Notas iniciais
"E então eu choro algumas vezes quando estou deitada na cama Apenas para tirar tudo que está em minha cabeça E eu, eu estou me sentindo um pouco peculiar" What's Up? - 4 Non Blondes

Apesar das diversas ligações não atendidas em seu telefone e da tela insistente que a cada segundo trazia uma mensagem nova de sua irmã, Regina não mudou seus planos. Pensara diversas vezes no que Ruby lhe dissera, tentara prestar atenção no planejamento de Rebbeca para o futuro de suas empresas, mas nada conseguia prender sua atenção porque ainda tinha ainda algo a fazer.

A morena sabia que de nada adiantava investir nas coisas que estavam por vir sem se curar do que a estava incomodando. Certa vez ela lera em um letreiro de uma loja que vendia baboseiras quaisquer uma daquelas frases prontas que à época a fizera revirar os olhos “se você não se curar do que te magoou, irá sangrar em pessoas que não te cortaram”. Enquanto Regina pensava em como sua vida tinha dado uma guinada completamente diferente a morena se lembrou dessa frase. Ela não poderia investir em nada futuro se não resolvesse as pendências do passado. A Regina de antes não se importaria com nada disso, mas ela dera muita braçada para morrer na praia. Queria fazer as coisas certas, por isso bloqueou a tela do celular ignorando mais uma das ligações de Bex e voltando a caminhar. Porém, quando o nome de Emma piscou na tela do aparelho um minuto depois ela não conseguiu ignorar.

—Mills.

—Regina. – a voz do outro lado da linha era de puro alívio – Onde você está? – Emma parou de repente diante da própria pergunta e começou a gaguejar – Q... quer dizer, está acontecendo algo? Sua irmã está louca atrás de você. – Completou por fim. O alivio dando lugar ao constrangimento no tom da loira. Não parecia ser só Rebbeca quem estava preocupada.

_Estou no hospital Emma... – Mas ela não pode terminar de falar, pois fora interrompida pela arfar assustado de Swan do outro lado seguido de uma torrente de perguntas.

—No hospital? Aconteceu alguma coisa? Regina! Regina, fala comigo. O que está acontecendo? Por que não falou com ninguém? – As sobrancelhas de Mills se uniram no centro de sua testa devido a situação ser no mínimo intrigante, mas para o bem da verdade ela mordeu os lábios para não sorrir bobamente diante da preocupação de Emma.

—Eu estava tentando, mas você não deixou nem eu terminar de falar. – o barulho que veio do outro lado da linha Regina não conseguiu identificar se era de surpresa, de reconhecimento ou de vergonha.

—Claro... – ela limpou a garganta – Certo, eu me excedi. Pode falar. — Regina podia imaginar as bochechas da loira assumindo um tom rosado e seus olhos brilhando com o constrangimento enquanto ela levava a mão na testa.

—Eu vim ao hospital falar com Ariel. — Disse numa calma que não estava sentindo.

—Ah sim, claro. Entendo. Mas Regina tem certeza de que aí é um lugar apropriado para isso?

—Eu não sei Emma, mas a Ariel vive de plantão, está sempre tão ocupada e eu preciso desentalar tudo que está na minha garganta... Eu não suporto isso mais. – sua voz morria aos poucos, a angústia das últimas descobertas emboladas em seu estômago como uma refeição que lhe desceu mal.

—Só cuidado ok? – O tom preocupado de Emma partiu Regina ao meio só para ela se refazer instantes depois.

—Não é como se ela fosse me matar, sabe? – A morena usou do ardil de Emma ao transformar a situação em uma piada, mas a verdade é que seu peito batia descontroladamente e o celular tremia na mão.

—Não é isso. Eu sei que ela não vai te matar. Mas você sabe... – Emma lutava para encontrar as palavras. — Tome cuidado, por favor. – disse por fim.

—Pode deixar. – Regina não segurou o sorriso emocionado dessa vez.

—-**--

O hospital parecia exatamente igual como da última vez em que estivera ali. Branco, asséptico e totalmente triste. O cheiro exagerado de limpeza só fazia a náusea de Regina aumentar. Macas iam e vinham como uma dança sincronizada. Todos pareciam bastante ocupados e a mulher começou a se perguntar se aquilo era mesmo uma boa ideia.

