Notas iniciais
Olá pessoal! Espero que esteja todos bem com essa quarentena

Lembre-se, nunca nos vimos antes.

A frase da deusa Ker ressoava na cabeça de Pasítea. Assim que acordou de manhã cedo recebeu um aviso de uma das ninfas de que tinha uma visita, mas convenientemente não disse quem era, talvez a pedido de Hypnos. Agora, dentro da banheira com pétalas de flores, pensava em como reagir quando visse a deusa do infortúnio.

Mas o principal era se devia contar a Hypnos. Ele tinha que saber, não tinha?

Levou a mão à barriga. Não tinha nada ali. Não ainda.

A porta do banheiro foi aberta e uma ninfa entrou carregando uma toalha nos braços. A graça se enrolou na toalha e deixou que a ninfa lhe arrumasse.

A porta do quarto foi aberta por Hypnos que perguntou:

— Está pronta?

Pasítea aquiesceu e se levantou na penteadeira. A graça entrelaçou seu braço com o do marido e os dois seguiram pelo corredor até a sala. Assim que pisou no cômodo amplo e arejado uma voz doce, quase infantil pronunciou:

— Lady Pasítea. —Ao olhar para o dono de voz encontrou a deusa a reverenciando. — Estava ansiosíssima para conhecê-la.

Ela se ergueu e surpreendeu a graça não só com sua beleza, mas pela sobrepeliz que usava. Seus cabelos eram longos, com uma franja emoldurando seu delicado rosto e olhos cinzentos. Sua sobrepeliz era escura, com asas em suas costas e em ambos lados de seu elmo.

Pasítea estava encantada com sua beleza, no escuro sequer conseguira visualizar metade do que estava vendo naquele momento. Sua aparência era jovial, mas o mesmo sentimento da noite passada não saia; sentia que estava de frente a um deus antigo.

Pasí engoliu em seco e fez um meneio com a cabeça.

— O prazer é tudo meu, hã.... Ainda não sei seu nome ainda?

Ker inflou as bochechas e pôs as mãos na cintura.

— Meus irmãos não falaram nada sobre mim?

Pasí olhou para o deus do sono e se indagou por que ele nunca havia mencionado a irmã. Bom, ele até chegará a falar dos irmãos, mas nada mais que uma breve menção.

Hypnos suspirou e disse:

— Eu ia apresentá-la. Essa é...

— Deixe que eu mesma me apresente — interveio a deusa. — Eu me chamo Ker. — Curvou-se fazendo um floreio com a mão. —A deusa do infortúnio.

Seus olhos miraram os de Pasítea com intensidade e, involuntariamente, a graça apertou o braço de Hypnos com força. Engoliu em seco, suspirou e manteve a calma.

— Por onde esteve, Ker? — perguntou ela. — E por que está aqui agora?

— Pasí... — chamou Hypnos suavemente, pondo a mão sobre a dela. — Ker esteve esse tempo em uma missão e regressou ontem. Ela foi gentil em querer nos visitar.

A deusa sorriu adoravelmente, inclinando a cabeça.

— Queria conhecer minha mais nova irmã. — disse ela. — Espero não incomodar nenhum dos dois. — Então deu uma piscadela. — Sei como os recém-casados são ocupados.

A graça ficou enrubescida e virou o rosto. Por outro lado, Hypnos deu de ombros e sentou-se.

— Ficará onde, irmã? — ele perguntou.

— Com Thanatos. — respondeu, sentando-se de volta. — Será por pouco tempo, infelizmente.

— Espero que desta vez não vá só.

— Não. Não farei isso de novo. Estive conversando com o imperador, e ele concordou em me emprestar alguns espectros.

Ele bufou.

— Eles são patéticos.

— Por que não gosta deles, irmão? São servos leais ao imperador Hades. Ou por acaso quer se candidatar a ir comigo nessa viagem? — ela olhou para Pasí. — Devo lembrar que é casado e não seria bom deixar sua amada esposa sozinha.

Até aquele momento, Pasí olhava de um para o outro tentando entender e se encaixar na conversa.

— Pra onde está indo, Ker? — quis saber Pasítea.

— Um lugar muito longe. — Respondeu, cheia de mistério. — Inimaginável para alguns. Para você, com certeza.

