— Sua Alteza poderia estar com um semblante mais alegre, não acha? — sugeriu um lobo branco muito bem trajado, fazendo jus a seu status, que se encontrava sentado em frente a princesa Amelie dentro da carruagem que rumava para a capital de Crystallius.
— Semblante alegre? — repetiu a princesa em forma de pergunta, arqueando uma das sombrancelhas. — Perdão marquês Kai, mas não tenho motivo algum para me felicitar.
Apesar de sua expressão não ser muito amigável naquele momento, aquilo não anulava sua exuberante beleza. Se tratava de uma encantadora ursa lilás. Sua bela pelagem combinava com seu par de olhos que brilhavam como ametistas e seu vestido brilhante da cor púrpura.
— Sua Alteza é uma princesa, deve agir conforme as necessidades do reino — lembrou o marquês. — Sua Alteza não disse que ama seu povo?
— De fato amo, mas essa aliança nada tem a ver com isso — argumentou ela. — Isso é pura conveniência política que somente age em prol dos nobres. O que o conselho quer é poder militar.
— É claro, para proteger Stonefield.
— Proteger Stonefield? — Amelie olhou escandalizada para o marquês. — Se quisessem realmente proteger Stonefield, não teriam se envolvido naquelas intrigas. Jewelídia não simpatiza conosco por nossa própria culpa; ou melhor, por culpa de todos aqueles que compactuaram com aquelas decisões inescrupulosas no passado...
— Princesa Amelie — interrompeu Kai, ásperamente — Tudo que Sua Alteza deve fazer é acatar as ordens do príncipe, nada mais. Lembre-se de sua posição.
— Mas é justamente por minha posição que me oponho a isso e — Amelie se obrigou a abster-se de falar, apenas pensar.
Não replicou o que marquês Kai lhe havia dito. Não sabia o que devia fazer para interromper aquela loucura, impedir seu irmão de continuar o que seu pai havia começado. Considerava a família real de Stonefield o maior podre do país inteiro.
— Não, é o maior podre de todos os reinos — ela se corrigiu mentalmente.
Naquela altura, Amelie pôde avistar pela janela da carruagem o castelo Crystal ao longe. O belo monumento de destacava em meio às outras construções e ao breu da noite estrelada. Amelie, no entanto, como amante assídua da arquitetura, não conseguia se animar nem com o estonteante aspecto do castelo que fazia jus a seu nome, este que dava nome a capital, Crystal.
— Para que toda essa frescura? — perguntou Swift, soltando um suspiro desgostoso, enquanto era arrumado por uma equipe para aquela noite.
— Essa cerimônia é importante. Vossa Alteza deve estar impecável — explicou uma das criadas, enquanto se concentrava em arrumar os trajes cerimoniais do príncipe.
— Não vejo qual é o benefício de fazer uma aliança em forma de noivado — argumentou Swift, revirando os olhos. — Afinal, existem outras formas de resolver estas coisas.
Amy hesitou um pouco antes de resolver bater na porta.
— Saiam todos! — ordenou Swift, sacudindo as mãos para despachá-los. — Pode entrar, Amy!
Amy abriu a porta, surpresa.
— Como soube que era eu? — ela perguntou
— Eu reconheço sua batida — explicou Swift, coçando a nuca, sem graça.
— Uau... — exclamou Amy, boquiaberta, ao notar o traje de Swift. — Você ficou muito bonito nestas roupas.
Swift corou por um instante. Rapidamente, então, foi a passos velozes até a janela, na tentativa de disfarçar.
— Seria bom se eu não estivesse assim para o que vou ter que enfrentar agora — lamentou, suspirando.
Por um momento, Swift ficou mudo. Sua tensão deu lugar a admiração.
Amy estava impecável. Fazia jus a uma das convidadas da cerimônia. Parecia uma princesa, esta que Swift atreveu-se a apostar mentalmente que estava mais bela que a legítima nobre que estava prestes a chegar em seu palácio.