A morena não era dada a grandes cenas e espetáculos públicos, e na verdade tinha grande horror a quem fazia, mas no fundo do coração ela não sabia como iria se comportar nessa conversa e talvez Emma tivesse razão, ali não era lugar para isso. Quando Mills se virou para sair convencida de que tinha tomado a decisão errada, Ariel já vinha em sua direção sorrindo, o coração de Regina errou uma batida, era agora ou nunca.

—Gina, quanto tempo que bom que veio me ver. – A ruiva abraçou a morena. Regina nunca respondia aos abraços da amiga calorosamente, principalmente depois de Emma, mas um afagar nas costas sempre era recebido pela outra. Até aquele dia. – Regina? – A confusão no olhar da mulher era genuíno, mas ao notar as orbes castanhas a sua frente a confusão foi dando lugar ao medo.

—Há algum lugar aqui em que possamos conversar em particular? – Regina perguntou sem rodeios.

—Eu estou de plantão. – Ela verificou o pager — É urgente? O que aconteceu? Você está bem? – a torrente de perguntas vindo de Ariel era a mesma que tinha ouvido segundos atrás, mas ao contrário daquelas, essas não surtiam efeito nenhum em Regina. Ela ficou feliz por isso. — Eu vi as notícias de sua mãe... fiquei tão preocupada, mas eu mal tenho dormido de tanto traba...

—Para. – Regina respirou fundo — Eu não preciso da sua piedade ou das suas desculpas. Eu quero saber se vai me levar para um lugar no qual poderemos conversar ou você vai preferir que eu fale tudo por aqui mesmo. – A voz controlada e a veia na testa de Regina foi o indicativo para a ruiva mover as pernas.

—Por aqui. – A morena caminhava atrás da outra que se embrenhava cada vez mais pelo hospital ao mesmo tempo em que saíam dos corredores mais agitados. Mil coisas passavam na cabeça de Ariel. A ruiva já vira Regina com diversos humores e achava que estava pronta para todos eles, mas a verdade é que ela nunca em sua vida esperava se deparar com essa expressão de puro desapontamento – Aqui – ela disse abrindo uma porta aleatória em um canto quase escondido. – Os médicos de vez em quando vêm aqui para um cochilo e essas coisas. – ela sorriu maliciosa, mas parou de sorrir quando viu que Regina a olhava com seriedade.

A sala não era grande, um cubículo na verdade, cheio de beliches cobertas por lençóis azuis bem passados e esticados. Uma janela permanecia aberta na parede mais extrema, mas ainda assim o ar parecia estar completamente parado naquele lugar enquanto as duas simplesmente se encaravam.

—Você é feliz Ariel? — De todas as coisas que Regina poderia querer falar com ela, a ruiva simplesmente não esperava por essa pergunta. Já estava se preparando para o caso de Cora ter dado com a língua nos dentes, mas isso?

—Sim Regina, eu sou. – Respondeu incerta estranhando o rumo da conversa. Regina, apesar de estar na sua frente não olhava exatamente para ela, seus olhos pareciam atravessar além dela para um ponto completamente distante.

—E é feliz pelo que exatamente?

—Ora, eu tenho minha família. Tenho Eric. Tenho você e faço o que eu sempre quis. Como eu não poderia ser feliz? – Devolveu a pergunta com outra e instantaneamente percebeu o que tinha dito e quis recolher tudo que dissera. Ela tinha acabado de jogar na cara de Regina que era feliz com tudo que a morena nunca teve. Com uma certa parte que ela ajudou a morena a não ter. – Regina, eu...

—Com o que exatamente minha mãe te subornou? – Pela primeira vez o olhar de Regina parecia estar dirigido a ela, os olhos cor de caramelo estavam escuros como um céu sem estrelas, como um predador avaliando a presa. Os fatos ficaram definitivamente claros para Ariel, a morena sabia e tinha cansado de qualquer joguinho que planejara, mas a ruiva não queria ceder.

—Eu não estou te entendendo... – a voz da mulher tremia ligeiramente.

—Foi com sua mãe? Foi com Eric? Ou foi com sua faculdade? Já sei! Foi com tudo isso junto? – Regina começara a caminhar de um lado para o outro deixando finalmente as lágrimas escorrerem por suas bochechas. A pose equidistante dando espaço a uma vulnerabilidade que raramente exibia. – Fale alguma coisa! — implorou e a ruiva percebeu que não adiantaria fingir.

—Regina eu sei o que deve estar pensando, eu não queria, mas sua mãe... ela, ela! Você sabe como ela é, ameaçou mandar Eric embora, minha mãe... e sim. Me ameaçou com a faculdade. Eu não tinha o que fazer. – A essa altura a ruiva também chorava. Ela precisava fazer Regina entender que ela nunca quis fazer isso, mas estava falhando miseravelmente.