Pasí engoliu em seco e sentiu um frio na espinha. Automaticamente ela procurou a mão de Hypnos e a apertou. Ele inclinou a cabeça em direção a ela.

— Está tudo bem. — Sussurrou, mas Pasitea não tinha certeza.

A presença de Ker trazia desconforto a ela.

— O que quero dizer — continuou Hypnos, falando com a irmã. — Que meros espectros não serão capazes.

— Se não será, quem será? — inclinou a cabeça. — Hades não deixará que seus juízes venham comigo. Ele não deixaria Giudecca sem proteção. Você pode não gostar dos espectros, mas queira ou não, vou com eles. — Ela deu um suspiro e virou-se para Pasítea. — Essa conversa deve estar tão tediosa para você, não é mesmo, irmã.

Pasítea deu um sorriso amarelo.

— Não mesmo. Sei que Hypnos está feliz por você estar de volta e eu também estou. — Ela pôs-se de pé. — Vou pedir que tragam algo para vocês.

Rapidamente ela se dirigiu para outro cômodo e respirou fundo. Ker podia ser linda, mas trazia uma sensação estranha consigo e afetava diretamente Pasítea.

— Lady Pasítea, está tudo bem? — perguntou uma ninfa ao vê-la encostada na parede. — Sente-se mal?

A graça negaceou e pediu que levasse algo para que Ker e Hypnos pudessem beber. De volta, fez o possível para não mostrar seu incômodo e conversar com ela. Mas ao ficar sozinha com a deusa não pôde permanecer assim.

Levantou-se e ficou de frente para a alta janela da sala. As flores dos jardins pareciam mais vivas naquele dia. As ninfas, as almas dos heróis e alguns espectros perambulavam por ali.

— Eu até esqueci de perguntar — começou Ker, indo até ela. — Sabe tocar algum instrumento? Eu e meus irmãos adorávamos tocar uma sonata para Nix ou simplesmente ver quem era o melhor. O que acha de nós duas fazermos um pequeno sarau?

— O que foi aquilo ontem? — perguntou ríspida, interrompendo a deusa.

Ker a olhou surpresa e depois sorriu.

— Nada. Uma visitinha. Não gostou?

— Não! É claro que não! Você não tinha direito algum de entrar no meu quarto e falar aquelas baboseiras.

— Baboseiras... – repetiu como se avaliasse a palavra. — Nada do que falo são baboseiras. São fatos. Eu não precisava falar pra você o que já sabia, mas me senti no dever. É meu sobrinho, afinal.

— Eu não estou grávida! — disse entredentes. Olhou para o arco da porta vendo se havia alguém por perto.

— Calma... — ergueu as duas mãos. — Você ainda vai ficar. Não entendo por que está assim... tão nervosa com algo tão bonito. Você terá um filho, Pasítea!

A graça cerrou o punho com força e encarou Ker.

— Como sabe? Como pode saber disso se não é nenhuma deusa do destino.

— Duas coisas. Primeiro, eu sei o quanto meu irmão gosta de você e o quanto ele ficaria feliz com um filho. Segundo, como deusa do infortúnio posso ver e sentir coisas ligadas a isso. Vi uma criança e tantas outras coisas sobre você e meu irmão. Mas a criança, embora fosse muito bonita, não tinha nenhum poder.

Pasí ficou em silêncio por alguns instantes.

— Então... meu filho vai ser um infortúnio pra mim?

Ker negaceou.

— Não. Longe disso. Ele será uma divindade, e disso ninguém poderá duvidar. Você vai contar para o Hypnos?

— Eu... eu não sei. — Sussurrou. Toda aquela informação era demais para ela.

Ker deu um suspiro e disse:

— Você vai contar. Eu sei.

Ker pegou o cálice de néctar sobre a mesa e voltou a se sentar. Pasítea continuou na janela refletindo e com medo. Na noite anterior estava preocupada com a visão que tinha visto e agora sobre uma criança com o destino escrito.

Ker permaneceu um bom tempo com eles, e só foi embora quando o céu tomou uma coloração alaranjada. Por fim, quando anoiteceu, Pasítea vestiu sua roupa de dormir e já escovava os cabelos quando Hypnos entrou.

— Sabe o que estava pensando? — perguntou ela. — Que não vejo Nix desde ontem.

Hypnos deu um sorriso de canto. Ele se aproximou por detrás da graça, olhando seu reflexo.