Seu vestido estilo tomara-que-caia rubro destacava a cor de seus espinhos rosados. As mangas bufantes de tecido translúcido da mesma cor do vestido estavam decoradas com pequenas rosas que se enfileiravam até o centro de seu peito, onde se destacava uma rosa maior. Rente a barra do tecido que se estendia até seus tornozelos, uma fileira de rosas circundava em arcos toda a peça.
— Swift? — chamou a garota pelos príncipe.
— Ah, sim — respondeu, sacudindo a cabeça com força, sem se importar em manter seus cabelos ajeitados. — O que veio fazer aqui?
— Eu queria ver como você estava — respondeu ela, diminuindo o tom de voz. Estava se sentindo estranha. — A princesa... Ela já chegou?
— Está a caminho. Eu vi pela janela dos meus aposentos — afirmou, esfregando as mãos uma na outra, retornando ao seu estado nervoso. — Precisa de alguma coisa?
— Eu estive pensando sobre isso e... — Amy respirou fundo. — Eu não acho que você deveria fazer isso se não quiser.
— Mas Amy — Swift virou-se para a amiga. — Se não eu fizer isto, o que vão pensar?
— Fale a verdade, diga que foram eles que solicitaram isso sem sua permissão.
— Não é tão simples assim. — Swift balançou a cabeça. — Isso pode ser o estopim de uma guerra. Stonefield tem uma péssima fama sobre isso.
— É justo por isso. Apesar do general Moor ter me assegurado que o poder militar de Crystallius não seria cedido para eles, ainda assim, isso pode ser um problema em relação aos outros reinos, você não acha?
Swift fechou os olhos. Amy tinha razão...
— Eu não entendo o que o ministro Harry tinha em mente quando tomou essa decisão por você... — Os pensamentos de Amy foram tomados pelas palavras de Akemi sobre aquilo ser proposital. — Mas essa aliança só é boa para o reino a curto prazo — completou, tentando ignorar aquele pensamento naquele momento.
— A verdade, é que eu acho que o Harry fez isso de propósito.
— De propósito? — Amy ficou surpresa com a hipótese que Swift levantou. — Akemi também disse isso... — pensou.
— Sim. Ele está morrendo de pressa em me ver casado com uma nobre — disse. Seu tom de voz transbordava desgosto.
— Por que diz isso?
Swift calou-se. Não tinha provas de sua afirmação, tampouco, entendia o que estava sentindo naquele momento, além da pura raiva por Harry...
Swift nunca se viu tão confuso em toda sua vida.
Um silêncio instaurou-se ali por alguns segundos.
— Amy — chamou o príncipe, tentando firmar a voz trêmula.
— Sim? — Amy procurou o olhar diretamente em seus olhos verde-jade.
— Você... — Swift engoliu em seco. — Você não se importa?
— Como assim? — Amy indagou. — É claro que eu me importo com você.
— Não... Não é isso. Eu sei que você se importa comigo.
— Então o que é? — perguntou, preocupada.
— O que eu queria saber, é se você não se importa de me...
— Vossa Alteza! — exclamou o ministro Harry, abrindo a porta de supetão.
— O que foi? — indagou, tentando manter a compostura.
— Deve se apressar. A princesa e sua comitiva estão a caminho!
— Já estou indo — respondeu Swift, áspero.
Harry lançou um olhar pouco amistoso para Amy antes de fechar a porta.
— Ele não gosta de mim... — falou Amy, desanimada.
— Eu sei... É por isso que isso está acontecendo — comentou, se dirigindo para a saída daquele recinto. — Nos vemos mais tarde, Amy — despediu-se, angustiado.
Assim que ficou sozinha, sentiu uma vontade estranha e insuportável de chorar. Sentia-se impotente. Sentia-se inútil. Sentia-se culpada.
— Você não acha que eles estão demorando? — Maria não escondeu sua preocupação diante da demora de Maya e Sonic para Shadow.
