Sonhos de uma noite de verão
33 Capítulo 33
Notas iniciais
A tensão faz coisas incríveis com o psicológico de uma pessoa. Dores de barriga, dores de cabeça, roer as unhas até que fiquem no sabugo. Crises de choro e ansiedade. Há quem desenvolva uma compulsão alimentar e há aqueles que simplesmente param de comer. Até que a situação que causa o estresse não termine o ser humano parece funcionar no piloto automático com aquela náusea constante te assombrando. Sensação de estômago cheio mesmo que não tenha comido nada.
Emma e Regina viveram os últimos vinte dias numa tensão absurda. Muitas coisas aconteceram nesse pequeno intervalo de tempo e outras tantas meses antes dele. O reencontro após seis anos de distanciamento e sentimentos ruins. Outra infinidade de dissabores e por fim a descoberta. A descoberta do abusador de Emma, a descoberta das tramóias de Cora. A descoberta da traição de Ariel. O processo de guarda de Henry. Qualquer pessoa sã estaria à flor da pele com essa torrente de desastres acompanhada da montanha-russa de emoções.
E além de tudo, havia aquela coisinha lá no fundo. Aquela coceirinha no mais profundo da alma que insistia em trazer à tona as imagens guardadas a sete chaves em ambos os corações. Um sorriso, um olhar, um aperto de mãos. Mas da mesma forma que surgiam, rapidamente eram sufocadas novamente. O medo ainda era latente e além do mais, não havia tempo para isso.
Mas naquele exato instante em que madeira encontra com madeira num estampido oco, era como se aquele pequeno fio de tensão fosse rompido abrindo as comportas de uma represa de lágrimas que há muito custo eram seguradas. O alívio percorria cada poro do corpo de ambas as mulheres e Swan se agarrou a morena ao seu lado num abraço agradecido, num abraço amigo, num abraço desesperado.
O mundo ficou mudo e naquela bolha de felicidade nada entrava. Elas não viram os dois homens sendo levados nem a balbúrdia que faziam, nem mesmo a oficial Verônica a qual queriam muito agradecer, saberiam dizer qual teria sido seu paradeiro. Tampouco viram que a sala havia esvaziado até que somente as duas estavam lá. Emma ainda tremia nos baços de Regina quando fora informada que precisavam sair, pois outra audiência deveria começar. Desajeitadas, recolheram seus pertences e rumaram para fora da sala de audiência, ainda entorpecidas por tudo que havia acontecido ali.
—Você provavelmente será chamada para dar depoimento na esfera criminal. – Emma concordou com o que Regina dizia e naquele momento ela concordaria com tudo que lhe dissessem. A loira iria falar mais alguma coisa, talvez algo sobre suas mãos permanecerem unidas num abraço acalorado de palmas, mas seus pensamentos foram interrompidos indesejavelmente.
_Não pense que isso vai ficar assim Regina. – Era Cora quem vinha na direção delas com tanto ódio que é difícil imaginar que um ser humano podia carregar tal sentimento – Eu vou destruir vocês de tantas formas que não podem nem imaginar. Você vai saber o que é ter que trabalhar para sobreviver, vai saber como é ser igual a essa ralé, porque eu vou tirar todos os seus privilégios e na pobreza você voltará correndo para mim implorando uma migalha do meu dinheiro e aí eu vou ter minha vingança, porque você descobrirá que é igualzinha a mim. – Emma, quem agora fazia às vezes da tranqüilizadora, segurou o braço de Regina acariciando de leve trazendo-lhe a segurança que a morena tanto necessitava, e ainda assim ela conseguia ouvir o coração da outra batendo descompassado e sua respiração falhando. Diabos, a mulher era a mãe dela e mesmo depois de tanto tempo ainda conseguia atingir a filha com tanta intensidade.
