Sonhos e Realidades

7 Capítulo 7 - A Verdade.


Notas iniciais
Oie gente, gostaria de agradecer o pessoal que comentou e está acompanhando essa história. Muito grata mesmo. Logo logo, a vida de Mônica vai ficar muito tensa, então bora lá para o próximo capítulo! Boa leitura.

Abri meus olhos e vi que já era de manhã. Automaticamente me lembrei da noite anterior: DC e eu juntos, no parque. Ele dormindo aqui em casa como se fôssemos namorados. Acho que nem o Cebola dormiu aqui sequer uma única vez. Ele se preocupava muito com a ``imagem´´ que poderia causar em meus pais. Mas Do Contra era diferente. Ele havia entrado em meu quarto, sem se importar se seria pego ou não. De repente me veio à tona de que ele dormiu na mesma cama que eu. Me levantei em um pulo e olhei para onde ele havia dormido. Não estava mais lá. Ele havia cumprido o que tinha me dito ontem à noite? Não era de seu feitio, pensei.

Bom, que seja. Hoje, eu iria pra escola e nada disso seria mencionado. Acho que podemos dizer que foi um caso de uma noite só. Duvido que ele vá querer sair comigo de novo. Afinal, eu ainda estou presa a uma pessoa. Eu acho que não consigo ingressar num novo relacionamento, não assim tão depressa. Ai, como eu queria que tudo fosse mais simples.

Me arrumei como de costume, e fui para a cozinha tomar café da manhã.

– Bom dia! — Passei direto sem perceber quem estava sentado à mesa, tirando meu pai e minha mãe.

– Bom dia, querida. Sente-se para tomar café conosco.

Foi nesse instante que olhei pra mesa e vi aqueles olhos castanhos brilhantes olhando fixamente pra mim. Quase dei um grito.

– DC? O que você tá fazendo aqui? — Falei, fuzilando-o com os olhos

– Bom, eu vim te buscar pra irmos juntos pra escola, e sua mãe me convidou para entrar. — Ele sorriu gentilmente para minha mãe. Já meu pai estava meio cauteloso, já que o único garoto que fazia isso era o Cebola.

– Fique a vontade, querido. Mônica, tome seu café e vão para a escola, sim? — Ela olhou pra mim com um sorriso de orelha a orelha. Me lembrei da noite de ontem, quando eu entrei em casa e a vi, parada perto das escadas. Sabia que ela havia ouvido alguma coisa sobre o que o DC queria fazer comigo. Tentei disfarçar a lembrança tomando um gole de café, puxando um assunto com meu pai.

– Então papai, como estão as coisas lá na empresa? — DC parecia interessado na conversa, pois parou de bebericar seu leite ( ele não gosta de café), virando o corpo para olhar bem meu pai.

– Ha filha, anda complicado, Seu Cebola não está conseguindo mais administrar a firma. — Ele parecia cabisbaixo. — Desde quando seu filho foi embora, ele anda se estressando muito. Eu gostaria de ajudar, mas sei que não posso fazer nada. — Ele me olhou como se estivesse pedindo ajuda. — Mô, minha querida, eu acho que você pode ajudá-lo, você adora ajudar as pessoas, você pode fazer isso por ele, não? — Eu não estava gostando nada desse assunto, mas apesar de tudo, meu ex-sogro não tinha muito a ver com meu término de relacionamento.

– Tudo bem pai, você quer que eu vá hoje? — Perguntei.

– Filha, vá sim, depois da aula, vá com o Do Contra, acho que você deve ir com alguém. — Mamãe interveio na conversa.

Meu pai apenas concordou com a cabeça, parecia cansado.

– Bom DC e eu já vamos, mamãe. Tchau pai, bom serviço. Vou tentar ajudar o Seu Cebola, então não se preocupe. — Me levantei, arrastando um Do Contra junto de mim.

Quando achei que já estávamos a uma distância segura da minha casa, desatei a falar.

– O que pensa que estava fazendo, quando foi a minha casa? — Claramente eu estava tentando ser o mais dura possível.

– Nossa, Mô. Cadê o bom dia? — Ele sorriu pra mim.

– Sem bom dia. Meus pais já estão achando que eu tenho algo com você. — Andei com pisadas fortes.

– E isso é ruim? Olha se for o caso, a gente pode resolver isso rapidinho. — Sua voz soava divertida.

– Ok.

– OK? Sério? — Ele parecia surpreso.

– é claro que NÃO bobão. Você realmente é impossível. — Estávamos chegando na escola.

– Hm, gostei do elogio. — Francamente, no que eu fui me meter?

