Sonhos e Realidades
6 Capítulo 6 - Encontro
Notas iniciais
– Com qual roupa eu vou? — Perguntei a mim mesma, levantando uma camiseta vermelha e uma preta.
Do Contra havia me chamado pra sair, é claro que como amigos. Apesar dele ter se declarado, eu não acho que ele é daqueles meninos que ficam em cima. Afinal, ele era o do contra.
Depois de ficar quase meia hora na frente do espelho tentando me decidir, resolvi pegar um vestidinho branco que estava esquecido no fundo da gaveta.
– Este está bom. — Murmurei. Calcei meus sapatos e depois de pentear meus cabelos, desci para a sala.
Meus pais estavam sentados no sofá, fingindo estarem assistindo alguma comédia na tv, mas eu sabia que eles estavam esperando que eu dissesse algo.
–Pai. Mãe. Vou sair. — Disse, enquanto eu passava na frente deles para ir em direção à porta.
– Espere aí, mocinha. — Seu Sousa arqueou uma sobrancelha, fazendo com que um pé de galinha, aparecesse perto dos seus olhos escuros. — Vai sair com quem? Com a Magali?
– Não pai, vou sair com um amigo, o Do Contra sabe, você o conhece. — Falei fazendo uma expressão impassível.
Antes que meu pai abrisse a boca para questionar, minha mãe foi mais rápida:
– Querido, é aquele garoto, filho da Dona Keiko que mora na rua de baixo. Filha, que horas vocês pretendem voltar? — Minha mãe apertou a mão na perna do meu pai, fazendo sinal para que ele não se intrometesse.
– Antes das 23:00 estarei em casa, mãe. — Sorri nervosamente para a situação.
Olhei para a janela do lado da porta e vi DC chegando. Me apressei para sair, dando um tchau rápido para os meus pais.
– Uau! Você está linda. — DC Assoviou. Ele estava vestindo uma camisa preta e jaqueta branca. Usava uma calça jeans meio rasgada, botas e seu cabelo estava arrepiado e comprido. Estava um Deus Grego.
– Obrigada. — Corei.
– E então? Posso entrar e conhecer seus pais? — Ele já estava indo em direção à porta quando eu bloqueei sua passagem.
– N-não DC! Meus pais já estão dormindo. — Menti.
– Então eles não vão se importar de eu sequestrar a filha deles, vão? — Do Contra sorriu maliciosamente.
– Do que você tá falando? Meus pais são capazes de chamar o FBI se isso acontecer, haha. — Dei uma risada nervosa.
– Então vamos? — Ele envolveu seu braço na minha cintura. — Tenho um lugar especial pra te levar. Você vai odiar. — Ele riu.
Andamos até o ponto e pegamos o ônibus. O trajeto até o local foi de pura risadas. DC me contou piadas o caminho inteiro e o pior que nem eram tão engraçadas assim, mas com o seu jeito ``contrário´´ de ser, fazia com que fosse bem divertido.
Chegamos enfim ao local, ele me ajudou a descer e meus olhos brilharam com o que eu estava vendo: Um parque de Diversões. Senti um aperto no peito mas decidi ignorar esse sentimento. DC pagou meu ingresso e o dele e entramos no parque.
Primeiro fomos na Montanha Russa. Quase morri. A noite era mais adrenalina, mas também era muito bonita. As luzes do Parque deixavam aquilo bem mágico. Era lindo e eu estava adorando. Comemos tanta porcaria que achei que finalmente fosse ficar gorducha, mas o tanto que brincamos e corremos foi suficiente para queimar toda as calorias.
Já estávamos à 2 horas no parque, eram 21:30 da noite, quando decidimos ir no último brinquedo: A Roda Gigante. Hesitei um pouco na entrada e DC olhou pra mim preocupado.
– Você quer ir em outro? — Ele me olhou bem nos olhos, fazendo com que eu me arrepiasse.
– Não. Está tudo bem, vamos entrar. — Disse, puxando-o para dentro.