_Olá mamãe. – Regina não precisou dizer nada quando Ruby e Rebbeca apareceram atrás da morena mais velha fazendo-a virar abruptamente. – Sentiu saudades? – A ruiva sorria para Regina em apoio. – Chegamos a tempo? O transito estava infernal. – Perguntou para sua irmã e amiga. O sorriso discreto de Bex poderia ser atribuído a cara de surpresa de sua mãe ao vê-la, mas o real motivo estava um pouco além dela, na loira e na morena a sua frente. A mão esquerda de Emma na base da coluna de Regina enquanto a direita estava gentilmente pousada no braço da outra, numa posição tão íntima como se fizessem isso de outras vidas.
_Claro. É obvio que você estaria mancomunada com essas daí. A protetora dos fracos e oprimidos. Você já contou para sua irmã como é viver sem as regalias que eu ofereci para vocês a vida inteira? – O olhar crítico e de desgosto de Cora percorreu cada centímetro da ruiva, Ruby que se encontrava ao seu lado sentiu cada pelo do seu corpo arrepiar. — Pelas roupas de quinta categoria você deve saber muito bem como é.
_Mamãe querida, dinheiro é sempre seu problema não é? Olha, se quiser eu te digo como é viver sem suas regalias, porque por Deus, a senhora vai precisar saber. Agora quanto à moda, eu duvido que alguma penitenciária desse estado se importe em dar as presidiárias roupas da Louis Vuitton. E eu não posso fazer nada para te preparar quanto a isso, nunca freqüentei esses lugares.
_Do que você está falando sua maluca? Você sempre teve um parafuso a menos. Não sei como eu te coloquei no mundo. Deveria ter te abortado quando descobri a gravidez, metade dos meus problemas teriam sido resolvidos. – O semblante da ruiva não mudou um instante se quer, mesmo que lá no fundo houvesse aquela pequena esperança de que sua mãe de fato não fosse um total monstro. Ela queria que a mãe a humilhasse bem para depois sentir na pele seu próprio veneno. Se isso a fazia ser melhor ou pior que a matriarca ela não sabia, mas por todos os deuses ela era humana e aquela mulher precisava pagar por todo mal que havia feito.
_Olha, se eu fosse a senhora tratava a gente muito bem porque dependendo de como nos trata podemos ser boazinhas ou não com você. – A voz doce e melosa contradizia o semblante sarcástico.
_Eu não tenho que ficar aqui escutando barbaridades. Você deveria continuar escondida no buraco onde estava, meu mundo é um lugar melhor sem você. Eu vou resolver os problemas que arrumaram para Gold e Neal que eu ganho mais. Eles sim são pessoas de bem. Você ainda vai se arrepender disso tudo Regina. – Dizendo isso virou as costas às mulheres com o nariz empinado e a bolsa Gucci a tiracolo, porém seus passos não a levaram muito longe.
_Senhora Cora Mills?
_Sim, pois não?
_Eu sou oficial de Justiça e gostaria de saber se a senhora reconhece esse documento? – disse desdobrando cuidadosamente alguns papéis de coloração meio amarelada.
_Eu não sei o que é isso! – A mulher disse com a magnificência que somente Cora Mils possuía, porém sua voz tremia levemente. – Com licença. – disse tentando se esquivar.
_E essa assinatura nele, é da senhora? – O homem disse impedindo que a mulher se movesse do lugar, mostrando as rubricas e a assinatura na última página. Cora que até então mantinha toda sua pose tentava pensar em uma saída para essa situação. Durante anos ela tentara encontrar o testamento do falecido marido, contratara pessoas para que procurassem em cada canto do escritório do homem e em cada cofre da casa e não obteve sucesso. O advogado que assinara junto com ela morrera dois anos depois de Hemry e então ela cessou as buscas, pois ninguém além dela e de Gold sabia desse documento. Ao menos não alguém vivo. Até hoje.
_Eu... eu... não sei do que está falando.
_Senhora Mills, diante de denúncias a polícia de Nova York cumpriu mandados em sua casa e escritório, bem como do senhor Gold e encontrou o testamento falso que vocês forjaram – mostrou outro papel — Esse documento em minhas mãos é o verdadeiro e que a senhora assinou tendo o senhor Gold como testemunha. A senhora está presa por falsificação de documentos, estelionato e formação de quadrilha. – Os policiais que até então se mantinham inertes seguraram em seus braços e colocaram as algemas.
