Sonhos e Realidades
22 Capítulo 18 - Desmascarado
Notas iniciais
Eu estava observando a movimentação das pessoas na Mansão, através das câmeras de vigilância que estava no quarto do Cebola. Ele havia saído para provar o terno de casamento. Olhei para o quarto em que Penha estava. As criadas estavam tentando fazer com que ela provasse o vestido. Penha estava encolhida no canto sentada em sua cama, quando um gesto repentino me chamou a atenção. Ela passou as mãos lentamente em seu ventre, como se estivesse acariciando o local. Foi então que as minhas suspeitas estavam certas. Penha estava mesmo grávida. Eu precisava tirar isso à limpo.
Me levantei da cadeira e fui em direção à porta, mas antes mesmo que eu girasse a maçaneta eu parei. Não podia confrontá-la se não, meus planos iriam água abaixo. Decidi ficar quieta e voltei a observar as câmeras. Olhei para o quarto em que DC estava e senti uma repulsa ao perceber que Cebola estaria nos vendo todo esse tempo. Era realmente inacreditável. Olhei para o relógio que marcava 19:25 PM, logo, Cebola estaria de volta e eu teria de fingir que estava cega em relação à tudo.
Eu precisava impedir o casamento, não podia fazer com que ele estragasse a vida dele e dessas pessoas dessa maneira. Ouvi batidas na porta e fui atender.
— S-Sabrina? — Sabrina estava com os olhos marejados e me olhava com certa raiva.
— Por quê, Mônica? Por que está aqui no quarto do Cebola depois de tudo o que passou com o DC? Você está traindo-o. — Baixei minha cabeça e olhei para meus pés, não tinha o que dizer para ela.
— M-Me desculpe. — Foi o que eu respondi, fazendo a garota bufar. — Meu Deus... A penha ficará arrasada...— Sabrina estava desesperada com a possível traição com a prima.
Mas foi aí que eu tive uma brilhante ideia.
— Por favor Sabrina, não conte para a Penha. — E fiz minha maior expressão de súplica.
— O quê? Penha? Você acha que eu vou contar para a Penha? Vou é contar para os nossos pais! Esse casamento não vai acontecer. — Sabrina me olhava de uma maneira cínica. Quase sorri com isso, finalmente meu plano estava dando certo.
Mas uma sombra surgiu atrás de Sabrina, a golpeando no pescoço, fazendo-a desmaiar. Seu corpo fez um baque em contato com o chão. Olhei horrorizada para ela e fui ver quem havia feito isso.
Cebola estava me olhando fixamente com uma expressão séria. Um medo atingiu a minha espinha. Ele pegou Sabrina nos braços, levando-a para algum lugar. Eu estava tão nervosa e em choque que não conseguia pará-lo e perguntar para onde estaria levando-a e nem tinha forças suficiente para segui-lo. Fechei a porta do quarto e apoiando nos móveis, fui em direção ao sofá. O que havia acabado de presenciar? O que ele faria com a Sabrina? Passaram-se alguns minutos e Cebola estava de volta. Fechou a porta sem muito barulho e soltou um grande suspiro.
— Não poderia deixar ela estragar meus planos, não agora que já estamos na reta final. — Cebola aproximou-se de mim e tocou meu rosto.
— Está tudo bem? — Cebola perguntou, esperando que eu respondesse. Murmurei um sim quase inaudível. Cebola foi em direção ao telefone e discou um número. Ele estava meio afastado de mim então não pude saber com quem ele estava conversando. Esperei que ele desligasse o aparelho para perguntar.
— Cê... Me diga... Desde quando você planejou tudo isso? — Ele olhou para mim, tentando compreender aonde eu queria chegar.
— Bom, acho que vou contar para você então. — Eu fiquei em silêncio, incentivando-o a falar.
— A verdade é que... Meu pai estava trabalhando muito naquela empresa. Chegava todas as noites extremamente estressado e cansado. Não jantava mais conosco e sempre ignorava as nossas perguntas sobre o serviço. Eu estava realmente me irritando com aquilo. Então teve o ápice. No dia do aniversário da Maria, ele não compareceu, deixando-a triste. Isso acabou comigo. Minha mãe ficou arrasada por ver minha irmã daquela maneira. Ele tinha prometido! Foi então que eu decidi buscá-lo na empresa, ele iria ouvir muito naquele dia. Chegando lá, encontrei um dos sócios conversando com o pai da Penha. — Cebola falava sem pausas, parecia absorto em seus pensamentos. Continuei em silêncio ouvindo-o contar toda a história.
