— Amy! — chamou a ouriça branca assim que avistou sua amiga ao longe no corredor para fora da biblioteca.
— Akemi? — A rosada se voltou para a dona da voz. — O que faz aqui? — indagou em espanto.
— É-é sobre o príncipe... — ofegou Akemi, se apoiando em seus joelhos ao alcançar Amy, a fim de recuperar o fôlego.
— Se é sobre o noivado, eu já estou sabendo — disse, sentindo um certo amargor ao afirmar aquilo. — O Swift me contou...
As duas permaneceram em silêncio por alguns instantes, apenas trocando olhares.
— Você sabe quem é a noiva? — Akemi resolveu tomar a palavra.
— Não. Você sabe? — perguntou Amy. Por algum motivo, temia ouvir acerca daquilo, mas se sentia no dever de oferecer apoio ao príncipe e, principalmente, seu amigo.
— Princesa Amelie, de Stonefield — Akemi foi direta com sua resposta. — Está sendo firmada uma aliança justamente com o reino que está tendo problemas com Jewelídia.
— O quê?! — Amy arregalou seus olhos. — Mas que tipo de vantagem Crystallius terá com isso?
— Não sei. — Akemi balançou a cabeça. — Nada contra, mas das duas, uma: ou é incompetência ou é proposital — disse, não se dando nem ao trabalho de disfarçar sua indignação para com Harry.
— Proposital? — Amy pensou consigo mesma. Por mais que o primeiro ministro Harry fosse um sujeito um tanto rude e claramente não simpatizasse com ela e seus companheiros de viagem, não queria acreditar que aquele homem chegaria naquele ponto apenas para prejudicá-los as custas do reino.
— Estou preocupada com o futuro de Crystallius. — Akemi suspirou. — Mas tem algo que me preocupa ainda mais.
— O que é? — Amy olhou para a ouriça branca, preocupada. Já gastavam todos os problemas que surgiram num dia só.
— Com você — respondeu ela, pegando as mãos de Amy, gentilmente.
— Comigo? — Amy arqueou as sombrancelhas, espantada.
— Sim, ham... bem... — Akemi cravou os olhos no chão lustroso, ponderando um pouco sobre quais seriam suas próximas palavras.
— O quê? — Amy agachou a cabeça, a fim de poder fitar aquele par de olhos azuis de sua amiga. — Pode falar, Akemi.
Akemi fez que não com a cabeça, corando um pouco.
— Não, deixe isso para lá — ela disse.
— Akemi, se for algo-
— Não, Amy, não se preocupe — insistiu Akemi. — Eu não quero atrapalhar.
— O que quer dizer? — perguntou Amy, mesmo sabendo que as chances de receber uma resposta da ouriça eram escassas.
— Ah, o príncipe Swift deve estar triste com isso, não? — indagou Akemi, em vez daquilo.
— Sim, muito mais do que eu imaginava que poderia ficar — respondeu a rosada, cedendo em ter sua outra pergunta respondida.
— É mesmo?
Amy fez que sim com a cabeça.
— Isso significa que ele se importa. — Akemi sorriu.
— Se importa? — Amy franziu a testa, sem entender o que ela queria dizer.
— Sim — confirmou, abanando a cabeça afirmativamente.
Pela primeira vez, Amy não conseguia imaginar o que se passava na cabeça de Akemi naquele momento. Ela parecia triste e feliz ao mesmo tempo. Apesar de não ter conhecido aquela menina há tanto tempo quanto o restante de seus companheiros de viagem, sentia uma forte ligação com a ouriça alva, muito além de suas aparências similares, as fazendo parecerem irmãs. Era algo inexplicável.
As duas, então, se poram a caminhar pelo corredor.
— Você acha que é por causa dos recursos financeiros escassos de Crystallius que o primeiro ministro Harry tomou a liberdade de decidir pelo Swift com que reino seria feita uma aliança? — indagou Amy, mudando o foco do assunto de volta para o início.
— Eu não entendo tanto de política, para falar a verdade, mas acho que isso não compensa o risco de sermos envolvidos numa possível rixa com Jewelídia, para não dizer guerra — respondeu Akemi, um pouco pensativa. — Pelo que ouvi falar, Stonefield anda com problemas na área militar.
— Quer dizer o exército de Stonefield? — quis confirmar Amy.
Akemi confirmou com a cabeça.
— E não preciso nem mencionar que isso tem tudo a ver com o que aconteceu entre Stonefield e Jewelídia no passado — disse a ouriça branca, balançando as mãos de um lado para o outro.
