Sono & Relaxamento
5 Capitulo 5
Notas iniciais
A semana do casamento foi muito agitada para Pasítea. Para surpresa da graça, fora decidido que cerimônia seria opulenta, já que seria o primeiro casamento após o fim da guerra e seria uma forma de comemorar ambos os eventos. O plano de Hera dera certo, afinal. A deusa estava contente, mas Zeus não. A reviravolta surpreendente deixará o deus indignado, pois era certa a vitória dos troianos.
Pasítea era levada de lá para cá por suas irmãs e Hera, todas querendo lhe passar o máximo de informações. Hera preocupava-se com os protocolos da cerimônia, pois seria o primeiro casamento de uma divindade do Submundo no Olimpo. Em contrapartida, suas irmãs lhe passavam orientações para o “momento” a sós com o marido.
— Sinceramente, a primeira vez é nojenta! — disse Tália, a graça dos banquetes, com uma careta.
— Tália! — repreendeu Aglaia, a graça do adorno. — Pasí, não dê trela pra ela. Ouça a mim que, pelo menos, sou casada! A intimidade do casal é algo muito especial. É claro que nos primeiros momentos talvez não pareça, pois existe o medo, a ansiedade e o...
— Se quer minha opinião, — interveio Tália. — Beba muito vinho. Melhor ainda, peça um odre especial do Dionísio. Isso a deixará relaxada.
Aglaia deu um profundo suspiro.
— Sou obrigada a concordar com ela.
Pasí riu. Aproveitava ao máximo os momentos que passava entre as irmãs e, embora a conversar sobre a noite de núpcias lhe incomodasse.
— Talvez eu deva ficar bêbada.
— Pasí! — censurou Aglaia. — O primeiro momento deve ser especial, romântico.
Tália jogou a cabeça para trás e gargalhou.
— Por Zeus, estamos pedindo pra graça do relaxamento, relaxar — riu. — Pasí, use seus poderes na hora.
A graça mexeu-se desconfortavelmente no chaise longue.
— Acho que não vou conseguir…
Assim que Pasítea saiu da tina, ninfas a secaram a da cabeça aos pés e a vestiram. O vestido era de organza em seda com capa de comprimento até ao chão e detalhes em pérolas metálicas. Aglaia arrumou os cabelos da irmã, prendendo-os no salto na cabeça e deixando alguns cachos soltos. Por último, colocou uma tiara de pedras prateadas e safiras em sua testa.
A graça ficou sem reação ao ver seu reflexo no espelho. Estava esbelta, digna de uma filha de Zeus, uma princesa olimpiana. Estava acostumada com as flores enfeitando os cabelos e as túnicas simples. Mas agora, diante do espelho, encarava uma rainha ou, quem sabe, uma imperatriz. Enrubescida, sorriu.
— Senhorita, — Uma ninfa a chamou. — Ira usar? — A ninfa abriu o porta-joias cinzelado, revelando o broche de safira.
A graça do relaxamento pegou a joia e a segurou nas mãos por uns instantes, admirando seus detalhes e o brilho. Aquiesceu e optou por prendê-lo no meio, entre seus seios. De todos os adornos que usava, àquela joia chamava mais a atenção.
Suas irmãs apareceram logo em seguida, assim que as ninfas permitiram suas entradas. Ambas ficaram boquiabertas e encantadas com a irmã mais nova.
— Pasí… — disse Aglaia emocionada. — Ah, você está tão linda! Por Zeus, parece uma rainha.
— Nem parece que é a mais nova de nós — comentou Tália. — Se mamãe estivesse aqui ela ficaria tão contente.
— Você acha?
Tália aquiesceu.
— Com toda certeza.
A graça do adorno, Aglaia, usava uma coroa dourada na cabeça, por ser a esposa de Hefesto. Era pálida e esbelta, de cabelos escuros e olhos castanhos.
Tália, a graça dos banquetes, tinha os cabelos acobreados e frios olhos azuis. Embora Aglaia fosse a graça da beleza, era Tália quem chamava atenção.
— Eu vou sentir tanta falta de vocês. — disse Pasí de repente, inclinando a cabeça. — Se eu pudesse jamais sairia daqui.
Tália colocou a mão sobre o ombro dela.
— Não é hora de tristeza, Pasí. Estamos contentes por você estar se casando e, acima de tudo, se livrando da Hera.
As três riram. Pasítea lançou os braços ao redor dos pescoços das irmãs, abraçando-as apertado. Apesar de tudo, a graça estava feliz.
— Não posso viver longe de vocês.
— E não vai — uma voz serena e firme respondeu.
Pasí olhou com surpresa para a mulher que acabava de entrar no aposento. Afastou-se das irmãs e fez uma profunda reverência. Era Perséfone que acabava de entrar. Dona de uma beleza estonteante, a imperatriz do Submundo tinha os olhos de um verde brilhante e os cabelos ruivos
— Lady Cora… — A reverênciou.
A deusa sorriu afetuosamente.
— Preciso conversar com você, Pasítea. Teria um tempinho para mim?
Suas irmãs saíram, deixando as duas no aposento. Perséfone desejava convencer e aplacar os receios da graça sobre o casamento com o deus do sono e, principalmente, o Submundo.
— Não tem que se preocupar com os pesos que virão ao se casar, e nem temer o Submundo. Muitas coisas são ditas sobre o Submundo, mas pouquíssimas são verdadeiras. Há lugares realmente magníficos lá. Vai adorar os Campos Elísios assim como eu. – Dizia ela, sorrindo. —No começo, eu temi muito, mas agora é meu lar é onde eu desejo ficar sempre… Talvez eu tenha nascido para aquele lugar ou, melhor, para Hades.
— Isso é realmente magnífico, milady, mas eu não nasci para Hypnos. Somos totalmente diferentes
Ela tomou as mãos de Pasítea.
— Hypnos realmente a ama e está tão apaixonado que, se vier a recusar o pedido dele, duvido que ele algum dia venha se apaixonar por outra. Ele é diferente do irmão, sabe, ele precisa de alguém e, com certeza, esse alguém é você.
— Fico contente em ouvir que ele é apaixonado por mim, mas eu não partilho das mesmas emoções que ele. — disse Pasítea, sincera. — De qualquer forma, sou obrigada a me casar com ele, deixar o Olimpo e minhas irmãs.
— Não necessariamente, querida. Se quiser, poderá visitá-las e passar o tempo que for necessário aqui ou ali. Hades é bom, e espera ansioso com sua chegada. Nix também. — A deusa mirou o broche. — E, falando em Nix, vejo que está usando uma joia dela.
A graça levou a mão ao broche, surpresa.
— Isso era de Nix?
— Ela deve ter muita consideração por deixar Hypnos presenteá-la com tamanha preciosidade. Dificilmente Nix se desfaz de suas joias.
Perséfone pôs-se de pé, farfalhando sua túnica malva.
—Vou me retirar agora. — disse Perséfone, abrindo a porta. — Descanse um pouco, ainda falta um tempo para a cerimônia.
A Graça aquiesceu.
— Farei isso.
Assim que Perséfone saiu, Pasí se aproximou do espelho e encarou-se. Sentia que sua vida mudaria drasticamente.
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