Começou a tocar alguma música cafona bem baixinho. Já estávamos subindo. Eu estava olhando para a janela fixamente. Não queria estragar o momento contando que este parque, foi o meu primeiro encontro com o Cebola. Não queria magoá-lo, ele era um cara legal. Mas a agonia no peito voltou. E forte. Senti meus olhos ficarem marejados e segurei o nó na garganta. Acho que Do Contra percebeu, porque vi seu corpo enrijecido. Ele estava sentado na minha frente, seus olhos estavam bem fixos em mim, tornando muito mais difícil ignorar a sensação ruim.
– Mônica? Você está bem? — Ele aproximou sua mão e tocou na minha com a ponta dos dedos.
Engoli em seco. Eu teria que contar a ele. Suspirei e comecei a falar, mas minha voz saiu falhada.
– É-é que eu... DC... Este lugar me traz algumas lembranças que eu queria esquecer. — Senti aquela dor no peito me esmagando.
– Aqui... Foi o lugar que o Cebola te levou, não foi? — Então ele sabia ou estava perguntando?
– Sim. — Respondi.
– Olha Mônica. Eu te trouxe aqui com uma única finalidade. Você se divertir. Sério. Você tava precisando disso. Eu só não achei que você fosse ficar assim. Me desculpe. — Olhei pra ele, que estava com a expressão séria.
– Do Contra... Me desculpa. Eu me diverti muito. Muito obrigada. Eu realmente não sei como te agradecer. — A Roda Gigante estava começando a descer, voltando para o chão.
De repente, vi seu corpo relaxar, ele passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os um pouco. Sua mão ainda estava sobre a minha, estava quente. Olhei pro seu rosto, tentando ver algum sinal de que eu havia arruinado nossa noite. Ele percebeu que eu estava olhando e aproximou seu rosto ao meu. Senti que estava ficando vermelha, pois vi um sorriso surgir entre seus lábios. Ele estava tão perto que eu podia sentir seu hálito no meu rosto. Era uma sensação boa. Meus Deus, que vontade de beijá-lo.
Bruscamente o brinquedo parou, fazendo com que nos assustássemos. DC pigarreou e soltou a minha mão, fazendo com que eu sentisse um frio imenso no local em que estava sua mão. O rapaz do Parque pediu gentilmente que saíssemos da Roda, para que outro casal entrasse.
Depois disso, a volta para casa foi um silêncio absurdo. Nenhum de nós dois falamos nada. Já eram 22:30 e eu estava tremendo de frio. Estava calor, mas agora estava tão frio que parecia que eu iria congelar.
Vi Do Contra abrir sua jaqueta, mostrando seus músculos do peito sobre a camisa e Deus, que homem. De repente com a jaqueta aberta, ele veio pra cima de mim, me enrolando, fazendo com que nossos corpos ficassem dentro da mesma jaqueta. Foi instantâneo. Fiquei quentinha e nervosa também. Ele ao invés de me dar a blusa, simplesmente me fez ficar ali, juntinho dele. Pelo menos nenhum dos dois passaria frio. Sorri, mas eu sabia que ele não estava vendo. Me senti confortável. A preocupação já não estava mais ali.
Chegamos na minha rua. Continuamos abraçados até chegar em frente a minha casa. Eu me desvencilhei de seu braço e parei em frente à porta.
– Obrigada pelo dia de hoje. — Sorri
– Nossa, você disse ``dia´´, então você sabe mesmo contrariar. — Ele riu.
– Foi só força de expressão, você entendeu, seu bobo. — Vi a luz da sala se acender.
– Bom, então é isso. Nos vemos amanhã na escola? — Perguntei
– Sim. Todos os dias, até fora da escola se você quiser. — Ele estava olhando para os meus cabelos. Chegou mais perto e pegou uma mecha, como havia feito outro dia. — Eu às vezes me irrito comigo mesmo. — Ele disse.
