Sonhos Ou Pesadelos?

1 Lagrimas lançadas


“Eu já estava cansada de ir nesse evento pra poder ver ela. Era torturante só poder ver ela, não poder toca-la, abraça-la, demonstrar carinho. Queria poder pegar ele e fugir pra bem longe de tudo isso, mas eu sabia que poderia ser perigoso. É só que eu a quero tanto perto de mim”...

Estava num hotel em algum lugar da argentina. Era um evento que eu não sabia exatamente sobre o que era, parecia ser alguma coisa beneficente ou algo assim. Terminava de vestir o vestido que minha mãe comprou, era preto e me deixava com aparência de ser um pouco mais velha. Foi quando ela entrou no quarto ligando as luzes já que era noite e eu só tinha deixado ligado a luz de um pequeno abajur em uma das extremidades do quarto, depois de feito isso ela finalmente olhou para mim.

-querida você esta tão linda- o sorriso que ela tinha no rosto sumiu por um tempo, então ela tentou fazer uma voz amigável- não acredito que você esta chorando de novo. Quando você vai aprender a viver com isso minha filha?

Não tinha percebido que lagrimas escorriam pelo meu rosto ate aquele momento.

- e eu não acredito que você acha que minha dor vai sumir tão facilmente. E eu não vou conseguir viver sem ela mãe! Você nunca vai entender isso por que você nunca passou por isso!

-você sabe que era o certo. E o destino não estava ao seu favor. Você só tem 19 anos, vai consegui a superar isso. Agora ajeite sua maquiagem e vamos descer ok?

- minha vida é tão ruim quanto à de um viciado- disse mais para eu mesma enquanto estava na frente do espelho refazendo a maquiagem, mas ela ouviu.

-não seja tão dramática aurora.

Não queria continuar a discutir e acabar brigando com ela novamente, então permaneço calada. Quando terminei descemos e fomos para o salão de comemorações do hotel. Ele tinha uma característica anos 20, estava repleto de mesas onde os garçons passavam de uma em uma oferecendo drinks variados e alguns petiscos nativos do país. E no palco que ficava logo a frente ocorreriam algumas apresentações.

Assim que eu entrei comecei a procurar por ela rezando para que ela não estivesse trancada no quarto, mas no fundo eu sabia que eles não fariam isso, ela era o “xodó”, amuleto ou sei lá o que deles. Mas logo minha mãe percebeu então começou a me puxar para uma das mesas perto do palco. Foi ai que eu a achei umas duas mesas a minha direita.

-você sabe que não pode ir ate ela, se não você sabe o que ocorrerá- minha mãe sussurrou para mim.

-você não precisa dizer isso toda vez que eu a vejo. — disse pegando uma das bebidas que estava na bandeja do garçom.

- Às vezes acho que sim. E não comece a beber tão rápido, não quero ver você sendo carregada para o quarto novamente.

-não vai ocorrer uma guerra por isso- disse depois de beber alguns goles e depois sentir o caminho percorrido pelo álcool começar uma leve queimação boa.

- só, por favor, não comece a enlouquecer. Olhei a sua volta, veja quanto rapazes estão te admirando.

-é assim que você tentar resolver minhas tristezas- disse olhos a minha volta percebendo que ela tinha razão sobre os “admiradores”.

Permanece ali tentando ser gentil. Antes do jantar meu pai chegou depois de se reunir com alguns sócios dele que estavam lá, assim que ele sentou-se ao lado da minha mãe, se ela precisar falar algo ele viu que aquela situação de não poder ir ate a aquela mesa e fazer o que eu planejava erra torturando para mim. Depois do jantar e de algumas taças a mais ou a menos meu pai tirou minha atenção dos meus pensamentos.

-por que você não vai dar uma volta no jardim minha filha? Vai ser melhor pra você do que ficar aqui.

Sem questionar fui para o jardim.

O jardim era recoberto com vários tipos de flores e algumas árvores de pequeno porte. Ao centro tinha a estatua de uma mulher com um sorriso tímido com a mão estendida como se quisesse que a segurasse. Não sei exatamente quanto tempo passei olhando aquela estatua. Mas foi tempo suficiente para eu percebe que mesmo que fosse quase discreto ela tinha um olhar triste, como se parte dela tivesse sido perdida.

Levei um susto quando alguém tocou meu ombro. Quando virei vi quem era então me tranquilizei.

-olá Roger, não sabia que você estava aqui.

-oi aurora, vi você saindo então vim atrás, mas se eu estiver te incomodando eu saio.

-não, esta tudo bem.

- faz tempo que agente não conversar né?Desde o dia... — ele pausou como se estivesse escolhendo as palavras, mas eu adiantei.

-desde o dia que eles levaram ela de mim. Como ela esta?

-você não esta com raiva de mim? Você sabe que depois que o clima esquentou meus pais acharam melhor eu ir passar um tempo com meus tios ingleses

-é claro que não. Você não tem nada haver com o que aconteceu.