O salão estava pronto. Adornos dourados e púrpuras se misturavam em torno de todo o espaço. Fitas, serpentinas, balões e outras decorações faziam presença naquele lugar. Mesas estavam preenchidas dos mais variados aperitivos distribuídos em pratos de cerâmica, ao passo que taças estavam aglomeradas em lugares estratégicos, a fim dos convidados poderem pegar e beber suas bebidas favoritas; desde sucos naturais aos vinhos mais refinados.
Todos da Tripulação estavam presentes e trajados em suas vestes de gala. Haviam sido arrastados pelas criadas tão abruptamente quanto Amy e os outros dois convidados que faltavam comparecer.
— É um evento importante, como podem ser tão desleixados? — Shadow parecia ter feito essa pergunta mais para si mesmo do que para Maria. — Não duvido que vão aparecer os dois correndo daqui a pouco, não fique tão apreensiva. — Shadow se voltou para sua amiga. — Sabe como eles são — complementou, tentando acalentá-la.
— Tem razão — concordou a ouriça loira, balançando a cabeça de um lado para o outro. — Acho que devo estar um pouco nervosa demais com essa cerimônia tão importante acontecendo assim do nada.
Shadow fixou seus olhos cor de escarlate no trono acolchoado rubro do príncipe, refletindo no alto preço que era ser um nobre. Certamente a vida de Swift sempre foi repleta de mordomias e luxos pela sua posição social, mas não ter controle de sua própria vida, de seu futuro, parecia um preço alto demais a ser cobrado.
— Eu vi o príncipe esta tarde — havia comentado Cream, olhando para Gallius, o garoto que havia abandonado seu posto de príncipe dos Darckius, os inimigos declarados da Tripulação e grande parte dos planetas, por não compactuar com suas ações. — Ele parecia muito triste em saber que estava sendo obrigado a fazer algo contra sua vontade.
— Foi tudo muito rápido — Gallius disse. — Estar a mercê das vontades das pessoas a sua volta, é terrível, principalmente quando isso vai contra o que acreditamos ser o certo.
— Gallius... — Cream pegou a mão enluvada do garoto, como se quisesse confortá-lo uma vez mais por aquilo.
— Tudo bem — Gallius respondeu, abanando a cabeça, balançando seus cabelos negros de um lado para o outro.
O preço que Gallius pagou por sua liberdade dos "Aquitetos do Universo" foi nunca mais poder estar junto de seu pai e irmão, os únicos com quem compartilhava laços sanguíneos, bem como ser fadado a uma vida de foragido, uma vez que seria condenado por alta traição, uma vez que estava ajudando pessoalmente a Tripulação a detê-los.
— Agora eu estou bem — ele completou, sorrindo para Cream e recebendo um carinho em meio as madeixas por parte de Chesse.
Aquilo não mais importava para o jovem garoto, cujos olhos dourados brilhavam como fogo encandescente. Mesmo não podendo mais estar com seus familiares, que naquela altura o odiavam mortalmente, ele podia fazer o que acreditava ser o correto ao lado de sua querida amiga Cream e todos os outros.
— Amy! Onde você estava? — exclamou Tails uma pergunta ao avistar Amy adentrando o salão.
— Desculpem a demora. — Amy se aproximou de Tails e Diana a passos rápidos e cautelosos, a fim de não quebrar o salto carmim. Não estava muito habituada àquele tipo de calçado.
— Estávamos ficando preocupados com você — emendou a garota de cabelos negros. — Sonic e Maya também não chegaram ainda.
— Você está bem? — Silver olhou para Amy, preocupado. Seu traje indicava que ela estava numa celebração, que ela devia se felicitar, seu semblante, por sua vez, refletia o contrário.
— Oh, sim, eu estou bem — Amy forçou seu melhor sorriso, olhando para Silver, enquanto lutava com todas as forças internamente para não derramar mais lágrimas. Apesar daquilo, seus olhos brilhavam mais que o normal.