Chegamos na escola, e logo percebi olhares surpresos e cochichadas por tudo quanto é canto. Foi assim que percebi que havia cometido um erro: Eu, a recém largada pelo namorado, estava chegando na escola com outro e isso em menos de 2 meses! Inferno. Era isso que estava minha vida. Do Contra parecia não se importar e continuou caminhando comigo e falando também. Não respondi nenhuma de suas perguntas, até eu avistar minha amiga Magá.

– DC, eu já vou indo, mais uma vez obrigada por ontem, mas acho que agora precisamos voltar a realidade. — Suspirei.

Sua expressão mudou totalmente, agora ele estava sério, parecia nervoso, mas sua voz saiu totalmente calma e baixa.

– Tá bom, mas depois não diga que eu não te avisei. — Não entedia nada do que ele tava querendo dizer.

– Oi DC! — Magá chegou perto de nós, mas Do Contra já estava saindo. — Nossa, ok, ne? — Magali olhou-o indo para longe.

– Oi Magá, murmurei.

– Me diz, o que tá rolando? Acho que estou boiando aqui. — Magali arqueou uma sobrancelha.

– Ainda tô tentando entender. — Suspirei.

– Tá, mas me conta como foi ontem. Tenha noção que eu fiquei até as 3 da manhã esperando uma mensagem sua? Acho que a noite foi boa hein? — Ela me deu um cutucão.

– Tá me estranhando, mulher? Tá louca, só pode. Eu cheguei em casa e fui dormir, tava muito cansada. Foi divertido ontem. — Disse a ela, sem mencionar o caso Do Contra, dormindo na mesma cama.

– Nossa, foi tão divertido assim? Mas ele parecia chateado com alguma coisa. — Magali olhou para onde DC tinha ido.

– Ai Magá, eu não sei o que tá acontecendo. Só sei que hoje, vou ter de ir a um lugar que eu não queria ir de jeito nenhum! — Joguei meus braços pro alto.

– Uou. A coisa tá séria. Vamos pra sala de aula.

Depois das aulas, fomos para o refeitório. Queria encontrar DC, pra perguntar se ele iria mesmo comigo pra casa dos pais do Cebola ou não. Fiquei o intervalo inteiro que nem uma doida, perguntando se alguém havia visto-o. Tentativa falhada mais uma vez. E mais uma vez, o povo ficou me olhando de um jeito estranho, suspeitavam de algo.

As aulas terminaram e resolvi que iria sozinha. Um braço me segurou e fui olhar pra ver quem era.

– Você de novo ia me deixar sozinho? Acho que você quer mesmo que eu te deixe em paz. — Do Contra continuava com a expressão séria, mas seu aperto no meu braço era suave.

Dei uma risada, mas logo fiquei nervosa.

– Você! Eu fiquei te procurando o intervalo inteiro! — As outras pessoas em nossa volta se assustaram com meu tom de voz.

– Hm, tava me procurando? Agora me senti importante. Eu estava numa das salas vazias, queria ficar um pouco sozinho. — Ele parecia pensativo.

– Então vamos. Acho que eu preciso mesmo de alguém pra ir lá. — Saímos da escola e fomos em direção à casa do Cebola.

Três batidas e a porta se abriu. Apareceu uma menina com os olhos iguais do Cebola. Era Maria Cebolinha.

– Mô!! Que saudade! Mamãe, mamãe! Mônica está aqui! — Ela gritou.

– hm, então você é a irmãzinha do Cebola? — DC estava sorrindo e estendeu a mão para a garotinha.

– Sim, e você amigo dele e da Mô ne? — Ela olhou-o da cabeça aos pés.

– Hã, digamos que sou sim. — Nesse instante, apareceu a dona Maria Cebolúcia. Ela ficou surpresa ao me ver, mas acho que o impacto maior foi me ver junto do DC.

– Entrem, meninos! — Ela abriu mais a porta.

Entramos e uma nostalgia surgiu. Aquela casa, tudo nela estava exatamente igual de quando eu ainda a frequentava. Haviam muitas fotos, principalmente do Cebola. E tinha fotos minhas também, com a família toda. Dona Cebola pediu para que aguardássemos um pouco, já que o seu Cebola estava tomando banho.

Seu Cebola apareceu depois de 20 minutos. Olhou surpreso para mim, mas senti que ele ficou aliviado. Conversamos um pouco, mas em nenhum momento eles mencionaram o Cebola. Nem mesmo a irmãzinha.

– Seu Cebola, eu preciso saber de uma coisa. — Suspirei, senti a mão do DC apertar minha cintura, como se estivesse me encorajando a entrar no assunto. — O Cebola... Me diga, porque ele foi embora? — Eu estava aflita, já haviam se passado mais de 2 semanas que ele havia ido embora.

