Sono & Relaxamento
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Muito tempo se passara desde aquele encontro, e Pasítea agora era uma mulher de beleza e charme. Na companhia de suas irmãs, suas presenças eram sempre requisitas no Olimpo. Eram adoradas por todos e, desde que haviam deixando o fundo do mar para viverem com Zeus, eram damas de companhia da deusa do matrimônio. Embora fossem filhas de Zeus com uma outra deusa, Hera aceitará a vinda delas ao Olimpo com a condição de que a servissem.
Desde então, vivendo feliz e contente no Olimpo, em nenhum momento a lembrança de Hypnos sobreveio na memória da graça. Contudo, para o deus do Sono não era assim.
Desde aquele momento jamais tirará a Graça da cabeça, nem de como seu andar era delicado, o corpo pequeno e o sorriso afetuoso. Contudo, não havia ousadia para ir visitá-la. Seu trabalho como conselheiro do imperador do Submundo tomava todo seu tempo. Sair para superfície era complicado, mas desde que se sentira atraído pela Graça havia motivos de sobra para ir.
Seus passos ecoavam pelo longo corredor do palácio de Hades. Criadas e espectros o reverenciavam assim o que viam, mas o deus era indiferente a eles. A grande porta de bronze foi aberta por dois espectros dando lhe passagem para a sala do trono.
No amplo salão, um tapete negro seguia até alguns lances de degraus e parava sob o trono do deus do submundo, Hades. Mas o imperador não estava lá.
— De novo, Hypnos? — A voz grave, porém feminina, não o surpreendeu.
A dona de tal timbre era uma mulher de estatura média, tez acinzentada e cabelos negros em estilo helênico. Trajava um vestido azul-marinho de um ombro só.
— Nix — saudou ele, a reverenciando com a mão no peito. — Creio que era você me chamando.
Ela fez um breve maneio com a cabeça, aquiescendo.
— Tem a sorte de Hades ser paciente com sua negligência — disse ela. — E não ter realizado nenhuma audiência hoje.
— Se o imperador requisitasse minha presença, eu viria o mais rápido possível para atendê-lo.
— Quem garante isso? — indagou ela. Sua expressão era fria. — É conselheiro do imperador, deveria estar sempre ao lado dele.
— Até mesmo em seus aposentos? — Soergueu uma das sobrancelhas.
— Pelo menos não atrás de uma princesa olimpiana! — ralhou Nix.
Hypnos deu um profundo suspiro. Não era a primeira, tampouco a segunda vez que a deusa da noite reclamava sobre seu interesse romântico. Desde que vira a filha de Zeus pela primeira vez não a tirara dos pensamentos e nem dos sonhos. As emoções por ela eram avassaladoras.
Embora fosse conselheiro de Hades, governante do Mundo dos Sonhos e proprietário de um suntuoso palácio, sentia-se sozinho. Seu irmão gêmeo pouco se importava, as ninfas lhe faziam companhia constante. Contudo, ainda que as ninfas fossem agradáveis, elas não impressionavam o deus do sono.
A graça mais nova chamara tanto sua atenção que ansiava, dia e noite, poder vê-la. Desejava casar-se com ela, levá-la para seu mundo e amá-la eternamente. Esse era seu único desejo. Jamais almejara alguém tanto assim. Mas Nix e seu irmão, Thanatos, desencorajavam tais sentimentos. Nix principalmente, lembrando-o sempre que Perséfone foi raptada por Hades e Zeus, sequer Eurínome, admitiria a filha mais nova casada com um deus do mundo inferior.
— O imperador Hades não parece incomodado, minha mãe — disse ele. — Tampouco Perséfone.
— Uma garota da superfície jamais se acostumara com o submundo!
Hypnos deu de ombros.
— Se já acabou, tenho assuntos a tratar. — A reverenciou mais uma vez. — Com sua licença.
As insistências de sua mãe não lhe incomodavam, estava apaixonado pela graça e, embora respeitasse a progenitora, nada mais lhe interessava.
Estava decidido a ir ao encontro de Hera, guardiã das graças, para que tivesse a permissão de desposar Pasítea. Se a deusa do matrimônio havia permitido que a Graça do adorno, Aglaia, casasse com Hefesto por que Pasítea não poderia casar com ele?
Sua chegada ao palácio de Hera foi anunciada por uma de suas servas. Encontrou-a refastelada em um divã e, sobre seus pés, o pavão de estimação com o peito emplumado.
A deusa o olhou de relance com seus olhos violetas e levou a taça de néctar aos lábios.
— Qual o motivo de sua presença, deus do sono? — indagou ela, sentando-se.
Ele se pôs de joelhos e inclinou a cabeça.
— Dê-me permissão para casar com Pasítea, grande Hera — disse sem rodeios. — A desejo mais que tudo nesse mundo. Nada entre o céu, o mar e o submundo me fara mais feliz do que ela.
Hera deu um sorriso debochado.
— Palavras encantadoras, Hypnos, é realmente lindo seu interesse por Pasítea. — Ela cruzou as pernas. — Acredita que a graça o considera apenas como um bom amigo? Um amigo que ela não teria coragem de visitar nunca. O submundo não é pra ela! — Cuspiu a deusa. — inúmeros deuses já vieram aqui pedir a mão das graças. O único que aceitei foi Hefesto que casou com a do meio, mas os outros sempre respondi que pensaria. Sabe por quê?
Ele nada respondeu.
— Esses deuses que viam aqui ou eram do Olimpo ou do mar. Bons candidatos para as filhas de Eurínome. Mas você, deus do sono, é o primeiro do Submundo que vem pedir a mão de uma princesa olimpiana, normalmente vocês têm o costume de raptar, não é?
Hypnos apenas deu de ombros; não deixaria transpassar suas emoções diante a rainha do Olimpo, não era tão imprudente como o irmão Thanatos.
— Embora tenha acontecido desse modo, creio que não há casal mais apaixonado que Hades e Perséfone em todo o mundo.
Hera deu de ombros.
— Esteja avisado, deus do sono. Não tenho intenção de abrir mão de uma de minhas queridas meninas, muito menos pressioná-las em nenhum tipo de compromisso com você. O submundo pode ser sua casa, mas não é um lugar para uma graça como Pasítea.
Hypnos pôs-se de pé, empertigou as costas e encarou a deusa do casamento.
— Estou disposto a qualquer coisa para ter Pasítea como minha esposa. Se o submundo a desagrada, me mudarei para qualquer lugar para agradá-la. Diga-a até que será rainha do Mundo dos Sonhos, onde eu governo.
Hera aquiesceu e fez um gesto com a mão o dispensando.
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