A cerimônia seria realizada no palácio de Zeus, o mais suntuoso do Olimpo. Luzes, decoração, músicas e canções enchiam o ar de magia e suntuosidade. Vieram deuses que poucas vezes se juntavam às festividades do Olimpo, tais como Oceanos, Tétis e Hades.

Assim que a porta abriu e as harpas passaram a tocar, todos se puseram de pé. Pasítea seguia na frente de suas irmãs que carregavam pequenos boquetes. Pasítea respirou fundo enquanto tentava andar na velocidade certa, de não olhar para os lados e não abaixar a cabeça. Hera havia lhe dito que sua única atenção deveria ser o noivo, manter os olhos fixos deles.

Sobre um lance de escadas estava o deus do sono, elegantemente vestido com uma túnica branca, um manto escuro preso por broches dourados.

Hypnos a recebeu segurando as mãos suadas da Graça.

Atrás do altar estavam Zeus e Hera. Embora estivessem brigados, dirigiram a cerimônia com discursos e rituais. As pessoas observavam o casal com interesse. Comentários de como Pasítea era linda, bela e charmosa eram feitos por todos. Para muitos ela esbanjava confiança e força com sua estatura imponente, embora estivesse usando seus poderes nisso.

Contudo, as pessoas também comentavam que, embora o deus do sono tivesse sua beleza, era triste ter de se despedir de uma das graças.

O casal então foi abençoado pelos reis olimpianos. Uma tremenda ovação foi feita assim que Pasítea foi beijada por Hypnos.

O banquete de casamento foi servido num dos salões do palácio. Na longa mesa arrumada com peças de ouro e astromélias, o casal sentou-se no meio entre os soberanos do Olimpo e do Submundo. Nas mesas adjacentes estavam sentados tantos outros convidados, que vez ou outra levantavam-se para fazer um brinde.

A maior parte do tempo a graça esteve quieta, sorrindo e respondendo as felicitações com um breve maneio de cabeça. Hypnos não deixava de admirar a beleza arrebatadora da graça.

Houve um momento na noite no qual, após liderarem o baile, Hypnos instruiu sua esposa para que seguisse para o quarto. A graça foi acompanhada pelas irmãs e a ama, Alécia.

Para a noite de núpcias, foi-lhe concedido um quarto no palácio. Era amplo, arejado e ricamente decorado. Ficava afastado dos cômodos principais, dando privacidade para o casal.

— Tente não ficar muito nervosa, Pasí — Aglaia recomendou-lhe. — Há uma jarra de vinho ali, se precisar.

— Mas não exagere, hein. — Tália deu uma piscadela.

Alécia suspirou e empurrou Pasítea para o centro do quarto.

— Vamos, minha senhora, precisa tirar essa roupa.

Pasí olhou para baixo, para seu vestido de organza e as jóias que carregava. Era tudo tão lindo que lamentava ter que se desprender deles.

Quando suas irmãs e ama saíram, Pasí estava só com uma camisola longa e os cabelos soltos. Sentou-se próximo a lareira e passou a observar o quarto enquanto o esperava. Sobre o criado-mudo havia uma jarra e dois cálices de metal. O vinho que Aglaia mencionará.

Ao ouvir um leve ruído da porta ao abrir, Pasítea paralisou e prendeu a respiração. Hypnos recostou-se na porta, a observando. Constrangida, Pasí pôs-se de pé. Embora estivesse há alguns passos longe de graça, Hypnos percebia que a face dela estava rubra.

— Sei que está nervosa, mas não precisa ter medo de mim — disse ele suavemente — Posso me sentar?

Pasí olhou para cama e aquiesceu.

— Sim. — Sentia-se uma idiota. Ela continuou de pé, com as mãos cerradas e o rosto vermelho, sem coragem para fitá-lo. — Hm… Quer… Quer vinho?

Ele olhou para a bandeja com a jarra.

— Quero.

Pasí encheu os dois copos e ofereceu o outro a Hypnos. O vinho estava extremamente doce. Tália, pensou a Graça. Era um dos vinhos “especiais” de Dionísio.

— Está um pouco doce, não acha? — observou o deus.

— Eu gosto assim! — disse, embora sentisse a garganta seca.

— É claro que sim. — disse ele, mexendo a taça. O deus do sono bateu na cama. — Por que não se senta, minha senhora? Ficará cansada se permanecer em pé.

Pasí deu um longo suspiro e sentou ao lado de Hypnos. Muitas vezes sentará lado a lado com o deus do sono, a ponto de encostar a cabeça no ombro dele. Naquela época não pensava no que aquilo poderia significar a ele, afinal era apenas uma criança. Agora era diferente. Ele era seu marido.

Em três longos goles, Pasí ingeriu o conteúdo da taça.

— Quer que eu tire minha roupa, senhor?

Hypnos olhou seu pescoço e depois desceu para seu colo.

— Não. — A graça ficou surpresa. — Ainda está com medo. E confesso que também estou incomodado.

— Comigo, senhor?

— Não, minha senhora. — Ele pôs-se de pé. — O que me incomoda é este lugar.

Pasítea olhou ao redor. O quarto que seu pai havia lhe cedido era decorado com moldura dourada nas paredes, uma confortável cama com a cabeceira em capitonê e diversos móveis. O aposento era perfeito para Pasítea, acostumada com a vida opulenta do Olimpo.

— Preferia que estivéssemos no Elíseos agora. — disse ele. — Sei que é seu lar, mas o Olimpo me desagrada. A hipocrisia, o adultério, a falsidade está por todo lado.

A Graça fechou a cara.

— E por acaso o Submundo é diferente?

Ao ver o tom alterado da esposa, Hypnos suspirou e levou a mão ao peito.

— Perdoe-me, minha senhora, fui grosseiro. — Ele desprendeu os broches do manto. —É a nossa noite de núpcias… pode me ajudar?

Pasítea se levantou e caminhou em direção a ele. Pegou o manto escuro de sua mão e pôs sobre a cadeira de espaldar. Ele então virou-se para ela e tomou seu rosto com as mãos.

— É realmente a mais bela das filhas de Zeus. — disse ele suave. — Sempre ansiei por esse dia.

Pasítea nada disse. Estava parada ali sentindo que os olhos do deus era capaz de enxergá-la nua, de ir além e ver seu próprio e pequeno universo. Estremeceu ao sentir os lábios frios tomarem os seus num longo e calmo beijo.

Ao se afastar da graça, Pasí compreendeu o que tinha de fazer agora. Caminhou até a cama e desatou os nós de sua camisola. O tecido deslizou pelo corpo e a pele de seus braços e pernas ficou arrepiada, mesmo com o calor da lareira. Tímida demais para olhá-lo, sentou-se na cama e cobriu partes do corpo com as mãos.

Tremeu ao ver o deus se aproximando. Ele se sentou ao seu lado, tirou as mãos dos seios e segurou o queixo da graça fazendo-a olhá-lo.

— Prometo ser gentil… — disse ele suave. — Não se preocupe…

A Graça cerrou os olhos e mordeu os lábios quando Hypnos segurou seus seios nas mãos e acariciou os mamilos. Seus beijos eram cheios de desejos e Pasítea os correspondia, movida pelo alvoroço das sensações. Arrepiou-se quando os dedos dele se fecharam firmes em sua coxa, mas em vez de empurrá-lo, a graça passou os braços pelo seu pescoço e o puxou para si.