-às vezes me sinto um tolo- ele murmurou pra se – mas enfim. Ela esta bem. A cada dia cresce e fica linda e parecida como a mãe, mas com os olhos do pai. E às vezes acho que também ela tem um pouco do temperamento dele também, coitado do que se meter no caminho dela. — ele riu, acabando por fazer eu também rir.

-ela é tão linda e tão pequena. Não sei por que ficam fazendo ela se cansar vindo a essas coisas. – na verdade eu os odiava com todas as minhas forças.

-mas se eles não fizessem isso você não poderia ver ela. — ele disse tentando me tranquilizar.

Eu já estava cansada daquilo tudo. Sentei no banco que ficava aos pés da estatua frustrada por saber que estava perdendo forças para lutar. Ele sentiu ao seu lado e não disse nada. Era seu amigo e sabia como ela estava se sentido, mesmo depois de tempos separados. Os pais dele faziam e não fazia parte desse jogo, mesmo que o irmão do pai dele fosse minha raiva.

- eu sou jovem, mas já vivi tristezas de uma vida Roger! Eu só queria saber quando o meu tormento vai acabar. – eu já não consegui controlar as lagrimas que tentava levar as minhas tristezas, ele me entregou um lenço, mas era meio que inútil já que eu não conseguia para de chorar- primeiro as famílias entram num conflito silencioso por causa de um negocio que mudaria o rumo de tudo. Depois isso faz com que eu tenho que me afastar de Olavo. Eu fico grávida e tenho que fugir, mas conseguem encontrar agente. Droga de máfia! Pra piorar Olavo sofre um acidente e morre. E depois os pais dele resolvem que ou entregassem Lucy pra eles ou todos morriam. E ninguém me deu escolha, ninguém tentou resolver isso, ninguém pensou em como eu iria me sentir.

-Olavo te amava muito e se Lucy pudesse ficar nem que fossem 10 minutos com você eu tenho certeza que ela iria te amar incondicionalmente.

- sabe Roger. A cada dia que eu passo sem o Olavo e sem Lucy é como se parte de mim morresse. Minha vida esta em ruínas.

-tenha calma um dia tudo isso vai mudar. — então ele entregou um colar daqueles que colocar pequenas fotografias.- um modo de ficarem perto de você

Abri o colar e vi que de um lado tinha a foto de Olavo, lembro que foi tirada na ultima primavera que passamos junto. Do outro lado tinha a foto de Lucy, ela parecia esta feliz.

-ela vai fazer três anos mês que vem- ela disse olhando para a foto.

Então eu tirei o meu colar preferido que estava usando e colocou o das fotos. O colar com uma pequena pedra de rubis entregou para Roger.

-quero que você dê a ela no momento certo.

-e como vou saber que é?

-você saberá eu sei disso.

Então ficamos um tempo sem falar nada e depois voltamos para o salão. Algumas horas se passaram, a comemoração acabou e então fui para meu quarto. Tinha tomado mais algumas taças que me deixaram meio tonta, me banhei, vesti-me e fui dormir.

Não sei quantas horas dormir, mas sei que fui acordada com um bater frenético na porta. Ainda atordoada por esta meio acordada meio dormindo abri a porta. Minha mãe entra frenética no quarto indo logo revirando as coisas, seguida pelo meu pai.

-Onde esta Lucy Aurora?- perguntou meu pai

-Como assim onde esta Lucy? Ate onde eu sei ela esta com aqueles diabos!

-Tem certeza que você não fez nenhuma besteira?- ele falou de forma dura comigo

-É claro que eu tenho. — então minha ficha caiu. – ai meu deus! Cadê minha filha pai?

-Ninguém sabe. Ela foi sequestrada. — falou minha mãe

- o que?- eu senti minhas pernas ficarem fraca, então senti meu pai me segurando- não pode ser. Não minha filha, não Lucy! Eu sabia que se deixasse ela com aqueles monstros algo de ruim iria acontecer!

- Acalme-se filha. — ele voltou ao tom de pai preocupado. — todos estão procurando por ela, sabemos que não saíram do hotel.

-Não me manda ficar calma se fosse eu que tivesse sido sequestrada você não ficaria calmo.

-Olha querida fique aqui no quarto que eu e seu pai vamos volta a procurar por ela .- então eles saíram.

Mas eu não perdi tempo troque de roupa e comecei a ir de um lado a outro do prédio procurando por ela, em momentos achei que tinha me perdido. Por todos os lados te gente armada procurando ela. Parei enfrente ao escritório do hotel a porta estava entre aberta então deu para escutar a conversa.

-Eu disse a você que deveria ter deixado à garota ficar com ela. Agente mandava as duas pra longe e ninguém iria se machucar. –eu conhecia aquela voz grossa, era o senhor Harsonni o pai de Olavo. Ele estava bravo, e pelo barulho que veio em seguida acho que ele tinha dado um soco na mesa- Só por que você perdeu um filho você acha que tem o direito de levar a filha deles. E o pior é que eu concordei com tudo isso, só pra satisfazer os seus caprichos de mãe arrependida.

