Sonhos e Realidades
9 Capítulo 9 - Viagem
Notas iniciais
Poupei-me de explicações aos meus pais. Apenas disse a eles que eu estava muito triste, por tocar no assunto Cebola com a família dele. Isso não deixa de ser verdade. Sempre quando eu pensava nele, ou falava dele, eu me sentia magoada. Subi para o meu quarto a fim de refletir um pouco, agora que eu havia me acalmado.
Quando eu pensava que já não ligava (tanto) pro Cebola, eis que a vida te dá uma rasteira. Casamento. Como eu não adivinhei que o dedo daquela Vadia estava no meio? E dessa vez, ela pegou pesado. Penha sabia de tudo desde o começo, só pode. Ela armou tudo isso, sabia que o único jeito de me tirar do Cê, seria jogando sujo. Coitado. E eu achando que ele estava sendo um completo idiota. Mas mesmo assim. Ele podia ter me contado. Eu podia ajudar. Ele sabe que no fim das contas a gente sempre consegue se ajudar e sair dos problemas. Estava confusa agora. Eu achava que ele apenas estava indo estudar, mas também na época não sabia por que Penha estava envolvida. Agora que eu sei de tudo, eu tenho que ajudá-lo.
Minha atenção foi tirada quando olhei pro celular. Do Contra, pensei. Acho que fui muito grossa com ele, apesar de só estar querendo me ajudar. Peguei o aparelho e mandei uma mensagem:
``Me desculpe por hoje. Acho que peguei pesado com você´´ — Enviei
Logo veio a resposta.
`` Tá legal, Mô. Eu sei que não foi difícil ´´ — Revirei os olhos. Ele tentava de todo o jeito me fazer rir. Do Contra era um cara legal, daqueles que você daria tudo para ter. Ele era perfeito. Mas me senti meio mal por ele sempre estar comigo. DC até se declarou, dizendo que gostava de mim. Mas não era justo com ele. Eu ainda amava o Cê. Acho. Não sei mais. Desde quando ele foi embora, eu e Do Contra nos aproximamos demais. Eu não sei se posso dizer que estou gostando dele, afinal, ele é um Deus Grego. Então é normal eu me sentir atraída por ele. Também acho que eu andava muito carente. Acho que estou confusa com tudo isso. Deus! O que eu faço?
Cebola, Penha, família dele, Do Contra, até meus pais. Eu precisava de um tempo de tudo isso. Eu precisava respirar. Logo me veio à cabeça, minha melhor amiga: Magali.
Liguei para ela, atendeu bem rápido e sua voz estava animada.
– Mô, nossa faz tempo que a gente não se fala hein? — Ela diz isso como se não tivesse me visto hoje, no colégio.
– Vamos sair amanhã? — Perguntei
– Você não imagina o quanto tô feliz com essa proposta. — Magali dá uma risada gostosa.
No dia seguinte depois da aula, fui me encontrar com Magali. Não houve sinal do DC no colégio. Liguei para os meus pais, dizendo que sairia com a Magá e eles acharam ótimo, pois já fazia um tempo que eu não saia com meus amigos, — Sempre saía com o DC — então eles não me questionaram.
Nos encontramos no lugar de sempre — a Padaria do Quim — Ela já havia pedido um Sundae de morango.
– Magá. — Cumprimentei.
– Mô. — Ela respondeu.
Sentei e pedi um capuccino. Magá estava analisando meus rosto.
– Você andou chorando? — Ela perguntou
Eu não sabia se contava a ela sobre Cebola, ou se simplesmente esperava pra ver o que aconteceria. Decidi mentir, com dor no coração.
– Hã isso? — Apontei pra minha cara. — Acho que tive uma recaída.
Magali assentiu com a cabeça, meio pensativa.
– Acho que já ta na hora de você esquecê-lo não acha? — Não era bem uma pergunta. — Sabe, o DC gosta muito de você. Você poderia dar uma chance, ne?
Fiquei em silêncio. Na verdade, eu gostava do DC. Mas eu tinha uma história com o Cebola. Eu precisava saber se ainda existia. Seria injusto. E se o que os pais dele falaram for verdade, aí que eu não podia mesmo. Ele estava se sacrificando pela família, mas também por mim! Eu não podia mais ficar parada em uma situação dessas.
– Magá. — Chamei, fazendo-a desviar o olhar do Sundae.
– O que foi? — Ela olhou pra mim.
– Eu vou me encontrar com o Cebola na França. — Falei, convicta.
Magali quase sufocou com a própria respiração. — Como é? Você vai pra França? — Magali falava alto, mas logo percebeu que estava pagando mico e baixou o tom de voz. — Tá falando sério? E o Colégio? O Cê me disse que ia terminar os estudos lá, mas e você? — Ela mexia os lábios rapidamente.
– Estamos no final do Ano, Magá. Não tem problema. E meus pais já haviam me dito que me dariam uma viagem com acompanhante de presente de Natal. — Batuquei com os dedos na mesa.