_Vocês não podem fazer isso. Eu sou Cora Mills. Eu sou dona de um império. Soltem-me. Eu conheço os podres de todo mundo, vocês vão pagar muito caro por isso...
_Segundo esse documento aqui, a senhora não tem nada. Seus bens pessoais foram bloqueados até as investigações terminarem. Agora vamos e pare de se debater. A senhora tem direito a um advogado e se não puder pagar o Estado lhe concederá um. Tudo que a senhora disser poderá ser usado contra a senhora. – enquanto falava conduziam a mulher sob todos os seus protestos. As quatro mulheres mais novas seguiam atrás do oficial e de todos os policiais.
_Vocês são minha filhas. – a mulher olhara para elas em puro pânico – Façam alguma coisa. Não permitam que eles me levem como uma selvagem. Eu amo vocês e só queria protegê-las de aproveitadores como essa gentinha – disse apontando para Swan — Regina, eu só queria que fosse feliz com Neal porque ele é um bom partido, eu te amo filha. Tudo o que fiz foi por amor.
_Eu avisei que você precisava ser boazinha com a gente. – Zelena disse dando de ombros inocentemente. E os homens começaram a praticamente arrastá-la. Assim que as portas do tribunal foram abertas centenas de flashes dispararam na direção de Cora. Os repórteres amontoados como urubus na carniça faziam centenas de perguntas enquanto tiravam fotografias sem parar.
Regina, Emma, Rebbeca e Ruby olhavam para a cena a sua frente, todos que ali estavam se protegiam como podiam dos flashes, mas não queriam perder a novela que se desenrolava a sua frente, afinal, a fama da Senhora Mills a precedia.
_Precisava de tudo isso? – Foi Emma quem perguntou incomodada com o reboliço. Assim que os policiais conseguiram passar em meio a multidão as luzes dos flashes foram se distanciando.
_Posso ter exagerado um pouquinho na quantidade de emissoras que enviei o comunicado dizendo que Cora Mill estava envolvida em fraudes. – A ruiva disse rindo. – Essa fome toda deles é culpa dela mesma, quem manda ser uma presença tão importante da alta sociedade Nova-iorquina.
_Minha mãe adora os holofotes. – A carranca séria de Regina não escondia por completo sua decepção. – Hoje eles são todos dela. Ela não escapará tão facilmente assim.
_Vocês vão ajudar ela, não vão? – Perguntou Ruby. As irmãs se olharam e aquela antiga sintonia estava presente como se nunca tivesse algum dia sido interrompida.
_Sim. Mas não hoje. Ela merece o sufoco. – Rebbeca disse suspirando forte enquanto Regina balançava a cabeça em concordância. – O conselho já se reuniu hoje Regina, eles analisaram a cópia autenticada do testamento, e eles esperam que a gente se pronuncie. Segundo eles perdemos alguns investidores nas empresas, alguns que acredito que tenham tanto caráter quanto Cora, mas estão do nosso lado. – a mulher olhou para a irmã. Regina pensou que tudo que fizeram para chegar naquele momento a traria certa paz, certa liberdade, mas ela ainda era Regina Mills, herdeira de Henry Mills e as obrigações ainda a assombravam, mas não nesse momento.
_Uma coisa de cada vez. Certo? – olhou para cada uma delas – Agora a gente precisa comemorar.
_Ah sim. – disse Ruby – tem uma platéia sedenta em um pequeno apartamento esperando por notícias nossas.
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Fato é que o apartamento que Emma e Ruby dividiam não comportava a quantidade de gente que queria comemorar, mas isso não importava. Mary Margareth havia se encarregado da comida, a matriarca ria, cantava e chorava ao mesmo tempo. Obviamente que só fez isso depois de exaustivamente abraçar Emma e Regina até deixá-las tonta.