— Quer dizer que o motivo deles terem aceitado a aliança...
— É por causa do nosso poder militar, provavelmente — emendou Akemi.
Aquilo fez Amy pensar imediatamente em uma pessoa: o capitão da guarda real, Moor. Homem de confiança que ajudou a resgatar Maya no último incidente. Talvez fosse sua única esperança para apoiar Swift.
— Ah, e Amy — disse a ouriça num sorriso tristonho, se voltando para Amy.
— Akemi? — Amy a olhou de volta. Ela estava daquela forma novamente.
— Fale com o príncipe sobre isso, sim? — pediu ela. — Deve estar sendo difícil para ele mais do que para qualquer um de nós.
— Farei isso... — Amy anuiu.
— Mais do que nunca, ele precisa de você — completou a amiga. — Ouça sua intuição.
Amy fez que sim com a cabeça. Ainda não compreendia o que estava se passando na mente de Akemi, mas seguiria seu conselho. Era o que sua intuição dizia.
Assim que as duas chegaram até o final do corredor, Akemi se despediu de sua amiga e voltou a suas obrigações, ao passo que Amy se certificou de manter o livro que Maya havia a mostrado dentro de sua bolsa, bem guardado. Queria lê-lo mais tarde, todavia, não estava certa qual seria a próxima vez que entraria na biblioteca com a atual agitação em que o palácio se encontrava, então tomou a liberdade de levá-lo consigo daquela vez.
Parou, então, em frente a uma grande janela que exibia a exuberância da paisagem, a saudável vegetação verdejante nos arredores do palácio. Contemplou a paisagem pacífica. O sol rumava do topo para o meio do céu límpido, sinalizando o eminente desfecho daquela tarde.
E o início da cerimônia daquela noite.
— Srta. Amy? Parece preocupada — uma voz indagou atrás da ouriça cor-de-rosa, enquanto esta espairecia.
— Oh, comandante Moor? — Amy voltou-se para o lince. Observou mais uma vez sua postura imponente e as medalhas ostentadas em sua faixa cruzando seu peito, que sugeriam seu status e conquistas durante sua carreira militar.
— Está tudo bem? — indagou novamente o comandante.
Já fazia um bom tempo que não trocava uma palavra com o lince. Era um sujeito de aspecto um pouco intimidador e arrogante ao longe, porém, assim que Amy teve a oportunidade de conhecê-lo melhor, viu que não era exatamente o que aparentava.
Havia sido o responsável por obter informações e liderar um grupo auxiliar de resgate no último incidente. Aquilo foi um verdadeiro susto para todos, especialmente para Sonic, todavia, Moor era o que mais parecia calmo. Manteve a cabeça fria do início ao fim da operação.
Tinha que ter esperanças...
— Está, sim — respondeu. — Ham...
— Senhorita? O que foi? — perguntou Moor em tom preocupado.
— Já está sabendo com que reino está sendo firmada a aliança? — Amy voltou o olhar para a paisagem. Inconscientemente, não queria que o comandante visse seu semblante.
— Ah, sim, isso... — Moor suspirou, entendendo o que Amy quis perguntar. — Sim, já fui notificado sobre isso. Tanto que devido ao perigo das estradas nos últimos tempos, mandei soldados para auxiliar na escolta da princesa Amelie e sua comitiva.
— Entendo... — foi tudo o que Amy conseguiu responder.
— O noivado de Sua Alteza Real, o Príncipe Swift não lhe agrada, não é? — inquiriu Moor
— O-o quê? — Amy se voltou para Moor um tanto agitada. — Não! Quero dizer... Foi algo repentino e claramente não agradou ao príncipe... Além disso, uma aliança com Stonefield... — Amy tentou redarguir.
— Significa que estamos nos envolvendo com os conflitos entre Stonefield e Jewelídia, consequentemente, nos envolvendo num possível problema no futuro, eu sei — Moor tratou de emendar para Amy.
— Isso... — Amy suspirou. — Eu sei que é apenas uma possibilidade, mas...
— Todo cuidado é pouco, e pisar num campo minado não é uma das melhores ideias para se conseguir recursos financeiros, não é? — emendou novamente o comandante.
— Sim. — Amy fez que sim com a cabeça.
— Mesmo com esta aliança, gostaria que soubesse que de minha parte não haverá rendição para com o exército de Crystallius, que pertence somente a este país. Não pretendo deixar o exército ser usado para os caprichos de outros reinos.
