Sonhos Em Série

3 Capítulo 3 - Preto e Branco


Notas iniciais
Capitulo 3 o/ Boa Leitura!

Marine fez o de costume logo após sair da varanda, então anotou seu dia em seu diário, o que não demorou muito já que tudo acontecia da mesma forma. Então como estava muito cansada, pois não havia dormido na noite anterior, pegou rapidamente no sono, o que levou ela a aparecer mais uma vez naquela sala, mas agora em uma porta de nome “Desespero” e dessa vez ela não hesitou nem um pouco, estava determinada a encarar o que tivesse dentro daquela porta. Então ela entrou vagarosamente pela sala que estava em completo silêncio, depois de vagar um pouco por ali a moça virou para trás e notou que mãos estavam brotando logo atrás dela, tentou correr, porém em vão já que as tais mãos também brotaram rapidamente por todos os lados. A moça se via numa prisão de não ter para onde ir, as mãos começaram a lhe a arranhar as pernas e ela gritava em razão da dor insana que sentia ao simples toque daquelas bizarrices que estavam puxando ela para o fundo da sala:

- Socorro! — Gritou a moça, que nem ligava que não tinha ninguém ali, pois a agonia falava mais alto.

Quanto mais ela resistia mais as mãos ficavam fortes, a ponto de quase torcer os membros inferiores da moça. Aquelas assombrações a deitaram no chão onde quatro dessas aberrações seguraram seus braços e pernas e os esticavam, provocando dores sem tamanho, algumas se esticaram mais e enrolaram a moça completamente, que ainda continuava a se contorcer e quanto mais se contorcia, mais as mãos ficavam agressivas. Marine já estava sem ar até que desistiu de resistir afinal havia lutado muito em vão para se libertar daquele horror, então começou a se acalmar e as mãos junto com ela gradativamente, até tudo se acalmar.

Logo após todo o terror acabar a moça via que outra rocha semelhante a da sala anterior surgiu, então Marine aproximou-se da pedra e leu o que havia contido na nela:

- “... Onde não haja violência, discórdia ou rancor...”, Estranho isso, o mesmo aconteceu na sala da “Ira”... – Refletiu a garota.

Marine acordou já amanhecendo, não perdeu tempo de anotar tudo em seu diário, qualquer vestígio de sonho ou de pesadelo. Ela não deixava passar nada, simplesmente sua vida se resumia agora a sono, dormir, sonhar e acordar, ela não notava isso estava sedenta por continuar tudo isso:

- Onde pode estará próxima porta e o que pode haver nela? Mal posso esperar – Falou a moça curiosa

Ela já estava até planejando e tentando adivinhar o que poderia acontecer nas próximas idas ao mundo dos sonhos dela. Era simplesmente inimaginável sua sede por descobertas, porém isso não era bem curiosidade da parte dela, ela estava vazia como o apartamento dela, comia cada vez menos, ao contrario do seu tempo dormindo que gradativamente aumentou afinal não se ligava no tempo mesmo, pois julgava que não faria diferença já que estava presa naquele quarto mesmo.

Na noite seguinte Marine dormiu novamente e lógico que sonhou mais uma vez, agora com outra porta chamada “Negligência”. Mais uma vez sem hesitar entrou na sala, e lá encontrou muita gente, como em Anzol Vermelho, mas ninguém olhava para a moça. Ela passava em volto das pessoas ali, até que um grupo de vândalos surgiu e começou a atacar um mendigo que estava ali perto. Marine gritou por ajuda, mas nenhum deles abriu mão do seu caminho para ajudar o mendigo, ela puxava as pessoas, chutava-as, jogava pedras, enfim sem resultado nenhum, e algumas pessoas juntavam para apenas ver a agressão ou incentivar os vândalos:

- Isso! Bate nele!

- Ele não serve! É apenas lixo!

- Podem acabar com ele, não será de utilidade nenhuma para nós.

Assim iam dizendo todas as pessoas. A pobre moça já não aguentava isso, ela começou a chorar e a perguntar onde estava a paz e a justiça que até a própria policia passava pelo local e não fazia nada. Simplesmente ela começou a gritar e olhar no rosto das pessoas:

- O que há de errado com vocês hein, não possuem mais noção do certo e errado? Ficaram loucos mesmo? Se vocês não criarem juízo eu vou enfiar a droga do juízo na cabeça de vocês! – Gritou a moça o mais alto que pode

Depois dessa atitude de Marine as pessoas pararam de olhar a violência que estava se promovendo ali. Voltaram a seguir seus próprios caminhos e os vândalos saíram dali se arrastando com vergonha, o mendigo se levantou e foi até a moça a qual ele agradeceu e apontou para onde havia outra rocha. Marine retribuiu o agradecimento e foi até a rocha:

- “... E nos iludimos com a paz que existe entre nós...”, é... Faz bastante sentido isso agora...

Com um ar de “dever cumprido”, a moça volta para o mundo real. Ela foi até a varanda e olhou ali a multidão de pessoas amontoadas novamente e nada mudou, estava tudo igual, ela se fechou naquela hora, viu que não tinha feito a diferença, afinal era só um sonho mesmo. Enquanto lá fora nas ruas prostitutas e drogados, ladrões e estupradores, vândalos e infratores rondavam livremente:

- Foi somente um sonho, nada mudou mesmo – Disse Marine, voltando para o quarto.