— Amy — chamou Blaze, que, até então, se encontrava calada. Sabia muito bem o que Amy estava sentindo, porém, não se via no direito de interferir mais do que seus princípios permitiam. — Qualquer coisa que estiver te incomodando, não precisa guardar esse problema só para si — afirmou com um sorriso caloroso nos lábios, pegando as mãos de Amy.
— Obrigada por me lembrar disso, Blaze — Amy sorriu de volta.
A gata roxa sabia que aquilo não apagaria a dor de Amy, todavia, tinha esperanças de que aliviaria a mesma e desce a chance de clarear a mente da amiga. No fundo, entendia o que ela estava sentindo. Entendia também Swift, cujos sentimentos eram recíprocos aos da ouriça. Blaze estava na mesma posição que Swift, afinal.
Romeo sorriu, enquanto observava as duas. Não estava feliz pela situação de Amy, menos ainda pela de Swift, no entanto, ver Blaze emocionalmente mais próxima daquelas pessoas queridas, aquecia seu coração.
— Você também entende, não é? — indagou Duskb baixinho. O pequeno felino alado negro se encontrava com um colete formal, desgraçado sobre o ombro de Romeu.
O garoto de cabelos platinados não respondeu aquela pergunta, em vez daquilo, direcionou de relance seus olhos azul-claros e sorriu. Ele não precisava responder, Dusk sabia.
Todo o salão começou a se agitar com a entrada do anfitrião, que se encontrava acompanhado do comandante e do primeiro ministro, adentrando o grande salão.
Swift estava maravilhosamente estonteante. Seus trajes formais o deixavam imponente em meio àquele cenário requintado, bem como suas duas companhias, cujas classes sociais eram altíssimas. O nobre urso caminhou paulatina e elegantemente rumo ao trono, seu destino, o lugar em que se assentaria horas a fio no futuro para resolver burocracias e muitas outras coisas e fazer praticamente tudo conforme o desejo, muitas vezes distorcido, do conselho e outros nobres, para variar.
Não suportava a ideia de ter de viver daquela forma a vida toda. Queria servir seu povo, necessitado dos cuidados dele, e não nobres ambiciosos.
Swift passou os olhos pelo salão, a procura de uma pessoa em especial.
Assim que o olhos verde-jade do príncipe se encontraram com o olhos verde-esmeraldas da ouriça rosa, ele sentiu um certo alívio.
— Ela veio — pensou Swift, acenando discretamente para a garota e recebendo um aceno da dama rosa de volta.
— O príncipe parece feliz em vê-la — sussurrou Akemi rente ao ouvido de Amy, a surpreendendo com sua presença.
— Akemi — Amy olhou para a ouriça alva. — Você acha? — quis confirmar. Depois da última conversa, teve a impressão que havia algo de errado entre eles.
— Sim! — confirmou Akemi, acenando com a cabeça, a fim de reiterar sua afirmação.
Estavam todos, ou melhor, quase todos, presentes no grande salão, aguardando a chegada da princesa Amelie e sua comitiva. Ainda faltavam Sonic e Maya comparecerem ao evento, conforme solicitado por Swift.
— Oh! Veja só! Ele está vindo para cá! — exclamou Akemi, cheia de empolgação, tomando uma certa distância dela, na tentativa de deixá-los sozinhos, mesmo que um pouco em meio àquele salão cheio, cujos olhos da maioria dos convidados se fixavam em Swift.
— Como está? — foi a primeira pergunta que escapou da boca de Amy. — Ah, desculpe, eu sei que-
— Não, tudo bem — Swift sorriu, balançando a cabeça. — Parece que estão faltando certas pessoas.
Amy olhou em volta.
— Sonic e Maya — ela disse, franzindo a testa. — Onde será que esses dois estão?
— A princesa já deve estar chegando — disse o nobre, não fazendo qualquer esforço de esconder seu incômodo quanto ao fato.
