Sonhos de uma noite de verão
32 Capitulo 32
Notas iniciais
Narrado pela autora
O dia amanhecera como qualquer outro dia, alheio a qualquer problema particular de alguém. Emma estava sentada na beirada da cama de Henry fazia duas horas, observando como seu peito subia e descia num ritmo calmo, sem aparelhos ligados a ele, sem tubos presos ao seu corpo. Ter seu filho em casa era como um sonho do qual ela não queria acordar. A pele ainda pálida contrastava com seus cabelos castanhos espalhados pelo rosto. Ninguém sabia explicar como eles não tinham caído com tratamento.
Ela não se mexia com medo de acordá-lo desse mundo de paz que ele estava desfrutando. Ela não queria que ele visse o desespero estampado em seus olhos, o medo de perdê-lo para sempre. Emma estremeceu em seu lugar e respirou forte.
Regina havia compartilhado com ela suas pesquisas e seu plano de defesa repetidas vezes, compartilhara ainda o que ela chamou de ultimo caso. Ou seja, caso elas perdessem. Não que Bex concordasse com isso, mas Ruby intercedeu pela outra morena como se nesse caso ela fosse a juíza e batesse o martelo final, todos deveriam confiar na estratégia de Mills. Emma estava confiando, e não era porque ela não tinha outra opção e sim, porque ela vira a morena trabalhar com tanto afinco que ela não tinha espaço para duvidas.
Regina..., Emma tentava a todo custo não sorrir quando pensava na morena. Ela mesma estabelecera os limites. As coisas haviam mudado e muita água passara debaixo da ponte nestes quase sete anos. Ela passara por muita coisa. Coisas que ela havia atribuído a culpa em quem não tinha qualquer uma. Suspirara. Será que elas ainda estariam juntas? Afinal eram adolescentes. Emma amara, sofrera, tentara odiar e conseguiu. Mas contra sua vontade Regina vinha se instalando nela de novo, antes mesmo que ela soubesse que não deveria odiar a morena.
O jeito que Regina tratava seu filho, como ela tratava sua mãe e seu pai. A forma como ela usou sua energia para ajudar Emma quando descobrira toda a verdade. Como não desistiu de conversar só porque a loira tinha lhe dirigido uma cara feia. O jeito como seu filho parecia confabular com ela e os sorrisos que somente os dois compartilhavam. Swan sacudiu a cabeça para espantar o pensamento e passou a mão pelos cabelos do filho, mas o sorriso, haa o sorriso, esse continuava em seu rosto.
—Você sabe que só levarão esse menino daqui sob o meu cadáver não sabe? – Emma virara a cabeça em direção a Dot que estava encostada no batente da porta e sussurrava baixinho. – Não importa o que qualquer juiz diga.
—Não é assim que funciona você sabe disso. – a loira respondeu se levantando – Eles podem achar que Henry pode ficar melhor, ter mais estabilidade com o pai.
—Pai? Que pai? O homem que te estuprou pagou para o processo sumir e agora quer dar uma de bom moço? Você é o que essa criança precisa. A mãe que o amou mais que tudo. A família que o adora.
—Eu concordo com essa aí, e olha que isso é difícil. – Emma fechava a porta do pequeno quarto dos dois quando Belle apareceu – esse menino é um pedaço nosso e nós não vamos desistir dele.
—Bel você veio. Você não estava numa conferencia ou algo do tipo? – A loira perguntou enquanto abraçava a amiga.
—Eu poderia estar em outro planeta, ainda assim eu estaria aqui. Além do mais, eu adoro qualquer oportunidade de pegar no pé de Regina, não perderia essa. – elas riram baixinho ainda no corredor apertado a caminho da sala quando a porta se abriu.
—Achei todos esses lá em baixo. – Ruby anunciou abrindo a porta para os pais de Emma junto com seu irmão e sua cunhada para que entrassem seguidos no fim por Regina. – Acho que esse apartamento não comporta essa pequena rebelião.