—Sabe o que dói mais? – o olhar de Regina pousou na mulher novamente e a dor era claramente vista ali — Você me conheceu na infância, viu cada coisa que passei na mão de minha mãe. Viu eu perder meu pai. Esteve lá quando meu mundo quase caiu de vez com a fuga de Zelena. Sonhou comigo tantos sonhos. Olhou nos meus olhos diversas vezes dizendo que sempre estaria lá para me apoiar e no primeiro sufoco você me traiu. – Regina tirou uma folha amassada da bolsa jogando em cima de Ariel. – Não tinha como você saber disso naquela época, mas você nunca esteve desamparada, nem sua mãe. Sua vaga na universidade foi garantida pelo meu pai e nem Cora poderia mudar isso. – os olhos da ruiva se arregalaram – Mas sabe o que é quase difícil mesmo de suportar? Não é porque há seis anos você me fez odiar uma das únicas pessoas que conseguiram chegar ao meu coração. Não. Eu poderia até te perdoar por isso porque eu sei a mãe que tenho. Posso te indicar outros mil caminhos que poderíamos ter seguido, claro, só que não sou mulher de chorar pelo leite derramado. Mas eu ainda poderia te perdoar. Mas o que eu jamais conseguirei te perdoar é que você sustentou a mentira mesmo depois de tantos anos. Mesmo vendo que estava me tornando mais parecida com Cora a cada dia, você ainda queria me manipular para que eu não descobrisse sua traição. Céus. Você já era formada, a mãe do Eric já havia morrido e sua mãe trabalhando de teimosa que é, mas já recebendo a aposentaria e você continuou me enganando. – Regina terminara a frase lentamente como se simplesmente dizer essas palavras lhe causasse profunda dor.

—Regina...

—Viu Emma ser demitida de um emprego por puro capricho de alguém. Viu o bem que uma criança estava fazendo a mim e atentou minha mãe para esse fato. Você ficou alheia a uma criança que corria risco de vida num leito. – as oitavas da voz de Regina iam aumentando conforme falava. – Que droga de juramento é esse que vocês fazem nessa faculdade? – Regina respirou fundo e baixou o tom de voz como se a ideia do que iria dizer em seguida tivesse acabado de lhe ocorrer — Que droga de pessoa que você é? – Sussurrou voltando a olhar para Ariel — E claro, por fim, mas não menos importante, deu laudos médicos secretos de Swan para minha mãe destruí-la no tribunal. Sabe, ela podia ter perdido a guarda do filho para aqueles dois sem escrúpulos que não estavam nem um pouco interessados no bem estar da criança, mas em encobrir um estupro! – a Indignação de Regina era palpável — Cora pode ser tudo de ruim e mais um pouco, mas ela nunca fingiu ser outra coisa. Contudo eu não tenho palavras para dizer o que você é. – O choro já não era mais contido por Regina.

_Regina sua mãe deve ter te cont... – As palavras de Regina entravam em Ariel como lâminas que rasgavam a alma da ruiva, ela já imaginava aonde isso iria dar.

—Ela não me contou nada. – A morena disse cansada como se tivesse acabado de correr uma maratona e de fato parecia que estava correndo a vida inteira — Eu sei disso há um tempo, eu só não sabia o que tinha te levado a fazer isso, apesar de suspeitar. Tudo o que Cora fez comigo me machucou muito porque ela é minha mãe e isso deveria ter algum valor, mas eu nunca esperei nada dela. Eu não fui um primor de amiga que usava pulseiras escrito BFF’s, mas eu sempre fui sincera. Minha afeição sempre foi sincera, eu te considerava minha irmã, a única pessoa em que confiava e sempre esperei que a afeição fosse mútua. Constatar mais esse engano na minha vida, ahh isso sim acabou comigo. – Ariel abriu a boca para falar, mas foi silenciada por Regina que apenas levantou sua palma direita – Você já tem tudo o que queria e espero que tudo isso lhe faça feliz porque eu não te desejo mal, só não te desejo mais na minha vida. – E sem outra olhada na antiga amiga Regina saiu.

—-**--

Emma limpava as mesas do bar que abriria dali a pouco. Estava trabalhando muito devido aos problemas que Rebbeca e Regina estavam enfrentando nas empresas e toda a questão da herança, então a loira fazia o máximo para ajudar. Com isso pouco tempo tinha para conversar com a morena sobre como fora com Ariel. A mulher estava mais silente do que nunca e Emma tinha dúvidas do que fazer.