— Quer que eu vá procurá-los? — indagou ela, já adiantando o passo.
— Não, espere, pra favor — pediu Swift, apalpando a mão de Amy. — Comandante, Moor! — chamou o príncipe.
— Sim, Sua Alteza? — O comandante se aproximou, prontamente.
— Pode procurar pelo Sr. Sonic e a Srta. Maya? Eles parecem estar atrasados.
— Como queira, Sua Alteza. — O comandante fez uma pequena reverência respeitosa. — Farei isso imediatamente. — Voltou-se, então, para alguns soldados que estavam enfileirados atrás de si. — Vocês, venham comigo — ordenou.
— Muito obrigado. — Swift acenou coma cabeça, sorrindo com simpatia, antes de se voltar para Amy. — Ele vai se encarregar disso.
Se fez alguns instantes de silêncio, enquanto ambos, o príncipe e sua amiga apenas se olhavam.
— Estou com medo — ele confessou, segurando a mão de Amy com mais firmeza.
— Procure ser firme agora, Swift — Amy tentou confortá-lo. — E não tema em dizer a verdade, o que acredita ser o certo.
Swift apenas anuiu. As palavras de Amy costumavam acalmá-lo, mas naquele momento, não pareciam surtir o efeito que ele gostaria. Estava definitivamente com os nervos à flor da pele.
— Vamos nos dividir — informou Moor ao ao adentrar um dos corredores, olhando para cada um de seus subordinados, Mark, Konnor, Lary e Castiel. — Caso os achem, já sabem o que fazer.
Todos anuiram antes de cada um ir para uma direção.
— Isso levou mais tempo do que eu gostaria — Sonic ajeitou o paletó pela milionésima vez, enquanto corria pelo corredor.
— Sonic! — Maya exclamou, assim que o avistou. — Segundo um dos guardas, o príncipe estaria no escritório tratando das últimas pendências antes de descer, mas eu não o encontrei lá.
— Será que já o pegaram? — foi a primeira coisa que passou na cabeça de Sonic.
— Sonic, o que vamos fazer? — Maya parecia cada vez mais nervosa. — Se descermos fazendo alarde as coisas podem ficar ainda piores.
Um outra criada passava pelo corredor, ela parecia com bastante pressa. Sonic tratou de abordá-la assim que a avistou.
— Temos que reportar algo importante ao príncipe. Onde ele está? — exigiu saber Sonic, sendo direto.
— Provavelmente já deve estar no grande salão esperando a chegada da comitiva e a princesa. — respondeu a criada, franzindo a testa. — Se posso saber, o que aconteceu?
— Sr. Sonic! Srta. Maya! — exclamou um dos soldados ao encontrá-los. — Onde é que estavam? Estão atrasados! — Era Castiel.
Sonic e Maya se entreolharam por um instante.
— Bem, se me derem licença, vou deixá-los a sós, não posso parar nem por um instante. Hoje será uma longa noite — informou a criada antes de fazer um reverência e se retirar a passos apressados.
— Aconteceu alguma coisa? — Castiel franziu a testa, preocupado.
— Alguém está para fazer um atentado no palácio Crystal contra a princesa e o príncipe para esta noite! — Maya não tardou em alertar o lobo cinzento. — Você tem que avisar o príncipe!
— Está dizendo que temos um traidor no palácio? — Castiel franziu a testa.
— Exatamente!
— Acho que é bom que reportemos isso com o comandante agora mesmo, então! — Castiel apertou o passo, guiando os dois mais jovens para fora daquele corredor. — Enquanto isso, por favor, dêem o maior número de detalhes do que ouviram acerca disso e quantos mais sabem sobre isso.
— Apenas nós dois- — informou Maya, antes de ter seu caminho bloqueado pelo braço de Sonic.
— Espere um pouco, Maya — pediu Sonic antes de fixar seus olhos no lobo. — Como sabe que "ouvimos"? — o ouriço quis saber.