Emma não prestou muita atenção à bagunça ao seu redor, o abraço de seus pais ou de seu irmão. Seus olhos estavam na porta, para a morena que jazia de pé ali como uma escultura. Os cabelos pretos e curtos arrumados com precisão milimétrica, os lábios tingidos de um vinho profundo acentuando aquela pequena cicatriz. O vestido azul Royal de veludo colado ao corpo até a marca da cintura aonde abria em uma saia rodada até os joelhos. O visual era completo por um scarpin preto que conferia a Regina uma altura que não era dela. Se parasse para pensar, ela se vestia como qualquer advogada, e ainda assim parecia como um milhão de dólares. Uma mulher parada a porta, com uma expressão tão envergonhada que lhe dava um ar de menina.
Linda. Era essa a palavra que Emma tentava lembrar e não conseguia. Era como se estivesse vendo a morena pela primeira vez. Para seu crédito, Swan não era a única paralisada. Regina estava de pé na porta porque simplesmente não conseguia se mexer. Ver Emma de vestido, óculos e rabo de cavalo roubou-lhe o fôlego. Tão simples e ao mesmo tempo magnífica. Ela não era capaz de falar, e para sorte de ambas nem precisaram.
—Vocês vão se atrasar. – Belle que checava o relógio disse sem perceber o clima. – Quem vai com Emma?
—Eu vou. – Todos disseram em uníssono.
—Não. – todos olharam para Regina que havia perdido todo o ar de timidez ou desconcerto. – É melhor ficarem. Muita gente no tribunal pode atrapalhar, vocês lembram que da última vez em que todos estavam juntos fomos expulsos do hospital, e além do mais Henry adorará essa festa e Rebbeca trará Robin daqui a pouco, e vocês precisarão de reforços para ficar de olho nessa criança. Ruby? — Mills falou com a mulher que somente acenou recebendo um curto aceno de volta.
Ninguém ousou discutir com Regina e Emma seguiu a morena que já havia saído do apartamento. Elas não trocaram nenhuma palavra enquanto entravam no carro, ou enquanto Regina dirigia concentrada no trânsito. As palavras pareciam desnecessárias. Foi quando a morena achou uma vaga a alguns metros do tribunal que o silencio foi quebrado por Emma.
—Eu quero que saiba que não importa o que aconteça hoje eu sou muito grata pelo que vem fazendo. – Emma disse olhando para Regina, encarando seus olhos fixamente. Ela não estava mentindo. A parte racional dela sabia que a advogada tinha feito tudo que podia, a irracional sabia mais ainda que a mulher a sua frente estava fazendo das tripas coração para defendê-la. – Obrigada por me defender, acreditar em mim, apesar de tudo que aconteceu conosco.
—Eu queria aceitar esses créditos que você esta me dando e pensar que sou essa pessoa que está querendo dizer que sou. – sua voz era tão baixa que Emma fazia esforço para ouvir — Mas a verdade é que eu também estou fazendo isso por mim. Pela Regina que eu sempre quis ser. Que você me mostrou ser possível. – a mulher desviou dos olhos verdes a sua frente por meros segundos para recuperar o fôlego suas pálpebras piscando apressadamente numa tentativa de furtiva de esconder as lágrimas — Quero que saiba que eu não espero nada de você. Não estou fazendo isso para me redimir ou para que possa me perdoar de qualquer coisa... Você estava certa, o que passou, passou, e não sabemos o que poderia ter acontecido. Eu sou uma nova Regina e você uma nova Emma.
—Nós não temos nada para pedir perdão. Talvez pelos últimos dias, por aquelas primeiras palavras, elas sim nós escolhemos dizer, erroneamente magoadas, mas internamente queríamos ferir uma a outra... Mas por nada antes disso. Nós mudamos sim. Mas a Regina que eu conheci está bem na minha frente, a menina com a mulher e eu não poderia estar mais grata. O que te faz diferente daquela época te faz ser você. E nunca é tarde para a gente encontrar nosso caminho para nós mesmos. Nós fazemos nossa história e podemos reescrevê-la da forma que quisermos.