FLASHBACK
``Eu estava muito puto com essa situação toda. Chegando lá, vi um dos sócios de meu pai conversando com o pai da Penha.
— A empresa está indo conforme o senhor desejou. — O homem falava de uma maneira desagradável.
— Muito bem. logo ele não terá mais saída e terá que recorrer a mim. — O pai da Penha era um homem grande, usava ternos finíssimos e não tinha tanto sotaque francês, então eu diria que a mãe dela seria francesa.
— Sir Henry, o garoto. Ele me parece ser bastante inteligente, é uma ótima escolha. — O sócio sorriu para Sir Henry.
— Sim, ele será um ótimo sucessor. E depois que a família dele o venderem para mim, farei com que Penha se case com ele. Ela já havia me dito que gostava do garoto.
Os dois gargalharam e senti uma tremenda vontade de socá-los ouvindo isso. Então tudo não passava de golpe para fazer com que meu pai entre em desespero. Quase todos dependiam da firma do meu pai para ganharem sustento. Eu sabia que era um peso enorme e que ele não teria escolha a não ser me entregar para esses desgraçados.
Saí de lá o mais rápido possível. Nem ao menos cumpri o que havia ido fazer. Precisava de alguém nessa hora. Precisava contar o que eu havia acabo de presenciar. Foi então que cheguei na casa do Cascão. Eu sabia que ele me ajudaria a bolar um plano para desmascarar eles.
Mas chegando perto de sua janela, vi que ele não estava sozinho. Titi estava com ele conversando justamente sobre o futuro da empresa.
— Ouvi dizer que o pai do Cebola está falindo a empresa. Isso é bem sério. Se a empresa falir, quase todos perderão o emprego e botarão a culpa no Seu Cebola. Eu não queria ser filho dele nessas horas...- Cascão apenas consentiu com a cabeça, me deixando com mais raiva ainda. O meu melhor amigo não estava do meu lado. Não podia mais confiar em ninguém, então eu mesmo teria que resolver essa situação.´´
Cebola enfim ficou em silêncio. Ouvi um pequeno soluço e ele se ajoelhou no chão. Estava chorando. Ele havia carregado esse peso sozinho... Mas... Isso não era certo. Por mais que eu o entenda, ele estava destruindo a vida dele junto daqueles que ele quer vingança.
— Cebola... Vamos embora. Vamos voltar juntos. Esqueça isso. — Aproximei dele tentando tocá-lo. Ele se afastou bruscamente de meu toque e se levantou agarrando os meus braços.
— NÃO! — Ele gritou. — VOCÊ NÃO ENTENDE, NÃO É? ELES NÃO PODEM SER PERDOADOS! NINGUÉM SERÁ! — Ele apertou meus braços me fazendo gemer de dor.
— Cê... — Eu estava com medo, minha voz saia falhada. — Por favor, eu ficarei para sempre com você, então... Eu... Eu serei apenas sua. — Minha voz saiu mais embargada, pois meu pensamento foi direto para o Do Contra.
Cebola me largou e olhou bem fundo dos meus olhos. Me assustei quando ele caiu na gargalhada.
— Você...? Você acha mesmo que vou abandonar meu plano só porque VOCÊ está pedindo? — Sua expressão estava de deboche.
— O quê...? — Eu estava confusa.
— Mônica, eu já havia percebido à muito tempo. Você não me ama mais. Você ama o Do Contra, aquele maldito. Pensou que eu não fosse descobrir seu plano idiota para tentar me parar? — Então ele havia descoberto. Como fui burra achando que estaria passos à sua frente.
— Tudo o que eu te revelei é verdade. Mas o meu objetivo tinha mudado um pouco. Vou acabar com todos aqueles que nos fizeram sofrer e você Mônica, será minha de qualquer jeito, você não terá escolha a não ser viver comigo. A escolha estará em suas mãos, se vai querer viver em paz ou se atormentando a vida inteira pela morte de seus amigos queridos. — A palavra MORTE me atingiu em cheio.
Cebola segurou meu rosto fortemente entre as mãos,passando um polegar agressivamente nos meus lábios, fazendo uma lágrima surgir, caindo no meu rosto.
— Eu venci, Mônica. Aceite sua derrota. — Ele me soltou bruscamente, fazendo-me cair no chão. Vi quando ele foi pegar seus pertences e estava com uma chave nas mãos. Ele iria me deixar trancada até que tudo estivesse resolvido.