As crianças comemoravam sem saber verdadeiramente por que. Robin não precisava de pretexto para fazer bagunça e era doutora nessa categoria. Já Henry, um pouco mais contido, estava radiante com a confusão de gente que sua casa se encontrava, principalmente porque ali estavam as pessoas que ele mais amava na vida, tendo ha alguns meses, incluído Regina nesse rol. E o melhor de tudo, sua mãe não estava evitando a morena que por sua vez, não estava desconfortável perto de Emma. Elas pareciam, na visão da criança, amigas.
O garoto, pequeno na idade, e com esperteza além do seu próprio bem, já sabia que a mãe e Regina haviam sido namoradas antes dele nascer como Dot e Ruby eram, e adoraria que isso acontecesse de novo, mas pelo que já tinha visto, se dependesse das duas levaria anos para que isso acontecesse, e ele não estava disposto a esperar. Ele precisava agir.
Emma não cabia em si de tanta felicidade. Seus olhos percorriam de um ao outro e seu sorriso jamais abandonou seus lábios. Por todos os deuses, Henry estava com ela, seus amigos estavam com ela, seus pais estavam com ela e Regina, a loira olhou para cada canto do pequeno apartamento não encontrando a morena, bom Regina também estava com ela, ou ao menos achava. Sem permissão, seu peito deu uma contraída e com a desculpa que iria somente ver se a morena estava se sentindo confortável ali, passou a procurá-la.
Não precisou de muito esforço porque definitivamente não havia muito lugar para ir. Na área de serviço, uma pequena varando dava para um beco onde algumas crianças brincavam. A morena estava encostada no parapeito e em sua mão um cigarro dançava entre os dedos.
—Não sabia que fumava. – A voz de Emma a sobressaltou por um momento fazendo a morena segurar com certa força no parapeito.
—Um habito adquirido há algum tempo, terrível eu sei, mas que já há alguns meses tenho conseguido me livrar. – Emma assentiu, mas olhou para a mão da morena que riu suspirando – os acontecimentos do dia de hoje em outras épocas mereciam uma tragada.
_E agora não merecem? – A loira quis saber.
—Eu nunca fumei porque me sentia feliz. O fato é que eu nunca estava feliz, por isso fumava tanto. A vitória no tribunal hoje não me dá vontade de fumar porque me deixou extremamente feliz. E a minha mãe, bem... – ela olhou para o cigarro em sua mão – eu simplesmente não consigo deixar isso me afetar ao ponto de precisar fumar, porque eu estou feliz. – ela sorriu olhando para Emma que sorriu de volta.
—Não é isso que está te incomodando, certo? Não foi por causa da sua mãe que esse cigarro apareceu na sua mão. – Emma olhava para o beco. O silencio passeou entre elas como um velho amigo.
—Como você ainda consegue fazer isso? – Regina olhou para Emma que deu de ombros sorrindo.
—Acho que certas coisas não mudam nunca. – Emma suspirou antes de continuar — A primeira vez que te vi naquela festa há alguns meses, eu já sabia que iria te entrevistar. Seu nome estava na nossa listagem. – Regina olhou para ela com a sobrancelha erguida – De uma forma ou de outra, tendo sabido em cima da hora ou não, eu já sabia que veria você, então poderia controlar minhas expressões. Agora você, naquele dia, eu esperava ver surpresa ou até vergonha em seu olhar, mas eu vi ódio e uma decepção tão grande que me desestabilizou. Eu só não conseguia entender o que vi, mas eu vi.
—Eu fui te procurar no jornal alguns dias depois da festa. – olhou para Emma – Eu estava muito irada. Primeiro com sua indiferença, eu queria jogar tudo que eu sentia na sua cara, e depois eu também vi sua decepção dirigida a mim, e eu pensava que você não tinha o direito de sentir isso, não quando me prometeu o mundo e me deixou plantada esperando. – riu sem humor – foi quando descobri que já não estava mais no jornal.
—O que está te atormentando? — Emma perguntou gentilmente mudando o assunto para um mais seguro. – Se não quiser dizer, não precisa. É que, depois do que fez por mim eu gostaria de ajudar de alguma forma, nem que seja ouvindo você.