Regina deixou as palavras de Emma invadirem os seus sentidos, inundando-a com um festival de sensações. Emma a estava aceitando como ela era, não somente a menina que um dia ela conheceu, mas a mulher que havia se tornado e ela já havia ganhado seu dia somente por isso. Mas ela ainda tinha algumas batalhas para lutar e ela o faria. Por ela. Por Emma. Por Henry. Então ela estaria livre para viver o que sempre quis, para lutar pelo que sempre sonhou. Sem mais palavras às mulheres deixaram o carro e caminharam lado a lado até o prédio onde ocorreria a audiência.
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_Você esta nos dizendo que Rebbeca, que é irmã da Regina, o que eu ainda não consegui processar corretamente, sonhou com o pai lendo um livro e que esse livro continha algo importante... – Belle narrava os fatos.
_E baseadas nesse sonho as duas voltaram na casa que cresceram para procurar esse livro e o encontram... – David continuava atordoado...
Pensando bem, a história soava bem mais estranha dita assim em voz alta. Sonhos, buscas por livros e descobrimento de um testamento há muito enterrado soava como uma história de Roald Dahl, só resta esperar para que nessa o bem também vença o mal.
_E esse livro continha o testamento de Henry Mills. O verdadeiro. – Ruby terminou a história – basicamente a mãe delas vem mentindo desde que Henry Mills faleceu, porque ele deixou tudo para elas. As casas, as empresas, o escritório de Advocacia. Ela estaria na administração dos bens até cada uma delas completar a maioridade.
_E como isso ajudaria Emma? – A cunhada da loira expressou o que todos gostariam de perguntar.
_Tecnicamente não ajudaria, mas Bex queria usar isso como uma chantagem com a mãe, tipo, você desiste do processo e nós negociamos os termos do testamento. – Ruby explicou o que as quatro haviam exaustivamente conversado nos dias anteriores.
_E por que não fizeram isso?
—Regina queria usar isso somente como ultimo recurso, porque essa chantagem não garantiria que eles não fossem tentar tirar Henry de Emma, ela queria ter a garantia que a guarda e tudo mais pertencesse a Emma antes de usar isso. – Ruby explicou o que a morena ficou horas para convencer a irmã.
—Faz sentido porque depois que aquela cobra tivesse dinheiro não teria nada mais que as duas pudessem fazer para que ela cumprisse a promessa, ela não é uma pessoa que joga limpo. Até que Regina não brinca mesmo em serviço. – Belle admitiu a contragosto.
—Mas como ela fará isso Ruby? – David perguntou aflito.
—Isso vocês vão ter que aguardar. – O sorriso de Ruby se tornou algo alarmante, como se ela soubesse de algo que ninguém mais sabia.
—Por que o segredo minha filha? – Mary perguntou aflita.
—Porque Regina, contra tudo que eu sempre pensei, não quer dar esperanças a ninguém, e depois ter que matar essa esperança, principalmente com Emma. Não está somente nas mãos dela.
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Emma nunca esteve em tribunal antes. Mas sendo bem sincera, parecia bastante com a redação do New York Times. Primeiro ele era cheio de pessoas transitando sem parar, depois, todas essas pessoas falavam ao mesmo tempo. Pouco se entendia do que estava acontecendo, mas as coisas seguiam seu curso e poucas pessoas pareciam impressionadas com a agitação.
As diferenças começavam na estrutura. Enquanto a redação do jornal tentava esconder a estrutura velha do prédio com equipamentos modernos e uma decoração requintada e um tanto quanto descolada, o grande saguão do tribunal gritava a coisa antiga, séculos e história. As paredes pintadas num tom de bege contrastavam com a madeira escura das estruturas. As poltronas acolchoadas com veludo vermelho lembravam muitas cenas de filme.
Os quadros espalhados retratavam pessoas importantes que há muito já se foram e as esculturas eram assinadas por artistas famosos. Emma poderia passar horas admirando as belezas históricas que permeavam cada lugar, cada canto ou corredor, mas à medida que avançavam o nervosismo tomava conta de cada célula do seu corpo.
Regina caminhava confiante ao seu lado, os saltos ecoando no piso pareciam bater na mesma batida do coração de Emma. Uma sintonia estranha, mas ainda assim uma sintonia, e com isso a loira tentava se acalmar. Elas possuíam uma carta na manga, ela sabia disso, mas se usasse isso ao seu favor, se fizesse chantagem, quão diferente ela seria de Cora? Ela precisava ter Henry pelo fato de ser sua mãe. Por nunca ter desistido dele. Por amá-lo com cada fibra do seu ser. E esperava poder fazer o juiz saber disso.