— Vou resolver os últimos detalhes de nossas vidas. Pode gritar a vontade, ninguém te ouvirá, pois eu dispensei os criados e Sabrina não conseguirá sair do quarto. Voltarei para te buscar, espero que esteja ciente do seu destino. — Quando ele se preparava para sair, virou-se para mim mais uma vez e falou, com um tom sinistro.
— Há, antes que eu me esqueça, o seu querido ``Príncipe´´ já deve estar numa melhor agora. Ou pior.- E fechou a porta, trancando-a.
— CEBOLA!! ME TIRE DAQUI! — Inutilmente gritei,esmurrando a porta, mesmo sabendo que ele não voltaria atrás. Ele já não era mais aquele garoto que eu era apaixonada, que era gentil e amava seus amigos, ele havia virado um homem cruel e ganancioso. Queria que Magali e Cascão estivessem aqui... Eles com certeza me ajudariam. Mas eu estava completamente sozinha. Pensei no DC, meu Deus, será que ele estava mesmo... Morto? E Sabrina? Como ela estava?
Ouvi o barulho do carro e fui correndo na janela ver. Cebola estava indo embora. Tentei abrir a janela para fugir dali mas estavam todas devidamente trancadas. Fui para o telefone para pedir ajuda mas não estava funcionando. Desabei no chão e chorei. Eu havia falhado. E meus amigos estavam pagando caro por isso.
Tinha se passado mais ou menos 20 minutos desde a hora que Cebola havia ido embora. A Mansão estava silenciosa. Foi então que escutei passos arrastados vindo do corredor. Fiquei apavorada. Será que Cebola havia desistido de me manter presa nele e mandou alguém vir me matar?
BLAM. Um chute foi dado na porta e o pior eu já esperava.
BLAM. BLAM. BLAM. Um último chute foi dado, arrombando a porta. A figura do DC surgiu bem na minha frente.
Ele estava bem machucado. Voei em sua direção, abraçando-o com força.
— E-Eu achei que estivesse...
— Morto? Bem, eu digo que eu tô quase assim. — DC estava respirando pesadamente. Foi quando olhei para sua barriga e vi um enorme corte na lateral dela. Ele estava perdendo muito sangue.
— Meu Deus Do Contra, você foi esfaqueado! — Corri para pegar uma toalha e peguei sua mão, colocando em cima do tecido para estancar o sangramento.
— Nossa, isso é tão gostoso. — DC gemeu um pouco mais alto com a dor. Se não fosse trágico, eu teria rido do comentário.
— Fique quieto, deite na cama que eu vou chamar a emergência.
— Volte logo, quero te olhar uma última vez. — Achei que fosse brincadeira, mas quando olhei para seu rosto, DC estava sério.
— Cale a boca. Eu já volto. Não ouse morrer agora. — E sai em disparada para o quarto que estávamos hospedados na Mansão. Sabia que eu acharia meu celular lá. Peguei o aparelho e disquei para a emergência. Usei todo o inglês que eu sabia para pedir ajuda para a atendente. Ela ficou poucos segundos em silêncio, eu estava desesperada.
— Por favor, ele está morrendo. — Supliquei.
— Já estamos a caminho, fique do lado do paciente e espere. — Desliguei o aparelho e corri em direção de volta ao quarto. DC sorriu ao me ver e fiquei aliviada que ele estava com a aparência um pouco melhor.
— A ajuda já está chegando? — Ele perguntou com a voz fraca.
— S-Sim, está vindo. Eu estou aqui. Aguente mais um pouco.
Depois de mais ou menos 10 minutos, ouvimos a sirene da ambulância. Os paramédicos entraram no quarto e deram os primeiros socorros no DC, enquanto uma outra me perguntava o que havia acontecido. Inventei que bandidos tinham invadido a casa, mas não me importava se acreditariam ou não. A vida do DC dependia disso.
Fomos levados até a emergência em que levariam o DC para a UTI. Mas antes que DC fosse levado, ele apertou minha mão e sussurrou no meu ouvido.
— Fique aqui. Fique segura. Espere eu voltar. Me prometa. — Seu semblante estava devastado. Não pude responder à sua promessa. Os médicos já haviam levado-o para dentro.
A vida do DC dependia dos médicos. E as nossas vidas, dependiam de um milagre para resolver o grande problema que tinha surgido.
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