— Tenho certeza de que o príncipe está totalmente de acordo com sua posição diante disso — Amy sorriu.
— Obrigado — o lince sorriu de volta.
Amy, então, notou que o homem parecia querer dizer algo a mais.
— Aconteceu algo? — indagou a garota. Aquele semblante era familiar. Assim como Akemi, ele parecia perdido nos próprios pensamentos.
— Não. Nada, na verdade — Moor balançou a cabeça de um lado para o outro. — Apenas estava me perguntando o que a senhorita pretendia fazer. Não se importe com isso, por favor.
— Não, tudo bem — Amy fez que não com a cabeça. — O que eu pretendo fazer, você diz? — Ela suspirou.
— Falar com o príncipe, talvez? Ele precisa de todo o apoio possível num momento tão decisivo como esse — disse o comandante, sorrindo.
— Farei isso.
— Tenho certeza que ele se regozijará com suas palavras amigas.
— Isso me deixa feliz. — Amy sorriu — Mas o que me deixaria realmente muito feliz, seria se eu fosse capaz de mudar essa realidade, o futuro do príncipe.
— Entendo — Moor abanou a cabeça em sinal de concordância. — O ministro Harry não parece ter feito uma escolha muito conveniente para Sua Alteza Real, não é? Não que ele seja incompetente, mas acho que ele não analisou toda a situação — comentou Moor, sussurrando.
— Creio que ele esteja com pressa — respondeu Amy, brevemente.
— Pois é. Quer ver o príncipe casado com uma nobre logo — concordou. — Ah, mas não conte para ele que falei isso para a senhorita. Ele pode ficar zangado.
— Não se preocupe. Não vou falar nada — garantiu Amy, abanando a cabeça. — Também, ele não gosta muito de mim.
— Percebi. Não entendo porque, a senhorita é tão simpática e já agiu em favor do reino mais de uma vez. Por que o ministro duvidaria de sua índole?
Os sinos ressoaram, indicando a passagem de mais uma hora. O momento da chegada da comitiva e a princesa Amelie estava se aproximando.
— Oh, o dever me chama — disse o comandante, olhando de relance pela grande janela. — Preciso ir. Há muito que eu preciso fazer antes da iniciação da cerimônia. Sabe como é.
— Sim. — Amy fez que sim com a cabeça. — Sim, é claro. Tenha um bom trabalho.
O comandante fez uma respeitosa reverência para Amy antes de seguir por seu caminho.
A garota, por sua vez, se via na necessidade de falar com Swift.
— Srta. Rose! Srta. Rose! — chamou uma das criadas, eufórica.
— O que foi?! — indagou Amy, sendo pêga de surpresa ao ser conduzida pela criada e mais duas assistentes para outro corredor. — Esperem! O que estão fazendo?
— Não há tempo! A senhorita deve se preparar para a cerimônia! Será em breve! — respondeu, ainda muito agitada.
— O quê? Como assim? — Amy quis saber. Sentia que o tempo de falar com Swift se esgotava.
— Não está sabendo? A senhorita é uma das convidadas! — exclamou, como se fosse ela prestes a participar da cerimônia. — O príncipe fez questão em ter a presença de todos!
— Ah, então é isso... Ah! Ei! Esperem! — queixou-se a rosada, sendo empurrada.
As criadas foram rápidas e eficientes ao prepararem a ouriça. Enquanto isso, eloquentes e muito animadas, olharam para Amy.
— A senhorita não parece muito animada — Uma delas disse.
— Desculpem... — Amy balançou a cabeça. Não sabia se podia expressar seu descontentamento com elas. — Estava com a cabeça em outro lugar.
— Sabemos que a senhorita é bem próxima do príncipe...
— Não é nada do que estão pensando — Amy interpôs suas palavras antes que o estopim de um novo motivo para se preocupar acontecesse.
— Não é isso — A criada balançou a cabeça. — Sabemos que, como amiga do príncipe, a senhorita deseja apenas a felicidade dele. — A verdade é que o príncipe parecia muito triste com aquilo — explicou ela com tristeza. — Mas ele não pode expressar esse desgosto diante do povo. O dia em que a pretendente é apresentada é motivo de celebração para o reino, afinal.
— Eu sei. — Amy fechou os olhos. Tinha vontade de chorar. Não sabia se sentia raiva, tristeza, pena... Até seus pensamentos estavam uma baderna.
— A senhorita deveria ficar um pouco com o príncipe antes da chegada da pretendente. A senhorita parece ser a que mais entende o príncipe Swift...