Respirando fundo levantou a cabeça para mirar aquele corredor que parecia ser o último e que parecia não ter fim. Quanto mais a loira andava, mais distante a porta parecia dela, um carma ou simplesmente sua mente lhe pregando uma terrível peça. Ela já podia ver as testemunhas que Regina chamara. A diretora da escola de Henry, uma enfermeira do hospital, a pediatra que o atende desde a descoberta da doença e sua ex chefe e redatora do NY Times. Regina as chamara de testemunhas de conduta, estavam ali para atestar o quão amorosa Emma sempre fora com seu filho.
Era muito surreal a situação, fato é que toda mãe minimamente zelosa, principalmente as de primeira viagem, se perguntam ao menos uma vez na vida se estão fazendo tudo certo, se a maternidade é aquilo mesmo, ou se ela está sendo boa mãe. Criar filhos não é como fazer um bolo, você tem a receita e a executa, há muitas variáveis a se considerar. A única regra unânime nesse sentido é que qualquer mãe, mesmo que faça isso consigo mesma diariamente, não gosta de ter suas atitudes questionadas por terceiro. Emma Swan não era exceção.
Para completar a loira seria questionada pelo homem que povoou seus pesadelos durante anos. Mas ela deveria manter a calma. Regina a pedira isso diversas vezes, não importa o que ouça. Não importa o digam. Mantenha a calma. Ela iria tentar. Deus, como ela iria tentar. Entre a caminhada e ser chamada para entrar na sala Swan lembra-se de alguns borrões. Regina lhe pedindo mais uma vez para ficar calma. Regina apertando seu braço quando Cora entrou no corredor seguida dos outros. Ela queria muito ficar calma, mas ela mal sabia como respirar.
Narrado por Regina
Eu sentia Emma tremer do meu lado enquanto caminhávamos pelos corredores do tribunal, sua cabeça virava de um lado para o outro absorvendo os detalhes, mas eu sabia que ela não os registrava. Meus saltos ecoavam pelo salão, entretanto eram abafados pelas conversas aleatórias de quem transitava apressado por ali. E espero sinceramente que os ruídos do meu coração estejam sendo abafados também, da mesma maneira que consegui esconder minhas olheiras escuras com uma boa camada de maquiagem.
Apesar da pose serena minha mente parece um emaranhado de fios soltos em pleno curto circuito. Eu não tenho dúvidas que qualquer juiz com o mínimo de senso jamais entregaria a guarda de uma criança para uma pessoa que sequer conhecia o filho, e nem fizera questão de conhecer. Mas infelizmente eu sei que cada um tem seu preço e só posso esperar que a integridade do magistrado não esteja à venda.
Emma não parecia perceber que tremia levemente sentada ao meu lado. Aliás, duvido que perceberia uma banda de macacos vestidos de bailarina tocando bumbos se por ali passassem. Ninguém pode culpá-la, não sei o que faria no lugar dela e admiro como ela está conseguindo agüentar sem surtar. Sinceramente eu só queria abraçá-la, apertar seu corpo em meu peito e dizer que tudo ficará bem, que ela não precisa se preocupar.
Eu não havia mentido quando disse que não esperava nada dela com o meu trabalho, racionalmente eu sei que não espero e irei respeitar sua decisão seja ela qual for daqui pra frente, mas eu não posso negar que uma parte do meu coração, aquela tola e ingênua, espera ansiosamente recuperar seu amor, sua afeição, o brilho dos olhos que um dia foi dirigido somente a mim.
E essa parte é maior do que eu posso controlar.
Com tudo que está prestes a acontecer no dia de hoje a imagem dos seus olhos brilhando é a que povoa a minha mente. A vontade desesperada de segurá-la em meus braços é o que mais me acomete. Mas eu apenas toco seu braço, a mensagem é clara. Eu estou aqui com você. Não se assuste. Fique calma. Não tenho certeza se a mensagem é só para ela, mas a sinto relaxar um pouco e consequentemente eu relaxo também. Quando seu nome foi anunciado no pregão eu me levantei a chamando sem direcionar qualquer olhar a minha mãe que nos fuzilava há poucos metros de distância.