— Espero que não esteja com saudades dela.

Pasítea soltou uma risada nasal.

— Talvez..., mas desde daquela visão fico me perguntando se ela me viu mesmo. Talvez ela tenha alguma resposta.

— Acha mesmo?

— É só um talvez. No dia da cerimônia ela me disse que a “a mudança é gradual”. Sabe o que pode significar?

Ele deu de ombros

— Talvez porque é uma deusa agora. — disse. Ele baixou a cabeça e beijou seu pescoço. Sem querer, a graça suspirou de prazer. — Por enquanto, por que não nos preocupamos com outra coisa?

A graça se virou e levou a mão ao rosto dele.

— Adoraria — sussurrou, e o beijou na boca.

Hypnos enrolou o cabelo solto dela em sua, puxando-a para um beijo devorador e depois desceu sobre o pescoço dela.

Pasítea arfou sentindo a língua dele deslizar por sua orelha para clavícula. Sentiu todo seu corpo arder em chamas. Sob a camisola seus mamilos endurecidos mostravam quão ansiosos estavam pelo toque dele.

Quando as mãos dele envolveram seus seios, Pasítea gemeu de deleite e Hypnos deu grunhido baixo, encorajado pelo prazer dela. Ela sentiu sua ereção quente e rígida mesmo através de sua camisola e da túnica que usava. Com o polegar, ele encontrou o mamilo e o massageou para frente e para trás.

Levou-a até a cama empurrando contra o colchão. Inclinou-se sobre ela, acomodando seus quadris em meio a suas coxas e encostou seu membro ereto onde ela queria. Ele deslizou as mãos até suas pernas, subindo sua camisola até a deixar nua. Ela soltou um gemido lânguido quando ele abocanhou seu mamilo, mordiscando, lambendo-o e brincando com os dois.

Ele se afastou de suas pernas para tirar sua túnica e Pasítea o ajudou afoita, ávida para senti-lo dentro de si. Nu, ela se inclinou e beijou e lambeu seu abdômen, desceu até a cintura e ao seu membro duro e quente. Ouviu o gemer de prazer quando o massageou para cima e para baixo. Estava se divertindo quando Hypnos afastou a mão dela.

— Isso foi maravilhoso, minha senhora, mas me deixei terminar.

Ela aquiesceu, deitando na cama e o deixando se ajeitar entre suas coxas. Pasítea deslizou as mãos pelos braços e costas do deus.

Você vai contar. Eu sei.

A voz de Ker soou e o momento de paixão por um momento se desfez.

— Está sentindo alguma coisa? — perguntou ele.

Ela negaceou

— Não. — respondeu. — Só vai devagar.

O Deus do Sono deu um sorriso malicioso e a beijou.

— É claro.

Pasítea mordeu os lábios quando o sentiu entrar. Ele foi se aprofundando em estocadas pacientes e até está tudo dentro dela. Ela o abraçou com força. Assim como foi pedido, ele foi devagar. Com cuidado saiu um pouco, e então de novo. Os dois gemeram.

Seus movimentos devagar logo se transformaram em um ritmo mais urgente e suas estocadas ganharam intensidade. Pasítea gemia enquanto envolvia os quadris dele com as pernas e o abraçava mais apertado. De repente, ela arregalou os olhos e o encarou suplicante.

— Hypnos, eu... por favor.

Ele sabia o que ela precisava. Apoiou em um dos cotovelos e levou a mão ao local em que seus corpos se uniam. Sem tirar os olhos dela, colocou o polegar em seu sexo e mexeu ali.

— Vamos lá, querida...

Pasítea mordeu os lábios com força e mais alguns movimentos a fez fechar os olhos bem apertados. Ela convulsionou e tremeu de prazer chegando a um clímax repentino e violento.

Hypnos passou o braço por debaixo da cintura dela, puxando Pasítea bem forte contra si. Depois de mais algumas estocadas, foi a vez dele. Ele estremeceu e gemeu. Hypnos desabou sobre ela e enterrou o rosto em seu pescoço. Ofegantes, ficaram abraçados.

Pasí deslizou sua mão pelo cabelo dourado do deus. Quando o sentiu muito pesado o moveu para o lado vendo que cairá no sono. Sorriu e beijou seus lábios.