tinha na manga. Se conseguisse fazer isso, teria Yuri comendo na sua mão, Wolfram com os olhos voltados para ela, e ainda conseguiria deixar Miyako enfim sozinha, e sem defesas. Era um plano perfeito! Mas aquele garoto era tão irritante, e chato! Ela não aguentaria ficar perto dele por mais tempo.

No banheiro, ela começou a refazer a maquiagem. Ajeitou os cabelos cacheados artificialmente, e colocou mais rímel nos olhos, deixando-os ainda mais pesados. Se tivesse sorte, poderia escapar dali sem que Yuri visse, e arranjar alguma companhia melhor.

Pensando em como fazer isso, ela deixou o banheiro, mas sua passagem pelo corredor estava barrada por alguns tipos mal-encarados, que ela nunca havia visto na vida. Não havia outra passagem, e estando naquele lugar, ninguém que estivesse nas mesas poderia notá-la. Três garotos, com aparência de delinquentes arruaceiros, sorriram todos ao mesmo tempo ao vê-la. Mariko odiava lidar com tipos assim, ainda mais quando eram todos enormes e feios daquele jeito, mas não tinha outra maneira. Respirando fundo, ela se preparou para passar por eles.

— Ei, ei, garota! Você não quer ir se divertir com a gente?

— Obrigada, eu já estou acompanhada. – Ela virou o rosto, tentando passar por isso o mais rápido possível, mas o homem que falara com ela primeiramente colocou-se à sua frente. Ele usava óculos escuros, e uma jaqueta velha de couro.

— Você está com aquele ali com cara de pateta, não é? Ele é tão idiota que nem vai reparar que você fugiu dele! – O cara sorriu com escárnio. – Vamos lá, princesa, não se faça de difícil. Eu conheço um lugar onde nós podemos nos divertir muito!

— Eu não quero…

— E quem disse que você tem escolha? – Ele a segurou pelo pulso, quase a erguendo no ar, e a encarou de perto. Mariko estremeceu, mas não foi capaz de gritar por ajuda. O homem sorriu, ao ver que ela não impunha resistência.

— Ei, o que vocês estão fazendo? Soltem ela!

— Ora, ora… Se não é o herói da justiça, Shibuya Yuri Harajuku Furi!

— De novo se metendo nos nossos negócios, não é Shibuya? – O mais alto, que segurava Mariko, soltou-a, virando-se para ele. – Eu ainda não esqueci o que você fez conosco no início do ano! Fomos parar no hospital daquela vez, maldito!

— Não sei que bruxaria ele usou, mas dessa vez, não terá nenhuma chance!

Yuri forçou a memória, e lembrou. No dia em que vira Wolfram pela primeira vez, aqueles mesmos arruaceiros estavam importunando-o, e ele tentou ajudá-lo, pensando que se tratava de uma garota em apuros. Eles pareciam ter se esquecido, mas na ocasião, Wolfram bateu em todos eles, e acabou salvando Yuri, e não o contrário. Dessa vez, porém… Ele estava completamente sozinho. E assim como aquele cara havia dito, não tinha nenhuma chance. Antes que percebesse, os três estavam vindo na sua direção, de punhos erguidos, prontos para atacá-lo.

— Olhem! – Yuri apontou, alarmado, falando rápido demais. – Um passarinho morto voando!

— O que? – Os três viraram a cabeça ao mesmo tempo, e Yuri aproveitou a oportunidade para agarrar Mariko pela mão e sair correndo com ela para fora do restaurante. Ele já havia pago a conta antes de ir ajudar Mariko, só para constar.

Correndo o mais rápido que podia, antes que os três caras se tocassem do que havia acontecido e viessem no seu encalço, Yuri atravessou para a praça do outro lado, e se escondeu com Mariko atrás de uma árvore. Viu quando os delinquentes saíram do lugar, ainda atrapalhados em correr um ao lado do outro, e foram para o lado oposto, sumindo pela rua, e respirou, aliviado.

— E-eles já foram… — Mariko sussurrou, ainda incrédula, e sem conseguir conceber a informação do que havia acabado de acontecer.

— Pois é, foi muita sorte. – Yuri bagunçou o cabelo. – Se eles viessem para cá, eu não saberia o que fazer!

— Você já lutou com eles antes! – Ela parecia relutantemente admirada, e Yuri sentiu que não podia desmentir o mal-entendido nesse momento, por isso, apenas assentiu. – Acho que… acho que, eu estou devendo um agradecimento, por ter me salvado… — Ela o encarou diretamente, pela primeira vez, com os olhos brilhando. Yuri espantou-se.

— N-não foi nada, é sério! – Ele recuou um passo, até bater com as costas na árvore. – Qualquer um teria feito aquilo!