Narrado pela autora
A sala de audiência também parecia como um filme, com a bancada mais alta ocupada pelo promotor ao lado direito e um serventuário do juízo ao lado esquerdo de frente para um computador. As partes tomavam seu lugar designado ficando de pé assim que o juiz entrara e tomara seu posto no centro sentando e sinalizando para que todos o fizessem.
O jogo estava prestes a começar.
_Bom dia a todos. Estamos aqui hoje para resolver a situação da Guarda de Henry David Swan, menor impúbere, representado por sua genitora a senhora Emma Swan, hoje também Ré desse presente processo. Alegam os requerentes que a senhora Swan não pode promover o sustento necessário ao menor, bem como não fornece um lar adequado para uma criança de sua idade. Vejo que a Senhorita Mills, que hoje chamarei somente por Regina, apresentou contestação, encerrando assim a chance de alguma composição amigável entre as partes. Passemos então a instrução. Vamos ouvir as testemunhas. Senhora Mills, por favor, chame a sua primeira testemunha.
_Mulan Wu, excelência. – O serventuário levantou e voltou com a testemunha. A mulher, de origem oriental adentrou a sala sob o olhar de todos os presentes. As roupas que pouco deixava a imaginação e o chiclete mascado de forma desleixada entre os dentes e os lábios debochados.
_Senhorita Wu, antes de começarmos com as perguntas, gentileza jogar a goma de mascar fora. – a mulher jogou o chiclete na lixeira a contragosto antes de sentar-se – Os advogados lhe farão perguntas e se souber a senhora pode responder da mesma forma que pode escolher não responder. Quero lembrar-lhe que está aqui na condição de testemunha e deve falar a verdade sob pena de ser acusada de crime de falso testemunho. Sra Mills, pode começar. – Cora levantou-se da cadeira e seguir para perto da moça que batia as unhas pintadas de preto preguiçosamente pelo balcão.
_Senhorita Wu, você conhece a senhorita Swan?
_E como. – disse em ar de deboche olhando para a loira que arqueava as sobrancelhas para a mulher morena que nunca viu na vida.
_De onde a conhece, poderia nos dizer?
_Ora, nós fomos parceiras por muito tempo. Nos conhecemos da vida.
_Que vida? Pode ser mais específica?
_Baladas, bebedeiras, bares, motéis, transas gostosas dentro do carro. A Emma sempre gostou dessa vida. Saía todas as noites e ficava comigo. Eu não era a única. Ela passava o rodo geral nas gatas, ela é muito boa de cama...
_Você não precisa entrar em mais detalhes senhorita. – cortou o juiz, a pergunta foi satisfeita Senhora Mills? A mulher assentiu com a cabeça sorrindo maliciosamente para a filha ao dirigir-se ao seu lugar – Regina?
_Senhorita Wu, — a morena disse levantando – poderia nos dizer há quanto tempo não sai mais com Swan?
_Ha, tem pouco tempo. Ela me largou.
_Quanto tempo?
_Não sei direito.
_Mais ou menos. – Insistiu Regina.
_Uns dois meses.
_Dois meses, certo. Poderia me dizer os lugares em que sem encontravam?
_Dona, eu não lembro dessas coisas. Boates, bares, você sabe como são essas coisas.
_E quais eram os dias e os horários que saíam?
_Todos os dias, por volta das 23 horas.
_E isso vinha acontecendo até dois meses atrás?
_Foi o que eu disse! Não foi?
_Senhorita limite-se a responder o que lhe foi perguntado. – Interveio o juiz.
_Sim. Dois meses.
_A senhorita conhece Rebbeca Mader?
_Não sei quem é.
_Dona do estabelecimento que a Senhorita Swan trabalha no turno da noite, eu gostaria de juntar aos autos os contracheques sem qualquer tipo de desconto por falta ao trabalho por mais de quatro meses. Sem mais.