Amy olhou para a criada, com certo espanto nos olhos.
— Oh, perdão, senhorita! — A criada, agitadamente, fixou os olhos no chão. — Eu não tinha a intenção de sugerir-
— Não, tudo bem — disse Amy, balançando a cabeça. — Acho que é o melhor que posso fazer nesse momento.
Amy se perguntava o motivo de todos depositarem tanto suas esperanças nela. De fato havia salvado o reino e até ganho um hino de presente do príncipe, um gesto que a comovia sempre que escutava ser tocado, mas não sentia sua confiança a altura daquilo. Já era a terceira vez que faziam um pedido desses.
Falar com Swift.
— E os outros? — quis saber Amy.
— Já devem estar prontos também — respondeu a criada. — Ah, a senhorita está tão linda! — suspirou, admirada, juntando as mãos ao contemplar a figura de Amy.
— Puxa... Obrigada — agradeceu a garota, sem graça. — Vocês que fizeram um bom trabalho!
— Aposto que arrancará um suspiro do príncipe! — disse uma delas entre risadinhas.
— Quê? — Amy arregalou os olhos, sentindo as bochechas esquentarem.
— Não é por nada, não, mas duvido que haverá moça mais bonita que a Srta. Rose na celebração desta noite! — a outra emendou.
— Não seria nem um pouco ruim se a futura rainha de Crystallius fosse a própria Srta. Rose! — a primeira acrescentou, pegando as mãos de sua colega, cheia de animação.
— Shhh! Vocês duas! — a primeira criada as repreendeu. Pelo sorriso no canto de seus lábios, porém, era impossível disfarçar que compactuava com aquelas afirmações. — A Srta. Rose está bem aqui! — disse, apontando para a dama rosada.
— Mas é sério — uma das outras criadas disse. Seu semblante era compassivo. — Acreditamos que a senhorita seria uma rainha maravilhosa.
— Isso é verdade. — A outra parecia prestes a derramar lágrimas de emoção. Provavelmente estava se lembrando de como sua pobre família foi socorrida por Amy há não muito tempo atrás.
Amy não sabia o que dizer. Obviamente estava muito lisonjeada com aquilo. Não era apenas uma questão de suposições em cima da amizade dela com o príncipe; era o desejo delas de ver ela como rainha por sua capacidade, sua índole, sua pessoa.
— Eu agradeço por pensarem isso de mim. — Amy sorriu. — Embora seja evidente que isso não vá acontecer, significa muito para mim.
— A senhorita seria nossa rainha se tivesse essa chance? — a primeira assistente indagou, não contendo o ímpeto de sua curiosidade em saber.
— Ellie! — repreendeu a mais velha.
— Bem... — Amy sorriu, hesitante. Não sabia que era tão admirada ao ponto de a verem como uma boa candidata a rainha. — Na verdade isso nem passou pela minha cabeça. Estou numa viagem importante com meus companheiros para tentar proteger a integridade do universo, afinal. Vocês sabem...
— Isso significa que a senhorita não ficará muito tempo em Crystallius, não é? — Apesar de tentar disfarçar, Ellie parecia triste.
— Mesmo não querendo me despedir daqui, é o que vai acabar acontecendo... — Dizer aquilo partia seu coração. Haviam se apegado muito a Crystallius. — Além disso, nós estamos vendo como Swift está descontente com a situação atual. Não seria diferente se fosse eu no lugar da princesa Amelie...
— Eu não acho que seja assim... — a colega de Ellie discordou. Respirou fundo, então, como se quisesse acrescentar algo, mas acabou mudando de ideia.
— Enfim, é melhor que se apresse se quiser encontrar Sua Alteza Swift, senhorita. A comitiva já deve estar a caminho — a criada mais velha resolveu tomar a palavra.
Amy fez que sim com a cabeça. Não sabia como poderia ajudar sei amigo naquele momento, mas precisava dizer algo ao menos.
Enquanto isso...
— O-o quê? Você tem certeza do que ouviu? Se trata de uma acusação grave. Qualquer...
— Maya — interrompeu Sonic. — Confie em mim. Eu tenho certeza do que ouvi.
— Sabe dizer quem eram? Quantos eram?
— Não sei. Estavam falando muito baixo, não deu para identificar as vozes. Mas tenho certeza que eram mais de duas pessoas.
— Você ouviu ao menos do que falavam? — Maya fazia o maior esforço possível para não perder a cabeça e entrar em desespero. Ela mal haviam se recuperado do sequestro.
— Sim...
Mais cedo...