— O quê? — Castiel se voltou para eles, em espanto. — Como assim?
— Como sabe que "ouvimos", e não "vimos", ou que alguma outra coisa aconteceu? — Sonic tornou a inquirir. — E por que quer saber quantos sabem disso, como se estivesse certo do que aconteceu?
Diante daquelas perguntas, Maya não conseguiu dizer uma só palavra, apenas olhar para Castiel, em busca de alguma resposta.
— Ora, mas que tipo de pergunta é essa? — Castiel riu, incrédulo.
No grande salão...
A felicidade de Swift por ver a amiga presente para apoiá-lo até o fim acabou-se assim que os homens uniformizados alinhados em duas fileiras ergueram seus respectivos clarins dourados, estes que ostentavam a bandeira da nação de Crystallius: uma bela rosa de cristal.
Todos tocaram em uníssono a clarinada que anunciava a entrada da princesa.
— Sua Alteza, princesa Amelie Gramrock, de Stonefield chegou! — anunciou um dos homens.
— Céus! — Swift exclamou, ainda mais nervoso do que antes. Se Amy não estivesse do seu lado, pedindo para que o príncipe se mantesse sob controle, provavelmente já estaria arrancando os cabelos.
— Trate de se comportar de acordo, Sua Alteza — lembrou o primeiro ministro Harry.
— Você não precisa me instruir, eu sei muito bem o que tenho que fazer — Swift não disfarçou o tom áspero que usou. Provavelmente bateria em Harry se olhasse para ele.
— Então comece soltando a mão dessa garota.
Swift, então, notou que ainda estava segurando a mãos de Amy. O comentário do primeiro ministro parecia ter deixado a garota constrangida, fazendo ela tirar sua mão dentre a dele.
Ganhou mais uma razão para não simpatizar com Harry.
Amelie rumou em direção a Swift, mantendo sua postura calma e majestosa e, assim que encurtou a distância entre ela e ele suficientemente, fez uma elegante reverência.
— Boa noite, Sua Alteza, príncipe Swift — ela começou, sorrindo, modesta. — Sou Amelie Gramrock — ela fez questão de se apresentar, muito embora estivesse certa de que o nobre a sua frente soubesse quem era ela, uma vez que seu nome foi anunciado alto suficiente, para todo o salão tomar conhecimento.
— Boa noite, princesa Amelie. — Swift a cumprimentou com um beijo delicado no dorso da mão enluvada da princesa, como mandava o protocolo. — Sou Swift Crystal. É um prazer conhecê-la — acrescentou, tentando conter o tom seco. Não sabia se ela estava sendo tão forçada quanto ele a viver aquele pesadelo, não podia julgá-la naquela altura.
Era de conhecimento popular, e por entre a nobreza também, que a família real Gramrock não tinha uma boa reputação em comparação aos reinos circunvizinhos. Swift havia ouvido, no entanto, rumores que Amelie era uma princesa um tanto obstinada, saía do castelo sem autorização, relutava em acatar as ordens das pessoas ao seu redor, entre outros boatos. Se Swift não desse umas escapadelas vez ou outra, talvez pensasse que era uma princesa verdadeiramente rebelde e um péssimo exemplo de princesa. Sua postura naquele momento, porém, não dava sinais de tais rumores.
Swift olhou de relance ao redor sem se mover muito, a fim de não chamar a atenção, e notou que Amy havia tomado certa distância dele, para que o momento não se tornasse inapropriado.
— Príncipe Swift? — chamou a princesa ao notar que o urso se encontrava distraído.
— Ah, sim, não gostaria de beber alguma coisa?
— Oh, é claro. Obrigada — Amelie acenou com a cabeça antes de acompanhar Swift.
Swift precisava pensar no que fazer durante a celebração. Estava disposto a tentar persuadir Amelie a ficar do lado dele, de destruir a chance da aliança acontecer daquela forma.
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