Senhorita Mulan foi à primeira das três garotas que insistiam em dizer que Emma era sua amante fervorosa, que saía todos os dias e deixava o filho em casa, ou que o levava para os encontros em bares e discotecas. Mas não sabiam responder como que a segurança desses locais deixavam crianças entrar.
Apesar do desconforto de Emma, Regina não se preocupou com o depoimento de nenhuma dessas mulheres, afinal elas mesmas se contradiziam deixando o trabalho fácil para a advogada de Emma. A Mills mais nova podia ver a irritação da mãe, provavelmente essas mulheres eram garotas de programa contratadas por Gold, e não estavam fazendo um bom trabalho.
As únicas testemunhas que realmente possuíam alguma relevância eram as enfermeiras que reconheceram os laudos por elas assinados nas três vezes que Emma dera entrada no hospital em coma alcoólico. Isso ocorrera há seis anos e pegou Regina desprevenida. Foi à única vez que, até então, promotor e Juiz trocaram olhares. A morena manteve-se silente, contra fatos não há argumentos. Como Cora possuía acesso a essas coisas, ela já podia imaginar.
As testemunhas de defesa foram chamadas à sala, primeiro a diretora da escola que exaltou Emma em todas as suas qualidades trazendo inclusive trabalhos do próprio Henry. Respondeu às perguntas de Cora com coerência e exatidão. O mesmo ocorreu com a ex chefe de Swan, que ao ser questionada do porque da demissão da loira da redação do jornal, informara que a decisão viera da diretoria geral, mas que os boatos que correram entre os demais funcionários é que se não o fizessem, o patrocínio vindo das empresas Mills seria cortado, mas como ela dissera, tais fatos eram os boatos alimentados pelos colaboradores aos sussurros pelos corredores.
Boato ou não, Regina sorriu para mulher que lhe sorriu de volta ao sair. Ela fizera um bom trabalho.
Foi seguida pelas outras testemunhas. A médica de Henry informara que até Swan ser demitida do jornal e começar a trabalhar no turno noturno eram ela quem passava a noite inteira com o filho e que as câmeras de segurança poderiam provar.
Com o passar do tempo Regina foi ficando nervosa, checando o celular constantemente. Nada de Rebbeca ou de Ruby. Sua principal testemunha só podia ter desistido. A morena já se recriminava por ter dado ouvidos aquela mulher aparentemente louca que lhe havia procurado perguntando o que queria com Detetive Esposito e dizendo que tinha todas as provas do caso de estupro de Swan. De fato ela possuía cada uma das provas, ainda lacradas, mas nada garantia que ela iria aparecer e jogar na lama o nome do seu antigo chefe. Recriminava-se ainda mais por ter criado esperanças que mesmo podadas se enraizaram no seu coração.
_Há mais alguma testemunha a ser ouvida? – O Juiz questiona a morena que apreensivamente checara o celular mais uma vez suspirando derrotada.
_Excelência, eu tenho mais uma, poderíamos aguardar, pois ela está um pouco atrasada? — Regina pediu na esperança de que a mulher aparecesse.
_Infelizmente Regina, não é viável. A justiça trabalha com seriedade e atrasos não são permitidos. Não posso lhe oferecer regalias se não o fizer também a outra parte. Passemos para as alegações finais. – Regina voltou a sentar-se em sua cadeira lançando um olhar de apoio a Emma, mas conseguiu ver o sorriso de escárnio de sua mãe. – Senhora Mills, a palavra é da senhora.
_Excelentíssimo Juiz, o exame de DNA realizado a pedido desse juízo deixou claro a paternidade do menor, não restando dúvidas que Henry é filho de Neal. Ademais, restou evidente que a Senhorita Swan não pode permanecer com a guarda dessa criança. As testemunhas trazidas pelo autor da ação demonstraram o tipo de vida que ela leva bem como o tipo de gente com a qual ela se mistura. Ela não tem escrúpulos. Não tem emprego descente e o que deve ganhar não sustenta todos os gastos que uma criança necessita. Neal é um homem de bem, íntegro, que casará com uma mulher direita e dará a Henry um lar que ele merece, sem promiscuidades e coisas afins que sua mãe sapatão, com o perdão da palavra, lhe proporciona. Não fica dúvidas que o menino é doente pelo estilo de vida que sua mãe irresponsáv...
