Sonhos Em Série

4 Capítulo 4 - Perda de Tempo


Notas iniciais
capitulo 4 o/

A pobre moça estava frustrada, pois aquele sonho foi tão real e tudo foi perdido como areias do deserto que dançam ao sabor do vento forte para longe de nossa visão. Enfim Marine viu que seu joelho já estava completamente sarado então retirou o curativo que havia feito. Ela sentou numa cadeira da cozinha e pensou em como ela se sentia vazia fora dos sonhos e mais humana dentro deles e deu um suspiro:

- Tem algo errado, não sei se comigo ou com eles, mas sempre teve algo errado nisso tudo – Falou para si mesma.

Logo após assistir um pouco de TV, foi se preparar para dormir novamente, e rapidamente já estava no sonho mais uma vez. Agora frente à outra porta mais uma vez, esta qual possui o nome de “Frustração”. Adentrou sem medo algum, e se dirigiu ao interior daquela sala, até que uma grande cena apareceu de seu algoz novamente, ela podia notar aquela parte onde ela ouvia os passos das pessoas e as chamava, mas ninguém respondia seu socorro, e como ficou decepcionada e frustrada com essa gente. Não adiantava de nada fechar os olhos, os chamados e as passadas eram maiores que sua vontade, sem poder correr, se frustrou diante de sua fraqueza, que deveria ter resistido mais. Frustrou-se também com a sociedade que negava cada vez mais o jeito “humano” de ser, ela podia estar conformada com aquilo tudo a sua volta e a moça não estava mais suportando a cena que passava repetidamente, era agonizante. Marine não pôde fazer nada, diante daquela situação estava imóvel e paralisada, então a cena desapareceu sem mais nem menos, e outra rocha surgiu em frente a ela:

- “... Por isso dormimos, sonhamos e fugimos da realidade...” – Leu a garota sem dizer mais nada.

Mesmo sem entender o porquê daquilo, Marine voltou mais uma vez a vida real. Levantou-se da cama se perguntando o que havia ocorrido naquela sala, tudo foi muito confuso para ela, que notava que estava voltando a ficar na duvida mais uma vez, não pensou muito nisso e anotou em seu diário. Na cozinha comeu um pouco, limpou a casa e depois se deitou na cama sem intenção de dormir, pela primeira vez depois de muito tempo, foi apenas para descansar mesmo ou apenas pensar em como aquilo estava chato. Foi até a varanda observar o pessoal que passava como fazia costumeiramente, e até estava tudo calmo e entediante, então decidiu tentar sair de casa, mas tentou em vão, simplesmente a garota ficou em estado de choque, não conseguiu mover um músculo e sentiu um cala frio subindo pela sua espinha, logo se atirou na cama com medo.

Então ela ficou ali para na deitada na cama, já era praticamente sete horas da noite, e Marine não demorou a pegar no sono quase que instantaneamente e logo apareceu em sonho e em outra porta.

- Mais uma... Será que vale mesmo a pena de estar fazendo isso? – Disse a moça em voz baixa adentrando a sala.

Desta vez a porta tinha o nome “Tristeza”, e tinha uma cadeira no centro da sala, Marine foi sentar-se na cadeira por curiosidade, de repente dos braços da cadeira surgiram amarras, que prenderam os braços e as mãos da moça assim como os pés do móvel que prenderam as pernas e os pés e uma última amarra que surgiu do encosto da cadeira, a qual segurou fortemente a cabeça da moça para uma cena que surgia ali em sua frente. Todos os momentos infelizes dela e até de outras pessoas, aquilo tudo passando com gritos de horrores e os choros de tristeza das pessoas e até dela própria, toda a sua infelicidade estava contida naquelas imagens que passavam em sua frente, porém a moça não tinha nenhuma reação, ela ficou ali parada sem esboçar nenhuma ação, nem choro, gritos, prantos, nem um piscar de olhos.

Então as amarras se soltaram e ela se levantou da cadeira e foi até a rocha que havia surgido ali perto e leu tudo o que estava escrito ali:

- “... E no mundo lá fora, vamos trancafiando uns aos outros...”.

- Muito bem Marine, posso ver que progrediu bastante – ecoou uma voz grossa, que assustou tanto a moça que ela teve se encolher em um canto qualquer por ali.

- Quem falou? Quem está ai? – gritou Marine desesperada

- Você saberá minha doce criança, é somente sonhar de novo e descobrirá – finalizou assim a conversa.

Marine acordou bastante assustada, mal conseguia falar, nem tocou em seu diário, nem saiu da cama. Apenas o efeito que aquela voz fez as pernas da moça ficarem bambas, lentamente foi descendo da cama e apanhando seu diário no criado-mudo, tremula ainda não pôde escrever direito. Ela sabia muito bem que não estava ficando louca e que tudo aquilo que ela passou foi bem real, depois que se recompôs saiu do quarto e foi até a cozinha e tomou um copo d’água para tentar se acalmar mais e de nada adiantou. Marine começou a se desesperar e a se debater dentro do apartamento como se estivesse tendo um ataque epiléptico, enfim se acalmou e descansou um pouco até a noite.

Logo na hora de dormir a moça resistia ao sono, porém o cansaço era maior que sua vontade, então acabou dormindo e lá se viu em frente à outra porta. Marine sabia que desta vez podia ser o fim de tudo, mas ela estava com medo e tentou recuar em vão, logo se viu entre quatro paredes e uma única saída:

- E agora? O que tenho que fazer? – Se perguntou Marine

Então sem ter para onde correr, ela entrou lá na porta, de nome “Você”.