—Eu não quero que faça as coisas por mim porque está agradecida. – Regina disse com a voz cortante, não que ela quisesse ser grossa, mas ela não pode controlar. Ela achava que a loira estava realmente começando a aceitá-la novamente e não porque estava somente agradecida. Emma deu uma trombada de quadril na morena que resmungou qualquer coisa ininteligível.
—Gente, mas que ex-adolescente e agora senhorita de classe irritadinha. É assim que lida com seus subordinados? Tenho pena dessa gente.
—Não enche.
—Estressadinha.
—Implicante.
Ambas as mulheres caíram na gargalhada e permaneceram lado a lado até o riso morrer entre seus lábios. Emma colocou sua mão por cima da mão de Regina e tomou o cigarro que ainda permanecia em seus dedos.
—Não estou fazendo isso por estar agradecida. Um dia eu prometi estar ao seu lado para que pudesse enfrentar qualquer coisa e falhei miseravelmente nessa missão. Um dia eu te ofereci minha amizade e também falhei nisso. Estou aqui agora tentando manter esse par de promessas porque me preocupo com você Regina. Porque não quero que passe por qualquer outra coisa sozinha nessa vida. Se não quiser falar comigo tudo bem, chamo Rebbeca ou minha mãe, mas não guarde o que te afli...
—Ariel. – Regina soltou interrompendo Emma. Ela precisava interromper a loira antes que essa a fizesse chorar e isso ela não podia admitir, porque uma vez que começasse ela não sabia se seria capaz de parar. – Eu tinha em Ariel a única pessoa que eu confiava, antes e depois de você. A pessoa que me conhecia melhor do que eu mesma. A pessoa que eu sacrificaria a mim para vez feliz e realizada. E no fim, minha mãe sempre esteve certa, eu não sou capaz de manter amizades e todo mundo tem seu preço. Isso tudo poderia ter acontecido, mas se ela tivesse me contado eu a perdoaria, eu fingiria qualquer coisa para minha mãe para poder ter você de novo, ver você de novo, implorar para que me desculpasse, mas ela não me contou e continuou mentindo e mentindo. Ela quem chamou Neal no hospital aquele dia... mesmo depois de todo bem que ela viu Henry fazendo para mim ela continuou mentindo, continuou me envenenando contra você.
—Regina... – Emma sussurrou sensibilizada pela angústia de Regina.
—E eu vejo tudo isso, você e sua família, sua mãe mesmo descobrindo quem eu era e tirando suas próprias conclusões sobre mim, seu pai da maneira dele me defendendo das meninas e de Ruby... e até minha irmã, todos rodeados de carinho e eu... eu sempre terminava meu dia sozinha. Minha mãe achava que ainda teria sua vingança, mas ela já conseguiu. No final do dia, Regina Mills não tem ninguém. Nem mesmo a única pessoa que considerava sua amiga. Ela já me tirou tudo.
—Isso não é verdade. – Emma rebateu indignada.
—Haaa Emma, sem essa comigo, você sabe que é assim. – Mas a loira negava com a cabeça sendo tão teimosa como a morena estava sendo.
—Minha mãe nunca mais te deixará em paz, nem meu pai. Henry falta pouco fazer seu fã clube e até Ruby você conquistou. Muito a contragosto Belle admite sua presença, mas já é alguma coisa – ambas riram — Estará sozinha só se você quiser.
—E você?
—Eu o que?
—O que eu sou para você? – Regina perguntou sentindo seu coração acelerar no peito e desviou o olhar da loira mirando um ponto qualquer no chão.
—Você sempre será a Regina. – Emma disse terna acariciando a bochecha da morena com o dorso da mão e virando a cabeça dela em sua direção.
—E o que isso quer dizer?
—Eu ainda não sei. – Emma disse se virando e saindo sem dar qualquer outra explicação.