– Sim, eu lembro, eu estava lá inclusive. Mas não pra isso! Você vai lá e simplesmente o quê? Não é uma boa, Mô — Magali tentava me fazer mudar de ideia. E sabia que estava chateada.
– Eu preciso fazer isso, Magá. Você mesma me disse para que eu me jogasse em um novo relacionamento. Então. Eu preciso saber se está tudo terminado entre nós. Ele havia me dito para esperá-lo, mas não por tanto tempo assim. Um dia o amor acaba. — Suspirei com esse último comentário. Não gostava de ter que mentir pra ela, mas era necessário.
Eu precisava descobrir uma maneira de ajudá-lo. Então eu precisava rondar o terreno.
Magali tentou protestar, mas ela sabia que quando eu estava decidida em fazer algo, não havia Papa que me mudasse de ideia.
– Você vai sozinha? — Ela perguntou, de repente.
Não havia pensado nisso, até ela tocar no assunto. Eu não poderia ir pra lá sozinha.
– Vou levar o DC. — Disse por fim, fazendo minha amiga arregalar os olhos.
– Tem certeza disso? — Ela perguntou. — Eu queria ir junto, mas você sabe que papai não deixaria.
– Sim, se estiver tudo acabado mesmo entre nós, eu já posso voltar pro Bairro, renovada. — Pisquei pra ela.Não sabia exatamente o que eu iria fazer, só sabia que precisava ir até lá.
Me despedi da minha melhor amiga e fui embora. Mudei a direção quando passava próxima a minha rua: Era a casa do DC. Ou eu achava que fosse, não tinha muita certeza pois eu só fui algumas vezes quando era criança.
Bati na porta, pois não havia campainha. Quem me atendeu foi Nimbus, irmão do DC.
– Oi Mônica, a quanto tempo. — Ele sorri, apesar de aparentar ser novo, ele era o irmão mais velho. — Veio ver o DC? Ele tá lá no quarto.
– Entrei, mas antes que eu pudesse falar que eu esperaria ele na sala, Nimbus me disse que eu podia subir.
Subi as escadas e encontrei uma porta com uma placa escrita ``ENTRE´´, típico do contra, pensei.
Bati na porta mas não obtive resposta. Esperei mais um pouco e acabei entrando no quarto. Dei uma espiada rápida, mas não havia ninguém. Sentei na cama dele. Ele deve estar no banheiro.
Ouvi um barulho de porta se abrindo. Meu rosto corou instantaneamente.
DC estava só de toalha, com os cabelos ainda molhados. Meus Deus! O que era aquilo?
– Você entra assim no quarto dos outros? — Ele estava sorrindo de canto. Mas eu não conseguia falar. — Eu acho que você é uma tarada.
– Você pode vestir uma roupa? — Tentei desviar o olhar, mas meus olhos não me obedeciam.
– Olha, se você quer que eu fique pelado logo, era só não me dizer. — Ele fez menção de tirar a toalha, me fazendo arregalar os olhos — mais ainda -.
– Hahahahahaha. Você tinha que ter visto sua cara. — Ele gargalhou.
– O que... Você é um trouxa, sabia? Como pode aparecer assim quando se tem uma garota em sua casa? — Ralhei, não estava com raiva de verdade, mas meio que decepcionada por não ter visto... Céus, no que estou pensando?
– Ora, estou na minha casa e é você quem está no meu quarto. Achei meio sugestivo. — Ele foi se aproximando de mim. Eu estava sem reação.
Seu rosto estava quase no meu, quando senti sua mão afundar na cama e pegar uma muda de roupas. Como eu era idiota em pensar que ele queria fazer alguma coisa indecente comigo.
– Já volto. — Ele disse.
Fiquei estática, esperando ele sair, quase esquecendo o real motivo de estar ali. DC voltou vestindo uma regata e calça jeans.
– E então? O que foi? — Ele sentou-se na cadeira à minha frente.
– Arrume as malas. Vamos Viajar! — Joguei meus braços ao alto, como se fosse a coisa mais incrível do mundo. — Sorri para ele.
Sua expressão mudou, estava sério, mas logo seu rosto estava normal de novo.
– Legal, Mô. Pra onde? — Ele ficou animado.
– Vamos pra França. Eu sempre quis conhecer Paris. — Quando chegássemos lá, eu explicaria tudo a ele.
Vi DC arregalar os olhos, parecia que não acreditava no que eu estava falando.
– Você tá brincando? — Ele perguntou.
– Sim. É claro que não! Estou te chamando porque sei que Magali não pode. E acho que é uma boa eu ir com uma pessoa do sexo masculino. Vai que alguém venha me tarar lá. — Dei uma risada para ver se ele ria também.
DC ficou pensativo, mas logo me olhou divertidamente.
– Isso não vai acontecer, porque vou fazer isso primeiro. — E piscou pra mim.
Enfim estava tudo combinado. Meus pais ficaram meio relutantes quanto a isso, mas logo cederam quando eu disse que iria com DC. Eles sabiam que Do Contra era uma boa companhia.
Enfim, em dois dias eu iria ver Cebola.
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