A situação que ocorrera na comemoração pela vitória no caso de Henry assombrava a loira todo santo dia. A pergunta que Regina fizera martelava em sua alma repetidamente, “o que eu sou para você?”, mesmo agora enquanto limpava com veemência uma mesa que claramente já estava limpa era tudo o que Emma conseguia pensar. Depois de tudo, o que a morena era para ela? Depois de todos os enganos, as mentiras, as armações o que Regina Mills significava para Emma Swan?

Emma sorriu, ela já sabia a resposta.

Sabia dessa resposta quando um tão empolgado que chegava estar sem fôlego Henry veio contando do superpasseio no carro de Regina, quando sua mãe adorou a sugestão da morena para um vestido a ser usado no casamento de uma conhecida no Maine, quando Ruby lhe disse que precisava lutar pelo que queria. Sabia principalmente agora quando seu coração estava apertado por notícias da mulher a quem prometera estar ao lado, mas que ainda não conseguira cumprir essa promessa. Por que então não conseguia procurá-la?

—Se você passar esse pano aí de novo vai acabar tirando a tinta da minha mesa que já não é tão nova assim. – Bex havia chegado e Emma nem havia reparado de tão imersa que estava em seus conturbados pensamentos.

—A mesa estava bem suja. – Respondeu recolhendo o pano.

—Ou sua cabeça estava em outro lugar. – Emma respondeu com um simples “puhf” irritado levando o pano e o balde consigo. – Você devia procurá-la sabe. Ela pode estar precisando de um ombro amigo.

_Por que não está com ela então? – Emma perguntou um pouco afetada, falar de Regina sempre causava um misto de emoção na loira, mesmo porque ela não conseguia saber o que fazer com essa emoção.

—Porque não é o meu ombro amigo que ela quer. – Rebbeca respondeu com um simples balançar de ombros seguindo para os fundos.

—-****--

Regina olhava a movimentação do Upper East Side pelas janelas panorâmicas do flat, a taça de vinho pela metade estava segura entre seus dedos enquanto o lábio inferior era prensado entre os dentes com uma força além da necessária. O maço de cigarro jazia jogado no sofá depois da morena abrir e fechar a caixa diversas vezes.

Era demais para ela suportar sozinha. Nos dias que se seguiram após a audiência de Henry, a conversa que tivera com Ariel, Regina se viu envolvida em reuniões e mais reuniões sobre o futuro das empresas e escritórios Mills. Após centenas de deliberações, auditorias e demissões, parecia que as coisas estavam tomando o rumo certo. Rebbeca assumiu o controle das empresas com uma participação menor de Regina e contaria com o auxílio de Anna que havia se formado em Administração e se mudaria de sua cidade para ajudá-las e a Mills mais nova estava completamente grata por poder empregar alguém em quem poderia confiar.

Os escritórios de Advocacia eram outro problema. A morena não queria continuar na carreira, mas a mais pura verdade era que seu nome era quem fechava os grandes contratos. Sem Regina, talvez tivessem que fechar o negócio e assim seriam dezenas de empregados demitidos. Havia sido uma escolha difícil para a morena, mas no fim chegaram a um acordo que parecia ser o melhor para todo mundo. O escritório viveria para ver mais um dia sob a direção de um grupo muito competente de Advogados e sob a supervisão de Regina. A morena ajustou os salários e quando o arranjo se solidificasse ela se afastaria de vez.

Outro dilema a ser tratado foram os desvios. Boa parte que Gold e Cora haviam desviado das empresas estavam bloqueados em diversas contas de laranjas e em paraísos fiscais. Nada que pusesse em risco a fortuna deixada por Henry Mills, mas esse dinheiro só seria devolvido às empresas depois de todo processo legal, o que poderia levar algum tempo.

Mas a pior parte de tudo foi encarar a imprensa voraz. Depois que Cora Mills havia sido presa os repórteres seguiam as herdeiras Mills em qualquer lugar que fossem. Regina havia dado uma única entrevista em exclusividade para Ruby em seu escritório esclarecendo os fatos até onde podia abertamente falar para não atrapalhar as futuras investigações, garantindo uma promoção e um aumento de salário para a garota. O nome Mills perduraria um tempo ainda na mídia antes dos abutres acharem outra fonte de matérias sensacionalistas para abastecerem seus meios de fofoca.