Regina filmou cada passo de Emma. Ela havia jurado que não faria cobrança alguma a loira, mas ela estava em pedaços e precisava de algo para se apoiar. Céus, verdade seja totalmente dita, ela precisava desesperadamente da amizade de Swan e não ter isso estava na lista de coisas que ela jamais conseguiria suportar. E a loira estava oferecendo isso, mas seu coração totalmente tolo desejava mais.
—Ela é meio cabeça dura sabe?! – Regina se assustou com a figura de Ruby entrando na pequena varanda. Ela ainda olhava para a direção que Emma seguira. – ela quer você, quer te abraçar e te colocar na asa dela, mas ainda tem medo. Mas ela disse que você sempre será a Regina.
—Posso sempre ser a Regina que a magoou. A Regina que foi responsável por uma sucessão de desgraças na vida dela. A Regina que a fez perder o emprego dos sonhos. A regina que quase a fez perder o filho. — A morena dizia amargurada.
—A Regina que ela sempre amou. – Ruby disse encostando-se no parapeito também ignorando a torrente de lamento de Mills – Por longos seis anos eu te odiei com todas as minhas forças. Você havia deixado minha melhor amiga em frangalhos. Ela estava tão feliz e radiante com sua presença na vida dela. Ela fazia tantos planos para vocês duas, que quando ela foi a sua casa e voltou daquele jeito, eu sabia que uma parte da Emma que eu conhecia havia morrido. Foram dias muito sombrios Regina. – Mills, que agora olhava para Ruby com todo interesse percebeu pela fisionomia da outra o quão angustiante fora aquele tempo – Emma começou a beber demais. Teve dois comas alcoólicos graves e entrou numa depressão profunda. Na cabeça dela você não tinha rejeitado o relacionamento de vocês, isso é comum, namoros começam e terminam. Mas você teria a rejeitado como pessoa, pelo que ela era.
—Eu... – Ruby levantou a mão para que Regina se calasse.
—E mesmo por toda circunstância foi Henry que a tirou desse estado. Ela só reagiu à vida por causa dele. Mas mesmo assim, no fundo, com toda a decepção que sentia, ela nunca deixou de te amar. Isso me enlouquecia e me fazia brigar muito com ela. Eu simplesmente não conseguia entender quando ela me dizia que tinha sido você e que sempre seria você o único amor da vida dela. Que ela sabia que nunca haveria outra. Eu queria esganá-la.
—Eu achei que fosse me esganar no NY Times. – Regina interrompeu a outra morena lembrando do seu encontro no jornal.
—Não tem idéia do quanto me segurei para não fazer isso. – Regina riu.
—Me desculpe por tudo que fiz Emma passar. – Os olhos de Regina eram tão sinceros que fizeram os olhos de Ruby marejarem.
—Esse que é o problema, não entende? Você não tem culpa de nada. A não ser de ter uma cabeça tão dura quanto a dela e não ter ido investigar aquelas fotos. Vocês duas foram. Ficaram tão cegamente magoadas que nem se quer pensaram que essa não era uma atitude que a outra cometeria. Nenhuma das duas tem culpa de nada e ambas carregam esse peso no coração. – Ruby abriu os braços indignada — Olha, se ficar com Emma é o que realmente quer, terá que a deixar saber disso. Sem meias palavras sem insinuações. Ela nunca tomará a atitude porque ela também se sente culpada por não ter te procurado e tomado as satisfações que queria.
—Eu quero muito ela Ruby, mas tenho dúvidas se o que ela sente por mim é algo a mais que gratidão. – Ruby rolou os olhos.
—Não seja cabeça dura novamente. E pelo que sei foi você quem a beijou primeiro.
—Haaa não. Isso não. De novo não. Ela te contou errado. Eu só disse que deveríamos beijar as garotas que queríamos beijar, foi ela quem me beijou. – Ruby riu com gosto levando Regina com ela.
—Então, minha amiga, faça o serviço completo dessa vez. – Regina sentiu o ar ficar preso em seus pulmões, Emma como sempre estava certa, ela só ficaria sozinha se ela quisesse. E sorrindo para Ruby, ela assentiu.
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