Sonic estava caminhando sozinho por um dos corredores do térreo. Não conseguia deixar de reparar na quantidade de rostos desconhecidos dos guardas do palácio. Quase se sentia em outro lugar.
— Tem que ser esta noite — afirmou alguém aos sussurros.
O tom confidente, mais do que a própria frase, fez os pés do ouriço pararem onde estavam por um instante.
— Essa é a melhor oportunidade. Durante a celebração é mais fácil de abrir lacunas, serão dois coelhos numa cajadada só. Estamos falando da visita da princesa Amelie. É o momento perfeito, não concorda? — indagou o outro.
— Sim, com certeza, mas sabe para quando é para tudo isso? Esta noite. — disse mais alguém, aos sussurros.
— Então faça funcionar. Essa pode ser nossa última chance de fazer isso.
— Estão falando da festa desta noite? — pensou o ouriço, tentando entender o contexto daquela conversa.
— Honestamente, a princesa permanecer viva já se tornou um empecilho para nossos planos para Stonefield. E se aquele maldito príncipe morrer hoje, será um livramento.
— O quê?! — Sonic não acreditava no que seus ouvidos ouviam. — Isso é...?
— Basta fazer parecer que se trata de um atentado contra a princesa — afirmou uma voz. Embora estivesse falando baixo, Sonic conseguiu identificar uma voz masculina e a mesma ainda parecia familiar.
— Não é tão fácil fazer quanto é apenas falar — argumentou o outro, tão baixo quanto o primeiro.
— O que mais não ficou claro no que eu disse? Quer que eu desenhe? — indagou, irritado.
— Isso não é preciso! — respondeu.
— Pode-se saber qual é a chance de conseguir fazer o príncipe e a princesa ficarem perto o suficiente para isso acontecer? — uma terceira voz quis saber.
— Isso não é o principal — alguém disse.
Naquela altura, Sonic já não sabia mais distinguir quem era quem. Teve que lutar contra seu ímpeto desejo que estabelecer contato visual com o que considerava serem traidores. Ver os rostos dos malditos.
— Não é somente uma questão política, de tirar a princesa do jogo e derrubar Crystallius, é necessário que os visitantes levem a culpa disso também.
— Sim.
Sonic não conseguia crer em seus ouvidos. Era difícil para seu cérebro processar aquilo. Supostamente... Não; definitivamente haviam traidores no palácio Crystal. Tinha que reportar aquilo...
— Vamos logo. Já foi difícil fazer essa visita acontecer. Essa pode ser a única chance de fazer as melhor jogadas. O tabuleiro está com as peças na melhor posição possível. Duvido que aparecerá outra oportunidade assim, principalmente com Jewelídia fazendo tanta pressão em nós — argumentou um deles. Sua voz parecia cada vez mais próxima.
O ouriço escapuliu dali sem pensar duas vezes.
— Não podemos ficar aqui — disse Maya, parecendo em pânico, correndo para a porta. — Agora mesmo eles podem...
— Não! Maya! Espere! — Sonic correu até a porta e se pôs em frente a ela, bloqueado sua passagem.
— O que está fazendo, Sonic? — Maya o segurou pelos ombros, tentando tirá-lo do caminho. — Precisamos fazer algo!
— Maya, seja racional! — Sonic sacudiu a garota pelos ombros. — Precisamos pensar primeiro!
A jovem inspirou profundamente e expirou prolongada e paulatinamente algumas vezes, tentando se acalmar.
— Não temos muito tempo — disse ela.
Um par de batidas na porta faz ambos sentirem o coração parar por um momento.
— Haja normalmente — pediu Sonic num sussurro o mais baixo possível.
Maya anuiu antes de abrir a porta.
Era uma das criadas.
— Rápido! A senhorita deve se preparar para a cerimônia! — avisou a mulher, puxando a menina. — O senhor também! Não demore, por favor! — acrescentou, olhando para Sonic.
— Nos encontramos depois — disse o ouriço, baixinho, enquanto passava por Maya.
Ela fez que sim com a cabeça como resposta.
Ainda era difícil para ela acreditar no que havia ouvido de Sonic. Havia um traidor no palácio. Parecia ser algo para prejudicar a estadia de Sonic e os outros naquele lugar. E o que era mais chocante, era que Swift era o primeiro alvo. O príncipe.
— E se acontecer algo com o príncipe e com outras pessoas inocentes por nossa causa? — essa pergunta martelava na mente de Maya.
Ela se sentia no dever de fazer algo antes da celebração começar.
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