Emma que até então vinha repetindo o mantra de Regina em sua mente, fique calma, fique calma, fique calma, não agüentou. Ser chamada de vulgar, prostituta, promíscua, sapatão e afins ela podia aceitar, mas ela não iria admitir esse tipo de coisa. Que se dane o juiz a sua frente, que se dane a mão de Regina em seu braço pedindo paciência, aquela mulher iria conhecer Emma Swan. A loira que havia levantado de repente não causou tanto espanto quanto a porta da sala de audiência que fora aberta abruptamente.
_Mas o que está.... – O juiz fora interrompido pelos policiais que entraram fardados.
_Nos desculpe Excelência, mas estamos com mandado de prisão para Neal Cassidy por estupro, omissão de socorro e falsificação de documentos e para o Senhor Gold por falsificação, suborno e por atrapalhar as investigações de um crime – o homem levou às mãos do juiz o mandado assinado por seu colega de profissão – mas podemos esperar a oficial prestar seu depoimento, ela está listada como testemunha.
_Excelência, meu nome é Verônica, sou oficial da NYPD, e sou testemunha de defesa e a responsável pelas prisões. Desculpe- me pelo atraso, mas eu gostaria de depor a favor de Emma Swan.
_Mas isso é um disparate. – Ralhou Cora – Isso não pode acontecer! A justiça virou circo. Tudo isso é uma palhaçada, Excelência eu quero ver esses papéis, meus clientes processarão a NYPD por calúnia.
_Quem diz o que pode ou não acontecer dentro dessa sala sou eu Senhora Mills. E eu digo que ouviremos a Oficial Verônica. Se quiser defender seus clientes contra essas acusações, sugiro que vá ao juízo competente para tal. E peço aos policiais que algemem os dois, mas aguardem o meu sinal para saírem. – Os policiais imediatamente levantaram os dois homens e puseram às algemas em seus pulsos sob seus protestos, Neal olhava desesperado para o pai que em contrapartida olhava em desespero para Cora. – Pode começar Oficial.
_Há aproximadamente cinco anos eu ainda era assistente na delegacia quando surgiu uma ocorrência na NYU. Uma garota havia sido atacada por alguém. Detetive Esposito juntamente com outro policial foi ao local, mas a garota já havia recebido atendimento médico, por isso encontrava-se no hospital. – a mulher respirara fundo — Conforme os laudos da médica que eu copiei e estão aqui comigo foi colhido material genético na vagina da Senhorita Swan que mais tarde teve confirmação de DNA. As digitais também tiveram confirmação. Cassidy. O senhor sabe, Harvard mantém um registro das digitais de seus alunos e o DNA dele estava nos registros da polícia por denuncias alheias a essa, mas também já arquivadas. Detetive Esposito estava muito feliz com o fim do caso, e com a justiça sendo feita. – Veronica Olhou para o juiz – Proteger e servir é o nosso lema, e não conseguimos proteger Swan, mas faríamos o nosso papel de servi-la com a justiça sendo feita. Realmente um caso a se comemorar. – A mulher passou olhar para a direção de Cora — Uma semana depois ele me pediu para sumir com tudo relacionado ao caso. Eu havia ficado sem entender mesmo tendo escutado a discussão com o sargento da época. Mas eu não fui capaz, picotei outros papéis, destruí outra caixa e quebrei lâminas que não eram deste caso. – seus olhos baixaram para suas mãos — Eu também tenho culpa nisso. Por conta do medo de perder meu emprego ou jamais conseguir carreira na policia fiquei quieta por muitos anos, mas ao ver a senhorita Mills na delegacia, ao perceber a semelhança com sua mãe que estivera lá anteriormente com aquele senhor – Apontara para Gold — ao vê-la bater a porta da sala do Detetive Esposito com um ódio que eu conheço muito bem, eu sabia. Talvez essa fosse minha chance de me redimir. Ao procurá-la descobri que aquele homem estava tentando tomar o filho de uma mulher que foi estuprada, teve seu direto de justiça tomado por pessoas corruptas e assumiu uma criança que podia simplesmente ter tirado, então eu não poderia continuar calada. – tomou fôlego novamente – O Sargento, que se aposentou depois desse caso, acabou de ser preso em sua cabana, detetive Esposito já está sob custódia e eu também responderei a processo, mas eu precisava fazer isso. Por Emma. Por Henry. E por todas as mulheres que nunca puderam falar. Henry David Swan é fruto de um estupro cometido por esse covarde. Eu não sei quais são suas reais intenções com essa guarda, mas sei que não é o bem estar da criança. Eu não conheço Emma, mas acredito que sob todas as circunstancias a qual foi submetida, ela seja uma mãe excepcional. Consta também no processo criminal Excelência, as quantias transferidas para o suborno, caso o senhor queira averiguar.