Percebi que eles se entreolharam. Pareciam esconder algo.

– Eu não acho certo fazer isso, querido. Vamos contar a ela. — Falou Dona Cebola, de repente. Contar o quê, eu pensei. Meu nervosismo estava aumentando. — Do Contra, pode nos fazer um favor? Leve Maria para brincar lá fora? — Olhei para o DC e ele assentiu, um tanto relutante. Ele pegou na mão da menina e foram para fora da casa. Fiquei ali, esperando.

– Mônica, a razão do Cebola ter ido embora... Ter te deixado... É culpa nossa. — Fiquei em choque. — A firma que eu montei, ela estava com dificuldades financeiras e... — Ele soltou um suspiro pesado e continuou. — A família da Penha é a dona do terreno. E estávamos com muitas dívidas e eu não conseguia achar uma solução. Eu precisava continuar, pois muitas famílias dependiam de mim, isso incluindo a sua família, Mônica. Seu pai nem sabe do que fizemos. — Seu Cebola apertou a mão da esposa.

– Então o pai da Penha me fez uma proposta para pagar a dívida e não fecharmos a firma. — Ele agora estava olhando nos meus olhos. — Ele nos propôs um casamento, entre Cebola e Penha. Era isso, ou estaríamos arruinados. Eu nem ao menos pude fazer nada. Cebola não pensou duas vezes. Não havia outro jeito, Mônica. Eu sinto muito. — Ele colocou as mãos entre o rosto, envergonhado.

Era como se eu não ouvisse mais nada à minha volta. Apenas a voz do Seu Cebola. Aquela revelação ecoaram no meu cérebro tão violentamente que me senti tonta, tive que segurar forte no sofá para que eu não tombasse. Um casamento? E ainda por cima com a Penha?

– Eles o levaram para Paris. Ele ficará 5 anos para se preparar para o casamento e os negócios da família. — Dona Cebola é quem estava falando agora. — Meu filho não sabia como reagir... Então ele nos disse que iria terminar com você, mas ele não queria que você soubesse da verdade. Aliás, você é a primeira pessoa que está sabendo agora. Por favor, Mônica, nos perdoe. — Ela começou a chorar.

Eu precisava sair daquele lugar. Precisava correr pra bem longe. Me levantei sem dizer nada, apenas me virei e fui em direção à porta. Ouvi eles balbuciarem se eu estava bem. Porra. Essa era a palavra que eu mais odiava. Eu não estava bem. Eu precisava ir embora.

Saí correndo no momento que abri a porta. Ouvi Do Contra gritar o meu nome, mas ignorei. Corri, como nunca havia corrido antes. Senti meu peito queimando e as lágrimas começarem a rolar. Queria Gritar, gritar muito. E chorar até morrer. O amor da minha vida nunca mais seria meu. Cebola iria se casar, teria filhos com aquela mulher. E eu apenas seria a ``largada´´ como todos estavam comentando.

Cheguei em uma praça e parei, não aguentava mais correr.

– Você corre hein? — Era DC.

– Me deixa em paz! — Gritei.

– Olha, não sei o que aconteceu mas... — Ele pegou meu rosto entre as mãos e olhou bem fundo nos meus olhos. — Eu estou aqui. Não faça isso comigo. Não me ignore quando eu te chamar. Por favor Mônica, eu te imploro, não fuja de mim. Corra pra mim quando algo estiver te incomodando. Eu prometo que sempre vou estar aqui contigo. — Sua voz saia agoniada.

– Porque eu Do Contra? O que eu fiz pra sentir tanta dor? Eu só queria ter uma vida normal. Porque ele? Porque escolheram ele? Está doendo, DC. Eu não aguento mais! — Ele me abraçou forte.

– Me desculpa. — Ouvi ele sussurrar, ou foi minha imaginação?

Naquele dia, a minha vida estava um lixo. Acho que o fundo do poço ainda era pouco para mim. Fiquei junto com o Do Contra, até eu me acalmar. Olhei em seus olhos quando minha visão já não estava mais embaçada. Nos nos olhamos bem no fundo dos olhos. Senti meu peito se acalmar.

Algo estava mudando. Eu não estava mais sozinha. E isso estava me deixando mais estranha. Um sentimento confuso. Uma indecisão. Uma tortura.

Parece que dessa vez, o final seria diferente.

Notas finais
Olá gente! Espero que tenham gostado desse capítulo e que continuem acompanhando! Mais surpresas virão e vocês saberão da situação do Cebola mais a adiante. Obrigada mais uma vez e até a próxima. Sayonará!