-Você só sabe gritar comigo sem motivo! Aquela infeliz estava tirando o nosso filho da gente e você fica com raiva de mim? Que tipo de pai e marido você é afinal?- era a senhora Harsonni, desde o primeiro dia que nos virmos que eu sabia que ela não gostava de mim.

-Você sabe muito bem que se você não tivesse estragado tudo Olavo estaria aqui conosco, trabalhando comigo. Você sabe muito bem que o plano era que se ele continuasse agente mandaria ele para exterior no mesmo instante que ela acharia que ele tinha desistido dela e ele a esqueceria.

-Acho que do jeito que você mimava ele não iria acontecer!

-Você sabe que ele era o melhor de todos.

-é tudo culpa sua! Você o deixou saber disso então ele achou que podia fazer o que bem entendesse.

-Pare de fingir. Nós dois sabemos que foi você que o matou. Que era você no carro e tu nem o ajudou, deixou o próprio filho agonizando na estrada sua vadia. — ele falou baixo, mas a voz dele era cortando e a informação me deixou zonza.

-Não me chame assim!- parecia que ela estava preste a chorar.

-Mas você queria o pai de Aurora. Eu não quero continuar isso.

Então essa foi minha deixa para sair dali. Estava realmente assustada com tudo que tinha escutado, mas minha prioridade naquele momento era achar minha filha. E sumir daquele lugar.

Fiquei mais um tempo rodando pelo hotel. Ate que fui para a recepção. Tinha algumas pessoas trocando informações. Encontrei minha mãe e meu pai, ele segurava duas armas e minha mãe uma.

-Algum sinal dela- perguntei um pouco aflita.

-Não querida, parece que foi os Rinth que pegaram Lucy e fizeram essa desordem. – disse meu pai- Agente vai dar mais uma olhada nos bastidores do salão, já que lá tem lugares para se esconder. Mas tem guardas em todo perímetro do hotel para ninguém entrar ou sair daqui você sabe disso, então vamos encontra-la.

Foi então que começou um tiroteio vindo do salão. Eu senti que Lucy provavelmente esta ali então sem pensar direito corri para o salão, mas quando que entrei não deu tempo para eu reparar em nada, houve uma explosão e as cortinhas de todos os lados começaram a pegar fogo. Senti algumas mãos me puxando para fora e eu só fazia me debater tentando me solta. Fui arrastada ate a frente do hotel. Percebi que as mãos que me segurava eram de meu pai, e minha mãe vinha logo em seguida.

-fique aqui com ela — ele falou para a minha mãe que me abraçou

-tudo vai ficar bem minha filha, nada de ruim vai acontecer com ela, se acalme querida- ela começou a sussurrar depois que meu pai voltou para o hotel.

- eu quero minha filha, eu a quero mãe! É tudo culpa daqueles malditos, se ela estivesse comigo nada disso aconteceria! Cadê Lucy, cadê! – falei entre as lagrimas. — ... Lucy.

Não sei se passaram minutos os segundos que então eu comecei a ouvir mais disparos e senti meu coração se apertar cada vez mais. Se algo acontecesse com ela eu não saberia se suportaria.

Foi ai que em meio as fumaça que Roger saiu do hotel as pressas vindo em minha direção. Quando vi pareceu que meu mundo havia congelado. Solte-me do abraço forçado da minha mãe e fui ate ele. Ele segurava um corpo sem movimente.

Era Lucy, ele me deu ela para segura depois de anos. Ela parecia sem vida e estava meio pálida em meus braços. Quando eu achei que ela estava morta Lucy começou a torce em meus braços ainda com os olhos fechado.

-Me devolva ela agora!- falou a senhora Harsonni vindo em minha direção

-Nunca! É tudo sua culpa isso ter acontecido!- gritei para a mulher que tinha uma expressão serie em seu rosto- é sua família que fica provocando os Rinth, não a minha! É a senhora que quando alguém não faz o que você quer tu matas sem piedade! Você destrói famílias por puro capricho!

- Desde que você, os Korynn, entraram nos negócios destruiu minha vida. E me devolva Lucy ela não é mais sua!

-Nunca!

-Já chega!- o senhor Harsonni estava segurando o pulso dela que estava a centímetros do meu rosto. — Você não merecer ficar com ela, tu nunca nem cuidou da criança.

-Quem é você pra falar comigo assim!

-Ta na hora de você volta para o seu lugar- então ele deu um tapa no rosto dela, mas entre seus dedos tinha uma lamina, pois fez um grande risco no rosto dela. E logo após dois caras a segurou e levou para longe de nós

-Às vezes a vida não é perfeita. Cuide bem dela. — ele sussurrou para mim, mas o que me realmente assustou foi que naquele momento era como se eu estivesse escutando o próprio Olavo falando comigo.

Então senti Lucy me abraça e o vi indo embora.