– Porque? Perguntei — Ficando imóvel.
– Por que tem coisas de que eu realmente me odeio por ter que contrariar. — Senti ele tocar meu rosto. Eu olhei para sua boca, desejando muito ela.
– DC... — Eu ia falando, quando ele me interrompeu.
– Eu sei que... é difícil esquecer um alguém, mas isso tá me matando, Mônica. Eu realmente queria te agarrar aqui e agora, te levar pra minha casa e fazer sabe se lá o quê. — Seus olhos estavam grudados nos meus e eu não conseguia parar de encará-lo. Eu estava preparada pra qualquer coisa que viesse naquele momento, mas um barulho na porta da minha casa me fez saltar pra trás, saindo do transe.
– Desculpa, eu tenho que ir, já está tarde... E mais uma vez obrigada, a gente vai se falando. Tchau! — Abri a porta na velocidade da luz e fechei, sem esperar a reação do DC.
Soltei o ar tão forte que tossi um pouco. Vi minha mãe sorrindo descaradamente, olhando pra mim.
– Nem vem mãe. Amanhã tem escola. Boa noite. — Não dei tempo para que ela soltasse alguma de suas piadinhas e corri para o meu quarto.
Tomei um susto quando abri a porta e vi Do Contra sentado na beira da minha cama.
– Mas o quê...?! — Ele deu um salto e cobriu minha boca com a palma da sua mão.
– Psiiii... — Ele disse. — Como você pode ter me deixado lá fora dessa maneira? Tá tarde e não tem mais ônibus pra ir embora. — Ele cochichou.
Senti um calor por ver que ele estava no meu quarto, bem perto de mim. Tirei sua mão da minha boa e abri a porta com cuidado, para ver se vinha alguém.
– Seu mentiroso, você mora na rua de baixo que eu sei! — Ralhei baixo.
– Hahahaha, é difícil te enganar. Mas é sério, você não quer que nenhum doido abuse de mim aí na rua, quer? — Ele começou a tirar a jaqueta, me lembrando do momento que ele me disse, que queria me levar pra casa dele, ou seja, pro quarto dele.
– O que tá fazendo? — Tentei não fazer barulho.
DC deitou na minha cama, apenas com a camisa e a calça, ele já havia tirado as botas.
– Dormir, tô com sono, prometo que quando você acordar, já não estarei mais aqui. — Ele fez um gesto para que eu me deitasse.
– Não é isso... É sério que você quer mesmo dormir aqui? E se alguém te pegar? — Eu estava nervosa por pensar que eu deitaria na mesma cama que ele.
– Relaxa Mô. Você tá muito tensa. Vai tomar um banho. E calma que já estarei dormindo quando você for se deitar. Tenho sono pesado. — Ele realmente estava falando sério. Ignorei o comentário do banho, apesar de que eu estava precisando mesmo, mas isso estava fazendo com que eu pensasse coisas estranhas a respeito. Fui ao banheiro, escovei os dentes e troquei de roupa. Como estava frio, coloquei uma calça de moletom e uma blusa. Sai do banheiro e o vi dormindo. Estava tão lindo. Nossa, ao vê-lo assim, eu estava pensando tanta besteira que se Ângelo estivesse de olho, estaria mentalmente me mandando para o inferno. Só de ida.
Deitei-me cuidadosamente ao seu lado, eu não estava acreditando na situação, mas ao mesmo tempo, eu estava gostando. Senti seu braço ir por cima do meu, aconchegando-se mais para perto do meu corpo. Eu estava tão nervosa que quase gargalhei. Senti sua respiração no meu pescoço fazendo com que eu me arrepiasse toda. Fechei meus olhos, afim de dormir. Ou eu dormia, ou eu enlouquecia.
Eu já estava imaginando que amanhã eu acordaria, e perceberia que tudo foi um sonho. Será mesmo?
Adormeci e pela primeira vez, eu não estava sonhando com o Cebola, mas sim, com Do Contra.
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