Swan que chorava silenciosamente na cadeira que já havia sentado novamente olhou para Regina que lhe devolveu um sorriso tímido de canto de lábios e um encolher de ombros. Então era nisso que a morena tanto trabalhava, Emma pensava com o coração a mil. Não só a guarda de Henry, mas ela estava fazendo a justiça acontecer mesmo depois de tantos anos. A loira queria abraçá-la até seus braços ficarem dormentes, porque acima de tudo, Regina estava tentando curar cada canto de sua alma.
_Senhores, devido às circunstâncias, o representante da Promotoria já me informou que não tem nada a declarar aos presentes, porém pugna pelo indeferimento do pedido contido na inicial. Pois bem, me sinto capaz de proferir minha sentença nesse exato momento. Os autores pugnaram pela guarda do menor de nome Henry David Swan, alegando que sua genitora não possuí condições de sozinha promover seu sustento, bem como não oferece a ele um lar estável e digno de uma criança. Esse é o breve relatório necessário. Pois bem, as três primeiras testemunhas de acusação trazidas a essa instrução trouxeram testemunhos inconsistentes entre si que foram devidamente rechaçados pelas outras pessoas ouvidas. Ressalto ainda que o que Swan faz na intimidade da sua vida sexual não a torna mais digna ou indigna de algo e que não prospera qualquer argumento que Henry participe dessas atividades até porque em algum momento isso seria relatado às autoridades o que não é o caso. Além do mais a orientação sexual de alguém não é indicativo de nada perante este tribunal, por isso não serve de argumento. As duas últimas testemunhas trouxeram aos autos fatos verdadeiros, provados por documentos oficiais, porém, vale ressaltar que todos eles são anteriores ao nascimento da criança, oportunidade que Swan contava com a idade de dezessete anos. Ou seja, era uma adolescente como qualquer outra, vivenciando os primeiros anos de sua faculdade e desfrutando de sua juventude. Juventude essa que foi interrompida pelo Sr. Cassidy. Neal ainda passará pelas iras do Direito Penal e receberá a chance de responder ao processo que não é de minha competência antes de ser condenado por nós e jogado no rol dos culpados. Mas tais circunstâncias que de forma abrupta me foram apresentadas nesse tribunal só podem me fazer concluir que; Emma Swan, contra todas as probabilidades, assumiu uma criança que ela não tinha obrigação de assumir e que inclusive o Direito lhe garante a chance de rejeitar, mas que ela teve. Não sei o porquê e não entrarei nesse mérito. E diante de tudo que me foi apresentado, e como pai devotado e apaixonado de dois filhos, acredito que tenha sido pelo amor. E contra o amor não há argumentos. Ela fez uma escolha e assumiu todos os riscos dela. E de novo a vida não lhe deu a chance de ser plenamente feliz. Henry sofre de uma grave leucemia. E mais uma vez Swan lutou com todas suas forças e vem lutando, mesmo depois que o Estado lhe virou as costas. Mas o Judiciário não lhe virará. Por isso Julgo improcedente o pedido constante na inicial, mantendo a guarda do menor com sua mãe Emma Swan quem exercerá todo o pátrio poder do menor, e quem por total e livre direito, poderá escolher se atribui a paternidade consangüínea de Henry ao Requerente. Esta é a sentença. Feito sanado. Processo extinto com o julgamento do mérito. Podem levar os dois.
O som do martelo batendo na mesa de madeira foi tudo o que Emma precisava para cair em um pranto soluçado.
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