— Não mesmo… A maioria dos caras com quem eu saí apenas finge que não me conhece quando tudo acaba dessa maneira… — Ela contou, frustrada. – Ou então, eles fogem sem nem dar explicações, e eu acabo tendo que me virar. Mas… você foi muito corajoso! – Se aproximando ainda mais, Mariko encurralou Yuri e o deixou sem saída. Utilizando de seus atributos femininos, ela fez o possível para chamar sua atenção, e então, prendeu-o com o olhar, sorrindo satisfeita ao vê-lo corando. – Embora não tenha realmente lutado, você enfrentou eles. Então… como prova da minha gratidão, eu posso dar a você… — Colocou-se na ponta dos pés, e aproximou o rosto do de Yuri. – Isso…

Sem pensar duas vezes, Mariko colou seus lábios nos do garoto, segurando o rosto dele com ambas as mãos. Percebendo que ele não esboçava reação, ela pensou em aprofundar o contato, mas antes que pudesse fazer, sentiu-se sendo afastada do seu alvo, por mãos determinadas.

— Me desculpe, Mariko-san, acho que eu não posso aceitar isso. – O próprio Yuri fora quem a empurrou, e ainda que estivesse corado, parecia realmente arrependido. – Nós só começamos a sair hoje, e eu entendo que você esteja grata pelo que aconteceu, mas isso não parece certo…

— O q-quê? – Ela parecia genuinamente indignada. Nunca, em toda a sua vida, havia sido rejeitada daquela maneira. – Do que você está falando, idiota?

— É só que… — Ele baixou os olhos, soltando os ombros da garota. Parecia estar falando mais consigo mesmo. – Não é a mesma coisa… — A recordação daquele sonho recorrente fora a única coisa em que conseguia pensar, e não havia como não comparar. Na mente de Yuri, o “sonho” havia sido um tipo de aviso, sobre seu amor predestinado, ou qualquer coisa assim. E aquele inesperado beijo de Mariko não havia sido nem sombra do que deveria ser. – Acho que você é a garota errada…

— Quem você pensa que é para me rejeitar desse jeito! – Ela o empurrou contra a árvore mais uma vez, agora com fúria. – Nunca mais você vai ter uma chance como essa, imbecil! Quando é que uma garota como eu vai se interessar por um completo idiota comum, sem nada a oferecer, como você? Você só pode estar louco! Eu vou te fazer voltar à realidade! – Ela bradou como um desafio, e voltou a se colocar próxima ao rosto dele, fechando os olhos para beijá-lo mais uma vez.

— Já chega! – Um grito súbito cortou o ar, e a próxima percepção de Yuri era a de estar sendo puxado pelo braço, bruscamente, ficando fora do alcance das mãos de Mariko.

— Mas o que… Ah! Wolfram-kun! – Ela se sobressaltou ao perceber Wolfram, parado diante dela em posição de defesa, segurando Yuri em uma mão, e encarando-a com furor. Miyako ainda estava escondida nos arbustos do parque, para onde ela e Wolfram haviam corrido para espiar os dois quando eles saíram da lanchonete.

— Vamos embora daqui, Yuri! – Wolfram gritou, furioso, arrastando Yuri pelo braço antes que ele demonstrasse qualquer sinal de reação, deixando para trás a garota completamente aparvalhada, e Miyako tentando abafar seus gritinhos empolgados, escondida no arbusto.

Wolfram continuou no seu passo pesado e apressado pela rua, sem se importar com a direção que tomavam, ou com o que as pessoas pudessem estar pensando. Yuri ainda estava entorpecido demais pela velocidade das coisas para conseguir entender. Quando finalmente estavam longe o suficiente, Wolfram diminuiu a velocidade, e Yuri foi capaz de alcançá-lo e colocar-se ao seu lado.

— O q-que está acontecendo, Wolfram? Eu não entendo! – Ele indagou rapidamente, tentando pará-lo.

— Você não pode ficar com aquela garota, seu fracote de mente fraca!!! – Wolfram gritou, irritado. Yuri se assustou. Por mais que estivesse acostumado com o loiro sempre gritando com ele, aquele tom de voz parecia de alguma forma diferente. Wolfram estava perturbado, com raiva de verdade, e Yuri nunca havia o visto tão alterado quanto agora.

— Por que, Wolfram? – Ele fitou o loiro nos olhos, parecendo perdido, sem saber o que pensar. – Por que você apareceu tão de repente…?

Notas finais
Espero que tenha gostado do capítulo!! Nyan nyan nyan~ e agoooora~ o que será que o Wolfram vai dizer!! Façam suas apostas o// [Revisado]