Mas tudo isso havia sido superado, e ainda assim parecia muito difícil para alguém aguentar. Parada naquela sala imensa, sozinha, Regina se sentia sufocada. Abriu uma das janelas para deixar o ar entrar, mas o vento cortante só fez seu cabelo balançar desengonçado, provavelmente enchendo suas bochechas com riscos do batom vinho que cobra seus lábios.

Fechou a janela novamente abafando não só o vento, mas também a cacofonia de buzinas que soavam abaixo. O vinho em suas mãos já não tinha mais tanta graça e as paredes pareciam se fechar cada segundo mais. Apertava a taça em sua mão com tanta força que a quebrou. Vinho se misturava com o sangue que saía dos cortes feitos pelo vidro. Mas o que era aquele sangue comparado ao coração de Regina que parecia não parar de sangrar nunca mais? Com um grito jogou o resto da taça longe.

Ela odiava aquele apartamento, cada lembrança que tinha dali. Para cada canto que olhasse o dedo da mãe estava ali e parecia estar zombando dela. A fúria se instalou em cada poro da mulher que deixou que ela tomasse conta de seus instintos que precisavam ser extravazados. Ignorando a dor na mão Regina tomou o vaso na mesa de centro e o espatifou na parede gostando da sensação de ver a porcelana se espatifando, girou sobre os calcanhares olhando ao redor e decidiu que nada seria poupado nesse ataque ao apartamento.

O que a morena colocava a mão ela arremessava nas paredes e em alguns minutos a ampla sala acoplada na cozinha de decoração no melhor do estilo americano estavam basicamente destruídas. Enquanto seu coração ainda esmurrava no peito e os gritos ardiam em sua garganta os quadros eram arrancados das paredes.

—-**--

Emma havia entrado no condomínio com a ordem de Rebbeca, as chaves do flat jaziam em sua mão enquanto o elevador tomava o caminho para a cobertura. Swan queria ligar antes para Regina, mas a ruiva garantiu que a irmã diria que tudo estava bem o que era certo que não estava. A loira não sabia muito bem o que estava fazendo, mas tinha desistido de ensaiar qualquer desculpa para dizer desde o momento em que pusera os pés naquele arranha céu. Ela estava preocupada com Regina, com saudades de Regina, e por que não com vontade de beijar Regina?

O átrio entre a porta da frente e o elevador por si só era intimidador e Emma poderia jurar que era maior que seu apartamento inteirinho. Plantas, espelhos e obras de arte faziam parte da decoração deslumbrante. Porém tudo perdera o foco quando Emma ouviu o grito que vinha do interior acompanhado de outros barulhos que ela não conseguia identificar devido ao fato de que seus ouvidos pareciam repetir aquele som que parecia vir da mais profunda dor.

Sem mais se demorar e com as mãos tremendo colocou as chaves na fechadura temendo o que poderia encontrar ali dentro ao mesmo tempo em que precisava mais que tudo ver Regina. Assim que conseguiu fazer a fechadura se abrir, Emma sem qualquer cerimônia escancarou a porta pesada de madeira nobre só para ficar chocada com a visão que se abria diante de si. Falar que um furacão passou por ali era um tremendo eufemismo, tudo parecia estar quebrado no chão. Espelhos rachados, quadros rasgados e cacos que só poderiam ser de porcelana espalhados para onde quer que Emma olhasse.

E no epicentro da catástrofe, parecendo transtornada, estava Regina.

A morena se virou no menor barulho que Emma possa ter feito, mas que nem se recordava de fato tê-lo feito. Os olhares se cruzaram, castanhos com verdes e foi como se os astros se alinhassem e as estrelas ecoassem a melodia tocada pelo universo. O transtorno começou a dar espaço ao alívio nas orbes cor de chocolate e os pés de Swan forçaram os passos. — Será que eu cheguei a tempo de salvar alguma coisa aqui dentro? – a loura perguntou mirando dentro dos olhos de Regina como se lhe escrutinasse a alma. Um soluço estrangulado foi tudo que a morena deu antes de correr ao encontro de Emma que a pegou no meio do caminho num abraço apertado, desesperado. – Eu estou aqui. – Emma começou a sussurrar como um mantra com os lábios colados aos cabelos da morena que agarrava sua blusa como se a loira pudesse desvanecer por entra seus dedos. – eu estou aqui – repetiu — e não vou a lugar nenhum. — E foi todo o necessário para Regina Mills finalmente desmoronar.

Notas finais
And sometimes I get so scared Of what I can't understand Malibu - Miley Cyrus